O Brasil é detentor do maior bioma tropical do mundo e apresenta na biodiversidade e nos fatores edafoclimáticos potencialidades que valorizam a floricultura tropical. Portanto, o Estado do Pará geograficamente é um espaço estratégico para reproduzir este setor econômico, gerando assim emprego e renda para as sociedades locais.
A região tropical tem vantagens frente a outras regiões direcionadas à produção tropical, obtendo-se períodos produtivos mais prolongados das espécies locais se comparados às regiões que se limitam pelas secas e friagens (casos do Nordeste e do Sul do país). Consequentemente, esta dinâmica possibilita chances de ofertar produtos da floricultura local ao mercado nacional e internacional. No entanto, existem restrições de produção das espécies de forma tradicional (céu aberto) pela maioria dos produtores, o que acarreta problemas como os “fitossanitários” que mínguam a qualidade dos produtos da floricultura local. Por outro lado, é imprescindível que neste setor haja envolvimento de todos os agentes ou atores sociais para torná-lo competitivo.
O setor da floricultura paraense passou a ser reconhecido como uma importante atividade econômica a partir de 1996. Dadas às várias iniciativas, o setor está investindo na conquista de novos mercados, usando como diferencial a diversidade de espécies existentes, tanto de flores de corte, plantas ornamentais, folhagens etc. A SECTAM (PARÁ, 2005) argumenta que este setor gera uma fonte alternativa de emprego e renda para a população. A mesma instituição menciona que os estímulos governamentais estão permitindo a incorporação de maior número de produtores a cada ano, especialmente à produção de flores tropicais e ornamentais. Esta evolução pode evidenciar-se a partir do primeiro diagnóstico da floricultura paraense realizada pelo Pará (2002), que identificou 45 produtores sediados nos municípios de Belém, Ananindeua, Benevides, Castanhal, Marituba, Santa Bárbara do Pará, Santa Izabel do Pará. Em estudo da SECTAM (PARÁ, 2005), é notório um leve incremento de produtores totalizados em 56, no mesmo se observa a participação de produtores do município de Santo Antônio do Tauá.
Em estudo mais recente de Junqueira e Peetz (2006),traça-se um perfil da cadeia produtiva de flores e plantas ornamentais da Mesorregião Metropolitana de Belém – Pará, onde o salto de produtores rurais deste setor impressiona com 114 em total. Embora os atores
considerem ao setor ainda pequeno por agregar um número restrito de produtores [...] a mesma desponta como um promissor segmento do agronegócio regional, isto por incorporar 99 produtores rurais que tiveram a condição de se integrar às diretrizes de desenvolvimento setorial do SEBRAE e do Governo do Estado do Pará. Junqueira e Peetz (2006) demonstram assim, que junto à distribuição dos produtores nos municípios envolvidos (Tabela 9), ocorre a presença de uma notável evolução no nível de organização e no crescimento da base produtiva da floricultura paraense. Em 2006, a Agência do Pará contribui ao estimar que existam mais de 150 produtores rurais dedicados à atividade rural.
Tabela 9 - Distribuição dos produtores da floricultura paraense, 2005
Municípios Número de produtores
Ananindeua 5
Belém 5
Benevides 36
Castanhal 4
Marituba 16
Santa Bárbara do Pará 17
Santa Izabel do Pará 8
Outros municípios (Santo Antônio do Tauá) 8
Total 99
Fonte: Junqueira e Peetz (2006).
O aglomerado também está conformado por outros agentes (fornecedores, produtores, intermediários etc.) que facilitam o escoamento dos produtos ao mercado da capital paraense. Já a proximidade dos municípios produtores a este mercado é favorecida com estradas pavimentadas, equipamentos e insumos, assistência técnica etc. para melhor desenvolvimento econômico da atividade.
Numa análise mais sistêmica do setor Junqueira e Peetz (2006) mencionam que é primordial conhecer todos os agentes dentro da cadeia produtiva paraense de flores e plantas ornamentais: indústria produtora de insumos, fornecedores de serviços e assistência técnica à produção, distribuidores atacadistas e varejistas, consumidores intermediários e finais, prestadores de serviços, entre outros. A soma destes agentes conforma a rede social geral do aglomerado.
Pará (2008) informa que o aglomerado local movimenta anualmente cerca de R$ 41,7 milhões. Aqui se inclui vendas globais no varejo e no setor de prestação de serviços, nos segmentos de decoração e ornamentação de eventos, paisagismo, jardinagem etc. Em 2005, estima-se que os valores de produção obtidos nos vários setores da floricultura local
(floricultura tropical de corte, folhagens e rizomas; flores temperadas e subtropicais; flores e plantas envasadas; plantas ornamentais para paisagismo e jardinagem e; gramas) proporcionou um faturamento de R$ 3.906.245,65 milhões (JUNQUEIRA; PEETZ, 2006).
A área plantada com flores e plantas ornamentais era de aproximadamente de 233,13 hectares em 2005 (JUNQUEIRA; PEETZ, 2006). Já em Pará (2008) estima-se que esta se dimensiona em 274,63 hectares, por incluir plantio de (1) gramas, (2) flores e folhagens tropicais de corte, (3) plantas ornamentais para paisagismo e jardinagem, (4) flores e plantas subtropicais e (5) temperadas. A atividade possui uma perspectiva de crescimento em função do aumento da área plantada e da qualidade das flores produzidas.
