D.2. Evaluation écologique du site
D.2.1. Contexte naturel local
O crescimento do setor de turismo e a maior percepção de seus impactos sociais, econômicos, culturais e ecológicos tem estimulado a realização de estudos sobre o tema a partir de diferentes disciplinas (JAFARI, 2001). Nesse contexto, o turismo tem recebido a atenção de economistas, geógrafos, sociólogos, urbanistas, antropólogos, administradores, turismólogos e diversos outros profissionais.
Uma abordagem bastante difundida de estudos do turismo tem sido a abordagem geográfica, a qual pode ser exemplificada pelo modelo de Leiper, no qual o turismo é apresentado como o deslocamento temporário das pessoas de seus locais de residência até os destinos turísticos, as atividades desenvolvidas nesses espaços durante sua permanência e o retorno para as suas origens (LEIPER, 1990). Este modelo é apresentado na Figura 2.
Figura 2 – Modelo de Leiper
Fonte: Modelo de Leiper (1990), adaptado por Lohmann e Panosso Netto (2008)14.
Swarbrooke (2000) complementa essa forma de perceber o turismo ao afirmar que os prestadores de serviços envolvidos com a produção turística se encontram distribuídos pelo local de origem do visitante, pelas áreas de trânsito e pelo destino turístico e que por isso há uma grande heterogeneidade nos perfis empresariais das organizações turísticas que podem dessa maneira, abranger desde pequenos empreendedores individuais operando somente em nível de destino até grandes companhias multinacionais que operam e concorrem globalmente.
Por sua vez, a consideração do turismo com uma abordagem organizacional, pode ser exemplificada no estudo de Brooker e Joppe (2014). Para essas pesquisadoras, o turismo é um conceito orientado pela demanda, representado pela busca de pessoas com motivações de viagens diferentes e por um setor composto de empresas que trabalham conjuntamente e sem problemas para disponibilizar essas motivações de viagens em uma experiência global, ao mesmo tempo em que se adaptam rapidamente às mudanças de comportamento e de expectativas dos clientes (BROOKER; JOPPE, 2014).
Outro pesquisador que estudou a cadeia produtiva do turismo com uma abordagem organizacional foi Mayer (2009, p. 125). Ele destacou os seguintes aspectos: a experiência turística consiste de fluxos de encontros com prestadores de serviços (percepção de qualidade cumulativa); os produtos turísticos são intangíveis
14 O modelo de Leiper (1990) é apresentado da mesma maneira como fizeram Lohmann e Panosso
Netto (2008). Cabe ressaltar, porém, que no contexto brasileiro, o termo indústria deveria ser traduzido como setor.
e não podem ser armazenados e, por isso, possuem um controle de qualidade difícil (pois a co-terminalidade produção-consumo faz com que ocorra uma participação ativa ou passiva do cliente durante o processo produtivo); existe uma facilidade para imitação das inovações no turismo motivada pela rápida disseminação do conhecimento, pela dificuldade de se excluírem concorrentes durante a prestação de serviços e pela impossibilidade de proteção por meio de patentes e; há uma imobilidade nos destinos turísticos, pois a natureza e o patrimônio cultural são componentes da oferta que não são completamente transferíveis.
Muitos dos aspectos citados por Mayer (2009) já haviam sido apontados por Weirmair (2004), o qual afirmou que o turista quando passa férias em um destino turístico consome um pacote de serviços de diferentes fornecedores que participam da criação de uma experiência de turismo. Para ele, o que o turista compra é uma experiência de viagem composta por uma rede de serviços complementares, integrados em produtos pelas operadoras de turismo na forma de pacotes turísticos, de forfaits15 de agências de viagens ou ainda pelo próprio cliente quando a viagem é auto-organizada. Por isso, segundo este pesquisador, o cliente consome, desde o seu ponto de vista uma experiência de viagem que integra todos esses serviços em uma cadeia de valor. Apesar disso, porém, as empresas tendem a entender seu produto sob a forma da prestação de serviços individuais (hospedagem, alimentação, etc.), em uma concepção isolada ou com pouca integração com outros serviços (WEIRMAIR, 2004).
A importância da integração no turismo também foi abordada por Seweryn (2014) quando ressaltou que por regra um empreendedor turístico individual não é capaz de atender sozinho à todas as necessidades dos visitantes. Por isso, se acordo com ela, o empreendedor deve se especializar em apenas um componente do valor oferecido ao cliente, ao mesmo tempo em que coopera com outros produtores para a criação conjunta de uma cadeia de produtos e de serviços que se constitua em uma oferta turística de espaço, de tempo e de tipo sincronizado (SEWERYN, 2014).
Nessa mesma direção, Chen et al. (2009) são autores que destacaram a importância dos recursos e das competências locais para o turismo. Segundo eles, mesmo quando todos os elementos de um bom serviço de turismo estão presentes as pessoas podem não visitar o destino. Isso acontece porque os produtos turísticos
requerem recursos regionais que, além das competências dos fornecedores, devem ser somados as capacidades das organizações de apoio para produzirem uma experiência única, ou seja, uma solução total que satisfaça as demandas latentes dos consumidores (CHEN et al., 2009).
Esses entendimentos convergem com o que já afirmava Vaz (1999) quando descrevia os destinos turísticos como uma dimensão importante do produto turístico. O reconhecimento do papel relevante dos destinos na produção turística encaminha para a compreensão da importância de uma atuação coordenada dos diferentes atores envolvidos com a produção turística (BENI, 2012). Sobre isso, Seweryn (2014) enfatiza que a colaboração deverá ir além dos parceiros habituais do turismo para abranger outros agentes envolvidos na produção desse megaproduto complexo, como por exemplo, as entidades que representam outros setores da economia local.
Das considerações expostas anteriormente se deprende que uma gestão eficiente do turismo requer uma gestão eficiente dos destinos turísticos e que, para isso, não basta somente ocorrer a integração entre os prestadores de serviços turísticos. Para isso é necessária também uma ação coordenada entre todos os atores vinculados ao destino, o que aponta para a importância da compreensão dos destinos turísticos com uma abordagem territorial.
2.2 DESTINOS: TERRITÓRIOS PARA ATRAÇÃO DE VISITANTES E