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La contribution directe de la DSI dans la gestion des risques

Dans le document ANALYSE ET GESTION DES RISQUES (Page 37-41)

3 Le rôle de la DSI dans la démarche de gestion des risques de l’entreprise

3.1 La contribution directe de la DSI dans la gestion des risques

67 A pergunta acerca da educação, especificamente sobre a Educação Popular, foi muito importante para que eu conseguisse identificar se de fato existe alguma prática de Educação Popular nesta associação.

Quando questionados se sabiam ou tinham ouvido falar de Educação Popular, todos os agricultores entrevistados ficaram pensativos. Por mais que, quando iniciei minha pesquisa me apresentando, eu tivesse explicado o porquê de estar ali, e o que estava fazendo, estudando, eles não sabiam responder, ficaram pensativos.

Então, retomei o assunto sobre a Educação Popular. Não atribuo uma definição específica, mas segundo Maria da Glória Gohn (1999, p. 98-99), a educação não-formal “designa um processo de formação para a cidadania, de capacitação para o trabalho, de organização comunitária e de aprendizagem dos conteúdos escolares em ambientes diferenciados”.

Assim sendo, a partir de tudo que vivenciei em dois anos de mestrado, fazendo a pesquisa, participando das reuniões, assembleias, e tudo que vivi com esses agricultores, é que abordo este ponto.

A associação foi constituída por eles, por esses agricultores, que abraçaram este projeto vindo do poder público municipal. Eles elaboraram o estatuto, a ata, e foram organizando-se da maneira que achavam melhor, do jeito deles, mas se organizaram. Foram construindo junto com a comunidade a associação que queriam, reuniram-se várias vezes, muita correria até que tudo fosse registrado e aí sim a associação pudesse receber o recurso da prefeitura.

Para o uso deste dinheiro recebido, em prol da associação, era necessário conhecer muito bem a comunidade, e saber quais eram e ainda são suas prioridades.

Podemos afirmar que esta associação trouxe muitos benefícios aos seus associados conforme o próprio presidente falou na entrevista: “Os benefícios foram muitos, os projetinhos que temos aqui para o agricultor, ele não precisa recorrer até a prefeitura, que muitas vezes por falta de tempo não é atendido, então ele nos procura, fizemos o contrato e liberamos o dinheiro”.

Outro ponto da entrevista com o presidente da associação foi a constituição da associação. Ele relata:

Foi um projeto da prefeitura, fizemos várias reuniões na escola, até decidir as coisas, veio até o prefeito da época. Então, depois de muita conversa, a gente resolveu abraçar essa causa e estamos ai, não foi fácil, eu fui de casa em casa, falar com as pessoas para se associar, foi muito trabalhoso, mas gratificante, porque o número de associados cresceu bastante.

68 As reuniões, assembleias, todas são feitas na escola da localidade, que tem o mesmo nome da associação, Escola Bispo Pedro Fernandes Sardinha. A associação utiliza uma sala da escola, no turno inverso às aulas, para fazer o atendimento dos associados.

Os atendimentos são feitos uma vez por mês. Nós reduzimos os atendimentos, antes a gente fazia dois atendimentos por mês, agora, como o município não faz mais o repasse do valor, eu estou atendendo uma vez por mês lá na escola mesmo. Aí os associados vão lá pagar, saber da liberação do seu dinheiro, saber as compra de insumo, neste dia eles sabem que estou lá para o que precisarem.

A associação possui uma diretoria, mas o atendimento aos agricultores quem faz é o presidente. Os demais da diretoria resolvem outros assuntos, mas quem de fato tem o contato com o agricultor associado é o presidente.

Mas, de fato, será que existe uma Educação Popular dentro da Associação Bispo Pedro Fernandes Sardinha de Desenvolvimento?

Se levarmos em consideração que a educação popular é um processo para a cidadania, a educação popular transforma a vida das pessoas, busca transformar o educando em agente ativo na realização de um determinado projeto de sociedade, a resposta é sim. No caso, ela se justifica pela transformação que estes agricultores vêm tendo. A Educação Popular os transforma em protagonistas de suas histórias, pois, participando como agentes do processo, buscam o que precisam e sabem da sua importância no mundo. São protagonizas de suas histórias.

