I. Revue de la question 1
II. 1 Construction du modèle d’analyse
Delineamento Metodológico
Esta pesquisa possui um enfoque predominantemente qualitativo, seguindo uma corrente epistemológica, a qual entende que o estudo da realidade social não acontece por meio da compreensão de fatos, algo que pode se tornar objetivo e quantificável. O que se busca é a compreensão de fenômenos sociais. O fenômeno, como explica a fenomenologia, é aquilo que se mostra a si mesmo, situando-se. A pesquisa qualitativa busca compreender o fenômeno pelo sentido de suas inter-relações, constituído de significados.
Acredita-se que esta abordagem pode melhor esclarecer a complexidade e a dinamicidade presentes no objeto de investigação em questão. Tanto o adolescente, sua crise de identidade e sua identidade cultural, como a capoeira, com sua constituição multifacetada, apresentam relevante dinamicidade e complexidade em sua dinâmica e estrutura, bem como nas relações que entre elas se estabelecem.
É importante ressaltar que a pesquisa qualitativa não implica a impossibilidade de instrumentos que coletem dados quantificáveis; ela representa uma postura epistemológica que define o processo de construção e exploração do problema, assim como de discussão e análise dos resultados da pesquisa.
Em toda pesquisa que lida com a realidade social, caracteristicamente complexa e dinâmica, além de uma posição epistemológica sobre a perspectiva adotada para a pesquisa, é preciso que se tenha cuidado e coerência na definição dos procedimentos e instrumentos a serem adotados. “O simples conhecimento, por parte do sujeito, de que está envolvido em um estudo é suficiente para alterar, de forma significativa e certamente em um nível desconhecido, sua resposta diante do pesquisador” (Lincoln e
Guba conforme citado por Rey, 2002: 78). Este efeito, como explica Rey (2002), denomina-se reatividade e está ligado à condição subjetiva do sujeito diante da situação de ser estudado. Ainda segundo Rey (2002), esse “lado humano” é impossível de ser controlado e sugere adequações metodológicas, por meio da utilização de múltiplos instrumentos, os quais possuam um caráter aberto, que permita tanto o uso de indicadores diretos como implícitos na expressão do sujeito.
A pesquisa qualitativa possui como uma de suas característica um período exploratório, no qual o pesquisador se familiariza com o contexto onde será realizada a pesquisa para, a partir desta familiarização contextual, definir mais claramente o campo de estudo e os participantes da pesquisa. Esta é uma escolha proposital, baseada na experiência do pesquisador e no aporte teórico que sustenta sua visão sobre o objeto de estudo. Neste caso, o período exploratório que definiu o campo onde a constituição da identidade será observada vai além de uma familiarização inicial com o contexto; ele revela uma atuação efetiva de vários anos por parte da pesquisadora, praticante e instrutora de capoeira. Os participantes foram selecionados em função do conhecimento subseqüente a esta familiarização com o contexto e da existência de um grupo que reúna uma quantidade suficiente de adolescentes que se enquadrem nos critérios de inclusão - adolescente entre 12 e 16 anos de idade, classe média e média-alta, com pelo menos dois anos de prática de capoeira.
Assim como a escolha do campo e dos participantes, a definição dos procedimentos também foi feita a partir da familiarização com o contexto e a pesquisa em questão foi realizada por meio de grupos focais. Como apoio na coleta de dados dos grupos focais foram utilizados questionários e entrevistas.
Delineamento Metodológico
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A pesquisa com grupos focais como afirmam Morgan e Krueger (conforme citado por Gatti, 2005) “tem por objetivo captar, a partir de trocas realizadas no grupo, conceitos, sentimentos, atitudes, crenças, experiências e reações.” (p 9)
Uma das grandes vantagens do grupo focal sobre entrevistas e questionários individuais, para este estudo, é o fato de se ganhar “em relação à captação de processos e conteúdos cognitivos, emocionais, ideológicos, representacionais, mais coletivos” (Gatti, 2005, p. 10), permitindo uma melhor compreensão dos processos de construção da realidade por determinados grupos sociais.
