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1.2.4 Construction du plan de transport et robustesse

A palavra sistema denota um conjunto de elementos interagentes e interdependentes que formam um todo complexo unitário organizado com determinado objetivo e visando efetuar determinada função. (BERTALANFFY, 2012).

Ludwig von Bertalanffy (1975), o fundador da Teoria Geral de Sistemas, defende o pressuposto básico de que todas as partes da organização devem trabalhar em conjunto para alcançar a sinergia. A perspectiva holística, sistêmica, baseia-se na concepção de que todos os sistemas se compõem de subsistemas e seus elementos estão inter- relacionados. Isso significa que o todo não é uma simples soma das partes, e que o próprio sistema só pode ser explicado em sua globalidade.

Visto sob esta ótica, qualquer conjunto de partes unidas entre si pode ser considerado um sistema, desde que as relações entre as partes e o comportamento do todo sejam o foco de atenção e, a estrutura organizada busque alguma finalidade.

Qualquer sistema é sempre uma construção mental, tratando-se tão somente de uma redução conveniente ao observador. Ou seja, como resultado da observação e reflexão de seu mundo o ser humano cria relações capazes de formar uma unidade funcional. Isto implica dizer que um sistema só poderá ser definido ou concebido como tal, se um observador existir e construir mentalmente essas relações.

O sistema refere-se, portanto, à formatação mental de uma organização, ou seja, de um todo unitário organizado contendo “uma coleção de objetos inter-relacionados em uma dada estrutura perfazendo um todo (uma unidade) com alguma funcionalidade que o indica como tal” (ALVES, 2012, p.96).

O conceito de sistema como conjuntos dinâmicos ou complexos, pode ser aplicado em diferentes contextos. Por exemplo: na natureza, como sistemas ou organismos biológicos ou, no contexto da cultura, como sistemas ou organismos sociais (PERASSI, 2008; ALVES, 2012).

Nesta pesquisa, o termo “organização” remete aos sistemas e organismos sociais inseridos no contexto da cultura. As organizações sociais de que se fala são as corporações: instituições ou empresas sejam estas públicas ou privadas.

Ao considerar a etimologia das palavras “organização” e “corporação”, verifica-se que a primeira deriva do substantivo “organismo” e a segunda, do substantivo “corpo”. Ambos os substantivos sugerem o significado de conjunto de partes ou de elementos ordenados e inter-relacionados. O sufixo “ação” - presente nas duas palavras: “organização” e “corporação” - indica movimento e dinamismo. Nas duas construções, as palavras indicam a ideia de conjuntos dinâmicos ou sistemas (HOUAISS, 2009; PERASSI, 2008).

Todo sistema é uma organização, mas nem toda organização é um sistema. Na área de Administração, Robbins (2002) define organização como uma unidade social conscientemente coordenada, composta de duas ou mais pessoas que funciona de maneira relativamente contínua, com o intuito de atingir um objetivo comum. São, portanto, sistemas socialmente instituídos para determinada finalidade.

Essas organizações sociais, instituições ou empresas, são compostas por pessoas, atores ou agentes, que constituem a estrutura de um processo interativo sócio organizacional. Por sua vez, essas pessoas atuam em estruturas que são organizadas e obedecem a uma hierarquia, respeitam protocolos de condutas estabelecidos para a construção e manutenção de uma linguagem comum que serve para auxiliar a condução de processos de identificação e comunicação de valores e princípios organizacionais.

A palavra “estrutura” refere-se à “disposição e ordem dos elementos essenciais que compõem um corpo” [todo unitário] (HOUASS, 2009). Ou seja, é a forma como os elementos se organizam no sistema. Alves (2012, p. 113) explica que “todo sistema possui a sua própria estrutura” e, é esta estrutura que dita o comportamento do sistema.