Com respeito à distribuição das áreas potencialmente produtivas nos municípios envolvidos, Junqueira e Peetz (2006) identificaram que estas prevalecem de acordo com o grupo de espécies produzidas, assim há, produtores especializados em produção de gramas ocupando espaços consideráveis com respeito aos outros itens oferecidos pela floricultura local. Vale destacar que pela classificação feita por Junqueira e Peetz (Tabela 10), as áreas de flores e folhagens tropicais de corte ocupam o segundo lugar em importância produtiva, confirmando assim, uma vez mais, que a floricultura tropical está crescendo e ganhando interesse dos produtores locais.
Por outro lado, os produtores se encontram divididos em três grupos: os de flores temperadas, que aproveitam exclusivamente a mão-de-obra familiar; os de flores tropicais, de projeção abrangente, onde se utiliza técnicas certamente especializadas; e os de plantas ornamentais, onde se explora numerosas espécies sobre diferentes ambientes de produção.
Tabela 10 - Área cultivada nos diferentes segmentos da floricultura local Municípios
Segmento da atividade cultivada em hectare
Flores e folhagens tropicais de corte Flores temperadas e sub- tropicais. Flores e plantas em vasos Plantas ornamentais para paisagismo e jardinagem Gramas Total Ananindeua - - 0,31 0,80 - 1,11 Belém 2,50 - 0,03 - - 2,53 Benevides 30,70 1,56 1,10 2,59 - 35,95 Castanhal 20,00 - 0,70 - 70 90,70 Marituba 6,15 - 1,85 4,40 - 12,40
Santa Bárbara do Pará 10,23 - 1,20 0,01 - 11,44
Santa Izabel do Pará 10,80 - 1,20 0,61 - 12,61
Outros municípios 2,90 - 2,50 13,99 47 66,39
Total 83,28 1,56 8,89 22,40 117,00 233,13
As estatísticas demonstram a necessidade de melhor organização dos atores para permanecer e garantir sua presença no mercado. Politicamente as instituições públicas ligadas ao setor estão se direcionando ao fortalecimento e desenvolvimento do setor. Em 2008, foi criada a Câmara Setorial da Floricultura Paraense, que segundo Pará (2008), tem como objetivo principal criar uma organização forte que possa congregar membros para buscar alternativas e solucionem os principais problemas do setor.
A Câmara em 2008 foi composta por 24 organizações públicas e privadas, incluindo representantes das associações e cooperativas produtoras do aglomerado da floricultura local. A organização na floricultura mostra seus resultados práticos ao mencionarmos a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) por parte do Governo Estadual. Além disso, o governo tem investido no treinamento dos produtores, por meio de cursos, palestras e intercâmbio com outros estados.
Institutos públicos como o SEBRAE/PA reafirmam também que a floricultura paraense está conquistando o mercado de flores e plantas ornamentais, tendo como diferencial competitivo as diversas espécies existentes e as condições climáticas favoráveis; tanto para as flores de corte como as espécies áster, crisântemos e cravos, além das exóticas flores tropicais, como é o caso das heliconiáceas e zingiberáceas, que estão atraindo a atenção de grandes produtores e exportadores, interessados em preço acessível e qualidade. Mas adverte que, para continuar crescendo, o segmento precisa corrigir alguns entraves que podem comprometer os futuros negócios (SEBRAE, 2004).
Entres as limitações temos o excesso de fungos e pragas, a baixa rotatividade das flores regionais, o desconhecimento de fornecedores, a ausência de padrão. Frente a esta realidade o SEBRAE tem como objetivo contribuir com a melhoria da qualidade dos produtos, com o investimento no nível de organização dos pequenos produtores e a abertura de novos mercados (SEBRAE, 2004).
Outra necessidade urgente no aglomerado local é um centro de distribuição e comercialização dos produtos (mercado de flores). Até 2010, se teve por parte do governo estadual e a prefeitura municipal a intenção de construir este local. O governo estadual contribuiu com 200 mil reais e a prefeitura cedeu um terreno para início das obras, mas as forças burocráticas inviabilizaram a concretização da mesma.
Segundo os produtores do aglomerado, este centro poderia revelar informações valiosas para melhorar as bases produtivas e distributivas dos produtos gerados localmente, como também motivar os futuros empreendedores a conquistar outros mercados. Assim
mesmo, a deficiência de um centro de abastecimento faz de que os próprios produtores desconheçam praticamente a origem de seus fornecedores e talvez de seus próprios clientes (inserção de intermediários). Por último, quando se refere à comercialização, a falta de um estabelecimento adequado reduz a qualidade dos produtos no momento da comercialização.
Em consulta feita pelo SEBRAE resgata-se a necessidade de investir na integração de todos os agentes envolvidos na cadeia produtiva de flores, o que reduziria os custos e traria mudanças positivas para todos, como o investimento em tecnologia, criação e melhoria das embalagens, diversificação dos produtos etc.
2.4 VANTAGENS E DESVANTAGENS DA FLORICULTURA BRASILEIRA E