LA CONSTRUCTION DES THERMOMETRES
3.2 LA CONSTRUCTION DU THERMOMETRE AU DÉBUT DES ANNÉES 1780
No que se refere à arte como linguagem, Bueno (2002), Lopes (2004) e Godoy (1998) a tratam no campo da educação, já Tojal (2007) a aborda no campo da cultura, pelo fato de a pesquisa ter ocorrido no museu, sendo a cultura vista como um campo de significações.
Tojal (2007) referindo-se à comunicação dos objetos culturais em museus defende que devem existir:
Processos que viabilizem a compreensão dos conteúdos, interpretação e apropriação das mensagens transmitidas pelos objetos culturais, pois todo objeto cultural, assim como um documento histórico, traz implícito uma rede de informações portadoras de múltiplos significados (TOJAL, 2007, p.95).
A autora defende a existência de recursos que possibilitem a compreensão da linguagem visual, inserida no objeto cultural. Devemos considerar da mesma forma a importância da comunicação dos objetos culturais, sendo eles considerados também como arte. Assim o setor educativo dos museus deve possibilitar:
(...) compreensão da concepção e da forma de como os objetos possam ser interpretados e de como obter, a partir desses objetos, a diversidade de interpretações, referências e significados, passíveis de serem ressignificados pelo público frequentador do museu, tendo em vista o seu repertório de conhecimentos, vivências e valores (TOJAL, 2007, p.95-96).
Para isso Tojal (2007) explica:
(...) o que se busca é ampliar e estimular a leitura do objeto
cultural pelo público fruidor, levando-o a perceber, analisar, interpretar,
criticar, enfim, decodificar esse objeto, explorando-o e apropriando-se do seu conteúdo e da sua essência, e fazendo desse ato uma experiência prazerosa e significativa (TOJAL, 2007, p.102).
Nesta visão a autora valoriza os conceitos da Metodologia Triangular, favorecendo desta maneira a interação do leitor com o objeto museológico, pois possibilita a reflexão dos sujeitos. Tojal (2007) ainda expõe sobre a importância da linguagem visual para a sociedade citando:
(...) resta evidente o importante papel que a instituição cultural
museu desempenha na ampliação do repertório cultural dos cidadãos,
já que a ela é dada a importante função de adquirir, preservar, documentar e comunicar os bens culturais, muitos deles deslocados de seu espaço original (TOJAL, 2007, p.81).
A autora alerta para a responsabilidade do museu, mostrando que as ações desenvolvidas por ele é que vão possibilitar a comunicação do objeto museológico com o público, favorecendo assim a alfabetização da linguagem visual.
Bueno (2002) especifica em sua tese o que é tratar a arte como linguagem esclarecendo:
Todavia, a imagem na sua visualidade, como meio de comunicação, não existe sem a interação dos elementos visuais. Na ordenação e composição da imagem está presente o ser como um todo, em todos os seus aspectos, na ação e na execução, ressaltando o lugar da expressão no meio do significado, como um ser significante que articula a linguagem, alimenta-se de conhecimento e de percepção baseada numa leitura sensível do mundo. Isto é entender Arte como linguagem (BUENO, 2002, p.35).
Nesse sentido é a experiência estética que proporciona a comunicação dos elementos visuais.
A imagem assim pode ser considerada instrumento de comunicação, elemento de interação entre o homem e o mundo, carregada de expressão (BUENO, 2002, p.124).
Dentre as diferentes formas de imagem, a pintura é tratada na pesquisa de Bueno (2002) quando a autora analisa as produções visuais dos participantes (deficientes mentais).
A pintura, por exemplo, pode ser considerada uma expressão, o registro real de acontecimentos ou do pensamento desenvolvido. Ela produz também a imagem como transformação do real, a intenção de representação da visão de mundo, tendo a imagem como interpretação, uma construção, cultural e ideologicamente concebida na atribuição dos sentidos (BUENO, 2002, p.125).
Ainda sobre a imagem:
A leitura da imagem produzida, inserida em um olhar contextualizado, provoca o modo de se ver, envolvendo modo de ser, que desencadeia uma forma diferente de ver. A imagem pode ser um
meio de comunicação, mas também um elemento de sua visualização e a apropriação dela (BUENO, 2002, p.126).
