Vale lembrar que, atualmente, estamos ouvindo falar muito de empreendedorismo por oportunidade e por necessidade. O empreendedorismo por oportunidade é mais favorável para a economia do país. Uma vez que o empreendedor que inicia o seu projeto enxergando uma oportunidade ao redor, irá empreender de uma maneira que melhorará sua condição de vida e terá maiores chances de sobrevivência e de sucesso.
Em compensação, há também quem empreende por necessidade. Por exemplo, perdeu o emprego e com sua rescisão contratual abre uma micro empresa. Esse é o empreendedor por necessidade, que vislumbra uma vida melhor, mas não está ainda, preparado para correr riscos, para decidir, agir,...
Em alguns casos, o empreendedor por necessidade pode, se buscar conhecimentos, gerar oportunidades de negócios e se transformar em empreendedor por oportunidade.
Vamos fazer uma revisão bibliográfica, sinteticamente, dos principais tipos de empreendedores, conforme classificação de Dornelas (2007), que os classificou em oito tipos:
3.2.1 EMPREENDEDOR NATO
Segundo Dornelas (2007, p. 11), “é o mais conhecido e aclamado. Sua história é brilhante e, muitas vezes, começa do nada e cria grandes impérios. Começam a trabalhar muito jovens e adquirem habilidade de negociação e de vendas. São visionários, otimistas, estão à frente do seu tempo e comprometem-se 100% para realizar seus sonhos.”
Pereira (2008), para explicar a capacidade de iniciativa e pró-atividade de uma pessoa para alcançar seus objetivos, declarou que o empreendedor nato é aquele que ao ver um rio, já pensa em fazer logo uma ponte.
O desenvolvimento de tal vocação tem grande influência familiar e através do ambiente familiar existe grande possibilidade de gerar percepções de negócios.
3.2.2 EMPREENDEDOR SERIAL
O empreendedor serial é aquele que possui um negócio após o outro, sendo um de cada vez. E o negócio prévio pode ter sido vendido, fechado ou, de alguma forma, encerrado por vias legais. Já para Westhead e Wright (1998), empreendedores seriais são aqueles que vendem seus negócios originais e, posteriormente, estabelecem, herdam e/ou compram outro negócio. Para Dornelas (2005), o empreendedor serial é aquele apaixonado não apenas pelas empresas que cria, mas principalmente pelo ato de empreender. É uma pessoa que não se contenta em criar um negócio e ficar à frente dele até que se torne uma grande corporação. Como geralmente é uma pessoa dinâmica, prefere os desafios e a adrenalina envolvidos na criação de algo novo a assumir uma postura de executivo que lidera grandes equipes.
O empreendedor serial é uma pessoa que adora participar de eventos, festas, reuniões, tudo para poder aumentar o seu relacionamento. O que é muito interessante nesse empreendedor é que, ao concluir um objetivo, precisa criar outros rapidamente para se manter motivado, e não desiste nunca. Por ser assim, vários de seus negócios podem não atingir metas almejadas, mas servem de estímulo para os próximos objetivos.
3.2.3 EMPREENDEDOR QUE APRENDE
Dornelas (2005) define este tipo de empreendedor que, ultimamente, tem sido muito comum. É normalmente uma pessoa que, quando menos esperava, se deparou com uma oportunidade de negócio e tomou a decisão de mudar o que fazia na vida para se dedicar ao negócio próprio. É o caso clássico de quando a oportunidade bate à porta. É uma pessoa que nunca pensou em ser empreendedora, que antes de se tornar um via a alternativa de carreira em grandes empresas como a única possível. O momento de disparo ou de tomada de decisão ocorre quando alguém o convida para fazer parte de uma sociedade ou ainda quando ele próprio percebe que pode criar um negócio próprio. Geralmente demora um pouco para tomar a decisão de mudar de carreira, a não ser que esteja em situação de perder o emprego ou já tenha sido demitido. Antes de se tornar empreendedor, acreditava que não gostava de assumir riscos. Tem de aprender a lidar com as novas situações e se envolver em todas as atividades de um negócio próprio. Quem está pensando em uma alternativa à aposentadoria, muitas vezes se encaixa nesse tipo.
3.2.4 EMPREENDEDOR CORPORATIVO OU INTRAEMPREENDEDOR
Para Filion (2004), o empreendedor corporativo é uma pessoa que desempenha um papel empreendedor dentro de uma empresa. É semelhante aos empreendedores, salvo que o risco pessoal que enfrenta é muito mais baixo porque está usando o dinheiro e os recursos da empresa ao invés do seu. Se for bem-sucedido, será beneficiado por seu sucesso. Se falhar, perde sua reputação e sua capacidade para convencer outras pessoas na organização a apoiá- lo em projetos futuros. Esse mesmo autor define duas categorias de intraempreendedores. Os facilitadores, que “incorporam a visão de alguém e trabalham ativamente para realizá-la – por exemplo, eles podem projetar e implementar visões que complementem a visão central do dono do negócio”. E os visionários, que são “pessoas que projetam e implementam visões emergentes, que modificam a visão central do proprietário do negócio” (Filion, 2001, p. 9).
