3 Le rôle de la DSI dans la démarche de gestion des risques de l’entreprise
3.2 La contribution indirecte de la DSI dans la gestion des risques
72 A partir do que ouvimos nesta etapa da investigação, é possível perceber o quanto se entrelaçam as práticas cotidianas dos agricultores e produtores rurais e as práticas do cooperativismo e do associativismo, conforme a lição de Frantz:
O cooperativismo é uma prática social histórica, em cujo centro estão questões do mundo da vida ou ligadas a sua base material. É uma prática social que institui um lugar de aprendizagem, um lugar de educação. A sua instituição se dá como uma condição inerente a sua organização, seu funcionamento, seu progresso. Na interação dos associados, dos cooperantes, em sua ação comunicativa, em seu diálogo, como partícipes de um projeto comum, produzem eles as condições para um processo de socialização de conhecimentos, de experiências (FRANTZ, 2012, p. 92).
A educação potencializa essa dinâmica de organização social calcada na cooperação, como fica claro a partir dos depoimentos colhidos. Mas trata-se de uma educação marcada pela presença na vida cotidiana, com práticas pedagógicas que resultam dessa dinâmica entre a experiência concreta da comunidade e os saberes institucionalizados.
É necessário reconhecer que existem especificidades na educação popular, já que estamos falando de um lugar diferenciado, marcado pelas vivências cotidianas, pela relativa informalidade, mesmo pelos afetos que são compartilhados entre os envolvidos. Tudo isso remete a um lócus diferenciado, diferente da sala de aula, e pleno de possibilidades para a abordagem educativa.
Vislumbramos essa realidade em que se mescla a experiência da comunidade ao saber que vem de fora, e podemos afirmar que ela sustenta uma dinâmica diferenciada de aprendizado para todos os envolvidos.
Assim, observamos que a troca de experiências resulta num enorme potencial de conhecimento da experiência vivida pela comunidade analisada previamente. E que o espaço dessas trocas passa pela associação e pela educação cooperativa. Na lição de Frantz,
Nas organizações cooperativas produz-se educação, mas ela se faz cooperativa nas práticas da interação dos cooperados, seja pela ação discursiva da argumentação sobre o fazer, ou seja, pelo fazer. Ela se faz cooperativa na prática, nas relações dos cooperantes. A educação no espaço da organização cooperativa, a sua prática pedagógica, contém e revela a noção, a compreensão que se tem do que vem a ser uma cooperativa (FRANTZ, 2012, p. 92).
O aspecto dialógico das práticas da educação cooperativa ficou expresso na valorização, pelos entrevistados, da troca de experiências: as conversas, a comparação
73 entre o que um e outro faz, as dicas que vêm da vivência prática. Isso nos remete às práticas comunicativas e estratégicas, nas quais os indivíduos se colocam como atores do processo.
Trata-se de uma dinâmica que vem predominantemente de baixo para cima, invertendo a tradicional relação pedagógica, marcada pelo lugar do saber do mestre em relação aos educandos (FREIRE, 2008).
É interessante observar, contudo, que tal dinâmica se estabeleceu a partir da interação entre a iniciativa da própria comunidade e de agentes “externos”, como técnicos, professores e lideranças políticas, todos imbuídos do objetivo comum de educar a partir da experiência comunitária. Entender como essa dinâmica pode potencializar as práticas de desenvolvimento comunitário é crucial para que possamos avançar em direção aos objetivos traçados pela Associação analisada – e pela experiência associativista e cooperativa em geral.
A riqueza da experiência compartilhada por meio da cooperação, da associação e da educação é o que, a nosso ver, justifica a existência e continuidade de modos de interação comunitária como os que investigamos nesta pesquisa. É por meio delas, experiências ainda presentes embora quase sempre subestimadas, que se podem reconhecer as marcas de uma prática de emancipação que conduz à cidadania:
A educação como ação social ou como prática social aparece, muitas vezes, de forma difusa, associada a processos de comunicação, de interação entre os associados, dirigentes, funcionários ou outros interlocutores, presentes no espaço da cooperação. Aparece como uma ação entre sujeitos ou como uma prática sobre outros, procurando influenciá-los em suas ideias e seus valores, em seus modos de pensar, de interpretar a vida social, especialmente a da realidade cooperativa, sugerindo ou levando-os a comportamentos e visões de mundo, favoráveis à natureza da prática cooperativa (FRANTZ, 2012, p. 92).
