Devido à grande quantidade de dados, apresenta-se nos Quadros 4 e 5 as
probabilidades mais elevadas para ocorrência de cada situação/variável, de sua qualidade e do grau de certeza, conforme a visão dos estudantes durante o período chuvoso.
Os maiores índices verificados para cobertura vegetal ocorreram em P2 e P4, havendo 60,0% de probabilidade da ocorrência de vegetação arbustiva-arbórea e grau de certeza de 52,2% para qualidade boa e 34,6% para muito boa, nas respectivas áreas.
A turbidez da água foi avaliada como muito alta em P3, com expectativa de 100,0% para tal parâmetro e certeza de 50,0% para qualidade regular.
Em P3 e P4 houve 90,0% de probabilidade para a cor da água ser muito forte (cor de coca-cola) e alta (cor de chá forte), seguido pela certeza de 43,9% para péssima qualidade da água em P3 e 43,9% para regular em P4. A baixa coloração (água levemente esverdeada) foi observada em P1 por 50,0% e 47,6% para qualidade regular.
A presença de algas, verificada por meio da observação da cor verde da água, foi classificada como média (semelhante a caldo de cana) por 60,0% em P2 e apontada com 46,2% de certeza para qualidade regular.
Quanto a observação de espumas na água, 100,0% definiu a ausência em P4 e 70,0% sua presença em P1, certeza considerada de boa qualidade em 60,0% e 48,3% regular, respectivamente.
Em P4, 100,0% considerou situação dos corpos flutuantes entre baixa e ausente, com certeza de 30,0% para boa qualidade da água, enquanto que P3 foi classificado por 60,0% como alta (muitos corpos flutuantes) e avaliado como de qualidade regular com 34,6% de confiança.
A observação de material sedimentável na água, constatou ausência para 90,0% em P4 e grau de certeza de 54,9% para qualidade regular.
Ainda nessa mesma área, a água foi considerada com cheiro fraco (leve cheiro de mofo ou indefinido) por 80,0%, apresentando boa qualidade sob confiança de 70,6%. Já em P3, 50,0% considerou o cheiro muito forte (forte cheiro de ovos podres) e avaliou sua qualidade como péssima e certeza de 52,6%.
A temperatura da água foi considerada normal (temperatura de 20 a 35 °C) por
100,0% dos estudantes em todos os pontos analisados. O grau de certeza variou entre 50,0% e 100,0%, e qualidade boa e muito boa.
Para 90,0%, verificou-se a presença de poucos peixes em P1, considerando sua
qualidade como regular e grau de certeza de 54,9%. O único índice normal para a presença de peixes foi averiguado em P2 com 50,0% de possibilidade e qualidade avaliada como regular e certeza de 38,1%.
3.2.2 Período seco
Os resultados probabilísticos mais altos obtidos durante o período seco são apresentados nos Quadros 6 e 7.
Nesse período, P2 apresentou 100,0% de possibilidade entre a vegetação arbustiva- arbórea e arbórea-herbácea e grau de certeza de 30,0 para boa qualidade da situação.
A turbidez da água foi considerada por 100,0% como muito alta em P3 e 80,0% de certeza para péssima qualidade.
O maior índice da coloração da água foi a cor muito forte em P3, com 80,0% probabilidade e confiança de 94,1% para péssima qualidade. A área que apresentou baixa coloração foi P2, onde observou-se 50,0% de probabilidade e certeza de 26,3% para boa qualidade da água.
Quanto a presença de algas, determinada neste caso pela tonalidade verde da água, 90,0% verificou em P3 a água muito verde (semelhante a sopa de ervilha) e 65,8% de grau de confiança para situação péssima.
Na observação de espumas na água, 100,0% constatou sua ausência em P2, tendo 60,0% convicção de qualidade regular. No mesmo período em P4, apontou-se a possibilidade de 80,0% para presença de espumas e confiança de 94,1% entre qualidade péssima e regular.
Apresentando 70,0% de probabilidade, os estudantes averiguaram em P1 e P2 baixos (poucos) corpos flutuantes e certeza de 48,3% para as qualidades péssima e regular,
respectivamente. Em P3 a probabilidade foi de 50,0% para classificação muito alta (superfície coberta) e considerado de qualidade péssima com confiança de 40,0%.
Na verificação de material sedimentável obteve-se 100,0% para classificação baixa (sedimento cobrindo o fundo do copo) em P1 e certeza de 40,0% para qualidade péssima. Em P2, 100,0% considerou o material sedimentável entre ausente e baixo e o grau de confiança foi de 60,0% entre regular e boa. Já em P3, constatou-se 70,0% de possibilidade para alta concentração de material (concentração de sedimento de 0,5 a 1cm) e definição da qualidade como péssima, determinada com 77,8% de certeza.