A utilização dos grupos focais deve manter o foco no assunto em pauta, com questões relevantes, contextualizadas e embasadas no referencial teórico e nos objetivos da pesquisa; entretanto, os encontros devem ser conduzidos com flexibilidade, mantendo um clima aberto às discussões, concordâncias e discordâncias. É importante que o grupo não seja muito grande nem excessivamente pequeno; Gatti (2005) sugere que sua dimensão fique entre seis e doze pessoas. Ele deve ser composto com base em “algumas características homogêneas dos participantes, mas com suficiente variação entre eles para que apareçam opiniões diferentes ou divergentes.” (Gatti, 2005, p 18)
A análise dos dados foi feita por meio de análise de conteúdo que segundo Bardin (2004) “é um conjunto de técnicas de análise das comunicações” (p. 27). A análise de conteúdo, ainda segundo Bardin (2004), “é uma busca de outras realidades
através das mensagens” (p. 38).
A análise de conteúdo pode visar produzir inferências sobre as características do texto, as causas e/ou antecedentes das mensagens e os efeitos da comunicação. A produção de inferências constitui-se uma importante finalidade da análise de conteúdo. Franco (2005) ressalta que quando a análise de conteúdo se limita a uma mera descrição das características da mensagem, pouco contribui para uma compreensão mais profunda
das características de seus produtores. Entretanto, se a análise for direcionada a uma indagação acerca das causas e efeitos da mensagem, ela cresce em significado.
É importante lembrar, como aponta Franco (2005), que “os resultados da análise de conteúdo devem refletir os objetivos da pesquisa e ter como apoio indícios manifestos e capturáveis no âmbito das comunicações emitidas.” (p. 24)
Após a análise e interpretação dos dados, por se tratar de uma pesquisa realizada dentro da perspectiva qualitativa na qual a validade e fidedignidade dos dados não obedecem aos critérios matemáticos e estatísticos da pesquisa quantitativa, foi realizada uma “checagem” pelos participantes. Esta checagem é um critério a mais, além da consistência entre proposição do problema, discussão teórica, elaboração da metodologia, para garantir a credibilidade da pesquisa; ela torna possível verificar se as “interpretações do pesquisador fazem sentido para aqueles que forneceram os dados nos quais as interpretações se baseiam.” (Alves-Mazzotti & Gewandsznajder, 1998: 148).
Participantes
Adolescentes entre 12 e 16 anos de idade, de ambos os sexos, com, pelo menos, dois anos de prática da capoeira. Todos eles são praticantes de capoeira de uma associação de capoeira de abrangência mundial, com representação em diversos países e em todo o território nacional, com filial em Brasília. Os participantes da pesquisa freqüentam aulas de capoeira em um clube privado, pagando mensalidades regulares, sendo todos de classe média e média alta.
A escolha desta população deu-se por dois fatores primordiais: a) por se tratar de uma população, adolescentes de classe média e média alta, menos estudada em pesquisas que, em sua maioria, voltam-se para as populações marginalizadas. “Dadas as circunstâncias sócio-históricas e econômicas do país, a maioria das pesquisas realizadas atualmente são voltadas à preocupante e crescente população marginalizada das
Delineamento Metodológico
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conquistas sociais”. (Cárdenas, 2000: 90); b) por se entender que a capoeira, para esses adolescentes, não é uma alternativa quase que única nem a mais próxima, como acontece com adolescentes de extratos inferiores; ela é uma opção dentre várias e, como tal, foi considerada suficientemente interessante ou atrativa a ponto de se tornar uma escolha de atividade na qual eles engajaram.
A participação dos adolescentes foi previamente autorizada pelos pais ou responsáveis bem como consentida pelos próprios autores por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, respeitando assim as determinações do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), bem como do CEP (Conselho de Ética em Pesquisa).
Instrumentos de coleta de dados
1 – Questionário
A utilização do questionário tem por objetivo coletar indicadores a partir de um maior número de participantes, em um menor espaço de tempo para que, a partir destes dados e do interesse manifesto do adolescente, foram selecionados aqueles que participaram dos encontros dos grupos focais e das entrevistas. O questionário serve, também, para complementar as informações coletadas por meio dos demais instrumentos utilizados na pesquisa.
