CHAPITRE I INTRODUCTION
1.5 Contributions
Um outro aspeto constatado ao longo da análise do estado da arte foi a necessidade de se estabelecer uma maior aproximação das áreas da Comunicação Organizacional/Relações Públicas com a área da Ciência da Informação, mais especificamente no que se refere à utilização dos conceitos de Informação e de Informação Orgânica. Esta posição de defender a aproximação entre as áreas foi impulsionada com a leitura dos textos de Lordan (2001) e de Pereira (2008) e é a seguir melhor esclarecida.
exercício profissional das Relações Públicas67prendem-se meramente às questões relacionadas com o uso e ao tratamento da informação. Pereira (2009, p. 5) destaca que as Tecnologias Digitais de Informação e de Comunicação facilitam “a recolha, o armazenamento e a indexação de informações, melhoram a atuação, (…) e possibilitam um controlo mais exato e uma resposta mais atempada às solicitações exteriores”. Para isto a autora (PEREIRA, 2008), em outra publicação, utiliza como suporte ao seu posicionamento as colocações de Lordan (2001), e distingue como funções primárias ou tradicionais das Relações Públicas as atividades a saber:
• Gestão de mailing, de tarefas em grupos, de trabalho ligados em rede, de estratégias, planos e campanhas de comunicação; • Recolha de informações;
• Armazenamento e tratamento de informações; • Disseminação de informação;
• Pesquisa e avaliação da informação. (PEREIRA, 2008, p. 305- 306) 68
Chama-se a atenção para o facto de todos os tópicos apresentados, anteriormente, destacarem e dizerem respeito às ações ou as atividades que se relacionam ao uso de informação. Porém, deixa-se por agora este ponto em aberto uma vez que será retomado a posteriori, para se explorar o que outros autores apresentam em relação à principal atividade exercida pelos profissionais de Comunicação Organizacional/Relações Públicas: o planeamento de ações de comunicação.
Neste contexto, retorna-se a autores já referenciados no estado da arte, tais como Kunsch (2003) e Sousa (2004), que classificam como elemento essencial do planeamento a busca por informações. Kunsch (2003), ao especificar as doze (12) etapas do planeamento69, designa como segunda fase: o
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A estes acrescenta-se os planeadores da Comunicação Organizacional
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A autora apresenta cada uma das funções de Relações Públicas com exemplos dos respetivos meios tecnológicos utilizados para processar as referidas ações PEREIRA - Como as empresas portuguesas incorporam as TIC nas RP, p. 305-306
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As doze fases do planeamento em Relações Públicas: Identificação da realidade situacional; Levantamento de informações; Análise dos do e construção de um diagnóstico; Identificação dos públicos envolvidos, Determinação de objetivos e metas; Adoção de estratégias; Previsão de formas alternativas de ação; Estabelecimento de ações necessárias; Definição de recursos a serem alocados; Fixação de técnicas de controle; Implantação do planeamento; Avaliação dos resultados KUNSCH - Planejamento de relações públicas na comunicação integrada, p. 219
“Levantamento de Informações”. Por sua vez, Sousa (2004) não utiliza especificamente a terminologia “informação” mas particulariza que entre as fases do processo de Relações Públicas70 encontra-se a “Investigação” a qual ele descreve como a etapa que “corresponde à fase de recolha, sistematização, processamento e análise de dados” (2004, p. 50), que se sabe nada mais são que informações71, (DeltCi, 2008). Também aqui temos a informação como alicerce para o desenvolvimento de atividades de Comunicação Organizacional/Relações Públicas, mais especificamente a de elaboração do planeamento.
Por sua vez, em termos organizacionais, na década de 90 do século passado, alguns autores já se preocupavam com os fluxos da informação que percorriam e circundavam as organizações (LESCA et al., 1994), vinculando-os às questões estratégicas das mesmas. Passadas quase duas décadas, sabe-se, atualmente, que a empresa que consegue “gerar e gerenciar as informações” de forma mais rápida para a tomada de decisão tem uma maior eficácia, como o ressalta Cornelsen (2006, p. 137). Neste sentido, "há que se pensar estrategicamente as interfaces informação/comunicação, lastros obrigatórios do conhecimento organizacional” como defende a autora (CORNELSEN, 2006, p. 173).
Entretanto, num momento de maior debate da e sobre a informação, é possível verificar, através da bibliografia de Relações Públicas já apresentada (SIMÕES, 2006), as dificuldades em se encontrar uma unanimidade conceitual em relação à “informação”. Depreende-se, portanto, que na conjuntura atual em que cada vez mais os investigadores e profissionais das áreas de Comunicação Organizacional e das Relações Públicas procuram consolidar estes campos de estudo em termos teóricos e científicos, torna-se imprescindível estabelecer consenso e estabilidade conceitual e terminológica.