Dornelas (2005, p.12) complementa essa definição, afirmando que “o empreendedor corporativo tem ficado mais em evidência nos últimos anos, devido à necessidade das grandes organizações de se renovarem, inovarem e criarem novos negócios. São geralmente executivos muito competentes, com capacidade gerencial e conhecimento de ferramentas administrativas”.
Segundo Pinchot (2004) os intraempreendedores, ou empreendedores corporativos, são aqueles que transformam ideias em realidades dentro de uma empresa. O intraempreendedor pode ser ou não a pessoa que apresenta primeiro uma ideia.
3.2.5 EMPREENDEDOR SOCIAL
O termo Empreendedor Social foi cunhado por Bill Drayton – Fundador e Presidente da Ashoka – ao perceber a existência de indivíduos que combinam pragmatismo, compromisso com resultados e visão de futuro para realizar profundas transformações sociais. Portanto, o empreendedor social é aquele que possui um sentimento intenso e age como defensor de uma causa coletiva. Sua missão é construir um mundo melhor para todos, e por essa razão realiza-se criando negócios para gerar o bem estar das pessoas e comunidades.
Dornelas (2005, p. 14) afirma que “os empreendedores sociais são um fenômeno mundial e, principalmente em países em desenvolvimento, como o Brasil, têm um papel
social extremamente importante, já que através de suas ações e das organizações que criam, preenchem lacunas deixadas pelo poder público. De todos os tipos de empreendedores, é o único que não busca desenvolver um patrimônio financeiro, ou seja, não tem como um de seus objetivos ganhar dinheiro. Prefere compartilhar seus recursos e contribuir para o desenvolvimento das pessoas”.
3.2.6 EMPREENDEDOR POR NECESSIDADE
Cria seu próprio negócio porque não tem alternativa, seja porque acabou de ser demitido ou porque tem dificuldade de encontrar trabalho. Não resta outra opção, a não ser trabalhar por conta própria. Dornelas (2005), explica que geralmente, o empreendedor por necessidade se envolve em negócios informais, desenvolvendo tarefas simples, prestando serviços e conseguindo como resultado pouco retorno financeiro. É um grande problema social para os países em desenvolvimento, pois, apesar de ter iniciativa, trabalhar arduamente e buscar de todas as formas a sua subsistência e a dos seus familiares, não contribui para o desenvolvimento econômico.
Nessa mesma linha de pensamento, o relatório do GEM (2010) registra que os empreendedores por necessidade são aqueles que iniciaram um empreendimento autônomo por não possuírem melhores opções para o trabalho e, então, abrem um negócio, a fim de gerar renda para si e suas famílias.
Conforme os estudos do Global Entrepreneurship Monitor (GEM, 2010), o percentual de empreendedores por necessidade no Brasil diminui, mas ainda representa 32,4% de empreendedores em todas as faixas etárias que o faz por necessidade. Fica a torcida, mesmo esses empreendedores por necessidade possam adquirir conhecimentos e gerar oportunidades de negócios, transformando-se em empreendimentos por oportunidades.
3.2.7 EMPREENDEDOR HERDEIRO
O empreendedor herdeiro recebe, desde cedo, a missão de continuar o negócio da família. De acordo com Dolabela (2005), as empresas familiares fazem parte da estrutura empresarial de todos os países, e muitos impérios foram construídos nos últimos anos por famílias empreendedoras, que mostraram habilidade de passar o bastão a cada nova geração.
Mais recentemente, porém, tem ocorrido a chamada profissionalização da gestão de empresas familiares, através da contratação de executivos de mercado para a administração da empresa e da criação de uma estrutura de governança corporativa, com os herdeiros opinando no conselho de administração e não necessariamente assumindo cargos executivos na empresa. O desafio do empreendedor herdeiro é multiplicar o patrimônio recebido.
Mas nem tudo são flores aos herdeiros, pois o processo de sucessão empresarial e partilha de patrimônio são as suas tarefas iniciais que precisará administrar, porque poucas famílias resistem aos conflitos e intrigas. E, está aí a sua primeira tarefa a negociar com presteza para o patrimônio poder dobrar.
3.2.8 EMPREENDEDOR NORMAL OU PLANEJADO
Esse empreendedor está sempre procurando diminuir os riscos, preocupa-se o tempo todo com o futuro do negócio, sabe onde quer chegar e estipula objetivos e metas para o controle da gestão da sua empresa. Dolabela (2005), toda teoria sobre o empreendedor de sucesso sempre apresenta o planejamento como uma das mais importantes atividades desenvolvidas pelos empreendedores. Então, o empreendedor normal seria o mais completo do ponto de vista da definição de empreendedor e o que a teria como referência a ser seguida, mas que na prática ainda não representa uma quantidade considerável de empreendedores. No entanto, ao se analisar apenas empreendedores bem sucedidos, o planejamento aparece como uma atividade bem comum nesse universo específico, apesar de muitos dos bem-sucedidos também não se encaixarem nessa categoria.
Enfim, poderão aparecer outras denominações, como por exemplo: empreendedor religioso, cultural, político, etc. Mas, conforme Dornelas (2005) não importa a definição de empreendedorismo, o que importa é que todos os empreendedores precisam ter, no mínimo, esses três aspectos abaixo para empreender:
1. Iniciativa para criar um novo negócio e paixão pelo que faz;
2. Utiliza os recursos disponíveis de forma criativa transformando o ambiente social e econômico onde vive;