O questionário foi aplicado na mesma instituição onde acontecem as aulas dos adolescentes. Estão regularmente matriculados na prática de capoeira nesta instituição 125 (cento e vinte e cinco) alunos, sendo que destes, 25 (vinte e cinco) encontram-se entre 12 e 16 anos de idade. O questionário foi aplicado a todos estes 25 (vinte e cinco) alunos e usado como instrumento de seleção daqueles que se enquadraram nas características propostas para a população a ser pesquisada. O questionário se divide em cinco blocos, cada um abordando um aspecto, a saber:
• dados pessoais
• projetos de vida
• opções de atividades culturais
participação nas escolhas - família, amigos, professor
por quê capoeira
• qual o significado, para o adolescente, da prática da capoeira na constituição da identidade
• sentimento de pertencimento e congruência com o grupo / identidade coletiva
2 – Reuniões dos grupos focais
As reuniões dos grupos foram realizadas na mesma instituição onde os adolescentes praticam a capoeira, apenas sendo realizada em uma sala distinta do local de treino, onde fosse possível haver uma maior privacidade e menos interferência.
Os encontros foram registrados por gravação em áudio, com a devida autorização dos participantes, e complementadas por registros escritos do moderador.
As reuniões foram sempre iniciadas com uma explicação sucinta sobre o encontro, de modo a deixar os participantes à vontade e cientes do que deles é esperado.
Ao todos foram realizados três encontros de aproximadamente uma hora com o grupo, composto de nove participantes, número de pessoas que atende as recomendações metodológicas para a realização de reuniões de grupo focal. Estes nove adolescentes foram selecionados após responderem o questionário e cumprirem os requisitos determinados pela pesquisa para caracterização da população, bem como declararem interesse em participar das reuniões de grupo focal.
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Foram abordados, em cada encontro, temas pré-definidos, sempre considerando a flexibilidade em relação aos temas propostos em função de discussões que pudessem suscitar dos encontros.
Os temas inicialmente propostos são:
• 1º encontro:
“Identidade” – perguntas: Como me vejo? Planos? Gostos? Certezas?
“Crise de identidade” – perguntas: Incertezas? Conflitos? Ocupações X projetos?
• 2º encontro:
Família – perguntas: Relacionamento familiar?
“grupo” – perguntas: Quais atividade mais se identifica? Por que? Amigos?
“o que entende por capoeira” – perguntas: O que é capoeira?
• 3º encontro:
“Como a capoeira participa na vida” – perguntas: Importância? Tempo dedicado?
“Se percebe mudanças em hábitos, gostos, valores após o contato com a capoeira” – perguntas: Programas? Amigos? Músicas? Identificação com história?
3 – Entrevista semi-estruturada
Teve por objetivo aprofundar, individualmente, questões relevantes levantadas nas reuniões dos grupos focais. As entrevistas permitiram coletar dados mais qualitativos, que traduzissem a expressão de representações, crenças, emoções e expectativas dos entrevistados. “A entrevista oral permite abarcar de forma mais rica,
em uma inter-relação viva, concreta, entre entrevistador e entrevistado, indicadores manifestos na fala do entrevistado que permitam desvelar as características do processo que se está pesquisando.” (Rey conforme citado por Cardenas, 2000: 98).
A entrevista semi-estruturada permite ao pesquisador um delineamento de questões pré-estabelecidas, ao mesmo tempo em que possibilita ao entrevistado falar e se posicionar livremente sobre o assunto em questão ou mesmo, ocasionalmente, extrapolando o tema inicial.
Participaram das entrevistas aqueles adolescentes que, por ocasião das discussões dos grupos focais, apresentaram questões que convidassem a um maior aprofundamento de acordo com os objetivos da pesquisa. Isto ocorreu com três integrantes do grupo. As entrevistas também foram realizadas na mesma instituição onde ocorrem as aulas dos adolescentes, com exceção de uma entrevista, que para comodidade de locomoção da participante, foi realizada em sua residência. As entrevistas tiveram como delimitação inicial tópicos relativos àqueles abordados nos questionários e grupos focais, enumerados abaixo, e foram ampliadas de acordo com a necessidade surgida nos encontros de grupo focal.
