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CONSULTATION ET PARTICIPATION DU PUBLIC

Diferentemente da infraestrutura do serviço, no que diz respeito aos recursos tecnológicos dos dispositivos, muito se evoluiu. Embora o Brasil ainda não dê condições para que as mais modernas tecnologias funcionem adequadamente – e estamos longe de conseguir sequer uma velocidade próxima aos países mais desenvolvidos ainda na já ultrapassada 3G - os aparelhos em si evoluem a passos largos22.

22 Até a finalização desta pesquisa, a tecnologia 4G (quarta geração) ainda não está disponível para uso no Brasil. É

importante frisar que o oferecimento banda larga móvel 3G no Brasil ainda está longe de aproximar-se de sua potencialidade real. As principais empresas que oferecem o serviço estão constantemente sob a mira dos órgãos de defesa do consumidor pelo volume de reclamações de velocidade incompatível com o contratado e corte de sinal. Em julho deste ano, a ANATEL suspendeu as vendas de planos de telefonia e internet móvel de três grandes empresas atuantes no Brasil até que elas apresentassem projetos de expansão de suas redes e qualidade nos serviços prestados. Outras informações:

http://economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201207182053_TRR_81416534; http://g1.globo.com/jornal-da-

Desde simples agenda e despertador, até a possibilidade de comandos por voz (também ainda indisponíveis na língua portuguesa), como localizar filmes nos cinemas próximos, ser informado sobre o trânsito nas vias circunvizinhas à sua localização, entre outras possibilidades que aplicativos como o Siri23 possibilitam, os telefones celulares transformaram-se em verdadeiras centrais multiuso de comunicação, de lazer, de entretenimento e trabalho, entre outros.

Diante disso, o que se percebe é que os telefones celulares deixaram de ser apenas artefatos de comunicação imediata para se tornarem ferramenta de suporte à interação e socialidade. Para melhor compreensão da amplitude do artefato, empregaremos a terminologia apontada por Lemos (2007) para definição dos celulares atuais. De acordo com Lemos, o celular pode ser caracterizado como um Dispositivo Híbrido Móvel de Conexão Multirredes (DHMCM). Complementando tais designações, ele explica que

o que chamamos de telefone celular é um Dispositivo (um artefato, uma tecnologia de comunicação); Híbrido, já que congrega funções de telefone, computador, máquina fotográfica, câmera de vídeo, processador de texto, GPS, entre outras; Móvel, isto é, portátil e conectado em mobilidade funcionando pó redes sem fio digitais, ou seja, de Conexão; e Multirredes, já que pode empregar diversas redes, como: Bluetooth e infravermelho, para conexões de curto alcance entre outros dispositivos (LEMOS, 2007, p. 2).

Assim, “os DHMCM aliam a potência comunicativa (voz, texto, foto, vídeos), à conexão em rede e à mobilidade por territórios informacionais” (LEMOS, 2006). A noção de espaço vai sendo reconfigurada sob uma nova ótica, tendo em vista a diversidade de possibilidades que o ciberespaço potencializa. Neste sentido, Lemos (2006, p. 8) argumenta que

um site é sempre uma territorialização ou uma des-re-territorialização, lugar de controle que pode ser uma linha de fuga ao poder instituído, ou a reafirmação desse mesmo poder. Podemos dizer aqui que a cibercultura não apenas destrói hierarquias e fronteiras, mas que também as institui em um processo complexo de des- reterritorializações. [...] Essa nova configuração social vai ser influenciada e impulsionada pelas tecnologias móveis.

http://www.infomoney.com.br/minhas-financas/gadgets/noticia/2500254/claro-tim-estao-proibidas-venderem-novas-linhas-

partir-segunda.

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Sob esta mesma perspectiva, o tempo se altera à medida que a comunicação se realiza em tempo real, porém com seus atores em locais longínquos e distintos. Esta realidade oriunda de tecnologias contemporâneas de comunicação é intensificada também com as tecnologias móveis de comunicação que, a passos largos, tendem a direcionar-se ao formato DHMCM.

Os DHMCM estão se tornando ferramentas de mobilização que permitem múltiplas funções como divulgar fatos, informações, imagens, sociabilizar-se e localizar-se. Isso ocorre - conforme elucidado anteriormente - porque além de estabelecer uma vasta possibilidade de conexão com outras tecnologias, traz consigo ferramentas e suporte suficientes para alargar as relações e interações entre as pessoas.