O desenvolvimento da linguagem visual é proporcionado pela produção e contato com as diversas imagens produzidas pelos sujeitos. Esta linguagem, difere da linguagem verbal por apresentar características próprias. Assim Bueno (2002) explica:
Neste sentido, destacar a valorização da intelectualidade da Arte e concebê-la como linguagem, é atribuir-lhe um papel determinante, podendo ser considerada não apenas como contribuinte para a representação simbólica, mas agente relevante nas relações humanas. Vigotski reconhece que os desenhos são atividades que contribuem para o desenvolvimento da representação simbólica, na qual os signos representam significados e também exercem um papel fundamental no processo de aquisição da linguagem escrita, oral- narrativa (BUENO, 2002, p.126).
A autora completa:
Assim sendo, a imagem na produção artística revela o esforço de explicitar a idéia, o pensamento e a visão. É a representação simbólica da realidade, do mundo interior e exterior (BUENO, 2002, p.126).
Lopes (2004) refere-se à arte como linguagem partindo de imagens geradas pelo ato fotográfico explicitando:
A foto, assim como outros objetos simbólicos, pode ser o ponto de partida para o movimento para dentro de nós mesmos que nos leva a rememoração e a construção de narrativas envolvendo fatos e emoções. Cada indivíduo, em função da sua história de vida e de sua cultura, incorpora modos de representação e potencialidades de leitura da imagem que definem uma maneira particular de apropriação. A realidade da fotografia (...) por permitir inúmeras representações / interpretações mobiliza o imaginário levando a um processo sucessivo e interminável de construção e criação de novas realidades. Encontramos na leitura dos registros fotográficos uma possibilidade de confronto entre a realidade que se vê e a realidade que se imagina (LOPES, 2004, p.104)
A linguagem visual possibilita que o leitor/observador não tenha uma postura passiva, podendo assim interagir com a imagem fotográfica, instigando seus sentidos.
O registro fotográfico nos coloca em contato com nossa própria imagem e revela como os outros nos vêem. Podemos, também,
acompanhar nas imagens a ação do tempo e as transformações ocorridas nas pessoas e em diferentes contextos, ao longo da história. Analisando as cenas, objetos, arquitetura e todos os elementos que compõem a imagem, podemos identificar as transformações ocorridas em hábitos e atitudes de um povo situado em um determinado espaço e tempo. As fotos são meios visuais e, como tal, expressam modelos cognitivos e perceptivos de uma época (LOPES, 2004, p.104).
Ao se referir às diferentes imagens de nosso entorno a autora valoriza a Cultura Visual, a qual instiga a construção de sentido.
Neste processo de produção e fruição da imagem via linguagem visual, abre-se espaço para outras formas de diálogo, de construção e negociação de sentidos e significados. Criam-se outras formas de enunciação e de discurso, que se configuram no entrecruzamento das diferentes linguagens, entre palavras e imagens (LOPES, 2004, p.105).
Em relação às atividades desenvolvidas na Oficina, Lopes (2204) argumenta: A oficina procurou oferecer um espaço de produção artística e estética e de investigação da fotografia como linguagem e metodologia de pesquisa, tanto para alunos e professores, como para a própria pesquisadora / dinamizadora da oficina (LOPES, 2004, p.109).
Godoy (1998) ao explorar considerações da arte e do psiquismo também valoriza a arte como linguagem, citando:
(...) Arte como forma de expressão simbólica (GODOY, 1998, p.64).
E continua;
Fica então estabelecido um confronto entre a comunicação verbal e a comunicação através da imagem, apesar da verbalização ser considerada como forma mais estruturada e completa enquanto instrumento terapêutico (GODOY, 1998, p.63).
A autora coloca a importância da linguagem artística, expondo a sua independência em relação à linguagem verbal.
Como é dito e conhecido, é próprio da função simbólica remeter o sujeito à incompletude, na medida em que a palavra nunca pode dizer tudo, e que sempre resta algo indizível, que só pode ser vivido e expressado. A palavra muitas vezes limita as manifestações de inconsciente enquanto a arte possibilita uma expressão além do sentido cristalizador, próprio do discurso. A expressão artística revela uma interioridade do homem (GODOY, 1998, p.73).
Ao considerar a arte como linguagem, as autoras mesmo sendo de áreas distintas valorizam as peculiaridades da arte como uma forma de comunicação do ser humano comprovando assim a sua característica como linguagem. A arte é caracterizada como linguagem por expressar o inconsciente dos sujeitos, por comunicar, registrar, expressar e possibilitar a construção de sentidos, instigar o conhecimento e reconhecimento das imagens que fazem parte do nosso entorno, sendo constituída por elementos visuais.