auto-conceituação
família
projetos de vida
papel da capoeira na sua vida
mudanças identificadas após a prática da capoeira
relação com o grupo e o “mundo” da capoeira
fumo, álcool, drogas, amizades X influência da capoeira
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Análise de conteúdo
Após a aplicação dos instrumentos, os dados obtidos foram tratadospor meio de análise de conteúdo das entrevistas e dos grupos focais, comparados com os dados quantitativos dos questionários para, então, ser iniciado o trabalho de discussão dos dados. Bardin (2004) afirma que a análise de conteúdo movimenta-se entre o desejo do rigor e a necessidade de ir além do expresso o que proporciona uma bidirecionalidade metodológica composta pela verificação prudente e pela interpretação brilhante. Para esta análise de conteúdo que, conforme já foi dito, é para Bardin (2004) composta por um conjunto de técnicas utilizadas na análise das comunicações, foi feito o uso do ALCESTE (Análise Lexical por Conjunto de Segmentos de um Texto), um software de análise de dados textuais elaborado por Max Reinert, no Centro de Cálculos de Toulouse e apresentado em edições de 1987 e 1990.
“A utilização dos recursos da informática na análise de dados textuais vem se tornando cada vez mais presente em pesquisas na área das ciências do homem, ou ciências sociais.” (Cárdenas, 2000, p. 108) O software ALCESTE realiza, de maneira automática, a análise de diálogos, de questões abertas de pesquisas sociais, auto-relatos, entrevistas, romances, enfim, pode ser aplicado aos conteúdos ou corpus de diversos tipos de textos. A interpretação de caráter qualitativo se faz, portanto, sobre os dados analisados pelo software.
O ALCEST
Como mencionado anteriormente, o ALCEST (Análise Lexical por Conjunto de Segmentos de Texto) foi elaborado por Max Reinert com uma aboragem que se efetua num quadro geral de análise lingüística, propondo a definição de unidade de contexto, a
qual, mesmo sendo uma noção ambígua, é, entretanto, definida no quadro lingüístico, ou num corpus finito dado.
“Uma proposição ou enunciado nos ensina alguma coisa sobre o que é ou que não é para alguém. A noção de enunciado mede a noção de idéia, para um indivíduo dado, de uma coisa dada, em um momento dado.” (Reinert, conforme citado por Cárdenas, 2000, p. 109). Uma dada idéia não está unicamente relacionada à representação do objeto; está também ligada à maneira pela qual o sujeito a apresenta em função de sua própria identidade. Ela adquire, portanto, um duplo sentido, uma vez que se refere a um objeto e a um sujeito, levando consigo a dimensão do descritivo, referente ao objeto, e do relacional, referente ao mundo subjetivo de cada indivíduo.
Apenas nessa dupla referência é que uma idéia pode adquirir corpus. É nisso que o traço lingüístico do enunciado constitui a menor unidade do texto susceptível de descrever a idéia de um sujeito.
Nesta ótica, a definição de unidade de contexto foi realizada a partir delimitação de restrições gerais impostas, às quais devem satisfazer estas unidades de contexto e, em seguida, proceder a uma decomposição arbitrária mais susceptível de ser variada, a fim de observar o que estável e o que não é estável.
Os limites considerados foram os relativos ao tamanho da unidade e à pontuação. Na medida do possível, o fim da unidade de contexto corresponderá ao fim da frase, seu comprimento devendo ser de algumas linhas.
O software ALCESTE é um método de análise de conteúdo de textos que realiza
uma classificação hierárquica descendente, com o objetivo de extrair os diferentes temas de um texto bem como as frases que caracterizam cada tema.
O ALCESTE realiza uma análise estatística a partir de um arquivo único do tipo texto, denominado de Unidade de Contexto Inicial (UCI), que pode corresponder às
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entrevistas, aos questionários ou a outros materiais textuais colhidos junto aos sujeitos. Estas são definidas pelo pesquisador e, neste estudo, são os dados colhidos através de reuniões de grupo focal e entrevistas complementares, preparado em formato de texto. O conjunto de UCIs forma um único arquivo, o corpus, a partir do qual se elabora a análise.
Na análise do corpus, o programa ALCESTE reconhece as UCIs e, posteriormente, divide-as e as classifica em Unidades de Contexto Elementar (UCE). Essas U.C.E.s se constituem de segmentos texto na maior parte das vezes do tamanho de 3 linhas.
