O papel desempenhado pela tecnologia, nos diversos domínios da vida social, tem sido analisado por várias áreas de estudo. No campo educacional, apesar das resistências que ainda se verificam, as tecnologias começam a ocupar cada vez mais espaço, sinal disso é o investimento que o governo fez, nos últimos anos, através do Plano Tecnológico para a Educação.
“Numa sociedade baseada no conhecimento, a inovação tem um papel fundamental no processo de diferenciação de bens e serviços que conduzam a uma maior criação de valor
acrescentado e, consequentemente, a uma maior competitividade da economia”23.
O Plano Tecnológico pretende dar um contributo para o processo de inovação em Portugal, apontando medidas concretas, por isso, justifica-se um interesse rigoroso relativo aos indicadores de inovação. Desta forma, acresce a importância de monitorizar as TIC em contexto educativo, devido ao facto das mesmas estarem cada vez mais presentes no mundo do trabalho, sendo essencial preparar os alunos para a vida ativa.
A nível pedagógico, será necessário proporcionar uma metodologia diferenciada e diversificada, adaptada aos diferentes contextos de aprendizagem e ao perfil de cada aluno, valorizando métodos e processos. Nessa perspetiva, o currículo escolar, por ser o pilar para a organização das ações educacionais, deveria privilegiar tópicos para o estudo dos meios de comunicação, possibilitando aos alunos outros instrumentos que permitam a leitura de mensagens que são difundidas diariamente, de uma forma mais crítica e abrangente, visto que estes meios estão envolvidos no processo de ensino aprendizagem e na construção social do indivíduo, havendo assim um momento em que eles poderiam trabalhar informações e mensagens que não estão pré-definidas de forma linear para o estudo.
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Indicadores e metas do Plano Tecnológico, Consultado em 16 de dezembro de 2011, em Plano Tecnológico:
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"Os media representam um campo autónomo do conhecimento que deve ser estudado e ensinado às crianças da mesma forma que estudamos e ensinamos a literatura, por exemplo. A integração dos media à escola tem necessidade que ser realizada nestes dois níveis: enquanto objeto de estudo, fornecendo às crianças e adolescentes os meios de dominar esta nova linguagem: e enquanto instrumento pedagógico, fornecendo aos professores suportes altamente eficazes para a melhoria da qualidade do ensino, porque adaptados ao universo infantil." (Belloni, 1991, p. 41).
Verdadeiramente, o currículo deve ser mais flexível e adaptável aos "novos tempos" e reformulado, tendo em conta a realidade das tecnologias e dos meios de comunicação, obviamente sem esquecer os avanços que já foram dados nesse sentido. A propósito, a
Comissão das Comunidades Europeias de 20 de agosto de 2009,24 sobre literacia mediática,
no ambiente digital, para uma indústria audiovisual e de conteúdos mais competitiva e uma sociedade do conhecimento inclusiva recomenda:
“Lancem num debate, em conferências e outros eventos públicos, sobre a inclusão da disciplina de educação para os media no programa escolar obrigatório e da literacia mediática nas competências essenciais para a aprendizagem ao longo da vida, enunciadas na Recomendação do Parlamento Europeu e do Conselho de 18 de dezembro de 2006 relativa às competências-chave para a aprendizagem ao longo da vida.”
Posto isto, na educação para os media pretende-se que sejam analisados os modos socialmente diferentes de comunicar, que se desenvolva, nos alunos, a capacidade de expressão e de comunicação cada vez mais fundamental no mercado de trabalho e também que tenham uma ação ativa na vida social. Assim, as escolas precisam de ser um espaço de investigação, atento à vida dos alunos, no campo social, político e económico. Por isso, a
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Recomendação da Comissão Europeia (2009) sobre literacia mediática no ambiente digital para uma indústria audiovisual e de conteúdos mais competitiva e uma sociedade do conhecimento inclusiva. Consultado em 15 de dezembro de 2011, em EUR-Lex: http://eur-lex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=OJ:L:2009:227:0009:0012:PT:PDF
45 estruturação do currículo deve considerar pressupostos ou princípios relevantes, tais como a diversidade cultural, a identidade, a autonomia e a interdisciplinaridade.
É importante que o currículo seja mais abrangente, de forma a cobrir as necessidades reais da sociedade. Só desta forma os media, na educação, ganham o seu lugar no desenvolvimento da capacidade crítica dos alunos, podendo ser minimizados os danos causados pelo tipo de política de comunicação que é feita, onde apenas interessam os resultados, o consumismo e a concorrência. É necessário pensar-se numa política de utilização dos meios de comunicação para propagação de uma cultura positiva, visto que cada vez mais são o centro da nossa sociedade global, onde a maior parte da informação a que temos acesso, chega-nos através destes meios.
Não podemos esquecer que a utilização dos media em contexto escolar está dependente da existência de equipamentos nas escolas e, atualmente, o governo tem feito um esforço nesse sentido, sendo que a maior parte das escolas possuem pelo menos os requisitos tecnológicos mínimos. Mas a integração dos media na escola e no currículo passa também pela definição de uma estratégia, tendo em conta alguns fatores, tais como: a sua abordagem no projeto curricular, o uso pedagógico que implica um conhecimento mais aprofundado dos
media e também uma renovação pedagógica na escola. O professor terá que atuar como
facilitador da aprendizagem, e o aluno como o principal responsável pela construção do conhecimento.
Seguindo isto, a educação para os media pode ser perfeitamente articulável com as práticas na sala de aula e nas restantes atividades escolares. Para tal, é necessária uma maior abertura da sala de aula e da escola ao exterior, como diz Drucker (1998), “aprendam a “respirar” de maneira diferente e prevejam o que é provável que encontrem” (p. 23).