Os udenistas comemoraram a intervenção militar que retirou Vargas do poder, em 29 de outubro de 1945. O Diário da Tarde, de propriedade de Adolfo Konder, não escondia a satisfação por aquela que acreditava ser a primeira de muitas vitórias. Afinal, temia-se o sucesso do movimento queremista e de uma eventual constituinte com Getúlio, apoiada, inclusive, pelos comunistas.72 A UDN catarinense, então, voltava sua artilharia para o pleito de 1945 e desafiava os que “ontem eram donos do Brasil e de Santa Catarina”, “que com arrogância e petulância, que o bafejo oficial confere e os cofres públicos conforta, lançamos a luva e desafiamos ao combate, agora de igual para igual.”73 Os oposicionistas apostavam na igualdade da disputa. O voto secreto seria a “força dos oprimidos”, uma “caixa de surpresa para os tiranos”.74E a retirada de Vargas do poder, acreditavam os udenistas, impediria o uso da máquina pública em favor da campanha pessedista. Afinal, contar com o aparato estatal fora decisivo nas campanhas eleitorais antes do Estado Novo. As experiências mostravam que o uso do poder público poderia beneficiar correligionários e oferecer favores, mas também poderia servir para punir opositores. Os udenistas, neste sentido, acusaram o líder pessedista de transferir para Canoinhas o médico e membro do diretório estadual da UDN, Paulo Fontes, lotado em Florianópolis.75Semanas mais tarde, nova denúncia. Desta vez, o PSD estaria usando veículos públicos para transportar eleitores aos comícios que promovia.76
Parece lógico que a saída do presidente, que simbolizaria, na visão dos udenistas, a vitória dos grupos políticos ligados ao PSD e o esmagamento da oposição no estado gerassem expectativas de vitória e retomada do poder. Assim, o Diário da Tarde concitava
72 Entre fevereiro e o final de outubro de 1945, parte da população brasileira encampou um movimento
favorável à permanência de Getúlio Vargas no poder. Com o fim da II Guerra Mundial e a queda das ditaduras nazifascistas, setores da sociedade passaram a pressionar pelo fim da ditadura do Estado Novo e para a queda de Vargas. Este era o contexto do movimento queremista, apresentado como um contraponto à pressão sofrida. Grande número de trabalhadores defendeu a permanência do ditador com receio de que sua queda pudesse trazer consigo a perda dos direitos trabalhistas recém conquistados.
73 Politicando. Diário da Tarde. Florianópolis, 30 out. 1945. 74Diário da Tarde. Florianópolis, 04 out. 1945.
75
Tiro pela culatra. Diário da Tarde. Florianópolis, 08 out. 1945.
76 “Os caminhões postos à disposição do eleitorado do PSD, no interior da ilha, conduziam bancos dos jardins
públicos. (...) O PSD causou decepção aos seus próprios adeptos.” Diário da Tarde. Florianópolis, 22 out. 1945.
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o operariado a aderir à campanha udenista.77 Comemorava-se a vitória da democracia contra o golpe “comuno-queremista” que se anunciava. José Medeiros Vieira, em sua coluna, atacava as mudanças políticas do ex-presidente: liberal-democrata, fascista e, por último, amasiado com o “credo vermelho” na campanha do “quero-quero”.78Em Florianópolis, a intervenção militar que tirou Getúlio do poder impediu a realização do comício queremista programado para o dia 30 de outubro. O palanque já havia sido montado por funcionários da prefeitura, comandada pelo Cel. Lopes Vieira. No palácio do governo, os políticos situacionistas faziam uso político do movimento e estendiam a faixa: “Com Getúlio e Nereu para felicidade de nossa terra”.79
É difícil, no entanto, estabelecer a dimensão do movimento queremista em Santa Catarina. Não há estudos específicos sobre ele no estado. Na imprensa, poucas menções são feitas. As únicas referências encontradas dizem respeito ao comício do dia 30 de outubro, inviabilizado pela referida queda do presidente.80Em linhas gerais, a capital de Santa Catarina não parece ter tido um movimento de proporções equivalentes as estudadas por Jorge Ferreira em outras capitais. Segundo o historiador, o queremismo foi um movimento de grande amplitude, igualado apenas à Aliança Nacional Libertadora, do período anterior, e às Diretas Já, do início dos anos 1980.81
Em Florianópolis, no rastro das acusações de violência em comícios partidários, um articulista do Diário da Tarde relacionava as agressões sofridas por partidários da UDN ao
77 “Caiu o tirano, o usurpador dos direitos dos cidadãos brasileiros! O pai dos magnatas fascistas que
desgraçaram o Brasil e deixaram o operariado na miséria! (...) Cerremos, pois, fileiras em torno da União Democrática Nacional e marchemos para a vitória dos nossos ideais que são os de todos os homens livres!”. VIEIRA, Antonio Geraldo. Ao proletariado democrático. Diário da Tarde. Florianópolis, 30 out. 1945.
