II.5 Application aux futures missions spatiales : encore plus proche du Soleil
III.1.1 Les couches de courant
“De tudo, ficaram três coisas: A certeza de que estamos sempre começando...A certeza de que precisamos continuar...A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...Portanto devemos: Fazer da interrupção um caminho novo...da queda um passo de dança...do medo, uma escada...do sonho, uma ponte...da procura, um encontro...”
Fernando Pessoa
Analisar a prática do acolhimento para com a pessoa idosa na ESF desenvolvida pela equipe multidisciplinar remete-nos a uma reflexão sobre o funcionamento dessa estratégia enquanto modelo assistencial. O modelo de atenção em saúde da pessoa idosa no município parece pautar-se num modelo assistencial curativista de demanda espontânea, principalmente por ter demonstrado em seus resultados que o programa de hipertensão e diabetes (HIPERDIA) apresenta os maiores índices sempre que aparece entre os resultados deste estudo.
Neste contexto de atenção básica e de atendimento à pessoa idosa, percebe- se que os profissionais deste estudo têm dificuldade de identificar o usuário idoso ou pessoa idosa, e até mesmo o adulto, no seu contexto biológico, social, psíquico, cultural e religioso como preconiza a nova Portaria de nº 2.528 GM/MS, de 3 de outubro de 2006 (BRASIL, 2006a).
Foi possível concluir, que estes profissionais da ESF do município de Sousa, PB, quando atendem as pessoas idosas na Estratégia de Saúde da Família, desenvolvem ações mais focalizadas nos aspectos clínicos, com pouca ou nenhuma ênfase nas ações que permeiam a Política Nacional de Humanização.
A ênfase da prática desses profissionais aparece com maior referência para a ação “com prioridade” enquanto uma ação comum, dada e autorizada por uma Lei à pessoa idosa. Identifica-se ainda, que os mesmos desenvolvem ações pontuais, pouco resolutivas e sem construção de vínculos, contribuindo para a pouca eficácia e resolubilidade dessas ações junto a esse grupo etário da população.
A equipe da ESF ao realizar o atendimento à pessoa idosa considera que os instrumentos de trabalho e a maneira como abordam os problemas de saúde estão
insuficientes e inadequados para uma assistência de qualidade à população idosa sob sua responsabilidade, pautada na prática do acolhimento.
Considera-se que a prática de “acolhimento” apresentado pelos profissionais deste estudo apresenta dificuldades para a introdução de uma escuta qualificada. Observação esta deduzida em função da forma como mencionaram que atendem e recebem a pessoa idosa. Ademais, alguns problemas e necessidades destes idosos nem sempre podem ser resolvidos no âmbito dos serviços de atenção básica de saúde, dado as características de morbidade próprias da idade e que se deparam com algumas dificuldades devido a necessidade das ações de intersetorialidade, haja vista, a referência e contra-referência nem sempre acessíveis a todos.
A importância de uma articulação intersetorial pela ESF, ou seja, reconhecer e buscar parcerias externas à unidade e ao setor saúde significa estabelecer um diálogo efetivo com os hospitais, laboratórios e outros serviços de diagnose e terapia, com vistas a estabelecer interações de referência e contra-referência, além de estabelecer relações profissionais e de ajuda, com as associações comunitárias, os sindicatos e as escolas, dentre outros. Isso permite que o vínculo não seja fragmentado em nenhuma das esferas da atenção. Assim os profissionais poderiam acolher/receber, tratar, encaminhar para a referência e receber de volta esse usuário para dar continuidade ao seu tratamento, porém dando enfoque à promoção da autonomia do idoso.
Uma vez que o PSF se propõe a ser a estratégia do Ministério da Saúde para a reorganização da Atenção Básica, é imprescindível que os profissionais de saúde aprendam a reconhecer os problemas e as necessidades de saúde dos indivíduos e famílias sob sua responsabilidade. Ao reconhecer esses problemas/necessidades, consigam traçar uma proposta de intervenção para os mesmos, identificando que as ações de saúde que estão sob sua responsabilidade atendem a uma pequena parcela dos problemas/necessidades presentes e que a outra parcela precisa ser atendida, caso contrário, o problema não estará resolvido. É nesse momento que se faz necessário a articulação intersetorial.
A ESF precisa incorporar a idéia de que sua responsabilidade não se limita às quatro paredes da USF e que causar impacto nos problemas significa trazer respostas reais que alteram o quadro de saúde da sua área de responsabilização. E percebe-se que ainda há muita resistência por parte dos profissionais. A visita domiciliária, enquanto ferramenta de trabalho ainda não foi incorporada com a
devida importância pelos profissionais e isto também pode ser observada pelos profissionais deste estudo.
O grande desafio é articular os diferentes setores de produção de uma USF em uma gestão compartilhada que responda pelo acesso dos usuários com acolhimento, vínculo e resolubilidade.
Portanto, o acolhimento nas práticas diárias dos profissionais da ESF requer que além de instituir-se uma USF de porta aberta, que responda às demandas da comunidade, é necessário se instituir um relacionamento com os outros serviços de saúde da área.
Contudo ao refletirmos sobre as dificuldades encontradas pelos profissionais deste estudo, vê-se que os mesmos não conseguem redirecionar suas práticas na construção de algo novo. Operam com concepções de processo saúde-doença pouco adequadas para o trabalho com comunidades e se esquecem, muitas vezes, das propostas do SUS na reorganização dos serviços. Na visão dos participantes deste estudo, podemos observar que a falta de insumos apontados por eles já é um item suficiente para fragmentar a qualidade da assistência. Vislumbrando que, a falta de alguns materiais até pode ser comum em se tratando de serviços públicos, mas isso não deveria ser um item que tivesse o poder de criar uma pausa na qualidade da assistência prestada à pessoa idosa.
O presente estudo pretendeu dar visibilidade às práticas que vêm sendo desenvolvidas pelos profissionais no contexto da ESF, com foco no acolhimento, no sentido de alertar aos profissionais, gestores e pesquisadores sobre a necessidade de se investir esforços na implementação dessa proposta nas unidades de saúde de um modo geral, tomando por base a proposta de sensibilizar as equipes para incluir nas suas práticas a Política Nacional de Humanização da assistência à pessoa idosa.
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APÊNDICE A
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