Chapitre II : Organisation hospitalière et universitaire
Section 2 Conventions d’association avec un organisme public ou privé
O diagnóstico desta doença, em animais, é baseado não só nos sinais clínicos e epidemiológicos, mas, sobretudo, nos resultados das provas laboratoriais (OMS, 2012).
As provas serológicas são as mais utilizadas, devido não só à sua exequibilidade, mas, também, porque permitem um diagnóstico rápido de um grande número de amostras. As provas mais utilizadas são a Aglutinação Rápida com o antigénio Rosa de Bengala, a Fixação do Complemento e os ensaios imunoenzimáticos (ELISA, do inglês “Enzyme-Linked Immunosorbent Assay”).
A interpretação dos resultados obtidos nestas provas deve ser efetuada em conjunto com os dados clínicos e epidemiológicos existentes e, sobretudo, com o diagnóstico bacteriológico, que se baseia no isolamento e identificação da bactéria (in vivo ou post-mortem) que, no caso de ser positivo, confirma de modo inequívoco a doença (EFSA, 2009; Sá et al., 2010).
Os métodos de diagnóstico molecular também são utilizados, sobretudo para caracterização da espécie e estudos epidemiológicos (Bricker, 2002; OMS, 2006; OIE, 2012).
Esta doença pode ser identificada por cultura bacteriana ou por testes sorológicos, embora os testes sorológicos não sejam os mais indicados pois tem baixa sensibilidade e baixa especificidade, sendo a cultura bacteriana a partir de linfonodos a mais provável de detetar a infeção. A multiplicação de Brucella suis in vitro, baixo índice de recuperação dos animais infetados, altos custos preocupação com a biossegurança inviabilizam o diagnóstico desta doença por cultura bacteriana (Olsen et al, 2019).
Um diagnóstico presuntivo de brucelose em suínos pode ser realizado através do exame microscópico dos esfregaços sanguíneo, vaginais, placentas ou fetos abortados.
Os testes sorológicos apresentam valor de diagnóstico para a doença em relação ao efetivo, mas não em termos individuais. Autores descrevem que nenhum dos testes sorológicos convencionais utilizados para o diagnóstico de brucelose em ruminantes
domésticos apresenta sensibilidade e especificidade adequadas para o diagnóstico de brucelose em suínos. Estudos recentes descobriram que um painel de testes sorológicos só foi capaz de identificar 52% dos suínos selvagens naturalmente infetados como seropositivos e 17% dos suínos positivos para cultura foram negativos em todos os testes sorológicos (Olsen et al, 2019).
A identificação de suínos infetados por Brucella suis pelo método ELISA direto apresentam maior sensibilidade e especificidade que os métodos ELISA indireto, FC (Fixação de Complemento) e RB (Rosa Bengala) (Olsen et al, 2019).
2.3.8 T
RATAMENTOO uso de agentes antimicrobianos no tratamento da brucelose animal é proibido. Contudo, existem alguns estudos de campo tendo como objetivos, entre outros, a viabilidade da sua utilização na diminuição da excreção e na minimização do impacto clínico.
Em suínos, estudos recentes sugerem que uma monoterapia prolongada com oxitetraciclina administrada oralmente na alimentação (20 mg/kg durante pelo menos 90 dias), embora não seja totalmente eficaz para curar a totalidade dos animais infetados,reduz consideravelmente a infeção, minimiza o impacto clínico produzido pela infecção por B. suis biovar 2, reduzindo a excreção (e novos contágios), a ocorrência de abortos e permite manter a produtividade e rentabilidade da exploração afetada (Blasco et al, 2010)
2.3.9 P
REVENÇÃO E CONTROLO.
A prevenção da brucelose baseia-se, principalmente, na aplicação de medidas de biossegurança (Sá et al., 2010). Em muitas situações, não existe alternativa senão tentar minimizar o impacto desta doença e reduzir o risco de infeção por medidas de higiene pessoal, adoção de práticas seguras de trabalho, proteção do ambiente e higiene alimentar (OMS, 2006; Sá et al., 2010).
Atualmente não existem vacinas disponíveis para a proteção da brucelose suína. A profilaxia sanitária assume, assim, grande importância, sendo que as medidas são aplicadas em função do sistema de maneio. Em suínos explorados em regime extensivo deve-se evitar o contacto com javalis, através da construção de cercas (CFSPH, 2018). Em explorações fechadas, deve ser evitada a introdução de fêmeas e varrascos sem conhecimento prévio do estatuto sanitário do efetivo de origem. Acresce-se que a aplicação de uma estratégia de teste e abate é inviável, uma vez que as atuais provas
30
de diagnóstico serológico, devido à falta de especificidade e sensibilidade, não podem ter uma interpretação individual (Sá et al., 2010).
Como única estratégia eficaz para manter os efetivos isentos de brucelose visa a manutenção de medidas de biossegurança. Como componentes principais devem incluir a rastreabilidade de animais de forma a assegurar a impossibilidade de introdução de outros suínos infetados na exploração, existência de sistemas de isolação das explorações de forma a impedir a entrada de animais selvagens potencialmente considerados como reservatórios desta doença (Olsen et al, 2019).
A vigilância por rastreabilidade sorológica é descrita como medida de controlo da doença das explorações, sendo esta medida ainda mais relevante quando as explorações são vizinhas de explorações infetadas. No caso de existência de animais seropositivos na exploração, deve ser implementada a remoção desses animais.
O risco de transmissão de doença pelos reservatórios selvagens aos suínos domésticos é de elevada importância sendo importante optar por medidas que evitem o contacto dos suínos domésticos com esses reservatórios (Olsen et al, 2019).
A movimentação animal nas explorações deve ser controlada promovendo medidas de controlo de entrada de agentes patogénicos tais como a realização de quarentena testando os animais novos adquiridos antes da introdução no efetivo, na inseminação artificial o sémen deve ser obtido apenas de animais livres de doença sendo testados de forma regular (CFSPH, 2018).
Em casos excecionais, com grande prevalência da infeção, aplica-se o vazio sanitário, com o abate da totalidade do efetivo, seguido de desinfeção, identificação e eliminação da fonte de infeção e a reposição dos efetivos com novos animais livres de doença (EFSA, 2009).
A Brucella spp são facilmente destruídos pelos desinfetantes mais comuns, tais como as soluções de hipoclorito, etanol a 70%, isopropanol, iodoforos, desinfetantes fenólicos, formaldaeido, glutaraldeido e xileno sódico. Esta bactéria é inativada rapidamente aa pH ácido (menos de 3,5), são destruídas pelo calor húmido (121 °C por pelo menos 15 minutos) ou pelo calor seco (320-180 °C por pelo menos 1 hora) (CFSPH, 2018).
Outros animais da exploração podem contribuir para a disseminação da doença, sendo importante o mínimo contrato possível entre os suínos da exploração com os outros animais e evitar a alimentação principalmente dos cães com partes de tecidos crus provenientes de suínos (CFSPH, 2018).