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Partie 4 Analyse du projet et interprétation des résultats

1. Création de liens entre les élèves de FLE et construction identitaire

A população estudada foi composta por 267 homens trabalhadores de marmorarias com atividades ligadas a produção. Foi caracterizada como uma população de baixo nível de escolaridade e de renda familiar, sendo que 70% não haviam concluído o ensino fundamental, e 40% possuíam renda familiar inferior a 3 salários mínimos, Tabela 5.20.

A freqüência de não fumantes foi de aproximadamente 55%, e 24% eram ex- fumantes, perfazendo um total de aproximadamente 79% da população. No entanto, o tabagismo em anos-maço (fumantes e ex-fumantes) apresentou-se como variável

importante nas análises de regressão logística para a presença de pequenas opacidades.

A média de idade da população estudada era de 35,8 anos e observou-se diferença estatisticamente significante entre a média de idade dos acabadores e a média de idade dos trabalhadores de outras funções, podendo-se caracterizar que a população de acabadores era mais jovem. A função de acabador apresentou média de idade de 33 anos, contra 37 anos dos trabalhadores de outras funções, Tabela 5.21.

O tempo médio de permanência na função na empresa atual foi de 6,5 anos, Tabela 5.22, e com exceção da função de canteiro com 27,7 anos, as outras funções apresentaram tempo médio na empresa atual abaixo de 10 anos. O tempo médio de 3,9 anos para a função de ajudante geral, se explica, pois esta função representa o início da carreira de marmorista. Na mesma tabela, apresenta-se o tempo médio total de trabalho em marmorarias que foi de 10,6 anos. Estes resultados, associados à informação de que 50% desta população já haviam trabalhado em outras marmorarias, Tabela 5.23, pode-se caracterizar rotatividade desta população entre as marmorarias.

A população deste estudo, era formada por 267 trabalhadores, no entanto, devido à ausência de trabalhadores, alguns casos de demissão ou por eles não poderem comparecer na data do exame, 250 realizaram a radiografia de tórax. Destes 250 trabalhadores, 223 (89,2%) apresentaram radiografias de tórax consideradas normais, profusão 0/0, e 27 trabalhadores (10,8%) apresentaram alterações nas radiografias com presença de pequenas opacidades, profusão ≥0/1, Tabela 5.27.

Os dois casos com leitura compatíveis com pneumoconioses apresentaram história com exposição ocupacional a poeiras minerais de rochas ornamentais que contem altos teores de sílica cristalina respirável, sendo, portanto possíveis casos de silicose

Esta prevalência é semelhante ao resultado do Projeto Marmoristas de 2001, existia uma prevalência de silicose igual a 0,9% numa população inicial formada por 954 trabalhadores. Os dados indicavam ainda perspectiva de um aumento desta prevalência, pois, 16,6% dos trabalhadores haviam apresentado alterações nas radiografias de tórax e estavam sob investigação.

FREITAS, 2004, em comunicação oral no Simpósio da SIMBRAVISA1 atualizou os dados do Projeto Marmoristas até de outubro de 2002, e encontrou prevalência de 3% de silicóticos entre os trabalhadores avaliados no Centro de Referência de Saúde do Trabalhador da Freguesia do Ó.

6.3 Correlações entre Exposição Ocupacional e Avaliação Médica

6.3.1 Exposição acumulada à sílica cristalina

Pode-se observar na primeira linha da Tabela 5.29, que o trabalhador código 48 que apresentou profusão de 1/1 à radiografia de tórax e não teve emprego anterior em outras marmorarias, possuía exposição acumulada de sílica cristalina respirável, segundo o Modelo 1, de 2,8 mg/m³-anos em 6,5 anos de trabalho, representando uma média de acumulação igual 0,43 mg/m³ por ano. A empresa onde se deu esta exposição é a de número 6, onde o índice de exposição é igual a 8,7 (Tabela 5.3) isto é, a concentração média de sílica cristalina é 8,7 vezes o valor de referência.

Valores semelhantes foram encontrados por KREISS et al.,1996, em estudo transversal para exposições em minas, com o mesmo critério para a definição de silicose, pequenas opacidades com profusão ≥1/0. Para exposições acumuladas superiores a 2,0 mg/m³-anos com 40 anos de exposição a prevalência de silicóticos era 62,5%, utilizando o modelo de regressão logística multivariada stepwise.

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SIMBRAVISA II Simpósio Brasileiro de Vigilância Sanitária e I Simpósio Pan-Americano de Vigilância Sanitária realizado de 21 a 24 de novembro de 2004 no Centro de Convenções Thermas Di

Como o número de casos de exames com alterações radiológicas foi baixo, dois, não foi possível calcular a mediana por categoria de profusão. No entanto, os resultados de exposição acumulada obtidos neste estudo para os trabalhadores com exames com alterações radiológicas com a presença de pequenas opacidades (profusão>1/0) compatíveis com pneumoconiose (trabalhador código 48 e trabalhador código 270) – Tabela 5.29, se encontram dentro da faixa de exposição acumulada encontrada por MANNETJE et al., 2002. Segundo MANNETJE et al., 2002, embora existam diferenças entre os modelos dos 10 estudos de coortes de diferentes ramos de atividade analisados, os valores de exposição acumulada com faixa entre 0,13 e 11,37 mg/m3-°anos e para a mediana da exposição acumulada com uma faixa entre 0,04 e 0,59 mg/m³ para a mediana de exposição à sílica cristalina, foram considerados válidos. As diferenças existentes entre os 10 estudos de coorte, não prejudicaram a tendência de linearidade entre o aumento de casos de silicose à medida do aumento da exposição acumulada na análise com regressão logística condicional para um OR=1,0.

