Convex Learning Problems
12.1 CONVEXITY, LIPSCHITZNESS, AND SMOOTHNESS
É do conhecimento geral que o stress faz aumentar o consumo de bebidas alcoólicas, do tabaco e de drogas ilegais. Não representando em si mesmo uma doença, contribui para considerável número de patologias, como a cirrose hepática, diabetes, doenças cardíacas e pulmonares, e o cancro.
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Consumo, abuso, dependência e intoxicação, são diferentes conceitos que obedecem a diferentes critérios de definição, segundo a Associação Americana de Psiquiatria (D.S.M.-IV; 1996).
Apesar desses critérios, não é fácil determinar com precisão quando uma pessoa se torna dependente de uma substância, havendo indicações de que, em vez de ser uma categoria claramente definida, a dependência instala-se de forma progressiva – do uso inicial, sem dependência significativa, à dependência grave, com consequências, físicas, mentais e socio-económicas (O.M.S.; 2001; pp 73).
As estimativas do elevado consumo de álcool, não são precisas, mas segundo a Organização Mundial de Saúde (2001), as perturbações por utilização de álcool são a quinta causa de Anos Vividos com Incapacidade (A.V.I.), em todas as idades e ambos os sexos, tornando o consumo de álcool, um grave problema de saúde pública, com acentuados custos económicos.
Assim, o consumo de álcool, torna-se um grave problema também para as empresas e organizações, que ficam com menos produtividade, com mais absentismo, mais gastos com saúde, mais acidentes de trabalho e baixo desempenho, devendo por isso saber reconhecer os sinais e sintomas, com programas de prevenção e intervenção, sem penalizar os profissionais (aspectos legais e despedimento), mas reabilitar.
O consumo de álcool e estupefacientes é muitas vezes utilizado como estratégia de coping para aliviar as pressões do trabalho, que aumentando, condicionam muitas vezes o aumento do consumo, dependendo a sua escalada, da vulnerabilidade pessoal e das redes de suporte social e familiar (Gameiro e Lagido, 1988; Ramos, 2001).
Em relação aos agentes policiais, vários são os estudos que indicam que se trata de uma actividade profissional onde existem elevados consumos de álcool e drogas como consequência do stress profissional, muitas vezes associado a outros problemas, como o desajustamento conjugal, a depressão e a ideação suicida (Muchinsky e Nelson-Gray 1998; Glensor 1999; Hawkins 2001; Gershon, et al., 2002; Garcia, et al., 2004; Richardsen et al., 2006). Mas o elevado consumo do álcool tem necessariamente consequências negativas para a instituição policial e para o próprio indivíduo.
Violanti et al. (1985), afirmam que o alcoolismo é um grave problema no trabalho policial, encontrando-se no entanto os dados, subestimados. Estimam que 25% dos agentes policiais tem sérios problemas de dependência do álcool. 8%
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estariam na categoria de “ tomar um copo” e 67% admitem beber durante o cumprimento do serviço (pp.106).
No caso da instituição policial, o contexto social do trabalho, devido às suas características culturais exerce um grande controlo e pressão social face ao consumo exagerado de álcool e ao consumo ilícito de drogas (neste caso com elevado secretismo), o que leva a que a própria instituição esteja mais atenta aos seus agentes para penalizar e não para prevenir e intervir. Segundo Skolnick (1972; in Violanti, 1985), os agentes policiais não se mantêm abstémicos e normalmente bebem em conjunto para evitar o criticismo por parte do público. Violanti (1985) afirma que a estrutura policial e a cultura inerente parecem, a nível emocional ser coniventes e socialmente aceites como estratégia de coping alternativa reforçando o uso do álcool.
Certas exigências do stress ocupacional da actividade de policiamento encontram-se associadas ao abuso do álcool. A dissonância emocional como exigência do stress ocupacional – distância psicológica de exigências profissionais de forma objectiva, nomeadamente da sua experiência emocional – e o cinismo como estratégia de coping, afectam directamente e indirectamente o abuso de álcool nas forças policiais (Violanti 1985). No seu estudo, Violanti verificou que existia uma relação directa entre a exigência profissional de “dissonância emocional”, mediada pelo cinismo como estratégia de coping, e o stress e o uso do álcool. Existe a necessidade de se ter de percepcionar de forma objectiva, sem emoções, uma vez que um dos objectivos das forças policiais é não se envolverem emocionalmente com o seu trabalho.