Cumpre aqui retomarmos o entendimento acerca da Educação Popular. Para Carlos Brandão (apud Libâneo, 1998, p. 18)

ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um modo ou de muitos, todos nós envolvemos pedaços da vida com ela: para aprender, para ensinar, para aprender-e-ensinar. Para saber, para fazer, para ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida com a educação. [...] Não há uma forma única nem um único modelo de educação; a escola não é o único lugar em que ela acontece e talvez nem seja o melhor; o ensino escolar não é a única prática, e o professor profissional não é seu único praticante.

A associação promoveu muitos cursos para seus associados, o mercado exigiu que estes agricultores se qualificassem, para valorizar também seus produtos. Indagados sobre que métodos educativos a associação promoveu, as respostas foram as seguintes:

Ah, eles promoviam curso de Gestão leiteira, de aves e suínos, mecânica de tratores de implementos agrícolas. Os dias de campo nós participamos, eram

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3, às vezes 4 dias de campo. Foi muito importante, com o conhecimento que nós tínhamos, que os pais da gente ensinaram pra nos ajudar alguém que tinha dificuldade em alguma situação.

todo mundo tem dificuldade, entre nós, nos falava das dificuldade e as realizações de cada um o que era mais era melhor de adquirir era mais viável de trabalhar que a gente aprendeu consociando um com outro, do que a gente aprendeu em casa, com o pai e a mãe, aprendendo junto com a Emater também.

Um outro entrevistado ressaltou que “foi muito viável tudo que aprendemos nos dia de campo, nessa troca um com o outro”. A troca de experiências está entre os pontos positivos:

Foi bastante importante porque, no caso tipo no Etec (escola técnica agrícola), foi feito vários módulos de curso, esses módulos têm várias apresentações que o dia a dia vai te ajudando, e tem os outros agricultores que participam, então a gente vai falando como cada um faz, as técnicas que cada um tem, e a gente vai trocando isso no curso.

Outro exemplo de cursos oferecidos pela associação “é a questão de tabelas de custo gastos e coisas, hoje em dia é uma ferramenta indispensável na produção, que tu tem que saber o que tu tem, o que que tu estás gastando, o que tu estás recebendo e o quanto que te sobra para tu ter uma noção real dos seus custos e coesão”.

Mais uma vez, as trocas de experiência também são ressaltadas como aspecto positivo da Educação Popular:

nos dias de campo, nós contava, falava com a outra pessoa: ‘ah, eu fiz assim, eu faço assim’. Às vezes tem coisa que tu também está fazendo que por um mínimo de detalhe é faz toda diferença, né? Então a gente conversava nos curso entre a gente, pra saber como cada um fazia, isso ajudava, pra mim pelo menos ajudava o que a gente conversava.

Segundo Frantz (2012, p. 87),

Vários e distintos são os lugares e os processos da educação; diferentes são os lugares e os processos de produção de conhecimento, de aprendizagem, de desenvolvimento de habilidades. Muitas são as pedagogias. O homem educa e é educado, aprende e ensina em um processo de convivência com os seus semelhantes, seja por uma relação cooperativa ou competitiva. Pelo conhecimento, pela educação, pela aprendizagem, constrói os sentidos de sua existência.

Os diferentes lugares em que a associação promovia os cursos caracterizam-se como um processo de educação, conhecimento e de muita aprendizagem. O lugar da educação popular é o lugar onde está o próprio povo, como assinala Walter Frantz.

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A educação acontece nos espaços da vida humana, em todas as suas dimensões, com todos os seus sentidos. Confunde-se, portanto, com a própria experiência humana de querer conhecer a si mesmo e ao mundo que habita. A preocupação do homem com o seu mundo, com as diferentes dimensões de sua vida está presente desde os tempos mais antigos (FRANTZ, 2012, p. 88).

Assim, o processo pedagógico está mesclado às relações sociais: “Nesse sentido a Pedagogia é uma relação social, por meio da qual fluem forças, interesses, visões de mundo, ideologias, com objetivo de socialização. Pode ser definida como uma prática política, uma prática de construção de poder” (FRANTZ, 2012, p. 88).

