CHAPITRE 2 : SYNTHESE BIBLIOGRAPHIQUE ET PROBLEMATIQUE DE L’ETUDE
3.1 La croissance primaire
“Em tempos de mudanças drásticas, quem está em aprendizagem herdará o futuro. Os que já aprenderam sentem-se normalmente preparados para viverem num mundo que já não existe” (Cockerell, 2008:187). Esta realidade é transversal a diversos sectores de atividade, sendo que aquilo que é novidade passa rapidamente a banalidade. Seja num contexto empresarial ou até mesmo familiar, o acompanhamento da evolução é uma necessidade constante. O melhor exemplo é mesmo a família na qual existe uma transmissão natural de conhecimento que pode assumir três formas: “formal” através de “ordens, conselhos, recomendações e castigos”; “não-verbal” que se traduz na comunicação que não recorre ao uso de palavras, bem como os “ensinamentos transmitidos de geração em geração, incluindo a informação contida no nosso material genético” (Bucay, 2008:22). Bucay compara mesmo este processo de educação à célebre metáfora “educar não é dar um peixe, mas ensinar a pescar”, lançando a todos os pais o desafio de não ensinar os filhos a pescar com a cana mas sim “ensinar os filhos a criar e a construir as suas próprias ferramentas”, porque num futuro próximo tudo muda e o importante é que os filhos saibam criar as suas ferramentas e métodos para pescar. Do ponto de vista científico criou-se o índice TDC (Tempo de Duplicação do Conhecimento) para explicar “quanto tempo é necessário para que a totalidade do conhecimento humano seja duplicado” (Bucay, 2008:24). A evolução deste índice aponta que para cada meio século deixa de existir um conhecimento que perdura durante 20 anos para passar apenas para os 5 anos. O mesmo acontece na indústria hoteleira, sendo que, por exemplo, “os hotéis que não satisfaçam as necessidades da era digital através do fornecimento de acesso sem fios à Internet em todos os quartos, depressa começarão a perder clientes e receitas consideráveis” (Cockerell, 2008:187).
O Turismo assume uma importância crescente como “impulsionador” de desenvolvimento já que “o turismo pode viver” (Marques: 2007:23). Etimologicamente proveniente do francês “tour” que significa dar uma volta, e mais tarde adaptado ao vocábulo inglês “travel” com o sentido de “viagem”, foi-lhe acrescentado o sufixo “ismo” que deriva do grego “ismós” e do latim “ismus” para denominar os que fazem viagem como “Touristes”.
88 Nesta evolução linguística são várias as definições encontradas sobre a verdadeira aceção da palavra turismo, sendo que a definição do suíço Dr. W. Hunzinker, foi posteriormente adotada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) no qual:
“Turismo é toda a deslocação humana e temporária, por causas alheias ao lucro; também, o conjunto de bens, serviços e organizações que, em cada nação, torna possível essa deslocação e consequentes relações entre viajantes e naturais do país hospedeiro” (Marques, 2007:25).
Segundo Goeldner & McIntosh (2002:4) quando se fala no turismo é possível identificar mais perspetivas para além das que constam nestas definições, sendo elas quatro: o turista; a empresa que fornece bens e serviços turísticos; o governo da comunidade ou área de acolhimento e a comunidade que acolhe. Deste modo, o turismo pode ser definido como o resultado dos fenómenos e relações que se estabelecem entre estes quatro intervenientes no processo de atrair e receber os visitantes. Para além disso, também é tida em conta a vertente económica na medida em que “o turismo é a soma total dos gastos turísticos dentro das fronteiras de uma nação” (Goeldner & McIntosh, 2002:6). Por esta razão, a Organização Mundial do Turismo (OMT) define o turismo como a atividade dos visitantes, na medida em que são efetuadas viagens de turismo, ou seja, existe uma viagem para fora do ambiente habitual, por menos de um ano, e com uma finalidade (empresarial, lazer, outra pessoal) que não implique estar empregado no país ou local que visita.
A multidimensionalidade que caracteriza o turismo fá-lo muitas vezes ser analisado como uma atividade horizontal, na medida em que “influencia e é influenciada pela generalidade das atividades humanas qualquer que seja a sua natureza” (Cunha, 1997: 227). Exemplo disso é o ramo hoteleiro uma vez que a estadia num hotel implica sempre uma deslocação motivada por um motivo, seja ele uma viagem, reunião, conferência, festa. Deste modo estabelece-se uma relação direta e muitas vezes de dependência com o turismo, razão pela qual pode ser visto como “atividade económica integrador de múltiplos sectores, com relações praticamente com todos os organismos produtivos da economia” (Cunha, 1997: 227). Já Marques (2007:23) chega mesmo a atribuir ao turismo um aspeto material na medida em que “representa uma considerável fonte de receita para qualquer estado.”. Para além de ser classificado como fenómeno económico, o turismo também tem grande representatividade no âmbito social já que “reflete os avanços e as conquistas da humanidade”, nomeadamente, enquanto “ato voluntário do homem que determina e caracteriza o modo de vida das sociedades modernas” (Cunha, 1997:80).
