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Des critères d’évaluation de la performance uniformes avec des outils différents

Chapitre 10 : Les résultats de la première phase qualitative

10.3 Analyse transversale des données

10.3.2 Des critères d’évaluation de la performance uniformes avec des outils différents

O conceito de educação não formal é aplicado, comumente, para caracterizar atividades organizadas fora do sistema regular de ensino, cujo caráter educativo não pressupõe sequência gradual, nem leva a graus nem títulos. Estes processos, não raro, acontecem no interior de organizações não governamentais (ONGs) que atuam no campo educacional e social, englobando práticas que vão da alfabetização às experiências com arte e cultura, como é o caso do Centro de Convivência Gracinha.

Maria da Glória Gohn interessou-se em perceber o caráter educativo das propostas que ocorriam no interior das organizações não governamentais:

[...] desde os anos 80 eu trabalhava com o pressuposto de que os movimentos sociais e outras práticas associativas coletivas tinham um caráter educativo, para seus participantes, para aqueles que eram alvos dos protestos e demandas e para a sociedade em geral. Mas eu não havia conseguido exemplificar bem esse caráter por meio de uma categoria analítica. A construção da categoria educação não-formal para exemplificar o processo de aprendizagens e a construção de saberes foi a luz na escuridão. (GOHN, 2010, p. 9).

Gohn procurou nomear os processos educativos que ocorriam no interior dos movimentos sociais, tentando diferenciá-los não só da educação formal (escolar) como também da educação popular, que era basicamente compreendida como alfabetização de adultos. Reconhecia também que ao investigar as ações de educação não formal daria visibilidade aos processos de trabalho social e a seus atores diretos, os chamados educadores sociais, que até então não apareciam nas análises e estudos de educação.

De sua obra Educação não formal e o educador social vale destacar para nossa pesquisa algumas considerações sobre educação não formal: primeiro Gohn refere-se ao fato de que, já no século XVIII, aparece na bibliografia específica a divisão do campo da educação em três áreas: a educação que recebemos dos pais, a que recebemos dos mestres na escola e a educação do mundo. Gohn associa essas áreas, respectivamente, aos conceitos de educação informal, formal e não formal, nomenclatura que também aparece nos trabalhos de P. H. Coombs. Esse autor, segundo Gohn, é um dos responsáveis pelo reconhecimento e pela popularização de uma concepção que entende que existam outras formas de educação fora da escola. (GOHN, 2010, p. 12).

Outro ponto a se destacar na mesma obra é o trabalho de Mariano Enguita, que desenvolve o conceito de escola rede, que, mesmo sem usar o termo educação não formal, contribui para a valorização dos processos de aprendizagem fora do ambiente escolar. Segundo o autor, os conhecimentos

[...] não são mais monopólio da instituição escolar nem da profissão docente. Qualquer iniciativa (de educação) precisa da cooperação, em configurações de geometria variável, com pessoas, grupos e organizações do entorno que possuem certos tipos de informação e de conhecimento em uma medida inalcançável para a escola e o professorado.29

Compreender a educação como um campo maior que envolve áreas diferenciadas, que apresentam formas específicas de transmissão de conhecimentos, colaborará para a articulação desse conceito com os processos de formação dos indivíduos como cidadãos e também será possível articular a escola com a comunidade educativa do seu entorno. (GOHN, 2010, p. 16).

Faz-se necessário, então, apontar em linhas gerais o que distinguiria os campos da educação formal, informal e não formal entre si.

Podemos caracterizar a educação formal como aquela desenvolvida nas escolas, com conteúdos previamente definidos, a educação não formal como aquela que se dá via os processos de compartilhamento de experiências, principalmente em espaços de ação coletiva, e a educação informal como aquela na qual os indivíduos aprendem durante seu processo de socialização gerada nas relações familiares e em espaços sociais como os cultos religiosos e as atividades esportivas. A

29 ENGUITA, Mariano F. Centros, redes, pryets. Caderno de Pesquisa Pensamento Educacional, Curitiba: PPGE Universidade Tuiuti, UTP, v.4, p. 23-39, 2009 (apud GOHN, 2010, p. 14 -15).

educação informal incorpora valores de pertencimento através do parentesco enquanto a não formal não é nativa, ela é construída por escolhas e “há intencionalidade no seu desenvolvimento, o aprendizado não é espontâneo, não é dado por características da natureza” (GOHN, 2010, p. 16).

A separação que se opera entre educação informal e não formal desconstrói o quadro da oposição entre formal e não formal introduzindo um terceiro elemento. Talvez possamos aproximar as formas de transmissão de saberes da cultura popular do conceito de educação informal. Isso possibilita uma reflexão relacionando a experiência do grupo de danças Gracinha que desenvolve um trabalho de educação não formal integrando elementos da educação informal. Entender que há no trabalho do grupo uma coexistência de duas das categorias de educação descritas acima desperta a seguinte pergunta: como se realiza o encontro de formas de educação não formal e informal na prática do grupo de danças brasileiras Gracinha?

Outro aspecto que é importante destacar nesse item é a presença da arte nos processos de educação não formal desenvolvidos por organizações não governamentais. Carvalho salienta a importância das ONGs no desenvolvimento de novas pedagogias em arte-educação, mas também destaca a responsabilidade atribuída à arte, na formação dos sujeitos implicados nesse fazer.

Na maioria dessas instituições (ONGs), a arte não é tomada apenas como um meio de educação, mas como a educação em si mesma. Por meio da educação estética, pretende-se propiciar o desenvolvimento integral (afetivo, cognitivo, intelectual e espiritual) dos educandos, propiciar o aprendizado técnico e teórico, com vistas inclusive, a uma possível profissionalização daqueles que assim o desejarem, além de fornecer subsídios que permitem democratizar o acesso à arte e aos bens culturais. (CARVALHO, 2008, p. 30).

Podemos então relacionar a proposta do Grupo de Danças Brasileiras com as definições de educação não formal e informal e, além disso, observar a valorização da arte nos processos de formação dentro do Centro de Convivência Gracinha. Esses pontos serão importantes referências quando tratarmos da descrição da experiência desse grupo no capítulo 3.

Nos ensaios e apresentações que acompanhei durante a pesquisa de campo foi possível fazer aproximações entre a experiência do Grupo Gracinha e a definição de escola rede já citada. A começar pela diversidade de formação dos arte- educadores implicados no trabalho, que rompeu com uma referência unívoca de erudição. Também observei que nas ações e projetos desenvolvidos pelo Centro de

Convivência Gracinha, incluindo o grupo de Danças, explicita-se aos alunos que o conhecimento não está apenas dentro da entidade e valorizam-se as práticas que buscam este conhecimento pela cidade, nos museus e centros de cultura. E se reconhece, na própria ação de sair, uma oportunidade de aprendizagem.

Convém destacar também a presença de formas de transmissão de conhecimentos advindas do campo das culturas tradicionais nos encontros do grupo de danças Gracinha, e que talvez só se desenvolveram nesse trabalho por se tratar de uma iniciativa de “cooperação em configuração de geometria variável”, em que as estratégias e conteúdos presentes não se encontram centralizados em uma única fonte ou pessoa e, além disso, compreendendo-se que o resultado dessa ação educativa é a soma das experiências das crianças que já participaram nesses anos todos e das que participam hoje.