Todo sistema, como um conjunto de elementos ordenados, interdependentes e dinâmicos que interagem obedecendo a princípios determinados, pode passar por variações do seu estado com o decorrer do tempo. Da mesma forma, como qualquer outro sistema, uma organização está em constante evolução. Diante disto, a estrutura de uma organização pode ser razoavelmente bem definida, mas não será imutável, pois o ambiente no qual ela está inserida pode lhe impor demandas que exigirão mudanças.

Alves (2012) explica que “o estado de um sistema em um instante de tempo é tão somente uma fotografia desse sistema naquele instante de tempo”. Esse estado do sistema é definido por um conjunto mínimo de variáveis de estado, que determinam a evolução do sistema em um percurso de tempo.

Maturana e Varela (2003) defendem a ideia de que as mudanças provocadas no sistema podem ser especificadas em quatro domínios: (1) mudanças de estado; (2) mudanças destrutivas; (3) perturbações; (4) interações destrutivas. Por esta perspectiva, há mudanças que afetam a estrutura do sistema, mas mantém a sua identidade de classe e, portanto, não comprometem a continuidade do sistema – essa situação se aplica aos domínios 1 e 3. Por outro lado, as mudanças de domínio 2 e 4 são de caráter destrutivo, que podem levar o sistema a entrar em colapso e deixar de existir. Esses autores observam que em um sistema dinâmico estruturalmente determinado seus domínios estruturais sofrem variações, mas sempre a cada momento estarão especificados por sua estrutura presente. Assim surge a definição de acoplamento estrutural, segundo Maturana e Varela (2003, p.112):

Enquanto uma unidade não entrar em interação destrutiva com seu meio, nós, observadores, necessariamente veremos que entre a estrutura do meio e a da unidade há uma compatibilidade ou comensurabilidade. Enquanto existir essa comensurabilidade, meio e unidade atuarão como fontes de perturbações mútuas e desencadearão mutuamente mudanças de estado. A esse processo damos o nome de acoplamento estrutural.

Isso implica dizer que, em sistemas abertos, há uma interdependência do sistema com seu meio. Ou seja, o observador tem a capacidade de distinguir duas estruturas: o sistema e o meio. Entre essas duas estruturas há uma linha fronteiriça, demarcando e separando o sistema do meio no qual está imerso. Daí se conclui que uma mudança estrutural em um pode desencadear no outro um processo de mudança e, esta dependerá exclusivamente de sua estrutura (ALVES, 2012). Há infinitas formas de se representar um sistema, e cada nível de representação, obedece a uma hierarquia. Da mesma maneira, as organizações sociais apresentam a sua estrutura organizada de forma hierárquica. Neste contexto, um subsistema está sempre a um nível imediatamente inferior ao nível de sistema. Por inferência, por exemplo, pode-se dizer que em uma organização social, os departamentos são subsistemas ou, que os stakeholders, também, constituem diferentes subsistemas desta organização.

Corroborando essa ideia, Goldhaber (1991) define a organização como um sistema vivo e aberto conectado por um fluxo de informações

entre as pessoas que ocupam diferentes posições e representam distintos papéis. Ao considerar a organização como um sistema aberto, admite-se a coexistência de subsistemas os quais estabelecem entre si níveis de interdependência, o que significa dizer que esses subsistemas afetam e são mutuamente afetados alterando, portanto, o sistema como um todo.

Restrepo (1995) entende a organização como unidades coletivas de ação constituídas para atingir fins específicos, dirigidas por um poder que estabelece uma forma de autoridade que determina o status e o papel de seus membros. Neste sentido a organização pode ser percebida como uma expressão particular e concreta de sistema, de ação histórica e de relações de classe, e como uma atividade regulada por decisões que emanam de um sistema político. Por esta perspectiva, pode se dizer que a organização é um núcleo de decisões cujas formas de socialização, fruto da interação humana, são determinantes para sua configuração e, nessa configuração a cultura vai sendo construída. Chiavenato (2000, p. 446) reforça essa ideia afirmando que organização é “um sistema humano e complexo, com características próprias típicas da sua cultura e clima organizacional.”.