• Aucun résultat trouvé

Culture et Identité dans la politique de l’Azerbaïdjan

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 114-122)

L’identité en Azerbaïdjan et en Turquie

4. Culture et Identité dans la politique de l’Azerbaïdjan

A mesma mídia que é porta-voz do modelo de globalização e teve seu mercado internacionalizado, também é o espaço onde se pode ter a visi- bilidade dos fracassos do modelo econômico capitalista pós-industrial em diminuir a desigualdade. Contudo, ela tem sido mais enfática no primeiro do que no segundo papel social e político. Tratar-se-ia de um “terrível paradoxo”, como avalia Silverstone (2002, p. 265), em que “a mídia, não menos do que talvez o capitalismo global em seu conjunto [...], está cus- pindo no prato que comeu: tanto a mídia como as liberdades de mercado estão a ponto de se destruir”. Mas o que é a mídia e em que as novas possi- bilidades tecnológicas do digital transformaram-na conceitualmente?

31 FOLHA DE SÃO PAULO ON LINE. Globalização não reduz desigualdade e pobreza no mundo, diz ONU. Editoria Mundo, em 10/02/2007. Disponível em : <[http://www1.folha.

Primeiro, é preciso deixar claro que nem todo meio de comunicação é mídia, mas toda mídia é meio de comunicação, só que de um tipo especí- fico. Poderíamos dizer que uma mídia é o que historicamente foi definido como “meio de comunicação de massa”, que tradicionalmente abrange a imprensa, o cinema, o rádio e a televisão. Hoje também incluímos a inter- net e as tecnologias digitais informacionais, mas estas trouxeram algumas modificações ao conceito de “comunicação de massa”.

Para John B. Thompson (2001, p.30), o termo “comunicação de massa” é infeliz. No geral, Thompson faz à expressão meios de comunicação de massa uma crítica procedente, mas não abdica de continuar a usá-la em

todo seu livro. Esse é o problema que encontramos em sua tentativa. Nos últimos anos, vemos o termo ser substituído por “mídia” e “mídias” nas publicações mais atuais.32 Primeiramente, o termo meios de comunicação

de massa é problemático porque dá a entender que estes meios têm uma

audiência vastíssima de milhares ou milhões de pessoas. Mas há produtos como certos filmes, CDs, livros, programas de TV, que têm uma audiência baixíssima. Logo, o conceito não pode se resumir à quantidade, mas à ideia de que está disponível para uma “grande pluralidade de destinatários”. Na

32 Trata-se de uma síncope da expressão inglesa “mass media” que corresponderia em sua tra- dução a meios de comunicação (media, do neutro plural do latim medium) de massa (mass). O título original do livro de Roger Silverstone, publicado em 1999, em Londres, é Why study the Media? (No Brasil, foi traduzido como Por que estudar a Mídia? – Loyola, 2002). O termo media na bibliografia hispânica e portuguesa ibérica corresponde ainda ao plural latino de medium. Desta forma, “los media” ou “os media” corresponde ao que no Brasil traduziu-se nos dicionários e pesquisas como mídia, ou seja, “o conjunto dos meios de comunicação, e que inclui, indistintamente, diferentes veículos, recursos e técnicas, como, p. ex., jornal, rádio, televisão, cinema, outdoor, página impressa, propaganda, mala-direta, balão inflável, anún- cio em site da Internet, etc.” (Dicionário Aurélio Século XXI, versão digital 3.0, 1999, Ed. Nova Fronteira). O problema na língua portuguesa brasileira é que se usa tanto a expressão “a mídia” como “as mídias” para designar o coletivo ou o conjunto das instituições midiáticas e os suportes/veículos específicos, respectivamente.

mesma linha, o segundo limite da expressão é que já não compreendemos “massa” no sentido de que todos recebem as informações dos meios de maneira uniforme, como uma “massa amorfa”. Os destinatários dos produ- tos midiáticos não são consumidores passivos: interpretam e se apropriam de informações em seu cotidiano, contudo o processo de comunicação constituía-se fundamentalmente assimétrico, não há um diálogo, no sentido da interação entre duas pessoas num mesmo contexto (tempo/ espaço), em que cada um pode interferir no rumo da conversa durante seu decorrer. O receptor tinha que buscar outras formas de “dialogar” com os meios de comunicação tradicionais: cartas ao editor, telefonar para a TV ou para o programa de rádio, recusar ver determinado produto, etc.