Em P2, 90,0% considerou a água com cheiro fraco e confiança de 54,9% para qualidade regular. Em P3, a probabilidade foi de 80,0% para cheiro muito forte, sendo sua qualidade apontada como péssima e certeza de 82,4%.
A temperatura da água apresentou condição normal (temperatura de 20 a 35 °C) por 100,0% dos participantes, em todos os pontos analisados. O grau de certeza apresentou variação entre 30,0% e 100,0% para as qualidades péssima e regular.
Nesse período, todas as áreas foram consideradas com poucos peixes, de forma que P4 apresentou probabilidade de 100,0% para tal condição, considerando-se sua qualidade como péssima e certeza de 60,0%.
Quadro 4 – Probabilidades mais elevadas de cada situação/variável no período chuvoso.1
Fonte: Os autores (2018).
Parâmetro
P1 P2 P3 P4
Qualidade Grau certeza
(%) Qualidade Grau certeza (%) Qualidade Grau certeza (%) Qualidade Grau certeza (%) Cobertura Vegetal Boa 33,3 Boa 52,2 Boa 47,6 Muito boa 34,6 Turbidez Regular 85,7 Regular 57,7 Regular 50,0 Regular 64,8
Cor Regular 47,6 Regular 40,0 Péssima 43,9 Regular 43,9
Algas (cor verde) Regular 39,5 Regular 46,2 Regular 23,8 Boa 40,0 Espumas Regular 48,3 Boa 43,9 Péssima/Regular 100,0 Boa 60,0 Corpos flutuantes Boa 30,0 Boa 47,6 Regular 34,6 Boa 47,1 Material sedimentável Regular 65,2 Baixa 76,8 Regular 51,8 Regular 54,9
Cheiro Regular 48,3 Regular 51,8 Péssima 52,6 Boa 70,6 Temperatura Boa/Muito boa 100,0 Muito boa 50,0 Boa 50,0 Boa 70,0 Peixes Regular 54,9 Regular 38,1 Regular/Boa 72,7 Boa 58,8 Quadro 5 – Probabilidades mais elevadas da qualidade e grau de certeza de cada situação/variável no período chuvoso.1
Fonte: Os autores (2018).
1Em negrito apresenta-se os principais dados positivos e em itálico os negativos.
Parâmetro P1 P2 P3 P4 Classe Prob. (%) Classe Prob. (%) Classe Prob. (%) Classe Prob. (%) Cobertura Vegetal Herbácea-arbustiva 40,0 Arbustiva-arbórea 60,0 Arbórea-herbácea 50,0 Arbustiva-arbórea 60,0 Turbidez Alta 90,0 Muito alta 60,0 Muito alta 100,0 Alta 70,0
Cor Baixa 50,0 Alta 50,0 Muito forte 90,0 Alta 90,0
Algas (cor verde) Baixa 50,0 Média 60,0 Média 50,0 Média 50,0 Espumas Presente 70,0 Ausente 90,0 Ausente 60,0 Ausente 100,0 Corpos flutuantes Baixa/Ausente 100,0 Baixa 50,0 Alta 60,0 Ausente 80,0 Material sedimentável Baixa 60,0 Baixa 90,0 Baixa 70,0 Ausente 90,0 Cheiro Fraco 70,0 Fraco 70,0 Muito forte 50,0 Fraco 80,0 Temperatura Normal 100,0 Normal 100,0 Normal 100,0 Normal 100,0
Quadro 6 – Probabilidades mais elevadas de cada situação/variável no período seco.2
Fonte: Os autores (2018).
Parâmetro
P1 P2 P3 P4
Qualidade Grau certeza
(%) Qualidade Grau certeza (%) Qualidade Grau certeza (%) Qualidade Grau certeza (%) Cobertura Vegetal Regular 65,2 Boa 30,0 Regular 57,7 Regular 39,5 Turbidez Péssima 47,1 Boa 40,9 Péssima 80,0 Péssima 47,1 Cor Péssima 48,3 Boa 26,3 Péssima 94,1 Péssima 59,5 Algas (cor verde) Péssima 44,1 Regular 84,5 Péssima 65,8 Péssima/Regular 88,9
Espumas Péssima/Boa/
Muito boa 48,3 Regular 60,0 Péssima 84,5 Péssima/Regular 94,1 Corpos flutuantes Péssima 48,3 Regular 48,3 Péssima 40,0 Regular 52,6 Material sedimentável Péssima 40,0 Regular/Boa 60,0 Péssima 77,8 Regular 65,8
Cheiro Péssima/Regular/
Boa/Muito boa 47,1 Regular 54,9 Péssima 82,4 Boa 39,1 Temperatura Regular 100,0 Regular 60,0 Péssima 30,0 Regular 80,0 Peixes Regular 69,2 Regular 42,1 Péssima 70,6 Péssima 60,0
Quadro 7 – Probabilidades mais elevadas da qualidade e grau de certeza de cada situação/variável no período seco.2
Fonte: Os autores (2018).