78 VIEIRA, José Medeiros. Quanta lição de melancolia deste destino. Diário da Tarde. Florianópolis, 30 out.
1945.
79 “Também foi abortado o pagode comuno-queremista que deveria hoje à noite perturbar a ordem pública em
nossa capital. Esse carnaval, patuleia, tinha, senão a gerência direta, pelo menos o patrocínio do falecido situacionista estadual.” Fonte: Derrocou a ditadura getulitária. Diário da Tarde. Florianópolis, 30 out. 1945.
80 As informações de que haveria um comício “queremista” em Florianópolis só foram divulgadas no jornal Diário da Tarde, de oposição a Getúlio, no dia seguinte a sua queda. Nos dois jornais situacionistas, não há qualquer menção ao evento. Contudo, não é o propósito deste trabalho destrinchar os meandros do movimento queremista em Santa Catarina. Apenas ensaiar algumas interpretações do uso deste fenômeno pelas forças políticas em jogo.
81 “Mobilização somente comparada, em período anterior, à da Aliança Nacional Libertadora, e, décadas
depois, à das ‘diretas já’, o queremismo apresenta ao estudioso algo que, na tradição intelectual de liberais ou das esquerdas, soa como estranho: cai a ditadura do Estado Novo, mas cresce o prestígio do ditador; vislumbra-se o regime democrático e, no entanto, os trabalhadores exigem a permanência de Vargas no poder.” FERREIRA, Jorge. O imaginário trabalhista: getulismo, PTB e cultura política popular 1945-1964. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005. p. 26.
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viés sanguinário do movimento queremista e de Nereu Ramos, barrado pelos militares em 29 de outubro. Intitulado “Um ‘São Bartolomeu’ frustrado”, o artigo denunciava as articulações de Nereu Ramos, em Santa Catarina, com o objetivo de manter-se no poder.82Lembrava o movimento queremista, a nomeação de Benjamin Vargas para Chefatura de Polícia do Distrito Federal e as pressões por uma Constituinte com Getúlio. Citava as faixas estendidas no Palácio do Governo com os dizeres: “Com Getúlio, com Nereu”. Afirmava que a DOPS trouxera 1.650 armas para “armar e municiar” a “guarda cívica”, disposta a sacrificar os adversários assim que o “grande sino iniciasse o toque macabro da matança”, para que “os exaltados queremistas e os irresponsáveis capangas iniciassem o novo São Bartolomeu”. Entretanto, agradecia o articulista, “as Forças Armadas impediram o golpe” e, com isso, “o São Bartolomeu que Nereu preparava contra o povo”. A partir de então, Nereu Ramos teria iniciado sucessivos ataques pessoais contra adversários políticos, motivando-os a aparteá-lo. “Aparteado pelos atacados, manda agredi- los e matá-los e depois vem dizer, pelas manchetes dos seus jornais, que os udenistas perturbam os comícios com seus agentes.”83
A descrição acima parece mais obra da imaginação do autor do que um retrato fiel dos acontecimentos da época. Mais uma imagem construída ao sabor das disputas políticas do que uma exposição das características do movimento queremista no estado. Em suma, está inserida no contexto de campanha política e dos tumultos e agressões recorrentes em comícios de ambos os partidos – já discutidos anteriormente. Por conseguinte, deve ser relativizada.
Ainda que constitua uma das poucas referências ao movimento queremista em Santa Catarina, é possível identificar o uso político do prestígio de Vargas pelos detentores da situação. Nereu Ramos, mesmo com seu histórico de divergências com Getúlio, habilmente fez uso da retórica queremista ao estender faixas em frente ao Palácio do Governo. Afinal, a permanência do presidente implicaria a manutenção do grupo político ligado ao PSD nos principais postos administrativos do estado. Assim, parece lógico que, na iminência do “comício queremista”, marcado para 30 de outubro de , os líderes situacionistas
82 O título da reportagem faz referência à Noite de São Bartolomeu, na qual milhares de protestantes foram
assassinados pela monarquia francesa, em 1572.
