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III. Marco teórico

2. Análisis del mercado

2.3. Competencia

2.3.2. CRMs específicos para el sector inmobiliario

a antiga “anormalidade” das crises - que se alternava com períodos mais longos de ininterrupto crescimento e desenvolvimento produtivo – sob as condições atuais pode se converter em doses diárias menores na normalidade do “capitalismo organizado”. De fato, os picos das historicamente bem conhecidas crises periódicas do capital podem ser – em princípio – substituídas por um padrão linear de movimento.12 (Ibid., idem)

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Por exemplo, entre os anos que vão de 1945 a 2015 ocorreram onze crises cíclicas, segundo alguns autores – compondo uma média de uma crise cíclica para cada período de mais ou menos sete anos -, e quatorze crises cíclicas, segundo outros – compondo um número de anos menor ainda correspondente a cada período cíclico do capital. Mais informações sobre isto no Apêndice do presente texto.

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Mészáros está, com essa formulação, efetivando uma síntese entre a teoria das crises cíclicas e sua teoria da crise estrutural. Mais tarde, com efeito, quando da ocasião da grande crise econômica de 2008, numa passagem que acreditamos respaldar essa nossa interpretação, o filósofo afirmará: “Agora não me entendam mal quando digo que não temos uma crise capitalista habitual, porque capitalismo e crise são sinônimos. Marx disse isso muitas vezes. Mas ele estava a falar acerca de uma crise muito diferente. Estava a falar acerca de crises conjunturais, cíclicas. O capitalismo tem crises regularmente. Marx utilizou mesmo a expressão: estas crises descarregam-se numa tempestade. Então estamos de volta ao normal, por assim dizer. Um bocado de capital excedente é destruído, e pode-se começar todo o jogo outra vez, até que se atinja um ponto de super-acumulação, e então uma nova descarga torna-se necessária. É isto que temos estado a viver. Agora, o nosso grande privilégio, se se quiser, é que temos ambas. Temos tanto a crise cíclica, conjuntural, como esta profunda e sempre em aprofundamento crise estrutural de todo o sistema, o sistema total do capital [grifo nosso]” (2008). E, semelhantemente, em uma entrevista dada um ano depois, Mészáros voltou a afirmar: “A ocorrência de crises cíclicas periódicas continua sendo marca do desenvolvimento capitalista conjuntural, e continuará sendo enquanto o capitalismo sobreviver. Mas na nossa época histórica, há um tipo muito mais fundamental de crise, que se combina com crises capitalistas cíclicas, que afeta todas as formas concebíveis do sistema do capital enquanto tal, não somente o capitalismo. A crise estrutural se faz valer ativando os limites absolutos do capital como modo de reprodução social metabólica [grifo nosso]” (2009). Portanto, podemos verificar que o conceito da presente crise

estrutural não só não elimina o conceito de crise cíclica como o engloba. Portanto, engloba o conceito de valorização do valor, definido por Marx (2013), com as suas respectivas premissas e desdobramentos teóricos. O estudioso Rodrigo de Souza Dantas viu bem que, para Mészáros, “a crise estrutural do sistema global do capital [é] pontuada por crises de superprodução cada vez mais agudas e frequentes” (2011, p. 135). Por tal razão, isto é, pelo fato de o filósofo combinar, em sua teorização, a teoria das crises cíclicas com a teoria da crise estrutural, somos levados a discordar de alguns intérpretes, tanto simpáticos quanto “críticos”, em relação à obra de Mészáros. No primeiro grupo, situamos a leitura de Sérgio Lessa, que, pressupondo estar sendo fiel ao pensamento do filósofo húngaro e acreditando que vivemos atualmente uma crise estrutural, afirma que “ao chegarmos em meados da década de 1970, a abundância elevou-se a tal nível que as crises não conseguem, mesmo momentaneamente, superá-la. A crise torna-se um continuum e o desenvolvimento das forças produtivas torna-se cada vez mais impossível [grifo nosso]” (2015, p. 482). Não acreditamos que a obra de Mészáros dê margem a esse tipo de interpretação. Nossa opinião vai no sentido oposto: existe, sim, o desenvolvimento das forças produtivas (se não, como se desencadeariam a superprodução de capital e as crises cíclicas de que fala Mészáros?); o que ocorre, de fato, é que esse desenvolvimento das forças produtivas é estruturalmente subordinado à dinâmica da produção destrutiva do capital. No campo dos autores “críticos”, situamos a obra do economista José Martins que, citando exatamente as mesmas passagens que destacamos acima, conclui que o que Mészáros estaria dizendo, com seu conceito de crise estrutural, seria o seguinte: “Para fazer a mesma manobra de negação das crises periódicas de superprodução de capital no período pós-guerra, outros partidários do „declinismo‟ econômico afirmam [...] que os mecanismos de controle do mercado são muito mais poderosos agora do que no passado. Com essa inversão de seus próprios pressupostos, eles podem então abolir por telepatia as crises periódicas em geral e colocar no seu lugar a ideia de um burocrático e monótono „padrão linear de movimento‟, um „continuum depressivo‟, uma „crise permanente‟ que se perde no horizonte” (2005, p. 25). Essa “leitura” de Mészáros, como é amplamente demonstrado por nossa argumentação, parte de premissas equivocadas: as de que o autor húngaro estaria pretendendo negar (por telepatia...) as crises periódicas de superprodução de capital no período pós-Segunda Guerra, e consequentemente afirmar um “declinismo econômico”, sendo que nisto é que consistiria o “continuum depressivo” de que fala Mészáros. Acreditamos que o leitor paciente e capaz de dar um trato não vulgar à obra de Mészáros, possivelmente chegará a uma conclusão diversa. Como procuramos assinalar, o conceito de “crise estrutural” não nega o conceito de crise cíclica, mas o incorpora dialeticamente. Não significa queda ininterrupta e não retomada da produção, da produtividade, do lucro, etc. Não significa o não desenvolvimento das forças produtivas. Significa, isto sim, um contexto