Falamos sempre de produtos de comunicação, por ser uma outra característica daquilo que era desenvolvido como “comunicação de massa” e que fundamenta o conceito de mídia: a transformação das men- sagens – das “formas simbólicas” transmitidas – em mercadoria. “Há uma exploração econômica das inovações técnicas” (THOMPSON, 2001, p. 33). Ou seja, direta ou indiretamente, pagamos pelo uso da televisão, do rádio, do jornal e por suas inovações (nova forma de impressão em cores, TV digital, transmissão em fibra ótica), através da publicidade (audiência) ou, diretamente, quando compramos um pacote de TV por assinatura, assinamos um provedor de conteúdo na internet ou compramos uma revista. Essa característica decorre de outra anterior: a comunicação midiática envolve “certos meios técnicos e institucionais de produção e difusão” (THOMPSON, 2001, p. 32). E aqui entra a característica que acreditamos definidora do que seria o que, hoje, denominamos de mídia:

é o conjunto das organizações que se interessam pela exploração comercial (ou pela acumulação de capital simbólico) dos meios de comunicação, tornando possível sua produção e difusão generalizada. Portanto, denominamos mídia

o conjunto dos meios de comunicação social que funcionam segundo uma “dupla lógica”:

uma lógica econômica que faz com que todo organismo de

informação aja como uma empresa, tendo por finalidade fabricar um produto que se define pelo lugar que ocupa no mercado de troca dos bens de consumo (os meios tecnológicos acionados para fabricá-lo fazendo parte dessa lógica); e uma lógica simbólica que faz com que

todo organismo de informação tenha por vocação parti- cipar da construção da opinião pública [grifos do autor] (CHARAUDEAU, 2006, p. 21).

Temos assim condições de produção, de circulação e reconheci- mento/consumo dos produtos midiáticos (HALL, 2003; VERÓN, 2005;

CHARAUDEAU, 2006)33 que são característicos do processo midiático em relação aos demais meios/formas de comunicação, mesmo quando são acionados suportes tecnológicos semelhantes. Por exemplo, quando produzimos um vídeo caseiro e exibimos para nossos familiares, estamos utilizando, grosso modo, os mesmos meios técnicos que uma rede comer- cial ou pública de TV, mas nosso vídeo não se constitui numa mídia, pois não envolveu condições de produção técnicas e artísticas voltadas para a difusão (alcance), audiência e comercialização generalizada, visando ao lucro ou ao crescimento/fortalecimento simbólico da empresa de mídia, a exemplo da Rede Globo quando produz novelas ou da TV Cultura quando realiza e exibe documentários e programas infantis premiados no mundo inteiro. Portanto, a diferença entre toda e qualquer forma de comunicação e a mídia pode ser caracterizada na forma como o midiático constitui, ao mesmo tempo,

33 Stuart Hall estabelece o processo midiático em uma estrutura interligada e complexa de produção, circulação, distribuição/consumo, reprodução (2003, p.387); Eliseo Verón trata de condições de produção, circulação e reconhecimento, em que os dois polos possuem gramáticas específicas (2005, p. 264-266); Patrick Charaudeau propõe três lugares da “máquina midiá- tica”: produção, lugar das condições de produção, produto, lugar da construção do produto e recepção, lugar das condições de interpretação (2006, p. 23).

um setor industrial de máxima relevância, um universo simbólico que é objeto de consumo em grande escala, um investimento tecnológico em contínua expansão, uma experiência individual cotidiana, um terreno de conflito político, um sistema de mediação cultural e de agregação social, uma maneira de passar o tempo etc. (WOLF, 2003, p. 9).

Só é preciso, no entanto, relativizar o consumo em grande escala, visto que há um conjunto de mídias alternativas, independentes, populares

ou comunitárias (PERUZZO, 2004) cujo consumo é em menor escala, e

cujos interesses se voltam para acúmulo de capital simbólico e social e, não necessariamente, para a exploração comercial.

Primeiro, porque os meios comunitários se baseiam em demandas muito específicas, de acordo com a realidade de cada lugar ou movimento social a que esteja ligado. Segundo, porque eles nem se propõem a falar para as grandes audiências, o que mostra o papel complemen- tar desempenhado pelas mídias comercial e educativa na sensibilização da sociedade para os temas da cidadania. Terceiro, por que revelam uma capacidade fantástica de inovar e incorporar novos canais de expressão, práticas e conteúdos. (PERUZZO, 2004, p. 52).