A experiência da de socialização é marcada pela efetiva participação dos indivíduos: “A soma de práticas sociais pelas quais novos indivíduos são transformados em membros de sociedades ou comunidades anteriormente existentes constitui o processo de socialização” (FRANTZ, 2012, p. 88)

A escola se constituiu, ao longo do tempo, como um lugar privilegiado para as ciências, para uma educação e uma aprendizagem mais intencionada e sistematizada, para a transmissão, para a comunicação. Os homens, no entanto, são educados e aprendem também fora da escola, nos outros lugares sociais da vida: na família, nos grupos de amigos, na organização do trabalho, nos espaços políticos, nos espaços da organização cooperativa. Assim, o conhecimento, a educação, a aprendizagem, a socialização, se processam também nos espaços da organização cooperativa, na prática da cooperação (FRANTZ, 2012, p. 89).

O lugar das associações é privilegiado como fonte de mobilização social: “Movimentos sociais, associações, cooperativas ou outras práticas sociais, podem se constituir em lugares privilegiados para a reconstrução do coletivo, dos laços sociais rompidos, de reconhecimento e identificação cultural dos indivíduos” (FRANTZ, 2012, p. 90).

O cooperativismo, como visto, tem um papel relevante a desempenhar nesse contexto de relações sociais no meio rural:

Diante do quadro de profundas transformações, especialmente econômicas e políticas, pelas quais passa a sociedade contemporânea, ressurge a questão do cooperativismo, sendo-lhe atribuídas diferentes funções, especialmente no campo do trabalho, da economia. Em muitas circunstâncias, as cooperativas ou outras formas associativas, de solidariedade, aparecem mais como meios de garantir a “inscrição na estrutura social”, procurando evitar a exclusão social, que põe em risco a própria identidade de grupo, de vizinhança ou até de cultura (FRANTZ, 2012, p. 91)

71 Para finalizar a entrevista, foi perguntado o que significa a Associação Bispo Pedro Fernandes Sardinha. Eis as respostas:

Mas a oportunidade de crescimento mútua entre as comunidades e pessoas, do tipo as pessoas, ciclo de máquina. Uma máquina para mais do que uma pessoa para poder ajudar desenvolvimento, que uma pessoa comprar uma máquina sozinha se torna inviável, pequenas propriedades e coisa. O custo elevado da máquina, ajuda da associação, ajuda da prefeitura, passe, repasse de máquinas, e a brisa atender várias, bastante gente com a mesma máquina que são sozinhos, se tornaria inviável aquisição do equipamento.

Ela para mim significa bastante valiosa, porque, no caso da pessoa precisar, não vou dizer que é 100%, mas ela ajuda bastante com horas, adubo, fornecimento de máquina. Para nós ela é muito significante. A única coisa que a gente fica muito sentido que o município não faça mais repasse, esse repasse que o município fazia, ele ajudava muito, hoje já o óleo diesel que a gente ganhava foi tudo cortado. Hoje a Associação sobrevive com o caixa que ela adquiriu durante esses anos, ela não tem mais apoio do município e isso para nós é lamentável.

A associação é uma oportunidade que o agricultor tem para conseguir sobrevier, por que nossa vida não é e nunca foi fácil, nos temos com quem contar em um momento de dificuldade, a associação financia valore baixos, mas planos já ajuda, agora não sei como vai ficar, por que a prefeitura não vai mais repassar dinheiro.

Entre as ponderações, destacamos: “Bom, essa é um meio de sobreviver na roça, né, Associação, só que está complicada, né, também não adianta só Associação, se não temos valor no nosso produto”; e “eu quero que a associação cresça ainda mais, por assim nos ajudar de alguma forma. A associação é importante na nossa comunidade, eu espero que ela permaneça”.

Percebe-se, assim, que o fato de ter a Associação na comunidade produz por si só resultados positivos, quer pelo apoio encontrado, quer como forma de fortalecer o grupo como lócus das demandas dos associados.

Nesse sentido, podemos perceber uma interação permanente entre a experiência cooperativa, a associação e a educação na vida da comunidade que estudamos. Uma enriquece a outra, num processo contínuo de trocas que se autoalimentam e geram novas perspectivas de vida e novos saberes para a comunidade.

A seguir, traçamos algumas considerações a título de síntese do capítulo, retomando os conceitos norteadores à luz dos dados que foram analisados previamente.

3.8 Síntese do capítulo: cooperação, associação e educação como pilares da

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