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WHAT Objectif commun

2. En cas de problème, le soignant passe à un second niveau (basé sur les règles), qui va éventuellement permettre de résoudre la situation, pour autant qu’une règle existe.

5.4.2 Concept de « Crew Resource Management» dans l’aviation

5.4.2.2 Contenu actuel du Crew Resource Management

O livro Poesia erótica em tradução foi publicado por José Paulo em 1990. Em tal volume, o poeta paulista foi responsável não só pela organização e tradução, mas também pela seleção e notas. Para ele, como já citado nesta tese, mais do que fazer “algo erudito”, a intenção era divulgar poemas de uma área “clandestina e menosprezada pela criação poética (...) aliás, [divulgação tal] como [ocorre] na minha atividade de ensaísta44 e tradutor”. (PAES, 2006, p. 11, 12) [colchetes nossos].

Paes concebeu uma compilação de poemas que nem sempre gozaram de prestígio. Segundo ele, houve um desejo de distribuição entre o que ele chama de conhecidos e desconhecidos: “Tanto quanto pude, busquei equilibrar, no elenco de autores, nomes conhecidos com nomes desconhecidos do comum dos leitores”. (PAES, 2006, p. 11, 12). A coletânea apresenta declaradamente esse objetivo de divulgação de textos (não)canônicos. A tradução estabelece dessa maneira um diálogo (tenso) com as tradições literárias, com os sistemas literários, endossando ou desestabilizando-os.

A escolha de uma temática tida como não hegemônica lida com forças consideráveis, mas nem sempre visíveis. Em vários momentos da “Nota Liminar” do livro, o organizador deixa transparecer sua busca detetivesca pelos textos originais para então comentar sobre a marginalidade do erótico:

A obtenção dessas fontes envolveu dificuldades e desapontamentos de vária ordem. Perseguida pelo filisteísmo e pela hipocrisia, a literatura erótica viveu há até pouco confinada às edições clandestinas, muitas de circulação restrita entre os colecionadores. (PAES, 2006, p. 11).

A citação indica esforço e obstinação do organizador, que teria esbarrado num moralismo social presente no âmbito editorial. Contudo, as restrições não se encontravam somente nesse campo. Paes também vislumbrava no meio jornalístico barreiras para a publicação dos poemas eróticos: “Quando essas versões ocasionais já chegavam à casa de uma vintena, surgiu a tentação de publicá-las em livro, pois seria meio impraticável divulgá- las na imprensa: a permissividade de nossos dias tem seus limites de ordem prática”.

(PAES, 2006, p. 11). Seja nas editoras, seja nos jornais, a publicação de poemas de cunho erótico estaria à mercê de tendências morais da sociedade.

O moralismo ao qual aludiu Paes provavelmente entraria em conflito com o teor dos poemas selecionados para essa publicação. Isso porque, a critério do organizador, o explícito era condição para a escolha: “(...) inclinei para os [textos] que Richard Eberhar45 chama de ‘poemas sexuais explícitos’. Conforme o caso, o grau dessa explicitação pode variar aqui do fescenino ao alusivo...” (PAES, 2006, p. 12) [colchete nosso]. O que o leitor encontra nesse volume, portanto, refere-se a um conteúdo erótico explícito, que às vezes toca o chulo, sem deixar de ser lírico.

O que pode surpreender o leitor, contudo, em Poesia erótica em tradução, é o fato de alguns autores ali selecionados serem mais comumente conhecidos por textos de temáticas bem distantes do erótico. La Fontaine, Rousseau, Goethe (para ficar em apenas três) são exemplos de escritores que se destacam por produções que passam ao largo do erotismo. A inserção desses poemas “marginais” numa publicação como essa pode fomentar a discussão acerca do lugar que autores como esses detêm, circunscrevendo-os em cenários outros, mais amplos. Sob essa perspectiva, pode-se pensar uma antologia em relação a uma tradição literária.

