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Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 78-200)

Buscou-se apresentar nessa monografia, as principais comunidades agrícolas em que, fixou-se a etnia japonesa no território catarinense. Sendo o principal tema abordado as políticas governamentais relacionadas à agricultura e que, de certa maneira, atuaram diretamente como fatores de atração de imigrantes nipônicos.

A pesquisa realizada buscou contextualizar os debates sobre a estrutura agrária brasileira e exemplificar algumas políticas rurais no Estado de Santa Catarina, nas décadas de 1960 e 1970. Demonstrou-se, por exemplo, que na criação de Núcleos Coloniais pelo IRASC houve “diferenciações” que favoreceram uma parcela de agricultores japoneses e em menor medida alguns poucos “agricultores nacionais”, já que, segundo discursos, a preferência fora por camponeses orientais.

Contudo, a imigração japonesa demonstra que Santa Catarina também teve em sua formação social, um “mosaico étnico” e cultural importante. Como ressalta a antropóloga Ilka Boaventura Leite: “Santa Catarina é um dos estados que possuiu uma maior diversidade étnica, em se tratando de contingentes espacialmente agrupados”350.

É bom lembrar que apesar dessa diversidade, Santa Catarina geralmente é retratada como uma “terra de brancos”, colonizada somente por europeus e por isso, uma “região bem-sucedida” economicamente. Esperamos, portanto, com essa monografia participar da contribuição daqueles estudos que apontam as invisibilidades de algumas etnias que vivem no sul do País, assim como realizou a historiadora Patrícia de Freitas, por exemplo:

Enquanto Santa Catarina é reconhecida como um Estado eminentemente branco, a Bahia é reconhecida pela significativa população negra. O antagonismo de dois continentes, de um lado a Europa, do outro, a África. É bem provável que os brancos baianos também sejam confundidos fora e mesmo dentro do Estado da Bahia como estrangeiros. Importante lembrar que nem todos os loiros são catarinenses, como nem todos os baianos são negros, da mesma forma que nem todos os nisseis são paulistas351.

O trabalho apresentado também buscou abordar outro grupo, considerado socialmente “invisível”, pois é sistematicamente esquecido pelas políticas públicas

350

LEITE, Ilka Boaventura. “Descendentes de africanos em Santa Catarina: invisibilidade histórica e segregação”. In: __ (org). “Negros no Sul do Brasil. Invisibilidade e territorialidade”. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 1996. p.37.

351

FREITAS, Patrícia de. “Margem da palavra, silêncio do número: o negro na historiografia da Santa Catarina”. Dissertação de Mestrado em História. Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Florianópolis, 1997. p.XII.

brasileiras e por estudos acadêmicos: os camponeses. Ao longo da pesquisa, buscamos abordar a história dos trabalhadores do campo, quando lá no Japão, por exemplo, pequenos proprietários viveram a implantação do capitalismo (à partir da modernização Meiji) e encontraram “a solução” no emigrar. Apontamos à fixação dos nipônicos camponeses em Santa Catarina, a partir do segundo capítulo, quando da formação de núcleos coloniais. Apresentamos a relação dos imigrantes com o meio físico e social que se inseriram.

Em oposição aos pequenos proprietários, abordamos também os incentivos para implantação e produção de médios e grandes fazendeiros japoneses em Santa Catarina, estes que após gozarem de diversos subsídios governamentais tornaram-se “fortes produtores”, ou “verdadeiros japoneses”.

Em síntese, esse trabalho buscou construir um panorama geral da formação de comunidades rurais japonesas em Santa Catarina, no período em que existiu o IRASC (1961-1978).

Alguns discursos e políticas agrícolas por nós apresentados ao longo do trabalho, tornaram-se “visíveis” no Espaço, por isso, também optamos por demonstrar através da Paisagem, alguns “resultados” das concepções e propostas no agro-catarinense. Nós utilizamos alguns relatos acerca das Paisagens dos núcleos nipônicos em Santa Catarina, como exemplos e amostras da materialização de processos sócio-culturais.