Lemos e Novas (2005, p. 30) ressaltam que “o fenômeno mundial de mobilização social para ajuda através de tecnologias móveis como o celular (voz e SMS), internet sem fio (wi-fi) e os blogs está em pleno desenvolvimento na atual sociedade da informação”. Portanto, frente ao atual estágio de desenvolvimento de tecnologias comunicacionais móveis, cada vez mais versáteis, entendemos que as possibilidades de interação se intensificam.

Kartz e Aakhus (2002, p. 2) afirmam que “os telefones celulares aceleram o ritmo e a eficiência da vida, mas também permitem mais flexibilidade aos negócios profissionais bem como na vida familiar e pessoal24”. Para os autores, as pessoas podem aproveitar o tempo livre fazendo tarefas que não parecem exigir atenção (por exemplo, esperando em uma fila de compras, ou na condução). Eles podem usar esse tempo para se comunicar e fazer planejamentos com outras pessoas, obter informações ou trocar mensagens. A tecnologia móvel também afeta a maneira como as pessoas interagem quando estão face-a-face, melhor e, cada vez mais, face-a-face via interface do telefone móvel.

Os autores salientam que a investigação conduzida na obra em referência prossegue ao longo de três caminhos:

Primeiro, nós queremos ver como o telefone celular como uma tecnologia tem afetado a vida das pessoas. [...] Em segundo lugar, vemos que a tecnologia da telefonia móvel pode iluminar fortemente o comportamento humano. A novidade da tecnologia de telefonia móvel, e seu poder intrusivo na vida das pessoas, permitem observar aspectos do processo de comunicação humana que de outra forma escapam à nossa

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Tradução da autora, do trecho: Cell phones speed the pace and efficiency of life, but also allow more flexibility

atenção, ou pelo menos, seria extremamente difícil discernir. Finalmente, introduzimos um novo termo para descrever o fenômeno de comunicação móvel25 (KARTZ e AAKHUS, 2002. p. 3).

O termo a que os autores se referem é composto pelo prefixo latino ‘apparat’, significando máquina, e pelo sufixo alemão ‘geist’, denotando espírito ou mente. Trata-se assim de um aparelho que encarna o espírito do tempo. Para Katz & Aakhus:

[…] The term Apparatgeist ties together both the individual and the collective aspects of societal behavior. That is, the cultural situation and the limitations of extant technology determine individual behavior, which also takes place within a group or collective. […] The Apparatgeist refers to the common set of strategies or principles of reasoning about technology evident in the identifiable, consistent and generalized patterns of technological advancement throughout history. It is through these common strategies and principles of reasoning that individual and collective behavior are drawn together. […] The logic that informs the Apparatgeist is perpetual contact (Katz & Aakhus, 2002, pp. 305-307)

Os usos e apropriações desse apparatgeist são amplos e visíveis na nossa rotina diária. A era da mobilidade com os smartphones e tablets coloca a sociedade contemporânea na cultura da conexão planetária multiredes (Wi-Fi, 3G, 4G), da mobilidade física e informacional, da portabilidade e da hiperlocalização informacional (LEMOS, 2010, 2011). E esse não é um fenômeno característico de países desenvolvidos, mas um fenômeno realmente mundial, onde o uso é fortemente utilizado em países em desenvolvimento ou emergentes.

As formas de conexão variam de país para país e há desníveis na capacidade de acesso à rede, mas o telefone celular é uma das poucas tecnologias atuais que têm uma forte penetração em países com menores recursos financeiros e níveis inferiores de desenvolvimento de infraestrutura de comunicação (Dias & Comils, 2008, p. 99). Parece que a tese de Marc Laperrouza, diretor de pesquisa da École Polytechnique Fédérale Lausanne, se confirma: “for the first time in world history, there is a technology used more in the developing world than in the developed” (Laperrouza, 2008, on-line). É fato que nas nações mais pobres do planeta estão 59% dos assinantes do mundo (Dwomoh-Tweneboah, 2008).

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Tradução da autora, do trecho: First, we want to see how de mobile telephone as a technology hás been

affecting people’s lives. [...] Second, we see that the mobile telephone as a technology can sharply illuminate human behavior. The novelty of mobile phone technology, and its intrusive power into people’s lives, allow us to observe aspects of the human communication process that would otherwise escape our attention, or a least be extremely difficult to discern. Finally, we introduce a new communication term to describe the mobile communication phenomenon.