Usualmente, as antologias são marcadas pela reunião de textos tidos como referência. Tal concepção é revista por Cristiano Silva, tendo em vista os Estudos Culturais. Em “Questões para uma antologia da poesia Brasileira de 1964 a 1985”, o autor comenta acerca dessa questão e outras implicações sobre uma antologia cujo objetivo seria realizar uma resistência à ditadura. Citando Anatol Rosenfeld, Silva comenta sobre a antologia como modelo (no sentido de que ela reuniria os textos mais emblemáticos), o que seria como desconsiderar uma perspectiva multicultural, avessa a hierarquizações entre, por exemplo, países. Contudo, ao investigar diversas publicações (tais como de Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Ítalo Moriconi), o pesquisador constatou que a concepção de antologia ainda estava atrelada à tradicional significação do dicionário, na qual se vê a “coletânea literária como conhecimento do mais significativo da tradição...” (SILVA, 2011, s.d.). Ou seja, a antologia, nessa toada

45Richard Eberhar (05/04/1904 – 09/06/2005). Poeta estadunidense que recebeu em 1966 o Pulitzer Prize

hierarquizante, serviria frequentemente para reforçar uma hegemonia. A seleção seria marcada por uma ideia de modelo a ser evidenciado ou de textos-referência que deveriam ser evidenciados.

Apesar de existir essa perspectiva de reforçar o mesmo, é possível ver uma antologia como um exercício contrário à linearidade da historiografia tradicional, marcada pelo estudo da periodização. Júlia Osório, em “Rui Pires Cabral: um poeta de trezentos leitores?”, comenta sobre essa ruptura. À luz de Walter Benjamin, a pesquisadora afirma que ao agrupar diferentes autores (por tema, por exemplo) rompe-se com o tratamento dado à literatura por meio da periodização. Assim, uma antologia pode ser vista como “mosaico de textos literários em profusão, de uma contemporaneidade, marcada por múltiplas vozes” (OSÓRIO, s.d, p. 06). Uma publicação de tal natureza, portanto, pode demandar uma abordagem menos tradicional.

Todavia, é possível ver que a antologia vai além desse rompimento com a linearidade temporal. Em Configurações do presente: crítica e mito nas antologias de

poesia, Elisa Tonon argumenta que antologias podem criar narrativas. Partindo de bases

etimológicas (antologia vem do grego e significa “colher flores”), a autora comenta em sua dissertação sobre como antologias poderiam significar uma leitura exemplar. Ou seja, esse florilégio traria a concepção de que o que foi compilado seria o mais belo. Relata a pesquisadora que o sufixo legio forma ainda collecta, cuja acepção evidente é de coletar, reunir. O antologista então efetua um juízo estético.

Mais do que reunir para não dispersar, a antologia carregaria em si um empenho crítico. Tonon afirma que “Como gênero, a antologia faz fronteira com a crítica, (...) [por realizar] uma operação crítica de leitura e escritura.” (TONON, 2010, p. 38) [colchete nosso]. A seleção, inerente à antologia, viria de um julgamento de valor. Com ele, o antologista observa, analisa, para então separar o que seria supostamente belo. Os “itens” selecionados dessa maneira poderiam “vencer” o tempo, inscrever-se n(um)a história.

A partir daí a antologia tentaria narrar uma época (ou parte dela), sob a autoridade do organizador. Este seria responsável por fazer a antologia contar ao leitor o que haveria de mais emblemático em uma época, em um tema etc. Seria responsável, afirma Tonon, por criar uma imagem de tal contexto. Esse alcance, entretanto, pode ser questionado se se pensar na fragmentação que é inerente ao gênero.

A ambivalência parece ser uma marca constante dessa tipologia textual: ao mesmo tempo em que ela narraria uma época, ela poderia diminuir a potência dos textos, uma vez retirados de seu todo e expostos à fragmentação do recorte. Assim sendo, no que tange a esta análise, cabe perguntar: o que narraria a antologia? Que memória (plena ou fragmentaria) ela constrói ou preserva? Que empenho crítico ela estabelece em relação a um tema ou época?