Nessas trocas comunicativas, nascidas e cultivadas na educação cooperativa e popular, podemos ainda vislumbrar o potencial de emancipação que nasce das próprias comunidades, para além da lógica hierárquica e capitalista, de cima para baixo, que costuma dirigir os processos de interação social. Aqui, diferentemente, está em ação a força que vem da própria comunidade, que transcende as normas exógenas e nos ensina novas formas de interação e, por que não dizer, de humanidade.
74 CONCLUSÕES
Ao olharmos para a trajetória efetivada nesta investigação, trazemos as conclusões da pesquisa, num espaço de retomada do que vivenciamos ao longo desse período. Para começar, retomemos em breves pinceladas os passos que foram efetuados desde o início da investigação.
Nosso objetivo central, que guiou desde o início a pesquisa, foi analisar a experiência de educação cooperativista e associativista: interrogar o impacto em uma comunidade específica da relação entre esses elementos – educação, cooperação, associação – foi o principal objetivo da pesquisa. Assim foi que investigamos a experiência de educação popular cooperativa e associativa no desenvolvimento de uma comunidade de produtores rurais.
Partimos da contextualização histórica, situando a origem e o desenvolvimento do cooperativismo e do associativismo. Também trouxemos a definição e a problematização dos conceitos de cooperativismo e associativismo, suas relações e peculiaridades, assim como o conceito de educação popular. Nesse ponto, interessava-nos a revisão conceitual, a fim de dar sustentação teórica ao trabalho. Tomamos para isso as contribuições valiosas dos diversos estudiosos do tema (FREIRE, 2008; FRANTZ, 2002; 2003; ANDRIOLLI; SCHÖNARDIE; FRANTZ, 2016).
Na etapa seguinte, nos debruçamos sobre as condições materiais em que o objeto de nosso estudo se desenvolveu. Com vistas a contextualizarmos nosso objeto de investigação, trouxemos aqui a caracterização do município de Três Passos, lugar em que situamos a pesquisa empírica. Em seguida, abordamos as várias iniciativas que incidiram sobre nosso objeto de estudo, marcadas pelo caráter associativo, cooperativo e educativo. Aqui, descrevemos três programas: o PRORENDA; o Semeando saúde e educação na agricultura familiar; e o programa Associativismo Rural. Ao final, também descrevemos nosso objeto de estudo, a Associação Bispo Pedro Fernandes Sardinha de Desenvolvimento, preparando dessa forma a descrição e análise dos dados, que foi tema do capítulo seguinte.
A etapa da análise e interpretação dos dados trouxe diversos aspectos que, somados à revisão conceitual prévia, compuseram talvez a parte mais substancial da pesquisa: aquela em que, à luz das informações e conceitos previamente abordados, tivemos de encarar a vivência real da comunidade estudada. Era o momento detestarmos
75 nossas hipóteses, verificando in loco, a partir da observação e das falas dos entrevistados, a efetividade da educação cooperativa na vida dos pequenos produtores rurais.
A seguir, uma síntese dos principais elementos que colhemos nessa fase.
Sobre a pergunta que nos guiou, e que indagava acerca do impacto das iniciativas educacionais de cunho associativista e cooperativista na vida das pequenas comunidades rurais, os dados são esclarecedores. Eles mostram que o impacto da organização é bastante positivo, nas várias dimensões da vida comunitária.
A dimensão econômica, por exemplo, é um dos pontos que os produtores mais ressaltam em suas falas: a facilidade que advém da união entre eles, seja para negociar melhores condições para a produção, seja para adquirir equipamentos, seja para compreender os meandros da burocracia.
A partir das informações elaboradas através de entrevistas realizadas junto aos agricultores, pode-se afirmar que as famílias participantes desta pesquisa mantêm unidades de economia familiar, pois todas as famílias entrevistadas são associadas a cooperativas de crédito, bem como à associação localizada na comunidade onde vivem.
Em que pesem eventuais discórdias, que vez por outra assomam nas falas, percebe-se que existe plena consciência das vantagens que a associação propicia para o crescimento econômico dos produtores.
Mas a dimensão educativa e cultural também está fortemente marcada na experiência da associação estudada. Isso fica claro quando verificamos as trocas simbólicas permitidas pela associação: a troca de informações e de conhecimentos que o simples fatos de reunir um grupo pode trazer para uma comunidade. Aqui está um dos aspectos mais relevantes trazido da pesquisa de campo, na medida em que permite comprovar o poder de transformação que se articula na interface entre educação, cooperação e associação.