Não mais podem ser utilizadas terminologias apenas com os parâmetros
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As sete fases do processo de Relações Públicas: Observação; Formação de políticas; Investigação; Planificação; Ação; Avaliação e Retroalimentação. SOUSA - Planificando a comunicação em Relações Públicas p. 38-39
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Em Informática dado é a representação convencional, através de codificação, de uma informação de modo a permitir o tratamento eletrónico. Dado seria, assim, o código numérico correspondente a cada palavra das línguas naturais. Aceite esta aceção, em Ciências da Informação dado e informação são sinónimos, pelo que se torna um conceito redundante e inútil. (DeltCi, 2008, http://www.ccje.ufes.br/arquivologia/deltci/def.asp?cod=27)
do senso comum, mas sim necessitam ser estabelecidos conceitos que possuam como alicerce um critério científico e assentes no trabalho dos investigadores e pensadores que a este antecedem e possibilitaram esta fase. Neste sentido, sustenta-se uma maior aproximação destes campos do saber − Comunicação Organizacional/Relações Públicas − com os conceitos apresentados por autores e docentes da área de Ciências da Informação, mais precisamente os que defendem o Paradigma Pós-custodial, e cujo posicionamento científico já foi apresentado no Capítulo Um.
Isto porque, como salientado no início desta Secção, ao se apresentar as posições dos autores Lordan (2001), Pereira (2008, 2009), Kunsch (2003) e Sousa (2004), demonstra-se que os profissionais das áreas da Comunicação Organizacional e das Relações Públicas utilizam como principal subsídio para o seu exercício profissional e, principalmente para a elaboração do planeamento das suas ações e das suas atividades: a Informação.
Entende-se, neste contexto, que será mais adequado que os profissionais de Comunicação Organizacional/Relações Públicas, e mais amplamente as equipas destas áreas (sejam setores, departamentos, assessoria e/ou empresas) procurem assessoria de profissionais oriundos do campo da Ciências da Informação. Isto porque estes profissionais são portadores de qualificações que lhes permitem encarregar-se de “todo o ciclo de vida da informação” que abrange desde o planeamento, a criação, o fluxo, a avaliação, a classificação chegando “até ao armazenamento, preservação e disponibilização”, conforme esclarece Pinto (2005, p. 107). Pensa-se que, desta forma, será reduzido o tempo de busca e localização da informação que se encontra dispersa nos vários ambientes digitais, ou não, da nossa atual sociedade.
Esta posição justifica-se, ainda mais, ao retomar-se o posicionamento de Pereira (2008) que sustenta que as Tecnologias Digitais de Informação e de Comunicação auxiliam as Relações Públicas, e também a Comunicação Organizacional, a desenvolverem determinadas ações, tais como: gestão de mailing, de tarefas em grupos, de trabalho ligados em rede, de estratégias, planos e campanhas de comunicação. Constata-se que cada uma destas ações seria desenvolvida através de um planeamento específico de recolha, armazenamento,
tratamento e utilização da informação. Um trabalho em conjunto com profissionais da Ciência da Informação justifica-se ainda e novamente para que aconteça de forma mais adequada a captura, a recolha, a classificação, o armazenamento e o tratamento da informação ou, ainda, a definição de aplicações e serviços (softwares) adaptados para esta finalidade.
Numa visão reducionista, pode dizer-se que enquanto os profissionais da Ciência da Informação têm como objetivo capturar, recuperar, recolher, selecionar, organizar, armazenar, interpretar, transformar, possibilitar a transmissão e, principalmente, disponibilizar a informação analisada pelos seus públicos-alvo. Por sua vez os profissionais da Comunicação Organizacional/Relações Públicas procuram conhecer as informações relacionadas e/ou geradas pelas organizações e pelos seus públicos. Deste modo, a partir deste conhecimento podem organizar e planear as mensagens, as ações, as atividades e estabelecer as melhores opções (possibilidades, atividades, média) para que as referidas informações de interesse organizacional circulem de forma a criar/manter uma imagem positiva das organizações perante os seus públicos e seus stakeholders. Salienta-se que esta posição de aproximação é também compartilhada por Silva (2009a, p. 52) inclusive no que se refere aos conteúdos curriculares comuns a ambas as áreas tais como “a gestão da informação”, e mais especificamente “no sector tecnológico, dos sistemas multimédia e da preservação e uso da informação audiovisual e hipertextual digital”.
É importante entender que a defesa desta aproximação serve de base ao restante trabalho aqui apresentado, uma vez que só a partir desta união e da defesa inicial é que foi possível verificar, quando da revisão do estado da arte da Ciência da Informação, que as classificações relacionadas com a informação orgânica se encontram desprovidas de especificações e de detalhes que denominem o tipo de informação orgânica trocada pelos integrantes do público essencial de sustentação primário das organizações em ambientes digitais. Informações estas relacionadas com as atividades profissionais, portanto orgânicas, mas trocadas ou partilhadas através de dispositivos eletrónicos ou digitais, serviços e/ou aplicações digitais não oferecidas ou estabelecidas pela
organização, mas sim usando os meios de comunicação informais digitais, e que constituem o foco da investigação deste trabalho.