Contudo, outros assuntos não puderam ser abordados nessa monografia, embora considerados importantes. Em todos os trabalhos de campo realizados nas pequenas propriedades agrícolas japonesa, (a saber: Frei Rogério, Itajaí, Caçador e Forquilhinha) uma das “questões” que mais chamaram nossa atenção, foi perceber que parte da família, - às vezes um elemento e às vezes a maioria – encontravam-se no Japão trabalhando. Ou seja, sendo Dekassegui352. Portanto, uma investigação a ser realizada, poderia buscar entender em que medida trabalhar no Japão significa a manutenção do “padrão” de vida camponês? Assim, deslocar-se atualmente para trabalhar no Japão é

352

“A palavra Dekassegui significa trabalhar fora de casa. No Japão referia-se aos trabalhadores que saíam temporiariamente de suas regiões de origem, sobretudo aqueles provenientes do norte e nordeste do Japão, e iam em direção a outras mais desenvolvidas durante o rigoroso inverno que interrompia suas produções agrícolas no campo. Esse mesmo termo é, então, aplicado aqui aos descendentes de japoneses, ou nikkeis – refere-se a todos os descendestes de japoneses nascidos fora do Japão, não se restringindo apenas aos brasileiros – que, vão trabalhar no Japão, a princípio temporariamente, em busca de melhores ganhos salariais, executando trabalhos de baixa qualificação, caracterizados pelos japoneses com “3k” – Kitanai (sujo), Kikein (perigoso) e Kitsui (penoso)”. Trecho retirado de SASAKI, Elisa. “Movimento Dekassegui. A Experiência migratória e identitária dos brasileiros descendentes de japoneses no Japão”. In: REIS, Rossana Rocha; SALES, Teresa (organizadoras). “Cenas do Brasil Migrantes”. São Paulo: Boitempo editorial, 1999. p.243.

resultado das más perspectivas dos pequenos proprietários rurais nipônicos ou se apresenta como uma possibilidade de ascender social e economicamente?

Na família japonesa entrevistada em Itajaí, a única filha do casal encontrava-se trabalhando no Japão, pois não encontraram condições de arcar com a mensalidade de Arquitetura na Universidade de Itajaí para essa filha, como não havia emprego nem renda para isso ela foi trabalhar como Dekassegui, no País dos seus pais.

Em Forquilhinha, a filha de um casal também se encontrava na situação de

Dekassegui, quando realizamos nesse Núcleo o trabalho de campo. Pareceu-nos que a

pequena parcela de terra em Sanga do Café, provavelmente ficará de herança para o irmão da imigrante, talvez motivo principal que a fez ir trabalhar no Japão.

Em Caçador, encontrava-se em uma propriedade da vila japonesa apenas o pai e o filho, já que a mãe, a filha e mais dois filhos também estavam no Japão trabalhando.

Em Frei Rogério há quem afirme que mais de cem pessoas, encontram-se vivendo e trabalhando no Japão.

Assim, há outros diversos temas possíveis de serem investigados: como a relação das vilas japonesas entre si (economicamente e culturalmente); a imigração japonesa para o espaço urbano catarinense; a possível submissão da mulher japonesa; as novidades e inovações de cultivares agrícolas apresentados pelos nipônicos; crenças e religiosidade dos orientais e descendentes e outros costumes culturais.

Sobre os nipônicos em terras catarinenses, gostaríamos de ainda expor, utilizando palavras do Jornal O’Estado de 25 de julho de 1978 que “embora o Estado de Santa Catarina abrigue atualmente apenas 1.458 imigrantes japoneses (e descendentes) – em São Paulo são 551 mil – conta a história que aqui aconteceu o primeiro contato desse povo no território brasileiro”353.

353

Referências Bibliográficas e Fontes

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