Talvez seja necessário investigar muito mais a fundo esse aspecto em futuras pesquisas, mas desde já registramos que os depoimentos colhidos entre os agricultores trazem pistas valiosas dessa articulação entre a educação e as práticas associativistas e cooperativistas. Por exemplo, a presença de orientação técnica e o incentivo externo na forma de projetos: tanto mais sucesso se verifica quanto maior for a compreensão das vivências da comunidade. Quebrar a desconfiança inicial, como visto, leva tempo. Mas, uma vez que a confiança se estabelece, há muito mais chances de se avançar de forma exitosa.
76 O êxito, porém, implica continuidade e aprimoramento das propostas e atividades da associação, para além do casuísmo ideológico que porventura se observa quando estamos na esfera do debate público. Nesse sentido, é de se destacar também a condução cuidadosa verificada no caso em análise, já no fato de se constituir como entidade com estatuto próprio, institucionalizada perante a comunidade.
Em que pesem esses pontos positivos da experiência associativista, algumas carências permanecem. Talvez a principal delas seja de ordem estrutural: o êxodo rural. Apesar dos vários testemunhos positivos acerca da experiência da associação, há que se ter presente a dimensão do problema do êxodo, que talvez transcenda em muito a capacidade de retenção de programas como os estudados – e dos objetivos desta investigação.
Afinal, trata-se de tendência iniciada há décadas, quando o país mudou de perfil, passando de predominantemente rural para predominantemente urbano. Em que pesem as iniciativas que buscam manter o jovem no campo, como vimos no caso estudado, são muitos os fatores que levam esse jovem para a cidade: conforto, estudo, trabalho, tecnologia. Talvez seja necessário um grau de articulação bem maior para que se consiga fazer o caminho inverso e manter esse jovem no campo: programas de cunho federal, articulados com as iniciativas estaduais e locais, com aporte de recursos para a maior qualidade de vida e o aumento das perspectivas de crescimento nas pequenas comunidades.
Outro aspecto que merece atenção é a participação da mulher na experiência cooperativa. Já a partir das falas das famílias, fica clara a distinção entre a voz das mulheres e a dos homens no relato e na avaliação do que viveram. É como se o trabalho realizado pelas mulheres sumisse no momento do relato, já que na grande maioria dos casos se ouve apenas a voz masculina. O papel da mulher na experiência da educação cooperativa e no associativismo é sem dúvida sub-representado se tomarmos como base apenas o que foi observado na pesquisa empírica. Um olhar mais apurado, em investigações futuras, pode deslindar esse aspecto em mais detalhes.
Algo semelhante se pode concluir sobre a participação do jovem. Como vimos mais acima, sua presença na vida comunitária vem sendo esvaziada em virtude do êxodo rural, mas as iniciativas de incentivo à permanência do jovem no campo também começam a surgir, embora ainda de forma tímida. Estudos que enfoquem o papel que as novas lideranças jovens desempenham no campo se fazem necessários.
77 Sobre os métodos educativos observados no estudo de campo, o que podemos afirmar é que eles estão eivados da experiência associativa e cooperativa (FRANTZ, 2001; 2012; FREIRE, 2008): já a partir do planejamento efetuado e da relação entre a comunidade e os sujeitos intervenientes, vemos uma experiência sui generis de educação e cooperação.
Sui generis porque não se enquadra nas práticas tradicionais de educação formal, marcadas pela abstração da realidade e pela metodologia externa às vivências da comunidade. No trabalho de campo, salta aos olhos a relação diferenciada que se estabelece entre os sujeitos, o questionamento e as trocas de saberes, o lugar reservado à experiência de vida em contraste com o conhecimento livresco. São aspectos que merecem reflexões ulteriores, que extrapolam em muito os nossos objetivos nesta investigação, e também podem ser informados pelo aprofundamento da pesquisa empírica.
Em suma, a experiência da educação de cunho associativo e cooperativista que testemunhamos na fase empírica de nossa investigação traz lições valiosas, apresentadas de forma detalhada no terceiro capítulo. A primeira delas é o envolvimento da comunidade com o processo de associação e cooperação. Vimos que, para haver êxito e continuidade, é preciso envolver os agricultores no processo, de maneira ativa, e que tal envolvimento implica renovação permanente, entre as gerações. Só assim se pode renovar a força da associação.