Desde a simples agenda e o despertador, até a possibilidade de comandos por voz ou localizar filmes nos cinemas próximos, ser informado sobre o trânsito nas vias circunvizinhas à sua localização, entre outras possibilidades, os telefones celulares transformaram-se em verdadeiras centrais multiuso de comunicação, entretenimento e trabalho.

Sob esta ótica, Kartz e Aakhus (2002) relembram que houve uma rápida e contínua fusão das anteriores distintas modalidades de comunicação mediada. Estas incluem a Internet, o telefone, os computadores portáteis, a assistente pessoal digital, a radiodifusão, o infravermelho sem fio e as tecnologias de áudio e vídeo digital, além do tradicional papel.

Foi a partir dessa junção, que fez com que os telefones celulares se tornassem muito mais do que um aparato para conversar via voz - passando da simples ligação comum de telefone fixo, para ligação com mobilidade - que este aparelho híbrido se inseriu com mais vigor nas práticas interativas dos indivíduos. Eles possibilitam uma gama de possibilidades de extensão da comunicação humana, facilitando a expansão e o alargamento dos contatos nas redes interpessoais.

Como forma de ilustrar tais possibilidades, os estudos de Ling (2001; 2002; 2004), inicialmente enfocando o uso dos telefones celulares pelos adolescentes, destacam de modo muito conciso como os telefones celulares ultrapassam a percepção de equipamento de comunicação, para se tornar, na percepção estudada, símbolo de liberdade, segurança, individualidade e identidade perante aos grupos de convívio dos mesmos.

O autor cita, dentre outros usos dos telefones celulares, a percepção dos jovens pesquisados sobre como este artefato serve ainda como apoio à interação social (sem se preocupar com tempo e espaço), manutenção de status, independência diante da família e personalização (LING, 2004).

Ling (2004, p. 99) afirma que “the ownership, display, and symbolic use of the mobile telephone are - in many cultures - an essential part of being an adolescent. Just as the symbolism of the car goes far beyond simple functional transportation for many American teens, the mobile telephone is packed into a much broader symbolic universe”. Assim, destaca o poder simbólico do celular e o que ele representa aos seus usuários. No caso dos adolescentes, especificamente, enfatiza como tais artefatos são parte essencial de sua cultura.

Saliente-se, ainda, dentro deste universo, a estabilização do estilo pessoal do usuário e sua identificação com seus pares. Isto pode ser definido com a personalização de toques e

cores, entre outros pontos que compõem o design do celular. Também a possibilidade de aumento de popularidade - outra consequência do uso deste artefato – acontece quando se compara quantos SMSs um indivíduo recebe ou envia, o tamanho de sua agenda de contatos, quantas fotos com amigos ele possui em seu celular - fotos estas que podem ser compartilhadas ou simplesmente mostradas, como símbolo de prestígio nas interações face-a- face, entre outros (LING, 2002; LASSEN, 2002; OKABE, 2004).

Todas estas ações acabam por aumentar a coesão dos grupos que se utilizam deste artefato para conseguir posicionar-se e manter o sentimento de pertencimento. Nesta direção, Ling (2004) destaca ainda que ao reforçar a coesão, as fronteiras do grupo tornam-se menos permeáveis, dividindo a sociedade em grupos fechados, ou seja, grupos cujo acesso e continuidade de participação estariam vinculados a determinados objetivos ou aspectos como parentesco, amizade e vínculos de trabalho, entre outros – premissas estas que são levadas em conta no momento da coleta de dados desta pesquisa, conforme elucidado mais adiante.

Acreditamos, assim, que quanto mais um artefato abre o leque de possibilidade de fazer emergir valores simbólicos que irão compor o capital social formado nos grupos, maior a necessidade de uma análise sistemática deste fenômeno, suas formas de se manifestar, suas peculiaridades e seus impactos nas práticas comunicativas contemporâneas, que é o que propõe este estudo.

