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Construction d’un algorithme d’approximation pour DST

Dans le document Approximation de l'arborescence de Steiner (Page 128-131)

Figura 4 – Mural África Beleza e Riqueza

Fonte: Acervo pessoal da pesquisadora.

O trabalho na escola teve seu início no mês de agosto. O primeiro olhar sobre a escola foi um tanto quanto emocionante. Vi-me nos muros da escola, nos murais espalhados, nas meninas negras com seus cabelos altos e armados ao vento, nos meninos negros que brincavam com o sorriso no rosto. Vi-me de perfil do mural de destaque da escola. Vi-me nos olhares das crianças quando me avistaram e logo

correram ao meu encontro e cada um, à sua maneira, mostrou-me o quão representativa e importante era minha figura naquele espaço.

Vi-me nos trabalhos que as crianças realizaram durante os quatro meses que ficamos na escola, vi-me nos cartazes espalhados pela escola informando sobre a Lei de Valorização da Cultura e História Afro-brasileira e Africana (Leis nº 10.639/2003 e 11.645/2008). Vi-me também nos olhares das professoras, alguns interrogadores sobre nossas observações, outros sedentos por conhecimento e por algum motivo acreditaram que estávamos ali para ajudar a desenvolver o trabalho que já realizavam.

A identificação com o espaço educacional nesse primeiro momento vai ao encontro do que Cavalleiro (2001) aborda em seu livro sobre a ausência de cartazes, fotos ou livros infantis que expressem a existência de crianças não brancas na sociedade brasileira.

Foram muitas as vezes que tive de me fazer de desentendida para não atender à solicitação de intervenção. Outras vezes me senti parte da escola, e nos trabalhos manuais me arrisquei a participar. Os quatro meses que convivemos com aquelas pessoas, com toda a certeza, possibilitou-nos um aprofundamento no olhar sobre a educação, sobre seu papel. Se antes a educação já era um forte instrumento de transformação social, a partir dessa convivência ela também se tornou um forte instrumento de construção de conhecimento e de transformação racial. “A educação antirracista é pensada como um recurso para melhorar a qualidade do ensino e preparar todos/as os/as alunos/as para a prática da cidadania” (CAVALLEIRO, 2001 p.149).

Com toda a certeza, as crianças daquela escola estão tendo e terão outras visões sobre si mesmas. Uma visão que eu só fui capaz de construir depois de ingressar na faculdade, e que outras pessoas de gerações anteriores à minha só conseguiram ter depois de muito sofrimento ao longo de sua vida adulta. Apesar das fragilidades encontradas no trabalho desenvolvido por essa escola, ainda assim esse trabalho é um diferencial positivo na rede pública do DF, pois ainda segundo Cavalleiro:

Reconhece o ambiente escolar como um espaço privilegiado para a realização de um trabalho que possibilita o conhecimento respeitoso das diferenças raciais, bem como dos indivíduos pertencentes a grupos discriminados. (CAVALLEIRO, 2001 p. 149)

É necessário dizer algo mais: assim como não foi possível utilizar da neutralidade desde o início deste trabalho, tampouco agora o faremos. Até porque este trabalho é fruto de um processo ideológico. O que nos levou seguir estudando a temática racial, para além de motivações pessoais, que são muito fortes, existe também uma concepção de

sociedade que está ligada à justiça e à igualdade racial e, consequentemente, social. Seria, então, impossível um estudo baseado na neutralidade.

Para as seguintes reflexões sobre o trabalho da equipe da escola foram construídas algumas categorias centrais que apenas norteiam as reflexões, no entanto outras categorias não menos importantes aparecerão no decorrer do texto. Todas foram se construindo ao longo desses quatro meses de trabalho. Nenhuma delas foi pensada antes de iniciar o campo. Elas se construíram nas conversas informais, nas entrevistas, nos questionários, nas observações e nas relações estabelecidas durante o campo.

Aqui estão as centrais: a primeira se refere ao trabalho da escola como um todo, que denominamos de trabalho coletivo, um trabalho que parte da equipe pedagógica, mas ganha vida em todos os outros espaços da escola. O trabalho da escola é visivelmente coletivo, e este acreditamos ser um dos grandes diferenciais. O trabalho coletivo se baseia na gestão democrática, que visa a um trabalho comum, no qual todos da comunidade escolar (pais, mães, responsáveis, servidores/as, alunos/as professores/as, funcionários/as, gestores/as) participam das decisões e das atividades da escola. A comunidade precisa ser parceira da escola e a escola precisa inseri-la em seu cotidiano.

A segunda categoria é justamente sobre a participação da comunidade nessa escola, não só nos eventos festivos, como também nas decisões e nos momentos de crise da escola. Essa categoria está intrinsecamente ligada à anterior e poderíamos dizer, inclusive, que uma complementa a outra na perspectiva da gestão democrática.

A terceira categoria, diríamos de extrema importância, diz respeito à formação de profissionais para trabalhar com a temática racial. É de conhecimento dos(as) profissionais da área de educação as lacunas existentes em relação à prática e a teorias relacionadas aos cursos de Pedagogia e de licenciaturas em geral, que existe há décadas. Essa categoria abarca ainda o conhecimento que é transmitido, ensinado aos(às) alunos(as) sobre a temática racial de acordo com os conteúdos que estão presentes no artigo 26 A da LDB.

A quarta categoria, que se relaciona diretamente com a sala de aula, chamamos de prática educativa para a educação antirracista. Essa categoria acreditamos ser a mais próxima da realidade das crianças, não que as outras não sejam, no entanto é na prática em sala de aula que se percebe o racismo na educação de forma mais efetiva e cruel. Nesse sentido, a sala de aula, que ainda é um não lugar para muitas crianças negras, nessa escola se torna um lugar de acolhimento, de identidade, torna-se um lugar.

A quinta categoria é uma reflexão de algumas pessoas sobre o trabalho afirmativo da escola. É o olhar da escola sobre ela mesma. Esse olhar foi recolhido por meio de entrevistas, conversas e questionários.

Para complementar as reflexões, também faremos algumas considerações sobre o material didático utilizado, sobre as imagens dos murais, painéis, fotografias de trabalhos de alunos(as) e outros.

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