2 Em negrito apresenta-se os principais dados positivos e em itálico os negativos.
Parâmetro P1 P2 P3 P4 Classe Prob. (%) Classe Prob. (%) Classe Prob. (%) Classe Prob. (%) Cobertura Vegetal Arbustiva-arbórea 60,0
Arbustiva- arbórea/ Arbórea-herbácea
100,0 Arbustiva-arbórea 60,0 Herbácea-arbustiva 50,0
Turbidez Muito alta 40,0 Alta 60,0 Muito alta 100,0 Muito alta 80,0 Cor Alta 70,0 Baixa 50,0 Muito forte 80,0 Muito forte 50,0 Algas (cor verde) Média 50,0 Média 70,0 Muito verde 90,0 Muito verde/Média 80,0 Espumas Ausente 70,0 Ausente 100,0 Presente 70,0 Presente 80,0
Corpos flutuantes Baixa 70,0 Baixa 70,0 Muito alta 50,0 Baixa 50,0 Material sedimentável Baixa 100,0 Baixa/Ausente 100,0 Alta 70,0 Baixa 90,0 Cheiro Fraco 80,0 Fraco 90,0 Muito forte 80,0 Fraco 60,0 Temperatura Normal 100,0 Normal 100,0 Normal 100,0 Normal 100,0
Ao estabelecer uma classificação final das áreas (avaliação positiva>negativa), de acordo com a situação dos parâmetros, obteve-se a mesma classificação entre o resultado qualitativo da água e o resultado probabilístico da qualidade da água: P4>P1>P2>P3 no período chuvoso, e P2>P1>P4>P3 no período seco.
O P1, segundo melhor trecho avaliado para os dois períodos, manteve considerável volume de água, favorecendo atividades agropecuárias e hortifrutigranjeiras, destinando-se os produtos ao consumo familiar e comercialização do excedente. Na estiagem, utiliza-se o leito e margens do rio principalmente para o cultivo de capim elefante (Pennisetum purpureum), ação que contribuiu para a degradação da mata ciliar, neste e em outros trechos do Potengi (Brasil, 2010).
Observou-se em P2 a pesca artesanal, cultivo de hortaliças e capim elefante, margens ocupadas por residências e bares, mesmo consistindo, de acordo com o Plano Diretor do município de São Paulo do Potengi (2007) na ZPA II (Zona de Proteção Ambiental), cuja função, dentre outras, visa a proteção dos recursos hídricos, da paisagem e do solo.
Por concentrar maior volume de água, comparado aos demais locais pesquisados, essa área possui, consequentemente, maior capacidade de autodepuração, justificando assim, a melhor avaliação durante o período de estiagem.
Nos dois períodos analisados, P3 obteve pior avaliação quanto a qualidade ambiental. Durante a estiagem, caso áreas rurais e urbanas recebam efluentes, a qualidade da água pode piorar por causa da redução na vazão e da capacidade de diluição dos poluentes (Fritzsons, et
al., 2003), cenário verificado em P3, cujo despejo elevado de esgotos domésticos e comerciais in natura, acarreta na proliferação acelerada de algas e outros microrganismos, tornando a cor
da água esverdeada (Lopes et al., 2016; Araújo et al., 2017), realidade que não impede a dessedentação animal e a pesca no local, inclusive por crianças.
Essa área (P3), por localizar-se a jusante da barragem Campo Grande (P2), possui perenização dependente do volume d´água liberado pela comporta do reservatório. No período seco, mesmo não havendo redução na liberação de água, de P2 para P3, foram verificados barramentos no leito, utilizados para irrigação de capim e dessedentação animal, impedindo o fluxo natural do rio.
Com aumento do tempo de residência da água, a entrada de nutrientes e a incidência de luz solar, esse ambiente torna-se favorável ao surgimento e proliferação de cianobactérias. Essas florações, uma das consequências da eutrofização, provoca alterações na cor, tornando- a semelhante a uma “sopa de ervilha”, como observado em P3, além de causar alterações no
odor e sabor da água, afetar a biota aquática e apresentar risco de produção de cianotoxinas com efeito bioacumulativo e potencial de intoxicação (Costa et al., 2006a), realidade já observada em reservatórios do Rio Grande do Norte por Costa et al. (2006b), Panosso et al. (2007), Chellappa, N. T.; Chellappa, S. L.; Chellappa, S. (2008) e Fonseca et al. (2015).
