O pinhão-manso, assim como outras espécies cultivadas, apresenta exigências nutricionais que devem ser supridas por meio da fertilização orgânica ou química. Por ser uma planta caducifólia, parte dos
nutrientes contidos nas folhas retorna ao sistema solo-planta ao fim de cada estação de crescimento. Por outro lado, os nutrientes contidos nos frutos colhidos são exportados da área de cultivo e devem ser repostos anualmente pelas adubações. De acordo com Laviola e Dias (2008), para uma produção de 4.000 kg/ha de grãos são exportados da área de cultivo cerca de 145, 65 e 125 kg/ha de nitrogênio, fósforo e potássio (N, P2O5 e K2O), respectivamente. Por estes valores, verifica-se a elevada quantidade de nutrientes extraída
do solo com a colheita dos frutos que, se não adequadamente reposta, pode levar ao empobrecimento do solo ao longo dos anos de cultivo. Somente a estimativa da extração de N pela colheita de frutos corresponde a 3,65 vezes a recomendação de N para a cultura da mamona, mandioca e girassol (RIBEIRO et al., 1999). Na adubação e reposição dos nutrientes extraídos podem ser usados adubos químicos ou adubos orgânicos. De modo geral, os adubos químicos apresentam a vantagem de serem concentrados e de fácil aquisição, o que facilita a prática de colheita. Os adubos orgânicos embora sejam de baixa concentração apresentam a vantagem de contribuir, não somente com a química, mas também com a física do solo, melhorando a retenção de água, a estrutura e a porosidade do solo. No caso da torta de pinhão- manso, esta se apresenta com um excelente potencial de uso como adubo orgânico, com composição química superior ao esterco bovino e à torta de mamona (Tabela 2, Figura 2).
Tabela 2. Composição química da torta de pinhão-manso comparada ao esterco
bovino e à torta de mamona
Adubos Orgânicos N P K g kg-1 Torta de pinhão-manso 34,5 7,65 17,68 Esterco bovino 22,5 3,59 6,26 Torta de Mamona 22,7 5,44 4,58
Adaptado de Silva et al. (2011).
Considerando a produção de 4.000 kg/ha de grãos e uma taxa de extração de óleo de 30%, para cada hectare plantado de pinhão- manso seria possível produzir cerca de 2.800 kg de torta. Caso toda a torta seja retornada como fertilizante, isto corresponderia à aplicação de 96,6, 21,42 e 49,5 de N, P2O5 e K2O (Tabela 3).
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Considerando o valor dos principais fertilizantes, a reposição da torta à área de plantio poderá levar a economia de R$ 1.200 ha/ano em um plantio adulto produzindo 4.000 kg/ha de grãos, o que é um valor significativo, já que a comercialização dos grãos colhidos irá gerar uma receita entre R$ 2.000,00 a 3.000,00 por ha. É claro que, tendo o processo viável de destoxificação e o comprador de óleo podendo comercializar a torta por preços mais altos, o produtor de grãos poderá receber preços mais altos pelos grãos. Por fim, complementado pela reposição da casca dos frutos, em locais próximos à usina o uso da torta de pinhão-manso poderá contrabalancear o custo da adubação e contribuir para melhoria das condições físicas e biológicas do solo. Uma questão importante que se deve considerar é o impacto da aplicação da torta tóxica na microbiologia dos solos e qual o período para degradação dos ésteres de forbol. Devappa e colaboradores (2010a) verificaram que os componentes tóxicos presentes na torta de pinhão-manso são completamente degradados no solo entre 9 e 23 dias depois da aplicação dependendo da umidade e temperatura. Embora pelo trabalho citado se verifique que a degradação do éster do forbol no solo seja rápida é recomendado que áreas adubadas com a torta sejam acompanhadas por um período maior de tempo. Figura 2. Armazenamento da torta tóxica de pinhão-manso em sacos e ao ar livre para
É de conhecimento que o valor da torta comercializada no mercado de rações é superior ao valor comercializado como adubação. Como não existe mercado de tortas de pinhão-manso tóxicas e destoxificadas, estimou-se o valor da torta para o mercado de rações considerando a quantidade de proteína fornecida e o preço de 1 kg da proteína de soja, estimando assim, um valor potencial de comercialização da torta de pinhão-manso para rações (Tabela 3).
Tabela 3. Fornecimento de nutrientes e preços potenciais de comercialização
de uma tonelada de torta de pinhão-manso como fertilizante e fonte proteica na dieta de animais. Torta N P2O5 K2O PB Valor Adubo orgânico Valor nutrição animal kg* R$ Torta de pinhão-manso 34,5 17,51 21,21 21,5 430,00** 550,00***
* Estimativa baseada em Silva et al. (2011)
** Preço estimado a partir dos custos dos fertilizantes no mercado local do Distrito Federal em 01/06/2012. Considerou-se o preço do kg de N do sulfato de amônio (R$ 6,00), do kg de P2O5 do superfosfato simples (R$ 5,80), do kg K2O do cloreto de potássio (R$ 3,50) e estimou-se o valor de R$ 50,00 para quantidade de Ca, Mg, S e micronutrientes contidas na torta.
*** Preço estimado considerando a quantidade de proteína bruta (PB) fornecida pela torta de pinhão- manso multiplicado pelo valor de 1 kg do farelo de soja no mercado do Distrito Federal em consulta realizada em 01/06/2012.
Verifica-se que pela quantidade de proteína apresentada na torta de pinhão-manso considerando o valor da proteína da soja o preço de mercado de 1.000 kg da torta de pinhão-manso poderia ser de R$ 550,00 reais, sendo R$ 120,00 reais superior ao valor potencial da torta comercializada como fertilizante, o que é uma margem pequena (menos de 30%). Esses valores podem variar, tendo em vista que na literatura existem relatos de grande variação no teor de proteína bruta na torta de pinhão-manso. Considerando que se tem um custo no processo de destoxificação da torta de pinhão-manso, esta é uma questão que deve ser considerada no
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momento de decidir usar o coproduto como fertilizante e fonte proteica. As pesquisas devem buscar não só um método eficiente de destoxificação da torta, mas sim um processo que seja eficiente, mas de baixo custo. Caso contrário, o uso do coproduto como fertilizante passará a ser a alternativa mais interessante.