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procurassem auferir benefícios políticos decorrentes do prestígio de Vargas com as classes trabalhadoras.
Apesar do suposto gesto de apoio, antes mesmo da deposição de Getúlio e ainda sob o clima de protestos queremistas em várias capitais do Brasil, Nereu Ramos e o PSD catarinense apostaram na candidatura de Dutra. O presidenciável pessedista veio a Florianópolis para um comício no dia 21 de outubro. Em seu discurso, Nereu Ramos exaltava o correligionário e denominava-o continuador das obras de Getúlio Vargas.84Reforçava também sua esperança de que, com Dutra na presidência, aumentasse o combate ao comunismo, incompatível com “as tradições cristãs do povo brasileiro”.85Isto é, mesmo com o apoio dos comunistas para uma “Constituinte com Getúlio”, em Santa Catarina, os detentores do poder investiram na retórica anticomunista como estratégia de campanha eleitoral.86 Portanto, o movimento queremista, atuante em várias partes do Brasil, foi silenciado pela imprensa da capital catarinense e não ganhou nem elogios nem reprimendas dos dois principais partidos do estado até a saída de Vargas do poder. Após a intervenção militar, tanto os elogios ao presidente e aos queremistas quanto as críticas ao Estado Novo se farão presentes de forma ostensiva nos periódicos locais.
Com olhar atento para as entrelinhas, é possível observar que Getúlio Vargas era figura de grande prestígio entre as classes trabalhadoras catarinenses. Os jornais pessedistas, de maneira geral, ao pedir voto ao “povo”, faziam-no usando a imagem do ex- presidente. Isto é, consideravam-na importante instrumento de campanha para conquistar a confiança das parcelas menos favorecidas economicamente. No entanto, os comunistas, tradicionalmente ligados aos trabalhadores, após sua decisão de lançar candidato próprio à
84 “A vossa candidatura, senhor General Eurico Gaspar Dutra, nós a temos como uma bandeira de ordem e
tranquilidade social e como uma esplêndida garantia de continuidade da obra de construção nacional que perpetuará na história o nome do presidente Getúlio Vargas. (...) Assim é a nossa terra. (...) Contai com ela, como ela conta convosco para realização de suas legítimas aspirações, como sempre contou com esse extraordinário homem de Estado que é o presidente Getúlio Vargas.”. Discurso do sr. Nereu Ramos. A
Gazeta. Florianópolis, 22 out. 1945.
85 “No terreno social, o vosso nome é broquel contra as arremetidas dos que, olvidando as tradições cristãs do
povo brasileiro, querem para aqui transplantadas, com o colorido vermelho da sua agressividade materialista, ideologias que com elas não confraternizam.” Discurso do sr. Nereu Ramos. A Gazeta. Florianópolis, 22 out. 1945.
86 Segundo Maria Fernanda Araújo, tanto a UDN quanto o PSD catarinense cortejaram os comunistas no
início de 1945. Contudo, após o partido deliberar que sairia com candidato próprio para presidência da república, ambos passaram a repudiar o comunismo e a denunciar a presença de comunistas nas chapas adversárias. ARAÚJO, Maria Fernanda. Jardins da Revolução: o Partido Comunista do Brasil em
Florianópolis, 1945-1947. Florianópolis, 2006, 134 f. Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso em História), Universidade Federal de Santa Catarina. p. 51.
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presidência, tornaram-se objeto de críticas frequentes da imprensa de ambos os partidos.87 Ou seja, cortejava-se o trabalhador, mas repudiava-se o comunismo.