Com a chamada “revolução digital”, fruto do investimento tecnoló- gico em expansão, é possível reduzir (digitalizar) textos, imagens, sons em bits (dígitos binários). A digitalização possibilitou a “convergência tecno- lógica” entre as telecomunicações, a comunicação midiática e a informática, o

que trouxe consequências imensas (LIMA, 2001). Entre elas destacamos duas:

a concentração da propriedade da mídia – junto com movimento

compras, fusões e parcerias no setor da comunicação, articu- lando a nova e velha mídia, dando origem a um forte processo de oligopolização;

velha mídia versus nova mídia – a entrada das novas mídias no

cenário da comunicação de massa, definida a partir dos novos suportes digitais: computadores multimídia, CD-ROM, bancos de dados, livros eletrônicos, telefones multimídia, com a dis- tribuição dos produtos num mesmo canal e em formatos mais interativos, dando maior controle aos usuários sobre o que rece- bem. (LIMA, 2001, p.27-28).

Passados mais de dez anos do uso da digitalização e presença na internet pela mídia tradicional (VIEIRA, 2003; SALAVERRÍA, 2005; TORRICO, 2005), alguns pesquisadores ainda se cercam de critérios para definir o midiático dentro do circuito restrito compreendido pelas institui- ções da imprensa, televisão e rádio. É o caso de Charaudeau que denomina “mídias de informação” o “conjunto dos suportes tecnológicos que têm o papel social de difundir as informações relativas aos acontecimentos que se produzem no mundo-espaço público” (2006, p.21). Está implícita em sua restrição a noção de que a internet representou a digitalização dessas mesmas instituições, que passaram também a difundir suas informações sobre a esfera pública dos acontecimentos pela rede mundial de compu- tadores. Ramón Salaverría (2005) coordenou uma pesquisa coletiva com objetivo de mapear a presença da internet nos meios de comunicação na Espanha. Nesse projeto, um dos grupos de pesquisa envolvidos introduz um quarto meio à mídia de informação, o “cibermedio”.

Concebimos el cibermedio como aquel emisor de con- tenidos que tiene voluntad de mediación entre hechos y público, utiliza fundamentalmente criterios y técnicas periodísticas, usa el lenguaje multimedia, es interactivo e

hipertextual, se actualiza y se publica en la red Internet. (LÓPEZ, LIMIA, ISASI, PEREIRA, GAGO, CALVO, 2005, p.40).

Para fundamentar essa posição de quarta mídia ao lado da imprensa escrita, do rádio e da televisão, LÓPEZ (2005) e os demais pesquisado- res do grupo reconhecem que nos primeiros anos o “ciberperiodismo”

constituía-se na mera passagem dos textos produzidos na imprensa de papel para o ambiente digital, mas evoluiu ao ponto de constituir um meio distinto, com estrutura de redação, formas narrativas e discursi- vas específicas. O limite da concepção de cibermedio é estar por demais

fundamentada no jornalismo e o conceito de mídia abrange outras cate- gorias de informação.

Na tentativa de ultrapassar esse limite, Wolton (2003) identifica a internet como um conjunto de serviços (Web, Usenet, IRC, FTP, Chats,

P2P, E-mail, etc), cada um com distintos protocolos técnicos que trafegam na rede, em que a Web (World Wide Web) seria a mais conhecida do grande

público e a que mais se aproximaria do conceito de mídia que defende. Inicia perguntando pelo conteúdo da Web e estabelece quatro tipos de

informação, buscando categorizar a multiplicidade dos dados a partir de uma visão institucional: informação-serviço, informação-lazer, informa- ção-notícia e informação-conhecimento (WOLTON, 2003, p.90-91).34 Na categoria serviço, encontraríamos reservas/compras de passagens, opera-

ções bancárias, agendas digitais de eventos, meteorologia, sites de busca etc. A informação do tipo lazer é representada pelos jogos interativos em

rede. A informação-notícia é de tipo geral, ofertada por jornais ou agên-

cias de notícias, e especializada, destinada a interesses profissionais ou

34 Vale ressaltar que o livro de Dominique Wolton foi publicado pela primeira vez em 2000, por- tanto, são sete anos de diferença, tempo que em termos do aparecimento de novos suportes tecnológicos digitais é significativo.

socioculturais. Já a informação-conhecimento corresponderia a informações

disponíveis em bancos de dados, tanto as de livre acesso ou aquelas que necessitam de uma senha ou alguma forma de pagamento. Os repositórios de textos científicos da Capes (www.capes.gov.br), da Intercom (www. intercom.org.br) ou da Compós (www.compos.org.br) estariam nessa categoria. O problema dessa classificação é o que ela deixa de fora, como as páginas pessoais ou as ferramentas sociais (SPYER, 2007) como Orkut

e MSN, que em nossas entrevistas de campo os internautas citaram como experiências de lazer.35