Hawkins (2001), verificou que o consumo elevado de álcool e de tranquilizantes, surgia como estratégia de coping para lidar com o stress, associados à exaustão emocional, baixa realização pessoal e à insónia.
Gershon, et al., (2002), verificaram que nomeadamente em agentes policiais mais velhos, existem mais comportamentos de risco para a saúde, como o consumo de álcool, tabaco, mais acidentes de trabalho e mais comportamentos agressivos. Todos estes comportamentos, surgem como formas desadaptativas de lidar com o
stress profissional.
Os estudos verificaram que raramente os agentes reconheciam ter problemas com consumo de álcool e/ou drogas, bebiam normalmente sozinhos, não conseguiam controlar a quantidade ingerida e tinham alterações da memória (Glensor, 1999).
Em Portugal é reconhecida a existência do problema, apesar de não existirem quase nenhuns trabalhos nas forças policiais, ou mesmo programas de prevenção e
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intervenção na P.S.P., existindo apenas as redes de acesso à saúde, da população em geral. Os agentes por não reconhecerem o seu problema e por não quererem ser reconhecidos, recusam ou não procuram ajuda.
Passos, et al., (2007), no seu trabalho sobre ideação e tentativa de suicídio em 108 agentes que frequentavam o Gabinete de Psicologia da P.S.P., verificaram a associação com graves problemas de consumo de álcool e de depressão.
Nos Estados Unidos da América, o problema é reconhecido desde os anos 50, existindo programas formais para lidar com os problemas de álcool em agentes policiais. Programas de apoio e de reabilitação, com aconselhamento, trabalham com agentes que sofrem grandes níveis de stress e que foram alvejados com armas de fogo. Nos anos 90, iniciaram-se os programas mais dirigidos para o consumo de drogas, que também incluíam aconselhamento conjugal.
Esta é uma área da saúde, em que é necessário intervir, de forma a prevenir estes e outros aspectos associados.
3.7.1.5. Depressão
A depressão é uma das doenças ou perturbações, que podem surgir devido ao
stress, nomeadamente ao stress profissional.
A questão do stress poder causar doença psíquica só foi reconhecida nos anos 80, com a terceira revisão do “Manual Estatístico e de Diagnóstico”, quando foi introduzida a classificação multiaxial dos transtornos psiquiátricos. Nesta introdução existem vários eixos de diagnóstico e ao Eixo IV é atribuído “a gravidade dos acontecimentos indutores de stress”.
Segundo a D.S.M. – IV (1996; pp29), “o Eixo IV destina-se a indicar problemas psicossociais e ambientais que podem afectar o diagnóstico, a terapêutica e o prognóstico das doenças mentais. Um problema psicossocial ou ambiental pode ser um evento negativo da vida, uma dificuldade ou deficiência ambiental, stress relacionado por problemas de diversa ordem”, por exemplo, problemas económicos, ocupacionais, do grupo primário (familiar), etc.
Isto originou múltiplas investigações, determinando-se a existência de depressões endógenas (sem causa aparente associada a etiopatogenia biológica) e
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as depressões exógenas ou reactivas, normalmente relacionadas a vivências de
stress de diversa ordem.
Aqui vamos apenas abordar a depressão enquanto perturbação mental comum, ou seja “condições clínicas significativas, caracterizadas por alterações do humor (emoções), do modo de pensar, ou por comportamentos associados com a angústia pessoal e/ou deteriorização do funcionamento” (O.M.S.; 2001, pp53). Nesta lista de perturbações existem várias patologias para além da depressão, e aborda perturbações frequentes, encontradas em grupos comunitários e cuja ocorrência assinala uma quebra do funcionamento normal (Goldberg e Huxley 1996).
A depressão refere-se a uma emoção humana normal, a um sintoma clínico e a um grupo de síndromes ou perturbações. É um termo que pode ter diferentes significados, consoante o campo científico.