histórico em que a auto-reprodução do capital toma a forma da produção destrutiva (“crescimento cancerígeno”), o que só pode ser entendido levando-se em conta o uso específico que o capital faz da taxa de uso decrescente, do complexo militar-industrial como momento predominante da dinâmica auto- reprodutiva do sistema, do Estado capitalista (que passa a ter novas determinações no atual contexto), e levando-se em conta especialmente o papel que os EUA têm dentro do sistema mundial do capital (daí o conceito de imperialismo de Mészáros, que buscaremos analisar mais à frente). É a síntese desses fatores, entre outros, que confere o significado concreto do conceito de crise estrutural. A conjunção desses fatores faz com que a produção destrutiva – organizada pelo capital via complexo militar-industrial e Estado capitalista (em especial o dos EUA) – auxilie, como momento predominante da dinâmica sociometabólica, a administração da destruição produtiva inerente às crises cíclicas de superprodução do capital, agora mais estendidas temporal e espacialmente. Ou seja, ao invés de o capital “esperar” o momento do ciclo que corresponderia à destruição de capital constante e variável, ele primeiro destrói, mediante os múltiplos tipos de ação possível ao complexo militar industrial e ao Estado, fazendo com que a “destruição produtiva” ocorra apenas na esteira desse processo mais amplo. Talvez se possa interpretar as ações militares perpetradas na Síria sob a batuta dos EUA um exemplo do que afirmamos. A esse respeito, o jornalista John Pilger escreveu, em 2013 – ou seja, quando, ao que sabemos, nenhum analista apontava sinais de qualquer “crise cíclica” do capital -, o seguinte: “Com a Al-Qaida agora entre os seus aliados, e os golpistas armados pelos EUA seguros no Cairo, os EUA pretendem esmagar os últimos estados independentes no Médio Oriente. A Síria primeiro, a seguir o Irão. „Esta operação [na Síria]‟, disse em Junho o antigo ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Roland Dumas, „remete-nos a tempos distantes. Ela foi preparada, pré-concebida e planeada‟. [...] Sob o „fraco‟ Obama, o militarismo ascendeu talvez como nunca antes. Sem um único tanque sobre o relvado da Casa Branca, verificou-se um golpe militar em Washington. Em 2008, enquanto seus devotos liberais secavam os olhos, Obama aceitou todo o Pentágono do seu antecessor, George Bush: suas guerras e crimes de guerra. Quando a constituição é substituída por um emergente estado policial, aqueles que destruíram o Iraque com pavor e choque, e acumularam montanhas de escombros no Afeganistão e reduziram a Líbia a um pesadelo hobbesiano, estão a dominar toda a administração estado-unidense” (2003). Ademais, quando Mészáros usa – uma única vez em sua obra – o termo “padrão linear de movimento”, possivelmente ele está se referindo à diminuição de tempo verificado entre o intervalo das crises cíclicas e periódicas, que se tornariam mais “cotidianas”, ou “normais”, dentro do sistema do capital, em seu movimento combinado de administração das crises e auto-reprodução destrutiva.

No entanto, continua ele, “os limites do capital permanecem