A segunda lição refere-se ao retorno que a educação possibilita aos problemas da comunidade. As falas dos agricultores demonstram que o diálogo e a argumentação, imprescindíveis para a autodeterminação dos sujeitos, compõem a rotina da Associação Bispo Pedro Fernandes Sardinha de Desenvolvimento. Tal dinâmica implica conflito, por certo, mas parece não haver caminho alternativo a não ser enfrentar as dificuldades por meio da argumentação e do trabalho coletivo.
Ambas as características – envolvimento e caráter educativo da experiência – parecem repousar sobre os fundamentos da educação cooperativa e associativa, que desde o seu início prevê a troca de experiências e o envolvimento ativo da comunidade para o enfrentamento de seus problemas.
São traços de uma educação marcada pela experiência cooperativa e também de uma experiência cooperativa que se funda na educação. Afinal, a educação “é um processo cooperativo, desde que esteja voltado à emancipação humana” (FRANTZ, 2012,
78 p. 92), processo em que se fazem ouvir diversas vozes dos atores envolvidos, cada uma delas sendo rico testemunho da experiência humana.
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81
PERGUNTAS AOS AGRICULTORES Nome da localidade onde mora; Quantos hectares possui;
Quantas pessoas vivem, residem na sua propriedade;
Como surgiu a Associação Bispo Pedro Fernandes Sardinha de Desenvolvimento; Quais foram as motivações para fazer parte da associação;
Que preocupações econômicas se tem com a propriedade; Que preocupações sociais se tem com a propriedade; Escolaridade (opcional);
Quais são os produtos cultivados na sua propriedade;
Já participou de algum programa já desenvolvido pelo município, se sim, poderia contar como foi esta experiência;
Quais são as maiores dificuldades que vocês tiveram e ainda tem na agricultura; Quais os métodos educativos que a Associação promovia e ainda promove para seus associados;
Estes métodos educativos, foram e ainda são importantes na propriedade; Existe consciência associativa e cooperativa dentro da associação?
Qual a visão que você tem do êxodo rural dos jovens na comunidade? Este fato sempre ocorreu, ou, vem ocorrendo de forma mais intensiva a partir dos últimos anos, ou, a partir de que período você acha que isso vem acontecendo;
Como eram as famílias de antigamente? Mais numerosas?
O que mudou nas práticas agrícolas na comunidade (como se fazia o cultivo, colheita manual, tração anima). Produzia-se mais para a subsistência, ou não, ainda se produz?
O que mudou na organização da comunidade no que se refere as organizações sociais (como igreja, escola, festividades, clube de futebol, sociedade damas, grupo de saúde).
Referente a renda familiar a atividade principal praticada pela família sendo essa agrícola, ou, não agrícola?
Lembram de como surgiu a associação Bispo Pedro Fernandes Sardinha de Desenvolvimento Sabem o que significa associativismo, e cooperativismo, como podemos e para que podemos utilizar.
A vida mudou depois que passou a fazer parte da associação? O que mudou? Mudou para melhor ou para pior?
PERGUNTAS AO SECRETÁRIO DE AGRICULTURA
Como surgiu o programa associativismo Rural do município de Três Passos
O surgimento das associações trouxe benefícios tanto para o município quanto para os agricultores o senhor poderia listar alguns desses benefícios
O senhor considera importante a criação das associações no município de Três Passos A secretaria de agricultura oferece cursos de qualificação e capacitação para os associados? Outra coisa é associação que determina os cursos ou no caso os associados sentem uma necessidade a nós precisamos de um curso específico para isso eles procuram Associação e Associação procura a secretaria de agricultura ou não necessariamente
Isso não necessariamente precisa ser só produtores associado de uma localidade pode ser várias junta
Como o senhor considera e avalia a agricultura familiar para o município
E também envolvem outros assuntos a questão das escolas, manter as escolas funcionando o senhor sabe que o jovem não está mais querendo permanecer no campo que meios podem ou devem ser utilizados para o que o jovem permaneça no campo
Quais são os desafios daqui para frente para manter o associativismo funcionando no município de Três Passos
É até um processo como a gente sabe que algumas associações prosperam né estão indo bem tem recursos então isso também vai mostrar a organização dessas associações
Tem conhecimento de outros programas que o município já teve a respeito disso assim de cooperação e associação
Ouvir transformação social destas famílias de agricultores, destas comunidades através da