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Identificar o autor de um texto admite reflexões,

[...] havia escribas que acompanhavam um grupo de profissionais especializados numa arte particular: gravar argila ou pedra; pintar em seda, tabuinhas ou bambu, papiro ou em muros, esses sinais misteriosos, tão associados ao exercício do poder. As funções ler e escrever estavam, de fato, tão separadas, que os que controlavam o discurso que podia ser escrito não eram os mesmos que o escreviam e muitas vezes tampouco os que praticavam a leitura. Os que escreviam não eram leitores autorizados, e

os leitores autorizados não eram os escribas. (FERREIRO, 2002 apud Duran, 2005)

“Em alguns casos, é também necessário considerar o fato de que alguns documentos nos chegam por intermédio de copistas que tinham, as vezes de decifrar escritas quase ilegíveis.” (CELLARD, 2012, p.301)

De acordo com Cellard (2012) ao interpretar um texto é preciso ter uma ideia da identidade da pessoa que o escreveu, conhecer o autor é compreender os interesses de um texto, confessos ou não. É preciso pensar em algumas questões para formar essa ideia de identidade: “o autor do documento conseguiu reportar fielmente os fatos? Ou ele exprime mais as percepções de uma fração particular da população?” (p.296) ou ainda “esse indivíduo fala em nome próprio, ou em nome de um grupo social, de uma instituição?” (p.300)

Severino (2012, p.55) diz que esclarecimentos sobre a vida, a obra e o pensamento do autor, devem ser assumidos com reserva, as impressões dos comentadores podem prejudicar a compreensão objetiva das ideias mostradas na unidade estudada.

Um exemplo dado por Cellard sobre a importância de se conhecer o autor, é a escrita da história da França, a maioria das fontes acessíveis provinha dos numerosos religiosos que existiam à época, a reconstituição do passado “baseava- se essencialmente nas interpretações, percepções e convicções transmitidas por essas pessoas de Igreja”, por muito tempo teve-se a impressão os habitantes da colônia eram devotos fervorosos. No entanto, para o autor, uma leitura mais atenta desses documentos possibilita identificar a influência do clero e do Estado no comportamento dos habitantes, como exemplo Cellard traz a situação da proibição de beber e brigar durante a missa, se proíbe é porque existe, se a proibição se repete ano a ano é porque os habitantes não mudaram o comportamento apesar das advertências.

Os materiais do SARESP não possuem um autor específico ou declarado como único autor, o SARESP é um sistema que envolve em sua operacionalização vários sujeitos do governo estadual, da comunidade escolar e da sociedade em geral.

A assessoria técnica ao sistema e logística da avaliação são serviços externos operacionalizados por uma instituição contratada por meio de licitação, atualmente25 esse serviço tem sido prestado pela VUNESP - Fundação para o Vestibular da Universidade Estadual Paulista - Júlio de Mesquita Filho, em outras edições outras instituições foram contratadas. Esses serviços externos tem um custo, o documento de adesão das escolas particulares para a participação no processo que ocorrerá em 2013, estabelece o valor custo/aluno de R$ 19,98.

A Figura 6 apresenta a estrutura operacional do SARESP organizada em três níveis e identifica quem participa em cada nível,

Figura 6 Os níveis de operacionalização do SARESP

Fonte: Manual de orientação do SARESP de 2012

O nível regional, diretoria de ensino (DE) e secretaria municipal de educação (SME), responsabiliza-se pela supervisão e acompanhamento regional da avaliação. O nível local, diretor, professores e fiscal, tem atribuições e atividades a desenvolver na escola nos dias da prova.

Interessa a essa etapa da análise identificar o autor dos documentos do SARESP com esse interesse, detalha-se melhor as equipes e atribuições do Nível

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A VUNESP desde 2009 tem sido a instituição contratada para esses serviços. Em anos anteriores outras instituições foram contratadas: o Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (CAED), a CESGRANRIO e a Fundação Carlos Chagas.

Central, responsável pelo gerenciamento, supervisão e coordenação das atividades de operacionalização. De acordo com os documentos de operacionalização do SARESP, três equipes trabalham de forma articulada no Nível Central (QUADRO 4) com determinação de função e atribuições especificas,

Quadro 4 Equipe Central de operacionalização do SARESP e suas atribuições 1. SEE – Secretaria da Educação do Estado de São Paulo:

• CIMA – Coordenadoria de Informação, Monitoramento e Avaliação Educacional. Coordenação geral: define as diretrizes, parâmetros e aspectos da legislação educacional que tecnicamente as etapas de construção dos resultados e relatórios. • CGEB – Coordenadoria de Gestão e Educação Básica. Coordenação pedagógica: define ações relacionadas ao processo de construção e validação técnica de provas e relatórios pedagógicos.

2. FDE – Fundação para o Desenvolvimento da Educação

• GAIRE – Gerência de Avaliação e Indicadores de Rendimento Escolar. Gerenciamento da logística do SARESP: define os procedimentos de logística do processo de planejamento da aplicação da avaliação.

3. VUNESP – Fundação para o Vestibular da Universidade Estadual Paulista - Júlio de Mesquita Filho (Instituição contratada para realização do SARESP). Responsável pela logística dos materiais (impressão, distribuição e recolhimento) e da aplicação dos instrumentos da avaliação, processamento dos dados e análise dos resultados.

Fonte: Agenda do SARESP de 2012

Entende-se por essa apresentação de equipes e atribuições, que os relatórios do SARESP tem três autores: CIMA, CGEB e VUNESP. Em prática de ações: a VUNESP recolhe, processa e analisa os dados; a CIMA coordena tecnicamente as etapas de construção dos relatórios e a CGEB define as ações para o processo de construção e validação técnica dos relatórios.

Nessa etapa de identificar o autor do SARESP, percebeu-se que a Instituição prestadora de serviços não foi constante ao longos edições da avaliação, um aspecto a ser considerado na análise de conteúdo, momento em que foi necessário delimitar o acervo para estudo.