89 Falamos de aspetos como a evolução tecnológica que veio redimensionar a noção de espaço entre lugares, o progresso social no âmbito legislativo através do direito ao gozo de férias e igualdade social, bem como o contexto económico que permitiu o acesso ao turismo a todo o tipo de classes, deixando de ser exclusivo às classes mais altas.
Contudo, a verdadeira dimensão do Turismo não se esgota nestas definições. Exemplo disso é o facto do Código Mundial de Ética do Turismo (2016:6) reconhecê-lo como “fundamental para conciliar sustentavelmente a proteção ambiental, o desenvolvimento económico e a luta contra a pobreza, bem como a compreensão entre os povos do mundo”. Se não vejamos os artigos deste código que identificam o turismo como “Artigo nº1 – O turismo contribui para a compreensão e respeito mútuo entre pessoas e sociedades.”, na medida em que implica tanto da parte da comunidade que acolhe como do turista o respeito pelas religiões, crenças, e costumes locais; “Artigo nº3 – O Turismo como fator de desenvolvimento sustentável” uma vez que deve existir uma crescimento económico que considere não só o presente como também as gerações futuras; “Artigo nº7 – O Direito ao Turismo” porque todos devem ter acesso à descoberta e exploração dos recursos existentes. Por alguma razão, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou o ano de 2017 como o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento. Segundo o Secretário-Geral da OMT, Taleb Rifai, "2017 é uma oportunidade única para promover o contributo do turismo para alcançar o futuro que queremos - e também para determinar, em conjunto, o papel exato que o turismo terá na agenda do desenvolvimento sustentável até 2030” (UNWTO News, 2017:59).
Por esta razão, Cunha (1997:80) afirma que “as organizações internacionais são as primeiras a considerar que o turismo contribui para a expansão económica, para a compreensão internacional, para a paz e a prosperidade, bem como para o respeito universal e a observância dos direitos e das liberdades humanas fundamentais, abrindo à sua promoção e difusão”.
Não só de perspetivas e tendências vive o turismo, sendo que os números também são um bom indicador da dimensão que este sector está a atingir. De acordo com a OMT o ano de 2015 foi o reflexo de um grande crescimento assistindo-se a um aumento de 4,6% o que se traduz em 1,184 milhões.
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Fonte: United Nations Worls Tourism Organizations (UNWTO, 2015)
Fonte: United Nations Worls Tourism Organizations (UNWTO, 2016) Gráfico 2 – Número de chegadas internacionais de turistas 2015
91 E a tendência manteve-se uma vez que 2016 foi contabilizado como o sétimo ano consecutivo de crescimento deste sector, tendo-se registado um aumento de 3.9%, ou seja 1,1235 milhões de turistas. A United Nations Worls Tourism Organizations (UNWTO) já faz as projeções para o ano de 2017 mantendo-se o otimismo de registar-se um crescimento entre os 3% e 4%.
Fonte: UNWTO (2017)
Fonte: UNWTO (2017)
Gráfico 4 - Percentagem de chegadas internacionais de turistas 2017
92 Com grande representatividade nestes números e com um papel essencial no seu desenvolvimento está o alojamento, que raramente assume uma posição isolada uma vez que é na grande maioria das vezes uma condição sina qua non para qualquer destino que o turista vá. É possível identificar diversos tipos de alojamento, tais como: hotel, hostel, estalagem, campismo, pousada, time-share, que muitas vezes são influenciados por factores como a sazonalidade, periodicidade e durabilidade. Neste contexto, os hotéis assumem grande peso não só ao nível de dimensão como também do ponto de vista de empregabilidade. Se não vejamos os dados do Instituto Nacional de Estatistica (INE, 2016), segundo o qual a hotelaria registou 1,1 milhões de hóspedes e 2,5 milhões de dormidas em dezembro de 2016. Contabilizado o ano, os hotéis registaram 19,1 milhões de hóspedes e 53,5 milhões de dormidas, um aumento de 9,7% face a 2015.
Fonte: Instituto Nacional de Estatística (INE, 2016)
No Sheraton Lisboa Hotel&Spa este crescimento também foi sentido, sendo que face ao ano de 2015, assistiu-se em 2016 a uma taxa de ocupação superior em 0,2% que se traduz num crescimento do preço médio em 6,1% e de um aumento de RevPar (Revenue per Available Room / Receita por Quarto Disponível) de 6,4%.
Face a este crescimento torna-se premente acompanhar a mudança, sendo que Lee Cockerell reforça mais uma vez esta necessidade, não só no sector hoteleiro ou turístico mas sim um acompanhamento da evolução transversal a todas as empresas ou indústrias:
“Se não estiver a par do que se está a passar – dos desenvolvimentos sociais e culturais às evoluções tecnológicas e às notícias mundiais -, a sua concorrência ultrapassá-lo-á, os seus clientes abandoná- lo-ão e não será capaz de ir de encontro às responsabilidades da liderança” (Cockerell, 2008: 187). Quadro 5: Resultados globais preliminares da atividade turística em Portugal
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