Em P4, obteve-se melhor avaliação no período chuvoso mesmo sob pressão antrópica como a predominância de práticas agropecuárias, principalmente o cultivo de capim elefante, criação de bovinos nas margens e no leito do rio, prática que em APP (Área de Preservação Permanente), impede o desenvolvimento da vegetação e a ciclagem dos nutrientes, afetando a qualidade da água (Santos; Hernandez, 2013).
Entretanto, P4 apresentou maior densidade de mata ciliar, quando comparada a outras áreas do rio, assim como constatado por Lopes, Silveira e Silva (2018) em estudo
multitemporal. Já no período de seca, a área foi classificada em penúltima colocação da avaliação positiva-negativa, resultado que pode estar associado a diminuição da precipitação e do volume hídrico.
Desse modo, mediante as observações dos estudantes em campo, concluiu-se que o uso e a ocupação desordenada do solo, aliada ao despejo de esgotos sem tratamento prévio, estimulou o assoreamento, o processo de eutrofização e a erosão do solo, acarretando em avaliações negativas na qualidade ambiental do rio Potengi, principalmente na zona urbana.
Nas áreas rurais, as atividades agrícolas e pecuárias despontaram como ações de maior potencial de degradação, provocando a redução da mata ciliar, erosão, lixiviação e
compactação do solo.
Pedagogicamente, verificou-se o desenvolvimento da visão micro e macroambiental, por meio da compreensão de aspectos ambientais, sociais e econômicos relacionadas ao rio Potengi. Esse processo de investigação in loco, permitiu aos estudantes ampliar o
conhecimento sobre os diversos usos do rio e seus fatores degradantes, percepção das relações socioeconômicas e a necessidade de ações mitigadoras como a implantação de políticas de conservação ambiental e implementação de instrumentos de gerenciamento hídrico.
4. Conclusão
A utilização do rio Potengi como laboratório para investigação e compreensão de processos naturais e antrópicos e suas contribuições na variação na qualidade da água, ampliou a participação dos estudantes e a percepção ambiental local, atuando como importante instrumento didático-pedagógico em EA. Possibilitou ainda reflexões sobre as condições atuais do rio, causas e consequências dos impactos socioambientais, bem como a contribuição da escola, da comunidade e do poder público para melhoria da qualidade ambiental do rio.
Essas atividades permitiram o envolvimento dos estudantes com o rio, que muitas vezes, é abnegado pela própria sociedade que desconhece sua importância ou somente o considera como depósito de rejeitos. Dessa forma, a escola deve considerar a realidade da comunidade local e os espaços do entorno, e utiliza-los como instrumentos potencializadores de uma EA crítica e emancipatória, que incentive a participação da população em pesquisas relacionadas aos problemas socioambientais e promova a expansão de práticas de ensino inter e transdisciplinar, ambos previstos pela Política Nacional de Educação Ambiental.
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5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo tratou da compreensão dos processos naturais e antrópicos em trechos rurais e urbanos do rio Potengi no município de São Paulo do Potengi/RN, associando-os às variações na qualidade ambiental dessas áreas, ao mesmo tempo em que permitiu integrar a visão dos estudantes, de acordo com suas vivências, agregando aos conhecimentos técnico- científicos.
Com base nos resultados demonstrou-se que ao longo dos anos o avanço da ocupação das margens do rio Potengi e o desenvolvimento de diversas atividades sem planejamento e gerenciamento adequado, principalmente no espaço urbano, ocasionou forte degradação, diminuindo a qualidade da água e gerando consequências como poluição da água, assoreamento, inundações de residências, perda da biodiversidade, redução do potencial econômico local, além de outros problemas socioambientais.
O procedimento constituiu-se relevante no processo de EA, pois considerou a realidade dos estudantes, aproximou a escola dos problemas da comunidade, fortaleceu o sentimento de responsabilidade e pertencimento do rio. Assim, o rio Potengi é um grande laboratório a céu aberto que pode e deve ser utilizado como instrumento potencializador de uma EA crítica e emancipatória e para o desenvolvimento de práticas de ensino inter e transdisciplinar.
Por último, é necessário planejamento e gerenciamento ambiental com a implementação de políticas já existentes, melhorias na infraestrutura e serviços de saneamento ambiental, monitoramento sistemático, ações de recuperação da mata ciliar e desenvolvimento de práticas permanentes de EA envolvendo a comunidade local, instituições públicas, privadas e sem fins lucrativos.
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