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3.2 Ensembles de Données

3.2.2 Corpus de Textes Ohsumed

Frequentemente tende-se a pensar a agressividade como sendo a os comportamentos agressivos e, por prolongamento, pensa-se nas crianças hiperactivas e irrequietas, passando daí para o domínio ético dos mal comportados. Executam-se assim dois saltos interessantes: de um conceito estrutural, para o domínio quantitativo do comportamento e logo para o domínio do juízo ético. Colocamo-nos aqui num domínio estrutural considerando como Winnicott que o problema não está nos comportamentos agressivos mas no recalcamento da agressividade - não estamos pois a falar (só) sobre comportamentos agressivos.

No bebé, o comportamento agressivo e a actividade confundem-se, mostrando-nos que a agressividade faz parte da expressão libidinal primitiva.O comportamento infantil pressupõe a presença dos elementos agressivos e libidinais constantes nas relações que, desde o nascimento, a criança mantém com o que a rodeia.

A agressividade faz parte do amor. O bebé agride e destrói o que ama não se dando conta de que se trata de um único e mesmo objecto. A mãe que morde é a mãe que o alimenta, que satisfaz as suas necessidades, que lhe dá prazer. Esta possui algo de desejável que o bébé quer possuir e que forma, como Melanie Klein definiu, a inveja e o ódio primitivos. No entanto a não diferenciação não lhe permite sentir-se responsável pelas suas manifestações agressivas.

Dessa forma, a ausência de agressividade seria a incapacidade de agir e, mais ainda, a incapacidade de amar. Seria a impossibilidade de estabelecer relações objectais.

Pior que a agressividade é a indiferença. O desenvolvimento traz consigo a distinção do que está dentro e fora de si, a integração do Eu e o reconhecimento da pessoa da mãe. É a posição depressiva de que fala Melanie Klein. O sentimento de nos seus momentos de excitabilidade ter feito mal, ter agido sobre a pessoa amada, traz consigo o desgosto e a culpabilidade.

Neste momento é necessário que a mãe, mercê do seu amor, possa suportar tais manifestações da agressividade do filho, permitindo-lhe suportar o sentimento de culpabilidade.

assume então uma nova face, ligada à capacidade reparadora. A criança que se sente abandonada, que não encontra quem receba os seus esforços de reparação vê reaparecer a agressividade.

A distinção entre bons e maus objectos permite diminuir a culpabilidade. Vejam-se os jogos de bons e maus, policias e ladrões, índios e cowboys. O jogo pode ser encarado como uma tentativa de organização da agressividade através da reestruturação dos mecanismos defensivos e do encontrar de melhores ou mais aceitáveis soluções para os conflitos e situações de grande tensão. A frustração é inevitável embora não possamos defender a agressividade como sendo uma resposta reactiva ou reacção à frustração, ligando-se antes ao amor primitivo e às relações objectais mais primárias.

Desta forma, as manifestações agressivas são elemento normal e factor essencial no desenvolvimento harmonioso da criança. Daí ser importante que as pessoas significativas do mundo da criança saibam conter as suas manifestações agressivas para que estas se possam exteriorizar. Embora muitas vezes os adultos não consigam suportar esses elementos agressivos, sentindo-se invadidos por eles e atacados interiormente. Então a criança sente- se má e culpada por tudo o que acontece e põe ao serviço do impedir mais disfuncionamento uma série de mecanismos que agem sobre a agressividade.

Para haver aprendizagem, ou seja, para que a agressividade se possa tornar em instrumento de conhecimento, tem de ser mentalizada, já que conhecer é apropriar-se das coisas que se não têm, as coisas que os outros possuem, especialmente os adultos. Aprender implica assim a organização da competição pré e pós edipiana.

Há situações em que esta possibilidade de aprender fica perturbada e bloqueada. É o que acontece quando o Ego está envolvido noutras actividades exigindo muita energia. No dizer de Melanie Klein, "quando o Super-ego exerce um domínio demasiado intenso sobre o Ego, com frequência este, nas suas tentativas de manter o controle por meio do recalcamento sobre o id e os objectos interiorizados, fecha-se às influências do mundo externo e dos seus objectos, despojando-se assim de toda a fonte de estímulo que formaria a base dos interesses e realização do Ego, tanto provenientes do Id como dos vindos das fontes exteriores.

De tal forma que só conseguindo uma redução do sadismo, da ansiedade, e da acção do Super-ego, é possível que o Ego possa funcionar, tornando o indivíduo mais acessível à influência do mundo externo. Isto acompanhado com uma progressiva solução das suas inibições intelectuais, permitindo-se assim aprender.

A inibição intelectual está assim ligada à inibição da função epistemofílica e das outras funções do Ego. A inibição é também o abandono do investimento da criança da função que

permite o conhecimento. O que pode ter a ver com o significado inconsciente do saber adquirido e a erotização da função, assim como com a actividade auto-punitiva, em que o prazer de aprender seria anulado pelo desprazer da dor e pelo sofrimento do entrar em competição. Deste modo, a possibilidade de ajudar o indivíduo implica o permitir-lhe voltar- se para o mundo externo, cheio de perseguidores e perigos, o que exige a toda a criança o ter de ser agressiva. O que está em causa é a sua capacidade de competir.

Falamos de competição no sentido sadio da vida mental. É a competição que se faz com os seus iguais, com o desconhecido,com a descoberta de novos objectos e relações, com a escola. Embora nem sempre assim acontece e outras formas de competição surgem: o desejo edipiano de competir com os pais, competir com irmãos pelo amor daqueles, etc. em quadros de bloqueamento e inibição intelectual.