A professora estagiária D é do sexo feminino e tem 21 anos de idade. Frequentou o ensino oficial português desde o 1º Ciclo até à conclusão do Ensino Secundário. A sua LM é o Português e não possui qualquer experiência de leccionação.
Por ser “sempre esse [o seu] desejo desde pequena” este curso foi a sua primeira opção (embora numa outra instituição de ensino superior). Acrescenta, ainda, que o escolheu, porque “é uma profissão gratificante” e pelo “fascínio da relação professor/aluno” (FI).
A sua posição relativamente à importância da disciplina de prática pedagógica é evidente, “é a disciplina que nos dá bases para o estágio; é uma orientação profissional
imprescindível; é onde aprendemos a ser professores” (FI).
Apresentamos, de seguida, o quadro onde podemos identificar o tipo de materiais utilizados e referidos pela estagiária D no decorrer deste estudo.
TIPO DE MATERIAIS
ProtV/1 PO/1 PL1 ProtV/2 PO/2 PL2 . cartazes . quadro . jogos . canções . ficha informativa . material autêntico . ficha de trabalho . canção . árvore de Natal . decorações de Natal . Pai Natal de chocolate . presentes de Natal . jogos . cartazes . cartões com imagens . vídeo .computador . fichas . cartões . jogo da forca . cartazes . cartões com imagens . quadro
Quadro 8 - Tipo de materiais utilizados e referidos pela estagiária D
Pelo que se pode observar no quadro 8 a professora estagiária D usou cartazes, o quadro, jogos, canções, fichas de trabalho e fichas informativas: “até agora tenho usado mais
à base de cartazes / do quadro / de jogos / canções” (ProtVG/1-ED19), “na information sheet / que dou em todas as aulas (…)” (ProtVG/1-ED22).
Outro tipo de materiais utilizados pela professora estagiária D são os materiais
autênticos, materiais estes que, segundo diversos autores, são “suportes não construídos
com fins de utilização pedagógica” (Abe et al., 1979; Nunan, 1988; McGarry, 1995, cit. in Vieira, 1998: 107) (cf. Cap. II). Nestes podemos incluir a árvore de Natal, as decorações de Natal, chocolates, “Christmas tree / Christmas balls / chocolate Santa Claus (…)” (PL1).
Podemos, ainda, identificar o recurso a cartões com imagens e jogos, “ (…) até
houve uma aula em que eu / em vez de levar 4 jogos levei 7 ou 8 // eram jogos muito curtos //”
(ProtVG/2-ED20), “ (…) jogos no quadro (…)” (PO/2-ED8), “ (…) usava imagens /
bastante coloridas / sempre” (ProtVG/2-ED23).
Os materiais usados pela estagiária D inserem-se nos documentos sonoros (canções, jogos) e visuais (cartazes, cartões com imagens), no que respeita a forma. No que concerne o conteúdo, podemos encontrar os jogos (jogo da forca, a procura dos Pais Natal, a procura dos ovos de Páscoa), as canções e as fichas de trabalho com vista ao desenvolvimento da competência comunicativa e à consolidação dos conteúdos abordados (Natal, meses do ano, frutos).
É de salientar que a professora estagiária D não usou grande quantidade de materiais e preferiu investir em actividades diversificadas, devido às características dos alunos da turma que leccionava, “I5 - teve que diversificar métodos e estratégias para os
acalmar e para os motivar / não é? […] I6 - isso reflectiu-se nos materiais que construiu? ED6 -
completamente! eu nas últimas aulas levei pouquíssimo material / apenas uma ficha informativa /
e levei-os para o recreio // por exemplo / a aula dos desportos / foi dada no recreio... em vez de dar 7 ou 8 só dei 4 ou 5 / mas só o facto de eles andarem a correr / andarem a jogar futebol acalmava-os // era assim que eles gostavam / era assim que eles aprendiam //” (ProtVG/2).
Podemos constatar que a professora estagiária D tem consciência de que é importante diversificar o tipo e a quantidade de materiais a utilizar, mas tem, de igual modo, noção de que essa diversidade tem que ter um certo limite. Talvez assim, o professor ajude a desenvolver na criança a competência comunicativa em LE e, simultaneamente, na sua sociabilização, contribuindo para a sua transformação num ser mais responsável e consciente.
Pelos dados apresentados, relativos aos quatro professores estagiários, podemos concluir que, face à insatisfação destes estagiários relativamente aos materiais existentes, todos envidaram esforços para construir/seleccionar materiais que, na sua perspectiva, seriam os adequados para o ensino da LE no 1º CEB. Este seu cuidado está espelhado na variedade do tipo de materiais por eles utilizados (cartões com imagens, cartazes, fichas de trabalho e fichas informativas). Deste modo, constatamos a preocupação dos estagiários
na criação de situações que levem a criança a expressar ideias, valores e sentimentos, fomentando um ambiente favorável de empatia e entusiasmo para com a LE.
Uma outra preocupação patente nos dados prende-se com as diversas actividades para o desenvolvimento da oralidade, tal como fica claro no uso do rádio, das cassetes, das canções e dos jogos de modo a fazer crescer em todas as crianças o desejo, o hábito e a capacidade de comunicar em LE.
Se, até à data, o professor era consumidor de materiais de ensino, está patente nos dados apresentados, o professor/produtor de materiais de ensino, criador e inventor de instrumentos pedagógicos, profissional crítico e reflexivo (Nóvoa, 1991) (cf. Cap. II), capaz de olhar para trás, observar o que se fez, com o objectivo de extrair os significados que lhe vão permitir um tratamento inteligente de experiências futuras.
Os professores estagiários participantes no nosso estudo acham que para ensinar a LE no 1º CEB devem, necessariamente, criar um ambiente educacional rico e compensador, através de actividades e de materiais variados e atractivos, sempre centrados nos interesses e vivências dos alunos. Assim e tal como afirma Strecht-Ribeiro, este processo [de ensino da LE] deve remeter:
“para uma série de actividades variadas, essencialmente do tipo lúdico, fixando-se objectivos gerais, como por exemplo a tomada de consciência de outras línguas e culturas e a descoberta de outros modos de viver, para ajudar a promover o respeito pelos outros e a aceitação da diferença apoiando-se todo o trabalho a desenvolver na exploração da imagem, do som e do jogo” (1998: 109).
3. OS CRITÉRIOS DE CONSTRUÇÃO/SELECÇÃO, UTILIZAÇÃO E AVALIAÇÃO DOS