As tecnologias disponíveis nos telefones celulares são criadas, atualizadas e disponibilizadas num ritmo ágil, atualmente. Tais tecnologias estão colaborando para a crescente cultura da Socialidade e interação por meio deste dispositivo, e só não estão mais presentes na sociedade brasileira devido ainda ao alto custo do uso das mesmas no Brasil. O envio de uma mensagens de texto (SMS), por exemplo, custa cerca de R$0,39 (trinta e nove centavos de Real), enquanto uma mensagem com imagem (MMS) custa, em média, R$1,09 (um real e nove centavos). Já a utilização de recursos que necessitam do uso da internet, como enviar e receber e-mail, acesso ao Twitter e Facebook, entre outras redes sociais, ou serviços de localização de amigos pelo google maps, por exemplo, não sai por menos de uma média de R$29,90 (vinte e nove reais e noventa centavos mensais) em planos pós-pagos e R$0,50 (cinquenta centavos de Real diários) nos planos pré-pagos 26.

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Dados obtidos a partir da média das quatro principais operadoras do país (TIM, CLARO, VIVO e OI), em outubro de 2012.

A título de parâmetro com outros países, temos que na França, por exemplo, as operadoras oferecem pacotes que incluem ligação convencional e SMS a preços bem mais competitivos. A operadora francesa Free27 possibilita a seu usuário, atualmente, fazer ligações e enviar SMS ilimitados para a França e mais 40 países por cerca de 19,99 €. Para a população de baixa renda, oferece um plano de 2,00 €, que inclui 1 hora de ligações e 60 SMS. Caso o usuário ultrapasse esta cota, o SMS tem um custo de, aproximadamente, 0,01 € e a hora excedente das ligações é de 3 €. A Orange28, outra operadora presente na França, oferece um pacote que permite ao usuário utilizar uma hora de ligação (já incluído o valor do chip da operadora) por 9,90 €, ou seja, cerca de 0,16 € o minuto, já com custo do chip.Nos EUA, a T-Mobile29, por exemplo, possui pacotes simples, que oferecem 500 minutos mensais em ligações, somados a SMS ilimitados e 200MB diários de internet por cerca de U$ 39,99 (cerca de 31,00 € mensais). Se considerássemos somente o volume de ligações neste plano, o minuto custaria em torno de U$ 0,08, 0,06 € aproximadamente. No Japão, país conhecidamente como de alta adesão da população aos serviços de telefonia móvel, a NTT Docomo30 oferece planos com custo mínimo de ¥7,87 por minuto de ligação, que gira em torno de 0,15 €. Na maioria de seus pacotes, o envio de SMS, MMS e internet já estão inclusos e os valores variam de acordo com o volume utilizado.

Alguns estudos recentes sobre telefones celulares - e seus possíveis efeitos na sociedade - têm destacado ferramentas e aplicativos específicos que estão sendo utilizados por pessoas no mundo todo de modo a estender as práticas interativas e laços sociais entre o indivíduo e seus grupos/redes de contato. Goggin (2012), por exemplo, destaca a crescente utilização de recursos mais convencionais como SMS e câmera dos celulares e também os mais elaborados e que necessitam de conexão com a internet, como o aplicativo Viber. De acordo com o autor, a emergência de uma nova cultura da tecnologia pessoal - apesar de trazer certa confusão entre as esferas públicas e privadas, vem causando aceitação pelos diversos e particulares grupos sociais, como os jovens. Com o fenômeno das mensagens de texto (SMS) seguido rapidamente pelo uso das câmeras dos telefones celulares, músicas e jogos móveis, a arquitetura dos dispositivos móveis de comunicação tornou-se muito mais complexa. 27 (http://www.free.fr/adsl/index.html). Acesso em 16/11/2012. 28 (http://sites.orange.fr/shop/forfaits_mobiles/offres/m6.php). Acesso em 16/11/2012. 29 (http://www.t-mobile.com/shop/Packages/ValuePackages.aspx). Acesso em 16/11/2012. 30 (http://www.nttdocomo.co.jp/english/charge/introduction/). Acesso em 16/11/2012.

Em sua obra, Goggin (2012) relembra que o Iphone foi o primeiro dispositivo que combinou wi-fi e telefones celulares (e, claro, bluetooth), mas ele certamente trouxe mais facilidades para alternar entre estas funções. O que também se tornou possível com o Iphone, uma vez que a Apple permitiu esta ocorrência, foi uma integração entre voz e vídeo, sob auxílio da internet. Bem como o Skype, o popular aplicativo Voip em tempo real ‘Viber’ (especificamente elaborado para o Iphone e, posteriormente, também adaptado para Android e BlackBerry), passou a oferecer chamadas gratuitas com uma melhor qualidade de som que uma ‘chamada regular’.

