• Recuperação com troca de portas, janelas e piso da sala frontal
destinada à sala de computação.
• Aquisição e instalação de um computador SPECTRUM 4 – VR
para o serviço de informatização da FEUCABEP.
• Aquisição e instalação de um aparelho de ar-condicionado
7000btus na sala da computação.” (Informativo da Diretoria Executiva da FEUCABEP com acessoria da Profª Anaíza Vergolino - 2002)
Quanto à parte social, poucas foram as mudanças durante o primeiro mandato. Em 2000 houve ampliação dos benefícios para o associado que passou a usufruir de exames laboratoriais de fezes, urina e sangue. Através de um Plano de Metas elaborado pela Diretoria Executiva da Federação tivemos conhecimento de que Antônio Gomes pretende atender o associado durante o seu segundo mandato, tanto no que tange à assistência material quanto espiritual. Talvez esta seja uma forma de responder às críticas externas. Este Plano de Metas informa que a diretoria pretende, dentre outras coisas:
• “Realizar “domingueiras” do tipo: pequenas excursões locais (praia
Caripi/ Alça Viária; Praia de Sirituba/ Barcarena etc...) ou bingos na sede social.
• Manter e ampliar o Programa do Dia das Crianças (já iniciada Pai
Beijamin e equipe.
• Retomar a Cesta de Natal para os sócios doentes e carentes.
• Criar sorteio mensal de uma cesta básica entre os associados.
Definir os critérios do sorteio.
• Federalizar o “sopão dos pobres” (já iniciado por pai Osmar
Boadana).
• Retomar a prática de passes e outros tipos de assistência espiritual
gratuita no espaço da sede social (já iniciada).
• Planejamento de um calendário de palestras, encontros ou
seminários quinzenais sobre determinado assunto religioso a ser definido. (ex: tambor de choro, história dos orixás em cada nação, dos voduns e demais entidades, etc...)
• Promoção de “Encontros” de debate da Mina, do Angola, da
Umbanda, etc...
• Retomar a prática de ‘passes’ e outros tipos de assistência
• Realização de campanha em defesa das religiões afro com
palestrantes internos e externos (historiadores, antropólogos, etc...), elaboração de folders e ampla divulgação na imprensa escrita, falada e televisiva.
• Articulação com segmentos da sociedade civil (políticos, movimento
negro, INTECAB) na garantia de proteção e defesa legal – jurídica dos associados.” (Plano de Metas elaborado pela Diretoria Executiva da FEUCABEP com acessoria da Profª Anaíza Vergolino - 2002)
No final do primeiro mandato, pudemos perceber outro foco de disputa por poder. Durante a primeira metade do ano de 2002 o vereador Ildo Terra (bancada do PT na Câmara dos Vereadores) começou a reunir as vertentes dos cultos afro-brasileiros com a finalidade de debater o preconceito racial e a discriminação religiosa de caráter público enfrentada pelos afro-descendentes e lançar propostas a serem mostradas à Prefeitura Municipal de Belém , para coibir os violentos ataques das Igrejas Evangélicas Pentecostais.
Tratava-se de uma problemática externa que exigia união de todas as instituições representantes dos cultos afro-brasileiros em Belém; ou seja, dos pólos opostos na disputa pelo poder. No primeiro momento isso pareceu uma excelente oportunidade de trégua. Membros do Intecab; instituição que estava mais diretamente em contato com o vereador acima mencionado; compareceram à sede da FEUCABEP convidando pessoalmente essa instituição para participar de uma reunião, a ser realizada no dia 3/05/2002 na sede do Intecab. Tal reunião tinha por finalidade, elaborar um documento com as propostas acima mencionadas, uma vez que o primeiro encontro entre religiosos afro-brasileiros e o Vereador Ildo Terra estava marcado para o dia 17 de maio de 2002.
A FEUCABEP, por sua vez, elegeu um membro do Conselho Religioso Estadual para relações públicas. Tratava-se de pai Rilkim Rodrigues, que compareceu a tal reunião representando aquele órgão e lançando propostas em nome do mesmo. A atuação de Rilkim Rodrigues mereceu elogios tanto dos membros das outras instituições, quanto da cúpula da FEUCABEP que muito se orgulhava dos discursos elaborados pelo recém eleito relações públicas.
Todavia, os problemas entre o relações públicas - que começava a se destacar - e a FEUCABEP não tardaram a aparecer. O mesmo passou a se utilizar do destaque que havia galgado através de seu contato com grupos dissidentes, bem como com o próprio vereador da Câmara Municipal de Belém, para tentar conquistar poder dentro da Federação.
Este religioso aliou-se ao então vice-presidente da FEUCABEP, Lourival Modesto, para montar uma chapa que concorreria com Antônio Gomes da Cruz. Lourival Modesto é um pai-de- santo antigo, há muitos anos federalizado, provavelmente ressentido com Antônio Gomes da Cruz,
uma vez que o mesmo, ao montar a chapa “Cruz e Cruz”, que concorreria a reeleição, escolheu Mãe Emília Cruz72 para o cargo de vice-presidente, preterindo-o.
