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3.1 Le protocole IEEE 802.15.4

3.1.1 Couche physique

Blanchot (1987) afirma que o ato de escrever literatura é um ofício dificílimo, pois envolve situações como envolvimento, solidão contínua e concentração, que são três componentes de quem produz um bom texto.

[...] é entrar na afirmação da solidão onde o fascínio ameaça. É correr o risco da ausência de tempo, onde reina o eterno recomeço. É passar do Eu ao Ele, de modo que o que me acontece não acontece a ninguém, é anônimo pelo fato de que isso me diz respeito, repete-se em uma disseminação infinita (BLANCHOT, 1987, p.24).

Assim, ele explica o quase não dito, mas que reflete a vivência do escritor, trabalhar na solidão que gera certo fascínio, por ser um mundo do qual, de certa forma, o leitor se amedronta e, por isso, tenta fugir desse encontro mágico, mas que o fascina. Também o escritor vivencia a temporalidade de modo singular, pela sua ausência no mundo, ao mergulhar no terreno da criatividade, em que constrói sua identidade num mundo que só diz respeito a ele mesmo.

O escritor literário também está inserido na sociedade do trabalho, aquela em que as pessoas são definidas e descritas na sua cidadania pelo trabalho assalariado que possuem, apesar de o escritor raramente receber um salário pelo seu produto, uma contradição de pertencer uma sociedade marcada pela economia, mas que nega esse direito aos escritores e aos artistas em geral. Segundo Antunes (2000), o Século XXI enfrenta uma nova era da precarização estrutural do trabalho. A crise da sociedade do trabalho se caracteriza por uma crescente “banalização” e “brasilianização” conceito utilizado por Antunes e Back (2005) e Kurz, Jappe, e Antunes (2000), que afirmam que década de 1990 foi paradigmática e complexa para o mundo do trabalho. Também, por Dejours (2000), quando trata da banalização da (in) justiça social, o autor analisa as graves questões econômicas que afetam direta ou indiretamente o mundo do trabalho. Apesar de o contexto referir-se à França, muitos

pontos relacionados ao trabalho podem ser extrapolados para outras sociedades, inclusive para o Brasil. O autor faz críticas à perspectiva de que os indivíduos somente irão conseguir ficar no mercado se superarem a si próprios, tornando-se cada vez mais competitivos e eficientes que os colegas, pares, ou concorrentes, primando pelo individualismo.

Dejours (2000), baseando-se em Marx, em Habermas, em Arendt entre outros, deixa claro que a crise que se apresenta aos trabalhadores tem sua gênese na natureza do sistema econômico, no mercado ou na globalização, contudo explica que as condutas humanas diante dessas situações têm contribuído, e muito, para o agravamento de problemas laborais, principalmente no que se refere ao sofrimento no cotidiano do trabalho, que o foco a que dedica seu olhar de pesquisador atento.

De um lado, o trabalho tem sido considerado como fundamento da sociedade, em que todas as pessoas giram ao redor do trabalho, isto é, têm o trabalho como ponto de referência, como centralidade; no entanto, por outro lado, tudo tem sido feito para torná-lo raro, talvez até de forma utópica perder o sentido e entrar em rota de extinção em uma sociedade totalmente dominada de forma agressiva pelo capital que aliena impiedosamente, um capital sem sentido, sem afeto, sem emoções. Ou seja, a economia cada vez menos necessita do trabalho e o trabalho tem sua centralidade na vida humana, em que os sentidos vão sendo gradualmente esvaziados de forma lenta e imutável. Desse modo, pode-se afirmar, segundo os autores, que a sociedade do trabalho passa a existir somente no imaginário das pessoas, porque todas as forças estabelecidas se opõem a reconhecer essa perda da centralidade do trabalho (DEJOURS, 2000).

Para Kurz, Jappe e Antunes (2000), que investigam o aspecto social, histórico e psicológico, é necessário ir à procura da origem do termo trabalho, e o enfoque maior está na função do trabalho, da atuação e da vivência profissional. A palavra trabalho é, portanto, o grande desafio de desvelamento.

