2.2 Classification Automatique de Textes
2.2.5 Algorithmes d’Apprentissage Supervisé
1.1. Programas de IP em Paralisia Cerebral
Os programas de IP têm-se tornado vada vez mais abrangentes, recebendo as crinaças com deficiência ou cujo desenvolvimento se encontra, de algum modo, em risco
Os modelos de intervenção precoce têm também evoluído bastante nas ultimas décadas. De um modelo médico, baseado numa perspectiva de reabilitação, cuja base eram as terapias e a estimulação sensorial e educativa, passou-se para modelos mais abrangentes e contextuais, nos quais se dá ênfase à intervenção junto da família – no seu todo – e não apenas na criança (Coutinho, 2000).
De acordo com o Despacho Conjunto n.º 891/99, que tem regulado a implementação das prática de Intervenção Precoce em Portugal, a IP é uma medida de apoio integrado, centrado na criança e na família, mediante acções de natureza preventiva e habilitativa. Assim, os programas de intervenção Precoce procuram prestar um serviço abrangente,
Este capitulo foi publicado, numa versão anterior, com a referência:
Franco, V., Martins, B., & Cardoso, C (2007). As crianças com patologias do desenvolvimento na transição da intervenção precoce para a inclusão educativa e a reabilitação. INFAD – International Journal of Developmental and Educational Psychology, XIX (1-3), 309-317.
adequado às necessidades das famílias e das crianças, promovendo um modelo de trabalho de equipa que visa ser transdisciplinar. Os técnicos deverão apoiar não apenas a criança, mas, fundamentalmente, os principais decisores do processo de intervenção, os pais. Para responder às necessidades do sistema familiar os técnicos necessitam ter uma formação básica multidisciplinar, boa formação específica e formação contínua, fundamental para existência de uma filosofia comum de intervenção e para a criação de capacidades de trabalho de equipa. É também objectivo destes programas a contribuição para a sensibilização da comunidade e dos serviços para uma intervenção o mais precoce possível.
A Associação de Paralisia Cerebral de Évora (APCE), nasceu em 1991 por iniciativa de um grupo de pais e técnicos, intervindo no âmbito da prevenção, diagnóstico, avaliação e reabilitação de crianças e jovens com Paralisia Cerebral e outras doenças neurológicas afins. A Associação tem a funcionar cinco valências, uma das quais é o Centro de Desenvolvimento e Intervenção Precoce (CDIP) que visa promover o desenvolvimento global das crianças até aos 6 anos, com Paralisia Cerebral ou outras patologias neuromotoras, através dos apoios definidos em função das necessidades das crianças e suas famílias. Este serviço é composto por uma equipa multidisciplinar, que procura um funcionamneto transdisciplinar, e visa responder o mais atempada e adequadamente às necessidades detectadas.
No âmbito deste serviço é prestado apoio directo á família e é disponibilizado á criança um conjunto alargado de intervenções terapêuticas individuais: Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Terapia da fala, Acompanhamento psicológico, Equitação terapêutica, Hidroterapia, Musicoterapia, Psicomotricidade e Comunicação aumentativa/alternativa. 1.2. A inclusão escolar
A passagem de um ambiente pedagógico menos formal ou menos rigido (jardim-de- infância) para um ambiente mais formal ou convencional (escola do 1º ciclo) – muitas vezes com metodologias que sobrevalorizam as actividades de papel-lápis e menos a aprendizagem activa – requer adaptação por parte de todas as crianças, mas é uma tarefa particularmente difícil para crianças com deficiência (Morato, 1995).
As diferenças entre as crianças que apresentam níveis de desenvolvimento diferentes tendem a aumentar com a idade, sendo que a transição do jardim-de-infância para a escola acentua estas diferenças, dificultando a inclusão social das crianças com graves perturbações do desenvolvimento.
A “Educação Integrada”, através de um conjunto de mudanças legislativas e educacionais, permitiu que os alunos com NEE fossem integrados nas classes regulares. De
uma integração física, o objectivo era progredir para uma integração académica e social. Mas, mais do que uma educação integrada devemos ter uma educação inclusiva. O que passa por conseguir escolas para todos, instituições preparadas para incluir qualquer indivíduo, aceitar as diferenças, apoiar a aprendizagem e responder às necessidades individuais (Correia, 1999).
O conceito de escola inclusiva tem por base os direitos de igualdade de oportunidades, procurando o desenvolvimento máximo das potencialidades das crianças (Silva, 1996). Assim, a inclusão deve basear-se nas necessidades das crianças vistas como um todo, não tendo mais por base uma educação dirigida para o aluno médio. No entanto, a criança-todo tende a ser vista, na escola, como a criança-aluno. A escola actua ao nível das NEE, mas acaba por desvalorizar um pouco as necessidades globais de desenvolvimento, não se maximizando, assim, o potencial da criança (Correia, 1999; Franco, 2005).
É certo que promover o bem-estar e o desenvolvimento de todas as crianças não é tarefa fácil, mas se não houver acção imediata, as dificuldades ou problemas de algumas crianças acentuam-se, daí a importância de se ter de apostar na promoção do desenvolvimento global da criança. Caso contrário, e apesar do aumento visível do número de crianças com deficiências ou graves perturbações do desenvolvimento a frequentar o ensino regular, estas continuarão a estar isoladas escolar e socialmente (Silva, 1996; Amaro & Faria, 1996).
Para acompanhar as crianças que se encontram na escola do ensino básico, a mesma instituição, a APCE, tem um outro serviço, o CRIS- Centro de Reabilitação e Inclusão Social. Esta valência recebe crianças com idades compreendidas entre os 6 e os 20 anos. Em resposta às necessidades de cada criança, a equipa multidisciplinar disponibiliza os seguintes apoios terapêuticos básicos: Fisioterapia, Terapia da Fala, Educação, Psicologia, Terapia Ocupacional, Apoio Familiar/Social, Musicoterapia, Hidroterapia, Equitação Terapêutica e Psicomotricidade. Todos estes serviços são prestados em regime ambulatório, em articulação com a situação de inclusão educativa em que as crianças se encontram. Para além destas, ao longo do tempo, foi-se verificando a necessidade de criarem algumas actividades complementares, com objectivos terapêuticos, como A.V.D. (actividades da vida diária), Musicoterapia, Grupos de Expressão Corporal, Grupo de Estimulação Global e de Expressão Dramática, Grupo de Jovens e Grupo de Actividades Aquáticas. São também desenvolvidas em carácter desportivo como a Equitação Adaptada, o Remo Indoor e Boccia, desenvolvendo-se também projectos de formação profissional e inclusão laboral.
Este Centro permite dar continuidade ao trabalho desenvolvido pela Intervenção Precoce apostando na reabilitação e integração social (na qual se insere a inclusão escolar)
dos jovens utentes. Por norma, os jovens transitam para o CRIS quando entram no ensino básico.
Ao contrário do que frequentemente se verifica, a existencia destes 2 Centros (CDIP e CRIS) no âmbito da mesma instituição, a APCE, permite dar resposta às necessidades globais de desenvolvimento antes e depois da entrada para a escola, evitando, assim, que esta signifique apenas o enfoque nas NEE .