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LE CONTEXTE INITIAL DE LA RECHERCHE : CONTEXTES, TÂCHES ET DÉMARCHES
Os professores, independentemente do nível de ensino em que se situam, tendem a elaborar representações relativas à natureza do processo de ensino, as quais, afectam os mecanismos e procedimentos relativos ao modo como ensinam. Ensinar envolve a transmissão de conhecimentos ou de assuntos específicos cujo fundamentos e origem assentam em fontes externas. O professor, segundo esta perspectiva, ocupa o papel central no processo de aprendizagem, controlando o que é aprendido, quando é aprendido e como é aprendido.
No entanto, é possível e desejável considerar outros pontos de vista de carácter mais qualitativo, nas quais, o professor perde a sua posição central, ainda que sem prejuízo de importância no processo. O principal foco do ensino é a mudança da forma como os sujeitos vêm e usam o conhecimento que adquiriram. Ensinar passa pela facilitação da aprendizagem, envolvendo professor e alunos em cooperação e interacção recíproca para o desenvolvimento da compreensão na interpretação do mundo. Numa das primeiras tentativas de categorização das possíveis representações dos professores de ensino superior, Fox (1983) discrimina entre quatro concepções de ensino:
• ‘transferência’, corresponde à ideia de deslocação do conhecimento de um recipiente (professor) para outro (aluno);
• ‘moldagem’, pressupõe a adaptação do aluno a um padrão pré-determinado pelo professor;
• ‘viagem’, refere-se ao ensino enquanto uma orientação para a exploração, para a descoberta de novos elementos;
• ‘promoção’, encara o professor como facilitador do crescimento e e auxiliar do desenvolvimento pessoal do aluno.
Modo similar, Samuelowicz & Bain (1992, referidos por Chalmers & Fuller, 1996) identificam a partir de estudos recentes, cinco diferentes concepções de ensino que podem ser tomadas em docentes de ensino superior. Estas concepções podem ser vistas, não hierarquicamente, mas antes, ordenadas num continuum de sofisticação na medida que cada concepção é qualitativamente diferente da precedente. Assim, as três primeiras concepções são essencialmente quantitativas e as seguintes de carácter mais qualitativo. A principal ênfase do processo de ensino é incrementar o conhecimento, nos alunos, e para isso é necessário:
1. Conceder informação. 'Ensinar' é visto como actividade centrada no professor, a qual envolve
concessão da informação ou conhecimentos, realçando a importância das matérias e conteúdos (mensagem) específicos, transmitidos através de uma correspondência unívoca (do professor para o
aluno). O objectivo esperado do professor relativamente ao aluno como resultado da sua actividade docente, é que este, apreenda ou saiba mais acerca de (qualquer coisa, matéria ou assunto). Neste sentido, a responsabilidade do professor é fornecer (nas melhores condições) a informação, o enquadramento e a exemplificação apropriada.
2. Transmissão de atitudes e conhecimentos, através dos modelos específicos relativos a cada disciplina
académica. 'Ensinar' é vista como uma actividade centrada no professor colocando a ênfase no desenvolvimento das competências nos alunos, para que estes possam lidar com as matérias e aplicar os conceitos adquiridos. O objectivo do professor relativamente aos seus alunos é que, estes, apreendam ou saibam mais acerca de (…), mas, também empreendam as competências necessárias à utilização dos conhecimentos recebidos. A responsabilidade do professor é fornecer o enquadramento conceptual das matérias e assuntos de modo a que os seus alunos os possam apreender.
3. Facilitar a compreensão. 'Ensinar' é vista como actividade centrada no professor, cujo ênfase é
colocado na compreensão, por parte dos alunos, da informação de forma que possam aplicar a novas situações e problemas quer acerca da disciplina quer for a desta. O objectivo do professor relativamente aos seus alunos é permitir que estes sejam capazes de aplicar os seus conhecimentos mesmo em circunstâncias não familiares. A responsabilidade do professor passa por tornar a compreensão possível através dos arranjos adequados ou mais convenientes.
4. Objectivação para a mudança das concepções ou compreensão do mundo. 'Ensinar' é vista como uma
actividade cooperativa, onde o aluno é encarado como o elemento menos experiente (aprendiz). O objectivo do professor é mudar o entendimento primário ou naíve do aluno, tornando-o mais experiente e conhecedor por via do acesso e contacto com diferentes modelos conceptuais da disciplina específica. A responsabilidade do professor é envolver os seus alunos activamente na aprendizagem , recorrendo à maior variedade de métodos, procedimentos e estratégias de ensino, tendo em vista alcançar com êxito todos os seus objectivos.