O que é especialmente interessante sobre o Viber, na opinião do autor, é que ele aparentemente é uma perfeita ponte do respectivo Voip e os hábitos dos telefones celulares. A experiência de recebimento de uma chamada via Viber é difícil de distinguir facilmente se comparada às chamadas recebidas no telefone celular, embora se possa identificá-la de forma diferente por meio de ringtones ou outros tipos de sons de notificação. Aproximando-se destes pressupostos, podemos analisar a prática de individualização dos toques desses aplicativos e até mesmo diferentes em relação a cada pessoa ou grupo, como um indicador potencial da identidade buscada via telefones celulares.

O autor apresenta ainda em relação ao Viber e demais aplicativos similares a potencialidade de integrar em rede os contatos cadastrados nos celulares e nas redes sociais de quem os possui. O Viber, conforme aponta, é como um parasita hospedado no telefone, que se mostra para a lista de contatos do usuário do artefato. Quando se faz uma chamada originada do Viber, o aplicativo procura os contatos da lista constante no telefone celular que também possui o aplicativo e, automaticamente, combina e-mail, Viber e telefone dos contatos (GOGGIN, 2012). Isso nos permite afirmar que, assim como discutido adiante nos dados, os telefones celulares potencializam a comunicação em rede, bem como o alargamento dos contatos do usuário do celular e demais pessoas que façam parte de seus grupos de contato.

Palmer (2012) também destaca recursos disponíveis nos telefones celulares como associados ao alargamento das interações e também da socialidade. Para o autor, câmeras dos celulares estão possibilitando a prática de criar fotografias efêmeras e espontâneas Uma vez que a câmera do celular está sempre disponível, ela favorece uma maneira particular e informal de criação e consumo de imagens. Assim, ao mesmo tempo, as câmeras dos celulares possibilitam privilegiar a vida cotidiana e transitória funcionando como um ‘gravador da

vida’, gerando arquivos fragmentados da trajetória pessoal do indivíduo ou seu ponto de vista em relação ao mundo.

A partir das imagens captadas pelas câmeras dos celulares, nós podemos verificá-las, apagá-las, ou escolher uma das muitas formas de compartilhá-las: via e-mail, MMS, atribuí- las a um contato, usar como wallpaper, ‘twitá-las’e imprimi-las, entre outras atividades. Outro ponto a ser destacado, de acordo com os autores, é o fato de as fotos e vídeos feitos através da câmera dos celulares, possibilitarem primeiramente uma representação da fotografia como informação, ou seja, a partir do momento em que um usuário capta imagens estáticas ou em movimento de um fato social, seu compartilhamento pode significar fortalecimento da sociedade e/ou de seus grupos de contato que, neste segundo momento, o autor denomina de ‘senso de participação’ (PALMER, 2012).

Palmer (2012) afirma que em sites como Facebook, as pessoas ativamente anulam o tradicional limite do público/privado, postando detalhes íntimos e fotos de si mesmos, como forma de desempenhar sua auto-representaçãol Assim, aproximando-se de nossa análise nesta tese, esta prática estaria relacionada a diversos possíveis indicadores de capital social como a identidade e o fluxo de informações.

Goggin (2012) destaca a vídeo-chamada como um recurso importante no fomento do alargamento dos laços sociais e da Socialidade. Para ele, a proliferação de uma variedade de telefones celulares através da internet, bluetooth e redes móveis de telefones é algo que catalisa o mercado doméstico. Outra nova ligação entre celulares e a internet também remete a um velho tema na comunicação via telefone: a vídeo-chamada, com a qual as pessoas têm sonhado. Agora, aplicativos como o FaceTime, dentre outros, já possibilitam esta ação para diversos sistemas operacionais de smartphones.

As vídeo-chamadas, oriundas dos telefones celulares, tem causado grande interesse, facilitando a maneira de interagir dos usuários. Feitas a partir de uma produção contínua de imagens entre os participantes, tecem um maior leque de interações (MOREL e LICOPPE, 2012).

Como forma de integrar tais recursos e quais os possíveis usos e efeitos dos mesmos na interação e Socialidade via telefones celulares, Goggin (2012) enfatiza que outras possibilidades originadas de telefones - que têm suporte da internet - são os aplicativos que