No ALCESTE são consideradas as unidades de contexto e os contextos-tipos. As unidades de contexto referem-se ao contexto de uma palavra num segmento do texto. O contexto-tipo corresponde à regularidade das unidades de contexto. Podemos considerar, portanto, que as unidades de contexto são os segmentos e os contextos-tipos são os temas. O texto estudado é representado, na análise, por uma tabela de dupla entrada. Na linha são colocadas as unidades de contexto e na coluna o vocabulário retido. A tabela se compõe de 1 ou 0, indicando a presença (ou ausência) de uma palavra dentro de uma unidade de contexto.
A análise estatística efetuada, em um primeiro momento, consiste em uma Classificação Hierárquica Descendente (C.D.H.) destinada a calcular as partições em classes lexicais e apresentar suas oposições sob a forma de uma árvore (dendograma). Em um segundo momento, efetua-se uma Análise Fatorial de Correspondência (A.F.C.) a qual permite visualizar, sob a forma de um plano fatorial, as oposições resultantes da C.D.H.
Na primeira fase, o software ou logiciel identifica as unidades de contexto e as formas utilizadas. Um compromisso entre o tamanho dos segmentos do texto e a pontuação permite identificar as unidades de contexto elementares, (u.c.e). Diferentes formas de uma mesma palavra são remetidas à sua raiz. Um código corresponde a cada palavra, associando-a a uma categoria gramatical. (0=verbo; 1=advérbio, etc., ...).
A segunda fase refere-se ao cálculo das tabelas dos dados. Uma primeira tabela é construída cruzando as u.c.e. e as formas reduzidas (raízes). A análise se faz sobre as palavras de sentido pleno. Um catálogo numérico se constrói através de um registro por u.c.e. Cada registro contem a seqüência das formas reduzidas retidas ou ordenadas.
A pesquisa das classes se faz com a ajuda de uma classificação descendente hierárquica. A tabela como um todo é considerada como uma classe. A cada interação, uma classe é dividida em duas de modo a otimizar um critério. O critério escolhido é um x2, calculado sobre uma tabela de duas linhas e tantas colunas quantas as formas analisadas. O x2 é um indicador da força da associação entre a palavra associada à classe.
Cada linha corresponde a uma hipotética nova classe.
A terceira e última fase refere-se à interpretação das classes. Faz-se a análise das classes de u.c.e., tomando-se em conta o vocabulário específico extraindo-se as u.c.e. mais representativas do vocabulário da classe. O vocabulário específico fornece uma idéia da composição de cada classe, e, as u.c.e. representativas, dão uma idéia dos temas abordados, que são os eixos representativos das classes.
Os resultados da análise de um texto fornecem uma extração dos temas presentes em cada classe, permitindo identificar os eixos temáticos presentes na fala analisada, bem como os contextos da fala, indicados pela análise do software.
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Definição dos Termos
U.C.E. - Unidade de contexto elementar: corresponde a idéia de frase mais
calibrada em função do tamanho do texto (avaliada em número de palavras analisadas) e da pontuação (dentro de uma ordem de prioridade - . ; ? ! : ,). A partir da pertença das palavras de um texto a certa U.C. E., o software ALCESTE vai estabelecer as matrizes pelas quais será efetuado o trabalho de classificação. As U.C.E. são segmentos de texto, na maior parte das vezes, do tamanho de 3 linhas dimensionadas pelo programa respeitando aos critérios acima.
U.C.I - Unidade de contexto inicial: são as divisões naturais do corpus
(capítulos de um livro, cenas de uma peça de teatro, respostas às questões abertas, etc.). Elas são os primeiros índices de uma estrutura que convém assinalar para o ALCESTE. Deve ser introduzida por linhas com asteriscos. Ex.: (**** *S_1 *id_1 *tc_3 *sx_2).
U.C. - Unidade de contexto: é o reagrupamento das U.C.E. sucessivas de uma
mesma U.C.I. até que o número de palavras analisadas diferentes (contidas dentro desta unidade de contexto) seja superior ao seuil fixa dentro da análise.
Classe: uma classe representa um tema extraído do texto. Cada classe é
representada por várias U.C.E. O ALCESTE decompõe o texto em unidades de contexto e efetua uma classificação em função da distribuição do vocabulário.
A.F.C. - Análise Fatorial de correspondência: é uma técnica de descrição de