Rilkim Rodrigues, por si só, não poderia concorrer à presidência da Federação haja visto que tinha pouco tempo de associado e o Regimento Interno é claro ao instituir:
“São elegíveis apenas os sócios que: (...)
b) tenham sido admitidas no quadro social há 7 (sete) anos ou mais”. (Regimento Interno da FEUCABEP)
Sendo assim pai Rilkim se une a Lourival Modesto lançando, durante a última reunião do Conselho Religioso Estadual da gestão Antônio Gomes da Cruz, a candidatura deste para a presidência da Federação e a sua para vice-presidente. Nesta mesma ocasião, pai Rilkim pede a palavra e tece numerosas críticas ao Estatuto, ao Regimento Interno e ao próprio Conselho Religioso Estadual.
“Sua primeira crítica começou pelo conselho onde disse que tem muita gente que merecia estar no Conselho (...). O Conselho era taxado de omisso e os Conselheiros de “vaquinha de presépio” (...). Passou também a fazer críticas (...) relativas a falhas, omissões e contradições do Estatuto por ele classificado de viciado e tendencioso. Mostrou que o Estatuto não previa reeleição nem dissolução do Conselho Religioso Estadual como estava acontecendo no momento. Também não previa o afastamento do presidente de seu cargo. Outra crítica foi relativa ao prazo de carência para o sócio votar (1 ano) e ser votado (7 anos) comentando que aquilo era inconstitucional (...) podendo ser derrubado judicialmente. A seguir passou a criticar conflitos existentes entre Estatuto e Regimento Interno nº 003/98 que afirma: que são eleitores de qualquer categoria que estejam quites com as mensalidades, alvarás e obrigações financeiras até o dia 5 de maio de 1998. Segundo pai Rilkim quem é sócio pode pagar a mensalidade de maio até 5 de junho e votar. (...) Afirmou que é inconstitucional proibir o direito de voto. Outras críticas são relativas as penalidades sociais que ele omite as 1º e 2º advertências (...). Acrescentou que havia necessidade de um presidente religioso, enfatizando que estava se posicionando a favor de um presidente religioso e não apenas um administrativo pois “ não se precisa de um administrador, mas de um religioso com noção de administração” (Ata do Conselho Religioso Estadual 18/05/2002)
Após as críticas, lançou a proposta de adiamento das eleições por 90 dias, tempo necessário para se elaborar um Regimento Eleitoral para elucidar e reformular prazos, decidir quem poderia votar e ser votado bem como quem presidiria a mesa. Esta proposta foi posta em votação no Conselho e derrotada por 10 votos contra e 2 abstenções.
72
Tendo perdido suas expectativas de mudar as normas eleitorais e assim sair candidato, pai Rilkim lança a candidatura de Juvenal Modesto e ameaça a recorrer judicialmente numa tentativa de impetrar a decisão do Conselho.
A candidatura de Juvenal Modesto gerou um clima de surpresa e decepção entre os presentes. Os federalizados julgaram este ato como uma traição, já que se tratava de um velho aliado de Cruz que por muitas vezes o elogiara em ocasiões de Assembléia Geral, conforme já foi mostrado em citação anterior. Pai Lourival logo foi indagado sobre da veracidade daquele fato, mas os questionamentos foram respondidos de maneira neutra, o que faz pensar que este religioso era uma pessoa secundária nesta disputa de poder.
Essa reunião gerou tumulto, muitas fofocas surgiram, todavia nenhuma das ameaças de pai Rilkim surtiu efeito, nenhuma chapa foi apresentada até às 18 horas do dia 31 de maio de 2002, prazo máximo para inscrição. Sendo assim, Antônio Gomes da Cruz foi reempossado durante uma Assembléia Geral ocorrida no dia 16 de junho de 2002, escolhendo nova Diretoria, elaborando um Plano de Metas voltado a atender aos associados e retomando a edição do jornal da Federação que passou a se chamar “O FEUCABEP”.
Em função da “traição”, pai Rilkin Rodrigues foi destituído do cargo de relações públicas. Por ter jogado a Federação na Justiça, foi expulso da mesma. Uma vez expulso, soubemos que pai Rilkim fundou uma nova instituição civil que também passaria a fazer frente ao poder da Federação.
Essa foi mais uma tentativa frustrada de derrubar Antônio Gomes da Cruz. Novamente houve uma ruptura cujo dissidente tentou se legitimar via instalação de outra instituição civil a disputar com a FEUCABEP uma parcela do campo religioso Afro-Brasileiro. Pode-se concluir que outra vez a história se repete.
Em meio a todas essas atribulações internas, a FEUCABEP se retirou das discussões com a Câmara Municipal de Belém que lutava contra o preconceito religioso. A Federação chegou ainda a participar do processo de organização do I Congresso Municipal de Religiosidade Afro-Brasileira: Um Culto a Cultura Afro-Brasileira e a Prevenção a AIDS, promovido pela Prefeitura Municipal de Belém, mas logo se ausentou sob a alegação de que, enquanto instituição mais antiga e tradicional, não estava sendo devidamente escutada e respeitada pela Comissão Organizadora.