A crítica do Diário da Tarde à transferência de um médico udenista da capital para a cidade de Canoinhas – citada no início desta seção – veio atrelada à denúncia de favorecimento aos comunistas. O autor da matéria repudiava as insinuações feitas por pessedistas de que Adolfo Konder estaria comprometido com o comunismo e criticava o uso da máquina pública para punir Paulo Fontes, “profissional dedicado e competente”, apenas por “ter-se declarado solidário à UDN”. Enquanto isso, ainda de acordo com denúncia do jornal, Nereu Ramos teria indicado um médico comunista para chefiar o Centro de Puericultura Beatriz Ramos.88
A resposta do periódico pessedista veio logo em seguida, com uma enxurrada de ataques aos adversários, críticas ao comunismo e denúncias de participação de simpatizantes do credo vermelho na chapa udenista. A Gazeta disparou contra o cônego Tomás Fontes, clérigo vinculado à UDN. Segundo o jornal, o religioso estaria enviando cartas aos membros do PSD, “acoimando de comunistas os srs. General Gaspar Dutra e Nereu Ramos”. Lembrava o autor da matéria que Adolfo Konder não fez críticas aos comunistas antes, pois esperava que, com o fim do Estado Novo e a soltura de Prestes, os comunistas cerrassem fileiras com os opositores ao regime de Vargas. Entretanto, como o PCB apoiou uma Constituinte com o presidente além da já citada opção por candidatura própria, os udenistas passaram a criticá-los e a vinculá-los ao PSD. Ademais, destacava o jornal pessedista, era a UDN que continha comunistas entre seus próceres. Os insatisfeitos com os rumos tomados pelo PCB teriam criado uma corrente dentro do partido chamada
87 Antes disso, o jornal Diário da Tarde destacara a saída de Luiz Carlos Prestes da cadeia. Já O Estado
noticiou o apoio do PCB por uma Constituinte com Vargas: Entrevista do Ex-capitão Luiz Carlos Prestes.
Diário da Tarde, 15 de março de 1945; A entrevista do Sr. Luiz Carlos Prestes. O Estado, 28 de abril de 1945.
88 “A ‘trombeta do diabo’ do governismo, no desespero de manter em vida um corpo já em putrefação, ataca e
agride a todos que não se amoldam à sua nefasta cartilha. (...) Nada podendo dizer contra o senhor Adolfo Konder que, quer queiram ou não queiram, é uma das mais fulgurantes figuras do estado (...) acima e invulnerável às babujeiras desses batráquios que vivem a coaxar às portas dos que estão no poder, insinua maliciosamente que S. Excia. está comprometido com o comunismo (...). O Sr. Nereu Ramos, chefe do PSD, removeu um médico desta capital para a cidade de Canoinhas, por este ter se declarado solidário com a UDN. Há outro médico, jovem e ilustre, que faz parte do núcleo comunista desta capital. (...) Contra este não tomou o mesmo senhor Nereu nenhuma atitude. E mais, foi ainda designado para a chefia do Centro de Puericultura Beatriz Ramos. (...) Para o senhor Nereu Ramos o membro da UDN merece ser castigado; o comunista aproveitado.” Tiro pela culatra. Diário da Tarde, Florianópolis, 8 de outubro de 1945.
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“Esquerda Democrática”.89 Por fim, assinalava a profunda ligação do PSD e de seu líder maior no estado, Nereu Ramos, com as “tradições cristãs”, repudiando as ilações do clérigo de aproximação do partido com membros comunistas.90Nos meses de outubro e novembro,
A Gazeta reforçará seu anticomunismo ao publicar notas frequentes criticando o regime soviético e denunciando a aproximação entre a UDN e os comunistas.91
Neste sentido, a postura dos partidos – expressa em seus jornais – em relação aos trabalhadores, a Getúlio Vargas e ao comunismo, sinaliza dois aspectos. Em primeiro lugar, a importância do apoio das classes trabalhadoras no processo eleitoral, sendo o uso da imagem de Vargas fundamental para capitalizá-lo. Em segundo, a utilização da retórica anticomunista como estratégia de campanha. Faz sentido pensar, portanto, que a associação do candidato ou do partido aos comunistas prejudicaria seu desempenho nas urnas. Não significa, contudo, que o PCB fosse irrelevante na política catarinense. Ao contrário, mesmo não tendo obtido uma votação expressiva, seu poder de mobilização não pode ser desprezado. serão analisados a seguir. Convém ainda, antes de abordar alguns aspectos do desempenho comunista nas duas primeiras eleições do período de redemocratização, 1945 e
89 Benevides ressalta que alguns membros da esquerda participaram e assinaram a ata de fundação da UDN.
No entanto, apesar da UDN e da Esquerda Democrática terem pontos em comum naquele início de democratização, havia grandes diferenças de concepção econômica e ideológica: “No que se refere à defesa das liberdades democráticas a ED se identificava com o programa da UDN (nessa época os udenistas também defendiam, por exemplo, a autonomia sindical e o direito de greve); mas, pelo lado da política econômica e propostas a longo prazo, a ED apresentava uma distinção fundamental, que se revelaria crucial para o afastamento da UDN e a consequente identificação com o Partido Socialista. A ED, ao contrário, insistia na transformação do regime capitalista de produção e no ideal de uma sociedade sem classes.” BENEVIDES, Maria Victória de Mesquita. A UDN e o udenismo: ambiguidades do liberalismo brasileiro (1945-1965). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981. p. 31, 32.
