O diagnóstico é a fase da reabilitação de uma estrutura, que permite avaliar os sistemas estruturais, materiais, e interpretar as suas causas de modo a aferir a necessidade efectiva e a dimensão das medidas de intervenção.
A avaliação estrutural deve acompanhar a fase de diagnóstico, sendo duas fases consecutivas e relacionadas. Paupério, afirma que só a partir do conhecimento real do estado da estrutura e da sua avaliação estrutural será possível concluir de forma sustentada acerca da possibilidade de manutenção da estrutura, contemplando mais ou menos acções de reparação/reforço (Paupério, et al., 2001).
O diagnóstico é sempre uma fase difícil, dado que os dados disponíveis se referem aos efeitos, causa ou várias causas simultâneas que têm de ser determinadas. Assim, a intuição e a experiência são componentes essências no processo de diagnóstico.
Um diagnóstico correto é indispensável para uma avaliação apropriada da segurança e para um juízo racional sobre as medidas de tratamento a adoptar (Cóias, 2006). Appleton, acrescenta que, o diagnóstico deve requerer o exercício permanente da experiência dos técnicos que olhando, saibam “ler” o edifício, entendê-lo na sua complexidade, orientado e disciplinando desse modo o recurso às técnicas de inspecção. Combinar a observação e a reflexão com a realização de sondagens, inspecções e ensaios e com a interpretação dos respectivos resultados, é, então a tarefa mais difícil que cabe aos técnicos.
O autor concluiu ainda, que o diagnóstico deve ser alcançado a partir de uma combinação de esforços que resultam da aplicação do saber resultante da experiência do observador com a informação que deriva da utilização dos abundantes e sofisticados meios complementares de inspecção actualmente disponíveis (Appleton, 2003).
Devido à complexidade e combinação de vários factores distintos de análise, Freitas, defende que o diagnóstico deve ser realizado com cuidado, mediante um levantamento arquitectónico e estrutural e que inclua reconhecimento visual, por uma equipa multidisciplinar com experiência e qualificação no domínio da patologia e reabilitação de edifícios que permita avaliar com rigor o estado da estrutura.
Esta abordagem inicial permite começar a fazer o primeiro juízo sobre o estado de conservação das estruturas em geral e daí partir para uma avaliação mais detalhada dos diversos elementos estruturais em madeira presentes no edifício (Freitas, 2012).
4.6.2 Avaliação da Segurança e Modelos Estruturais adequados
Após a conclusão da fase de diagnóstico, segue-se a avaliação da segurança. Enquanto no diagnóstico o objectivo consiste em identificar as causas de degradação, na avaliação da segurança pretende-se verificar se os níveis de segurança são aceitáveis ou não, recorrendo a uma análise do estado actual da estrutura e dos materiais. É nesta fase que são tomadas decisões sobre a necessidade de medidas de intervenção estrutural (ICOMOS, 2004).
A avaliação de segurança é uma tarefa difícil dado que os métodos de análise estrutural utilizados para construções novas podem não ser aplicáveis directamente a estruturas antigas, podendo originar decisões inadequadas. A complexidade de uma construção antiga ou monumento, acaba por justificar a dificuldade em entender correctamente o funcionamento estrutural (ICOMOS, 2004).
Desse modo, e além de uma abordagem com modelos numéricos, deve-se optar por abordagens baseadas na recolha de informação, conforme descrito em 4.4.3.
E
stes modelos numéricos devem, segundo Costa, descrever a estrutura e os
fenómenos associados adequadamente, possibilitando uma correcta verificação estrutural das
estruturas de madeira. Este modelo de cálculo permite uma previsão do comportamento das
estruturas de madeira da fase linear até à rotura, sendo muito importante para compreender o
seu comportamento estrutural (Costa, 2005).
Estes modelos estruturais, quando devidamente calibrados, segundo, Dias, permitem a comparação de danos teóricos produzidos por diferentes acções com os danos efectivamente observados na estrutura
estrutural para construções novas, é pouco fiável e de difícil aplicação quando aplicado a estruturas antigas, podendo levar a resultados e decisões inadequadas. É então necessário materializar estes modelos através de novos modelos numéricos, que devem descrever a estrutura e os fenómenos associados adequadamente, possibilitando uma correta verificação estrutural.
Ainda o mesmo autor refere que a calibração dos modelos numéricos, objecto importante para uma reprodução adequada e fiável do comportamento da estrutura, pode ser realizada através do conhecimento das características físicas e mecânicas do material, obtidas através de ensaios realizados e por comparação entre frequências de vibração numéricas e experimentais, permitindo obter o módulo de elasticidade da madeira (Dias, 2008).
4.6.3 Avaliação da possibilidade de intervenção
Após a avaliação do estado de conservação do edifício e a análise da segurança de acordo com a legislação aplicável, essencialmente a verificação do Estado Limite Último (ELU) e Estado Limite de Utilização (ELS) da estrutura, estabelecendo-se o cruzamento dos diversos dados e reúnem-se as condições, a tomada de decisão sobre a intervenção mais adequada.
Esta deliberação deve ser tomada ponderando a situação existente na estrutura e o que se pretende obter dela no futuro, ou seja, qual a função e a que cargas estará sujeita.
É também necessário ter em conta as recomendações do ICOMOS, no que diz respeito à manutenção do valor e autenticidade do património arquitectónico perante a opção de reabilitação/reforço, afirmando que:
«A escolha entre técnicas “tradicionais” e “inovadoras” deve ser decidida caso a caso, com preferência pelas técnicas que são menos invasivas e mais compatíveis com o valor patrimonial».
Freitas, corrobora, também, algumas recomendações que devem ser seguidas, no que se refere a materiais e soluções modernas, deve-se respeitar o passado, preservando tanto quanto possível os materiais existentes. Este afirma que se deve deixar boas indicações físicas da intervenção (por exemplo, parafusos de aço inoxidável à vista), não usar soluções inovadoras caso estas não estejam devidamente estudadas (Freitas, 2012).