Independente do termo, a concepção que se tem do significado do trabalho resvala sempre para o sentido negativo, às vezes até pejorativo. Tal assim se confirma que, no período da escravidão, o trabalho era algo de vergonhoso para a nobreza. Havia luxo e requinte no ócio. Há, na literatura de todo o mundo, centenas de exemplos dessa conotação de inferioridade dada ao trabalho (KURZ; JAPPE; ANTUNES, 2005).

As mobilizações no mundo trabalho estão provocando novas e complexas análises como atestam Lancman e Uchida (2003, p.81), os anos 1980 e 1990 estão repletos de acontecimentos e mobilizações que demonstram, cada vez mais, a importância das pessoas no contexto organizacional, o que levou ao surgimento de “novas relações entre capital e

trabalho.” Assinala Zanelli (2004), que o trabalho pode ser entendido como todo esforço humano, que intervém em seu ambiente com um determinado fim, criando formas de desenvolvimento pessoal e coletivo. É a engrenagem do progresso no mundo social.

Segundo o Dicionário Brasileiro Globo (1952, p. 165), a palavra trabalho vem dotada de diversos significados, entre os quais estão: “aplicação da atividade física ou intelectual, esforço, tarefa, serviço, fadiga, labutação, atividade humana aplicada à produção da riqueza”, entre outros.

Clot (2006, p.69) cita J. Bruner, ao afirmar que o trabalho é “a atividade mais humana que existe”, envolve a subjetividade do trabalhador, o seu suposto saber e a relação entre ambas, o que irá remeter aos chamados trabalho prescrito e trabalho real defendido por Dejours.

Codo (2000, p.43) afirma que o termo trabalho teve sua origem no século XI, provindo do termo tripalium, mas não assume só essa significação de aparelho de tortura. Para esse autor, refere-se, também, ao lugar onde se colocavam os bois para serem ferrados e era um “instrumento feito de três paus aguçados, munidos, algumas vezes, de pontas de ferro, no qual os agricultores bateriam o trigo, as espigas de milho, o linho, para rasgá-los e esfiapá-los.” Era a flagelação. Buril que lapidava o homem para a sua perfeição. E toda perfeição tinha raiz no sofrimento e não havia maior sofrimento que trabalhar.

A relação entre homem-trabalho é uma contínua reconstrução, uma contínua conquista a partir dos recursos, dos desejos, dos olhares, recriando o acesso que temos à nossa potencialidade de amar, de trabalhar, de dar sentido à vida. A liberdade não se dá, ela se conquista. O mesmo acontece com relação à organização do trabalho. É possível até que não exista solução ideal e que, aqui como em tudo mais, seja, sobretudo a evolução a portadora da esperança. Considerando o lugar dedicado ao trabalho na existência, a questão é saber que tipo de homens a sociedade fabrica por meio da organização do trabalho. Entretanto, o problema não é absolutamente, criar novos homens, mas encontrar soluções que permitam pôr fim à desestruturação de certo número deles pelo trabalho (DEJOURS, 1991).

Para Dejours (1999), o trabalho significa, para o trabalhador, uma forma de afirmar sua identidade. O trabalho coletivo é visto como fator de desenvolvimento, do progresso, o individual como fator de realização pessoal, como forma de realizar experiências de superação, de abertura de pensamento, de completude.

A Psicodinâmica do Trabalho busca compreender os aspectos psíquicos e subjetivos que são mobilizados a partir das relações e da organização do trabalho. Busca estudar os aspectos menos visíveis que são vivenciados pelos trabalhadores ao longo do processo

produtivo, tais como: mecanismos de cooperação, reconhecimento, sofrimento, mobilização da inteligência, vontade e motivação e estratégias defensivas que se desenvolvem e se estabelecem a partir das situações de trabalho. Compreende que o trabalho é um elemento central na construção da saúde e da identidade dos indivíduos e que sua influência transcende o tempo da jornada de trabalho propriamente dita e se estende para toda a vida familiar e tempo do não trabalho (Dejours, 1992; 1993; 1994; Brandt Et Al., 1995).