Chapitre 11) Protocole d’enquête
4. Les corrigés
O processo de inovação tecnológica reporta, assim, a idéia de criação ou mudança, de aperfeiçoamento ou melhoramento, a uma base de conhecimento recorrida pelos “inventores”, quando buscam soluções para determinados problemas. Um problema tecnológico não teria, assim, solução sem uma base de conhecimento prévio específico a determinado setor, arranjo produtivo ou trajetória. Diferentes tecnologias podem ser caracterizadas por diferentes graus
de caráter “público” e “abrangência” versus “tacitividade” e “especificidade” do conhecimento (DOSI, 1988).
Em virtude disto, o conhecimento tácito está relacionado com os valores e capacidades internos de cada indivíduo, expresso na sua habilidade de vislumbrar – antecipar – soluções inovadoras. Já o conhecimento público e universal estaria relacionado, diretamente, com o conhecimento científico. “Qualquer que seja a base de conhecimento sobre a qual a inovação se apoia, cada atividade de solução de problemas implica desenvolvimento e refinamento de “modelos” e procedimentos específicos” (DOSI, 1988, p.07), ou seja, de paradigmas tecnológicos e de trajetórias tecnológicas próprias.
Neste sentido, o conjunto variado de conhecimento estabelece as bases do conceito de paradigma que na visão de Dosi,
Um “paradigma tecnológico” define contextualmente as necessidades que se propõe a satisfazer, os princípios científicos utilizados na tarefa, a tecnologia material a ser usada. Em outras palavras, um paradigma tecnológico pode ser definido como um “padrão” de solução de problemas tecno-econômicos selecionados, baseado em princípios altamente selecionados derivados das ciências naturais, justamente com regras específicas que buscam adquirir conhecimento novo e salvaguardá-lo, quando possível, da difusão rápida dos concorrentes (DOSI, 1988, p. 7).
É, ainda, para o autor, um exemplar, um modelo bem desenvolvido e melhorado através do processo de busca, podendo ser explorado economicamente, como também reproduzido ao longo do tempo pelo avanço das instituições. Considera, ainda, uma implicação da “forma paradigmática de conhecimento tecnológico” o fato das inovações serem seletivas, com direcionamento preciso e cumulativo na busca de novas soluções; neste sentido, define uma “trajetória tecnológica como sendo o conjunto de atividades do processo tecnológico que ocorrem dentro de trade-off econômicos e tecnológicos definidos por um paradigma” (DOSI, 1988, p. 9).
Com isto, dentro de um paradigma tecnológico pode conviver formas diferentes de trajetórias, ou seja, diferentes maneiras de tratamento da mesma problemática. Uma mudança na trajetória não implica uma mudança no paradigma, enquanto uma mudança no paradigma geralmente, implicaria em mudança de trajetórias (COSTA, 2006).
Um paradigma tecnológico descreve, enfim, um conjunto de trajetórias e estes especificam uma base de conhecimento codificado (público) e tácito – construído historicamente -, que incorpora uma combinação de variáveis endógenas e exógenas. Importa que “quando se estabelece ele traz consigo uma redução das incertezas, no sentido de que ele
focaliza as direções da busca e cria as bases da formação mais segura de expectativas tecnológicas e de mercado” (DOSI, 1988, p.14).
Dosi (1988) destaca, ainda, como aspecto relevante na configuração de um paradigma tecnológico, o entorno institucional, além dos fatores econômicos, políticos e sociais apontados como direcionadores do desenvolvimento tecnológico. Costa (2006), por sua vez, inclui o contexto ecológico, ou seja, a importância dos recursos naturais como reflexos do processo produtivo e da intervenção do homem no meio ambiente, quer como matéria prima utilizada pela indústria ou como “força produtiva” direta. “Os problemas a que se refere um paradigma tecnológico são, por suposto, problemas tecnológicos: i.e. problemas da relação entre trabalho humano, objetivado por um modo de produção, e seu objeto último a natureza (COSTA, 2006).
Ainda nas palavras de Costa.
A natureza vista como matéria-prima é tratada na sua condição mediata,
como matéria genérica intercambiável e substituível – nesse caso, não é a
capacidade produtiva das relações próprias e localizáveis de suas manifestações, como bioma ou ecossistemas, mas os componentes dessas relações individualmente, como matéria prima, como matéria genérica, que entra nos processos produtivos (COSTA, 2006, p. 4).
A utilização direta dos recursos naturais como madeira e demais recursos extraídos de um “bioma” ou mesmo o uso do solo como parte de uma matriz tecnológica, representam na Amazônia, e em especial na Região Tocantina, o reflexo do processo de intervenção econômica. Tal processo encontra-se respaldado em função de produção linear – onde os recursos naturais são apenas elementos exógenos - ao mesmo tempo, trata-se de um dos principais desafios na construção de novos caminhos e direcionamentos tecnológicos.
A relação entre os processos de produção agrícola e industrial, e o que deriva desta relação, é de fundamental importância para caracterização do um paradigma tecnológico de base agrária e de suas trajetórias. O processo de inovação tecnológica na indústria alterou, consideravelmente, o hiato entre processo de produção e processo de trabalho, atingindo todos os segmentos industriais e modificando por completo a relação de produção, consumo e de trabalho. Na agricultura, no entanto,conforme entende Goodmam, Sorj e Wilkison (1981, p. 5) “o processo de inovação tecnológica – nos moldes da revolução industrial e do crescimento capitalista – é incapaz historicamente de transformar o sistema agroalimentício, da produção agrícola ate o consumo final de alimento, como um todo unificado”.
agrícola e em alguns segmentos – mecanização, inovações químicas e genéticas – foram suscetíveis quase completamente de industrialização, não conseguindo, entretanto prescindir de fatores naturais inerentes à produção agrícola. Essa particularidade dos sistemas de produção rural representa, assim, a principal diferença entre este setor e a indústria.
Estes aspectos são, para Costa (2006) responsáveis pela dinâmica tecnológica que o desenvolvimento da sociedade capitalista vem promovendo no setor rural. Referindo-se às duas trajetórias de industrialização, delimitada por Goodmam (1981) uma fundamentada na apropriação de aspectos tipicamente naturais e outra na substituição dos elementos da natureza pela indústria química, Costa (2006, p. 4) assinala que “em qualquer dos casos, domina, em nível global, um paradigma ou padrão tecnológico, que se afirma por conjuntos de soluções selecionadas pela eficiência demonstrada no controle da natureza para que corresponda às necessidades industriais e capitalistas”.
Este paradigma tecnológico “global” caracteriza-se, segundo o autor, pela utilização intensiva da indústria mecânica e química, além da formação de sistemas homogêneos. Ao fim e ao cabo pela utilização da base natural como matéria prima. E está presente na Amazônia em todo o processo de desenvolvimento econômico, quer na produção de bens, por iniciativa particular dos agentes de produção ou através da implementação de políticas públicas. Por suas características, o autor define como paradigma agropecuário (COSTA, 2009). Este paradigma “global” na Amazônia está relacionado com o processo de aprendizado, que consiste, basicamente, da utilização e do aperfeiçoamento de tecnologias já existentes. O que é corroborado pela ação dos agentes privados e pelas políticas públicas de suporte.