Outro limite é a afirmação de Wolton de que “não há muitos vínculos entre a informação-imprensa e informação-serviço, informação-conhe- cimento e informação-lazer” (2003, p. 94), pois, mesmo todas sendo informação, teriam estatutos, legitimidades, sistemas de referência, custos e preços distintos.36 Wolton relaciona que essa segmentação de tipos de informação pauta a internet pela seleção financeira e segmen- tação de conteúdos (o que na mídia digital se denomina personalização

35 As entrevistas foram realizadas em dois momentos distintos, entre setembro de 2006 e novembro de 2007, em telecentros da cidade de Curitiba, no Paraná. Elas serão desenvolvidas nos próximos capítulos.

36 Se não há muitos vínculos, o que dizer então sobre os principais portais brasileiros, cujo volume de informação-lazer ofertado como informação-notícia, o chamado “infotenimento”, assume grande parte das chamadas das páginas de entrada? Ou de serviços de busca e e-mail como o Yahoo! em que a parte de maior destaque visual da página de entrada é dedicada a notícias, sob as abas “Em destaque”, “Entretenimento”, “Esportes”, “Notícias” e “Celebridades”. Nos Estados Unidos, a oferta de notícias do Yahoo! ajudou a alavancar, em 2005, o aumento da audiência on line de notícias. Segundo a JupiterResearch, os internautas entre 18 e 24 anos influíram nessa tendência: 33% deles preferem a internet como fonte principal de notícias, porcentagem próxima dos 40% da TV e bem acima dos jornais impressos, 10%. A pesquisa durou quatro anos e entrevistou 10.750 pessoas nos EUA. Confira: Cresce o uso da web para leitura de notícias. IDGNow!, 28/04/2005. Disponível em: <[http://idgnow.uol.com.br/ internet/2005/04/28/idgnoticia.2006-03-12.8316534406/IDGNoticia_view]>. Acesso em: 01 maio 2007.

ou customização), em que os grupos sociais mais abastados teriam sem-

pre a melhor opção, enquanto que os jornais, as rádios e televisões se revelariam mais democráticos, por que são generalistas, atuam no uni- versal, falam para todos e cada um pode internalizar aquilo que deseja, em função de sua identidade e posição social. Wolton admite que haja desigualdades e assimetrias na mídia tradicional, “mas ao menos elas são visíveis e o acesso menos segregativo” (WOLTON, 2003, p. 96). Enfim, o argumento de Wolton está repleto de contradições, pois ao tentar res- ponder o que é uma mídia, na tentativa de negar o caráter midiático da Web (e da internet), define que uma mídia necessita de uma “represen-

tação a priori de um público”, enquanto na internet, há uma utopia de que o público está em qualquer lugar do mundo, não precisa ser definido (WOLTON, 2003, p. 100). Mas antes afirmara que a internet segmenta conteúdos pelos tipos de informação e por quem tem maior ou menor poder aquisitivo ou distintas posições na sociedade. Portanto, se seg- menta conteúdos, não seria por que estabelece nichos e públicos de interesses distintos e bem definidos?

Ainda relacionado a esse aspecto, Wolton complementa que uma mídia não só representa seu público, mas está ligada a “uma certa comuni- dade linguística, de valores, de referências” e sua relação com o público se dá pela antecipação sobre o que pode ser a demanda e o público. Assim, um tipo de sistema de informação e comunicação como a internet esta- ria descentrado de uma noção de referências e valores locais, pois seria global/mundial e, com foco na capacidade de emitir informações de qual- quer lugar, não faria uma reflexão sobre quem é seu receptor, pois poderia ser qualquer internauta do mundo (WOLTON, 2003, p. 100). Logo, se a internet fala para todos, não fala para ninguém. Contudo, no período que estivemos em Barcelona, durante pesquisa de doutorado sandwich,

Brasil-Espanha,37 que migrantes brasileiros, bolivianos, peruanos entra- vam na internet e procuravam sites informativos de seus países de origem. Ou seja, o fato de esses sites informativos estarem no ciberespaço, não os desterritorializa simbolicamente, não os faz perder suas comunidades de referência, ao menos no sentido atribuído pelos internautas migran- tes. Nas próprias URLs (endereços da Web) como www.folha.uol.com.br

(Folha de São Paulo), www.laprensa.com.bo (La Prensa) ou http://www. elcomercioperu.com (El Comercio), a terminação dos sites representa suas

comunidades nacionais de referência: .br (Brasil), .bo (Bolívia), ou tal

identificação se encontra no próprio domínio “elcomercioperu” (Peru).

