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Sobre o processo de organização da festa pouco podemos falar uma vez que ficamos impossibilitadas de acompanhá-lo de perto haja vista que estávamos morando em outra cidade. Sabemos no entanto que é a parte do ‘Tambor das Flores’ completamente organizada por Antônio Gomes da Cruz que age na tentativa de conseguir verba que viabilize a festa.

Para tal, a primeira atitude do burocrata é distribuir cartas convites a pessoas da diretoria, meros federalizados ou amigos em geral, informando que a pessoa foi escolhida juiz do ritual. Em sendo juiz ela deverá contribuir com a quantia de CR$ 50,00.

Através da carta recebida por nós percebemos que as pessoas que contribuem com o ‘Tambor das Flores’ estão divididas em diversas categorias, quais sejam:

• Patrocinadores105: São duas pessoas que contribuem com uma quantia relativamente grande de dinheiro estipulada por elas próprias. Vimos entre os patrocinadores o nome de Antônio Gomes da Cruz que além de dinheiro, contribui com seu trabalho.

• Patronos106: Também são duas pessoas que contribuem com uma quantia considerável dinheiro, também estipulada por elas próprias.

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Antônio Gomes da Cruz nos informa que a primeira patrocinadora da Festa foi a ex-presidente mãe Julia Gaia Mendes. Com o fim de seu mandato, quem assumiu este posto foi mãe Mariza Barbosa esposa do presidente Juvenal Barbosa.

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• Juízes de Barracão: São vinte e quatro pessoas que contribuem com a quantia de CR$ 50,00.

• Juízes de Brindes: São doze pessoas que contribuem com a quantia estipulada de CR$ 50,00 reais.

• Obrigação do Orixá: A pessoa que contribui, não com dinheiro mas com trabalho religioso. É o responsável pela preparação das ‘obrigações’ a serem ofertadas aos ‘orixás’ ‘assentados’ na FEUCABEP . Quem assume esta tarefa é um dos responsáveis pelo poder religioso da Federação; Aldo Ferreira.

• Decorador: É a pessoa contratada e remunerada para decorar a sede no dia da Festa. • Dirigentes do culto107: São os religiosos responsáveis por dirigir a festa pública. Trata-

se do principal responsável pelo poder religioso dentro da FEUCABEP, pai Benedito Saraiva e sua filha-de-santo Maria Antônia Brito.

• Diretores da Festa: A diretoria da festa é formada por pessoas que contribuem com quantia menor estipulada em CR$ 30:00.

Antônio Gomes da Cruz nos informa que a única função de cada uma dessas pessoa é contribuir monetariamente com a festa. Fomos informados de que não existe diferença alguma entre cada uma das categorias de juiz, sendo as denominação juiz de barracão, juiz de brinde e juiz de capela, mera formalidade.

Durante a década de sessenta, quando o “Tambor das Flores” foi escrito, existia ainda a figura do mordomo, pessoas que contribuíam com quantias irrisórias que nos dias atuais corresponderia a CR$ 3,00 ou CR$ 5,00. Todavia esta categoria de contribuinte foi extinta.

Depois da arrecadação deste dinheiro, Antônio Gomes da Cruz parte para a organização da festa comprando bichos e demais materiais que fazem parte da ‘obrigação’ dos ‘orixás’. Além disso providencia decoração, comida laica, brindes a serem dados aos contribuintes108, garçons etc... Com o restante do dinheiro o presidente faz alguns reparos na sede, a exemplo da pintura da mesma que todos os anos , por esta época, é efetivada.

O ‘’Tambor das Flores’ não conta com ajuda oficial do Estado ou da Prefeitura Municipal de Belém. Ele se sustenta com as doações mencionadas. Uma ou outra pessoa pode, porventura, vir a doar algum tipo de mantimento ou alimento como mãe Deusarina Viana dos Santos, uma das

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Antônio Gomes da Cruz nos informa que a primeiro dirigente do culto foi o finado pai Zezinho.

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Toda e qualquer pessoa que contribui com o ‘Tambor das Flores’ recebe brindes que a distingue. Os patrocinadores e patronos recebem um presente comprado pelo presidente e uma blusa com o logotipo do ‘Tambor das Flores’ e a seguinte frase: “Tambor das Flores 2003”. Todos os juizes recebem a blusas do ‘Tambor das Flores’ que também são distribuídas aos dirigentes do culto, ao responsável pela ‘obrigação’ do ‘orixá’ e para os diretores da festa. Os convidados também recebem um brindes simbólico, que este ano foi uma flor confeccionada em arame com papel crepom e miçangas.

patrocinadoras da festa, que costuma ofertar badejas com doces ou frios. Todavia isso não é comum.

Ser escolhido para financiar a festa em qualquer categoria, é motivo de orgulho para os federalizados e deixar de contribuir com a mesma é motivo de ofensa ao seu principal organizador, Antônio Gomes da Cruz que nos informa:

“ Neste Conselho que eu tenho, nem todos vão cooperar porque alguns já devolveram a carta. Não têm peito de devolver pra mim mas devolveram. Quer dizer será um membro que se eu continuar não participará. Pessoas bestinhas pra mim não me interessam e pessoas de duas caras também não. Se cinco ou dez não cooperar, ele é cortado e para o outro ano ele não é convidado mais. Tanto faz ser da capela ou do barracão ou de brinde, se não cooperar, não entra mais para o ano.”(Antônio Gomes da Cruz, Presidente da FEUCABEP)

Como se trata de uma festa particular, a Federação enquanto instituição não contribui com nada, o mesmo pode se afirmar em relação aos Conselhos. É possível – e comum – que seus conselheiros sejam convidados a contribuir participando de alguma categoria acima mencionada, no entanto o convite é feito a pessoa do conselheiro não ao membro do Conselho.

À punição a pessoa que não contribui é dada em nível de sua relação pessoal com o presidente da sede. Como este é, na verdade, o grande organizador da festa, a festa sendo dele , ele pode simplesmente não mais chamar o indivíduo que não coopera para integrar uma das categorias acima mencionadas no próximo ano. Mas não pode, de maneira alguma, expulsá-lo do Conselho ao qual faz parte, por exemplo.

A título de conclusão afirmamos que pela leitura do “Tambor das Flores” percebemos que esta etapa da festa era mais elaborada durante a década de setenta. Como o dinheiro arrecadado pelo ‘Tambor das Flores’ servia também para reconstruir a sede, que naquela época era completamente carente, podemos perceber que além do dinheiro arrecadado entre os juizes e mordomos, a festa também recebia maior quantidade de doações.

Hoje a festa é feita por ter se tornado tradição e as arrecadações, são destinadas à manutenção da festa e à alguns poucos reparos que são feitos na sede social.