90
Quem é que endossa? A Gazeta. Florianópolis, 11 de outubro de 1945.
91 No dia 9 de outubro, Rui Lima assina um artigo no jornal no qual repudia veementemente a implantação do
comunismo no país, citando-o como incompatível com a “índole cristã” da sociedade brasileira. Seria como “povoar de araras e periquitos o dorso nevado do Everest, ou de focas e lobos marinhos as áridas estepes africanas, ou a nossa caatinga”. A solução, de acordo com o articulista, estaria na socialdemocracia incorporada pelo Partido Social Democrático, capaz de construir, “sobre a base que já lhe lançou Getúlio Vargas”, e ampliar, “de acordo com o nosso clima e nossas necessidades”, “a assistência social de que precisamos e que nossa índole cristã nos impõe”. LIMA, Rui. Socialização sim! Bolchevização não! A
Gazeta. Florianópolis, 9 de outubro de 1945.
Na coluna “Politicando”, do dia 13 de outubro, o jornal acusa Volney Colaço de Oliveira, “apregoado como um dos líderes da Ala Moça da UDN”, de proferir discurso no Rio de Janeiro, dia 8 de abril – quando o PCB ainda não havia decidido pela candidatura própria à presidência da República – pedindo anistia a Luiz Carlos Prestes, Agildo Barata e “outros camaradas de ideal”. Politicando. A Gazeta. Florianópolis, 13 out. 1945. Além destas matérias, o jornal colocava notícias de aproximação entre udenistas e comunistas em outras partes do país, principalmente no Rio de Janeiro: Comunistas auxiliam financeiramente a UDN. A Gazeta. Florianópolis, 17 out. 1945; Um comunista na chapa da UDN. A Gazeta. Florianópolis, 19 out. 1945; Mais um candidato comunista na UDN. A Gazeta. Florianópolis, 17 nov. 1945; Elementos da esquerda, divorcistas e laicistas dominam a chapa da União Democrática Nacional. A Gazeta. Florianópolis, 21 nov. 1945.
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1947, tecer considerações sobre o uso da máquina pública e os últimos lances da campanha eleitoral de 1945.
Dando continuidade aquilo que foi apresentado no início da seção, o periódico udenista vibrou com a queda de Vargas e o fim do Estado Novo. Crente de que haveria equidade de condições de disputa, sem a utilização do aparato estatal em favor dos candidatos pessedistas. No entanto, poucos dias depois, nova denúncia surgia no jornal udenista. Desta vez era a acusação de que um funcionário público estaria usando um cavalo da Força Policial para fazer campanha política para o PSD. Evidentemente, a matéria foi concluída responsabilizando Nereu Ramos: “Como se vê, o Sr. Nereu não só gastava gasolina do estado e se utilizava dos veículos do estado e municípios, mas ainda dos cavalos da Força Policial.”92
No jornal pessedista, o uso da máquina pública tornava-se propaganda política. A
Gazeta exaltava Ivo d’Aquino, candidato do PSD ao senado e interventor federal, por ter concedido aumento ao funcionalismo público do estado.93 Duas semanas depois, é a vez de Nereu Ramos, também candidato do PSD ao senado, capitalizar para sua campanha política o aumento dos servidores. Em destaque, na capa do jornal, colocava-se a seguinte frase: “O funcionalismo público do estado começará a receber, desde o dia 1º de dezembro próximo, o justo aumento dos seus vencimentos, de acordo com o decreto-lei do ex-interventor Nereu Ramos.”94 Desse modo, os candidatos pessedistas, detentores do aparato estatal, ofereciam benefícios ao funcionários públicos às vésperas da eleição como forma de garantir o voto dos beneficiários e de suas famílias. Concomitantemente, os udenistas denunciavam o abuso do poder por parte de seus adversários e apostavam na imagem “impoluta” do