Mesmo assim, Wolton como defensor das mídias clássicas conclui que “quanto ao que é essencial a Net [Internet] não é uma mídia. É um for- midável sistema de transmissão e de acesso a um número incalculável de informações” (2003, p.101).

Pierre Lévy (1999) define mídia pelo suporte e não por suas con- dições sociais e econômicas de produção e reconhecimento. “A mídia é

o suporte ou veículo da mensagem. O impresso, o rádio, a televisão, o cinema ou a Internet, por exemplo, são mídias” (LÉVY, 1999, p. 61). Um aspecto de sua abordagem é que não faz a divisão entre mídias clássicas e mídias digitais, pois isso diria mais respeito ao sistema de codificação do que a uma característica específica de cada mídia. Não somente a inter- net seria digital, visto que a gravação, transmissão e armazenamento de

37 Entre outubro de 2005 e março de 2006, num estágio de aperfeiçoamento (Doutorado Sandwich), com financiamento da Capes, na Facultat de Ciències de la Comunicació (UAB-Barcelona) dentro do projeto de pesquisa “Mídia e intercul-

turalidade: estudo das estratégias de midiatização das migrações contemporâneas nos contextos brasileiro e espanhol...”, financiado pelo Programa de Cooperação Internacional Capes/MECD e desenvolvido pelos grupos de Pesquisa Mídia e Multiculturalismo (Unisinos), Migracom (UAB) e Processos Comunicacionais (Unisinos), ao qual o pesquisador está vinculado.

informações da TV, rádio, fotografia ou cinema podem ser analógicos ou digitais.38 O diferencial da concepção de Lévy é a noção de disposi-

tivo informacional para diferenciar o potencial da internet cujo dispositivo todos-todos é um passo além do dispositivo um-todos (difusão, broadcasting)

da mídia tradicional (imprensa, rádio e televisão) e do dispositivo um-um

característicos de meios como o telefone e os correios. Não sabemos se é um problema de tradução, mas a ideia de “todos” parece ressuscitar hoje a velha noção de “massa”: uma mídia que de um ponto atinge a todos, ou a internet como sendo um meio em que todos necessariamente inte- ragem, colaboram e enviam informações para todos ao mesmo tempo, o que concretamente congestionaria a rede. Steve Johnson (2001) recupera do inglês as expressões one-to-one (um-um), one-to-many (um/muitos) e many-to-many (muitos/muitos) para situar os modos de comunicação à

distância. Vemos como muito mais plausível essa ideia, pois relativiza a noção de “totalidade”. O que é característico da internet como mídia é jus- tamente o desenvolvimento de “softwares sociais” (social software), termo

usado para os programas que produzem ambientes de socialização em rede, a exemplo do Orkut, Wikipedia e blogs (SPYER, 2007). “Sua aplica- ção funde a difusão (broadcasting) que transmite informação de um ponto

para muitos, com a interatividade característica da comunicação de duas vias”. (SPYER, 2007, p.21).

De certa forma, a digitalização põe, em xeque, determinadas visões que restringem o conceito de mídia, como faz Wolton (2003), à imprensa, ao rádio e à televisão por serem clássicas, ou seja, já terem uma tradição,

38 As políticas nacionais de comunicação caminham para transformar toda a distribuição na forma digital. A Europa e a América do Norte estão finalizando seu processo de digitalização da radiodifusão e o Brasil iniciou o processo no final de 2006 com previsão de concluí-lo em uma década. CASTRO, Daniel. TV digital terá implantação gradual no país. Folha de São Paulo Online, Dinheiro, 08/03/2006. Disponível em: <[http://www1.folha.uol.com.br/ folha/dinheiro/ult91u105782.shtml]>. Acesso em: 21 fev. 2007.

pois afirmar mídias clássicas pressupõe que há mídias recentes ou “novas” (LIMA, 2001), que necessariamente não são apenas uma extensão linear das anteriores (DIZARD, 2000). Wilson Dizard admite que tanto a “mídia clássica” como a “nova mídia” oferecem informação e entretenimento para grandes públicos. “A diferença é que a nova mídia está expandindo drama- ticamente a gama de recursos disponíveis para os consumidores através da Internet e de outros canais” (DIZARD, 2000, p.40). O processo de digita- lização das emissões eletrônicas eliminará paulatinamente essa diferença

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 114-122)