Comparando-se os resultados deste estudo, para os dois casos (trabalhador código 48 e trabalhador código 270), com os resultados do estudo de MANNETJE et al., 2002, para as atividades com granito, observa-se uma maior concordância com os resultados dos estudos de Vermont para o qual foi encontrada mediana da exposição acumulada de 0,71 mg/m³-anos. Em relação aos estudos da Finlândia, mediana de 4,65 mg/m³-anos, os resultados deste estudo se apresentam mais baixos.

O Modelo 1 sugerido neste estudo refletiu a exposição acumulada de acordo com as características da função e da empresa. Isto foi válido para empresas que tinham história de produção sem mudanças de processo e de tipos de matérias-primas. No entanto, verificaram-se mudanças em várias empresas com implantação de medidas de controle. Para estes casos foram utilizados os resultados de médias para o município de São Paulo conforme descrito item 4.4.4.

radiológica para a profusão1/0, conforme apresentado na Figura 5.22. Esta descontinuidade pode ser devida: a) à falta de informação adequada sobre a história ocupacional; b) a exposição acumulada à sílica cristalina respirável ter sido superestimada ou subestimada em alguns casos; c) a exposição a poeiras minerais com outros agentes tóxicos; d) a diferenças em relação às leituras radiológicas; e) ao número reduzido de dados para as categorias de profusão mais altas; f) ou até mesmo uma combinação destas possibilidades. Assim, foram realizadas análises estatísticas de forma agrupada.

As análises de comparação de médias utilizando o teste não paramétrico de Savage indicaram que existe diferença estatisticamente significante entre as médias de exposição acumulada à sílica cristalina para os trabalhadores com a presença de pequenas opacidades (exames com alterações) e os trabalhadores com exames considerados normais para os modelos de exposição acumulada 1 e 2 Tabela 5.30 e 5.31 respectivamente. O modelo 3 não apresentou diferença estatisticamente significante entre as médias, Tabela 5.32.

O teste de tendência – Cochran-Armitage Trend Test, indicou que não houve tendência linear em nenhum dos Modelos de exposição acumulada, confirmando a descontinuidade que havia sido observada na Figura 5.22.

As curvas de tendência da Figura 5.22 indicam que o Modelo 1 e 3 de exposição acumulada poderiam explicar a progressão do risco do que o Modelo 2. No entanto, provavelmente em função do baixo número de casos com classificação radiológica, com categorias de profusão igual ou maior que1/0, e falta de informação sobre os tipos de matérias-primas, conduziram os resultados da regressão logística univariada para a classificação radiológica com exposição acumulada a se apresentarem foram estatisticamente significantes para os Modelos 1 e 2, e o Modelo 3 ficou no borderline do teste.

acumulada de sílica cristalina com mediana igual a 0,56 mg/m3-anos tem 20% mais chance de ter classificação radiológica com alterações em relação a um trabalhador não exposto.

Para o Modelo 2 obteve-se um OR=1,18 com IC de 95% entre 1,05 e 1,33, indicando que os trabalhadores expostos a concentração acumulada de sílica cristalina com mediana igual a 0,46 mg/m3-anos tem 18% mais chance de ter classificação radiológica com alterações em relação a um trabalhador não exposto.

Foram realizadas análises dos Modelos de exposição acumulada, classificação radiológica e tabagismo, pois houve uma associação entre tabagismo e classificação radiológica. O teste Qui-quadrado foi estatisticamente significante para a associação tabagismo e classificação radiológica - profusão. Houve associação entre fumar (fumantes e ex-fumantes) e não fumar (não fumantes) com

χ

2 = 4,80 e p = 0,0285, Tabela 5.33. A regressão logística univariada foi estatisticamente significante para o tabagismo e a classificação radiológica, com um OR= 2,50 com IC de 95% de 1,10 a 6,07.

As regressões logísticas multivariadas para a classificação radiológica, modelos de exposição acumulada e tabagismo apresentaram os seguintes resultados:

a) Modelo 1 - para tabagismo foi encontrado um OR=2,49 com IC de 95% entre 1,06 e 5,83 e para a exposição acumulada um OR=1,38 com IC de 95% entre 1,04 e 1,84, Tabelas 5.28;

b) Modelo 2 -, para tabagismo foi encontrado um OR=2,53 com IC de 95% entre 1,07 e 5,98 e para a exposição acumulada um OR=1,44 com IC de 95% entre 1,09 e 1,86, Tabela 5.29;