5. Suporte da aprendizagem. 'Ensinar' é vista como actividade centrada no aluno e na qual, os alunos são
responsáveis pela sua própria aprendizagem e pela selecção dos conteúdos que adquirem. O objectivo do professor é encorajar e suster os interesses próprios de cada aluno. A responsabilidade do professor é auxiliar na planificação, monitorização e fornecer os retornos adequados ao trabalho realizado por cada aluno, bem como, a orientação conceptual subjacente. Esta concepção, embora aplicável em toda a sua substância ao nível de licenciatura tem sido, no entanto, mais aplicada ao nível das pós- graduações (mestrados e doutoramentos) e na formação contínua (e.g., o modelo da Universidade Aberta).
Acerca destas concepções de ensino, Chalmers & Fuller (1996: 9) avançam que relativamente aos docentes do ensino superior, estas, parecem reflectir dois tipos de abordagem cujas principais características se podem resumir seguidamente:
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• Abordagem unívoca de transmissão (transmission approach). Esta abordagem de um único sentido
baseia-se no princípio ou intenção de transmissão de conhecimentos, competências e procedimentos do professor para o aluno. As aulas são conduzidas como sessões de informação, basicamente de carácter expositivo com poucas oportunidades de participação ou intervenção dos alunos. O propósito das aulas, para o professor, é apresentar (expôr) os assuntos das matérias de forma clara e precisa. A apreensão e aprendizagem da informação é da responsabilidade de cada aluno e espera-se que este processo seja empreendido ao próprio ritmo do aluno. Se tarefas de aplicação (exemplificação) são estabelecidas pelo professor deve-se apenas ao facto de permitir, nos alunos, a demonstração exacta da aplicabilidade da informação que adquiriram, ou seja, apenas são facultados exemplos das situações de aprendizagem. A aprendizagem do aluno é obtida na determinação de quanto e qual o grau de exactidão relativamente à informação recebida, em detrimento de saber o que efectivamente foi compreendido (Gow & Kember, 1993; Samuelowicz & Bain, 1992, referidos por Chalmers & Fuller, 1996: 10). O processo de avaliação, neste modelo de abordagem, consiste sobretudo em exames, com recurso aos questionários ou testes de escolha múltipla ou compostos de pequenas perguntas-resposta, essencialmente, relacionadas com os conteúdos de cada disciplina curricular. Eventualmente, poderá ser complementada esta avaliação com a proposta de realização de relatórios ou pequenos trabalhos práticas de compreensão de assuntos específicos e, raramente, de aplicação e generalização teórico-prática.
• Abordagem biunívoca (two-way) de cooperação. Esta abordagem baseia-se no princípio ou intenção
de facilitar e encorajar a aprendizagem do estudante, ajudando-o a desenvolver as competências de resolução dos problemas e habilidades de pensamento crítico. O professor usa os conhecimentos e capacidade de compreensão existentes em cada aluno como ponto de partida para o processo de ensino. O professor apresenta os assuntos das matérias como meio de introdução de conceitos e processos e é menos central nos processos de ensino e aprendizagem, donde as aulas tendem a ser, modo geral, mais interactivas e de trabalho em grupo. As actividades docentes são seleccionadas a partir de um leque de métodos e estratégias alternativas com o propósito de orientar os alunos para a construção dos seus próprios conhecimentos, estabelecer o seu próprio sentido da realidade e adoptar os modelos conceptuais no alinhamento daquilo que é partilhado por os vários especialistas na matéria. Os professores que adoptam esta abordagem salientam que uma parte importante do seu papel é fornecer a motivação e os estímulos ajustados aos interesses e vontades de cada estudante (Gow & Kember, 1993; Samuelowicz & Bain, 1992, referidos por Chalmers & Fuller, 1996: 10). A avaliação é obtida por determinação daquilo que é compreendido em vez daquilo que é sabido. Relatórios críticos de actividades, ensaios extensivos, portafólios, análise em estudo de casos, resolução de problemas e tarefas de aplicação, entre outros, são os meios mais usualmente utilizados no processo de avaliação.