A depressão caracteriza-se por um quadro clínico de desesperança, da falta de vitalidade e de desespero, humor melancólico, sentimentos de desvalorização, diminuição do prazer, falta de energia, alterações do sono e do peso, pensamentos negativos, ideação acerca da morte e do suicídio, podendo também estar presentes sintomas físicos (O.M.S., 2001; Ramos, 2001; Vaz Serra, 2005). Sendo a perturbação psicológica mais comum, o seu diagnóstico só se faz quando os sintomas atingem um certo limiar e perduram, pelo menos, duas semanas. Pode ocorrer episodicamente, mas também pode ser recorrente ou crónica, podendo variar na gravidade, desde a depressão ligeira à muito grave.
As perturbações depressivas, impõe uma carga pesada à sociedade, uma vez que se encontram em quarto lugar, entre todas as doenças, nas que originam mais encargos respondendo por 4,4% do total de A.V.A.I. (anos de vida ajustados para incapacidade) e 11,9% da principal causa de A.V.I. (anos vividos com incapacidade) (O.M.S., 2001). Segundo o mesmo relatório, a O.M.S. afirma que até 2020, se persistir a tendência de transição demográfica e epidemiológica, a carga da depressão subirá a 5,7% da carga total das doenças, tornando-se a segunda logo a seguir às doenças isquémicas.
Pode surgir em qualquer fase da vida, mas sabemos que surge mais nas mulheres, em situações sócio - económicas desfavoráveis, na presença de doença física grave e situações de conflito. Encontra-se assim associada ao stress e a acontecimentos importantes da vida, existindo uma relação entre gravidade do acontecimento e o aparecimento da depressão (Vaz Serra, 2005).
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No caso da depressão é usual co-ocorrer a ansiedade, o consumo de álcool e drogas e a ideação suicida e o suicídio. Esta questão da co-morbilidade tem sérias repercussões na identificação, tratamento e reabilitação das pessoas afectadas.
Mas se o stress pode originar a depressão, o inverso também pode acontecer, devido a distorções cognitivas resultantes no processamento de informação dos doentes deprimidos. Segundo Beck (1997), o depressivo é caracterizado por vários problemas específicos que são os esquemas cognitivos, ou seja, as estruturas de pensamento estão enviesadas, criando uma tríade cognitiva, que tem a ver com uma atitude negativa face a si próprio, à realidade e ao futuro, que por sua vez vão condicionar distorções cognitivas, ou seja, erros sistemáticos no processamento de informação. Todo este processo condiciona a intensidade da percepção dos stressores, alterando o processo de transacção do indivíduo com o meio ambiente.
A depressão assim como outras doenças, surge na relação com o stress (factor precipitante), devido a algumas predisposições associadas a vulnerabilidades bio- psico-sociais que aumentam a probabilidade do aparecimento da depressão. Esta vulnerabilidade varia de indivíduo para indivíduo.
Em relação ao stress profissional nomeadamente em agentes das forças policiais, existe uma relação com a depressão, enquanto consequência negativa da exposição contínua a stressores ocupacionais (Novell e Belles, 1993; Sears, et al., 2000; Vermeulen e Mustard, 2000; Oginska-Bulik, 2004; Burke e Mikkelsen, 2006; Passos, et al., 2007).
Segundo Oginska-Bulik (2004), o aparecimento da sintomatologia associada à depressão em agentes, encontra-se significativamente associado à percepção do
stress no trabalho e à falta de controlo no trabalho.
Para Vermeulen e Mustard (2000), existem diferenças de género, uma vez que as mulheres agentes apresentam níveis mais elevados de depressão que os agentes masculinos, devido a existirem diferenças entre ambos, na sua relação com o trabalho e com o suporte social, condicionando diferenças na percepção dos stressores.
Gershan et al. (2002), verificaram que os agentes mais velhos também apresentam mais sintomatologia depressiva, nomeadamente a partir dos 50 anos e que isso se encontrava associado ao tipo de estratégias de coping que estes vão adoptando ao longo da carreira para lidar com o stress no trabalho.
Em Portugal verificou-se correlação significativa entre a ideação suicida, o alcoolismo e a depressão (Passos et al, 2007).
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A depressão nos agentes policiais é muitas vezes “escondida”, não recorrendo à ajuda profissional devido à imagem e cultura policial promover a ideia de “os agentes não sofrerem”. Este é concerteza um factor que contribui para a elevada taxa de suicídio nos agentes.