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V. TRANSPOSITION AU MARCHE BELGE

V.2 Modalités de mise en œuvre

V.2.1 Constitution d’une réserve stratégique R4

Com o crescente desenvolvimento na área da computação, o processo de análises das fotografias, pôde ser realizado de forma automatizada, proporcionando maiores velocidades nas obtenções dos resultados. A complexidade dos dados coletados e gerados também acompanha o aperfeiçoamento dos sensores, lentes e demais tecnologias por trás das câmeras digitais (JERONYMO; PEREIRA, 2015).

A fotogrametria digital surgiu por volta da década de 80, onde a grande inovação da mesma era a utilização de imagens digitais como fonte primária de dados (COELHO; BRITO, 2007). As imagens digitais podiam ser obtidas diretamente por câmeras digitais ou através da digitalização matricial de uma imagem analógica através de scanners.

Assim o período da fotogrametria analítica (1960 - 1990) foi substituído pelo da fotogrametria digital, que se caracteriza pelo processamento e correlação da imagem digital (SZANGOLEES, 1992 apud WESTPHAL, 1999). Pois, durante a década de 90, surgiram uma série de softwares computacionais e computadores com capacidade de

processamento de imagens digitais e elevado volumes de dados que revolucionaram e simplificaram a forma de trabalhar, tornando o efetivo o seu uso. Ao mesmo tempo, a fotografia também evoluía, com a produção de máquinas fotográficas digitais de alta definição (KOATZ, 2010).

A introdução do processamento digital de dados trouxe mudanças significativas em distintas áreas do conhecimento, dentre elas a fotogrametria. Pois levou-se a cabo a implantação de formulações analíticas já existentes, executados em computadores de pequeno porte, uma leva de novos softwares de restituição fotogramétrica de baixo custo, permitindo também a usuários não-fotogrametristas a modelagem 3D de objetos (ALTROCK, 2004).

Conforme Koatz (2010), a Fotogrametria pode ser útil para profissionais que lidam com o Patrimônio para:

 Produzir uma avaliação do estado em que se encontra uma edificação ou objeto em determinado momento, incorporando-se ao seu inventário;

 Monitorar o estado de conservação de monumentos e sítios de importância histórica, artefatos arqueológicos e pinturas rupestres;

 Produzir a documentação necessária para o início do processo de restauração de um bem;

 Reconstruir prédios destruídos;

 Controlar a estabilidade de obras, medir deformações e estudar a movimentação de terrenos e a determinação de perfis e volumes.

 O desenvolvimento de sistemas fotogramétricos digitais possibilitou a utilização de programas para a restituição fotogramétrica, tornando o processo mais simples, flexível e acessível, diferentemente da fotogrametria em suas formas analógica e analítica (GROETELAARS, 2004).

3.2.2 Fotogrametria arquitetônica

Pioneira de todas as áreas da fotogrametria, o uso da fotogrametria arquitetural remonta do século passado e teve início na Europa, por volta de 1858, com o trabalho do arquiteto alemão Albrecht Meydenbauer no levantamento da catedral da cidade de Wetzar na Alemanha, pelo procedimento da interseção fotogramétrica, baseada em duas vistas fotográficas da obra (WESTPHAL, 1999; ALTROCK, 2004; GROETELAARS; AMORIN, 2008). Hoje a Europa possui o maior número de institutos

de fotogrametria em todo o mundo, e tem sido utilizada, principalmente, na documentação e preservação de edifícios antigos (WESTPHAL, 1999).

A ideia básica da Fotogrametria Arquitetônica é reconstruir a geometria da imagem que foi eficaz durante a exposição das fotografias para obter coordenadas do objeto (KAĻINKA; ŠARMA, 2010).

Na década de 60 a fotogrametria aplicada à arquitetura toma força no momento em que vários países passam a se preocupar com a conservação e preservação de monumentos, quando em 1964 tem-se a criação da Carta de Veneza, fruto do II Congresso Internacional de Arquitetos e de Técnicos de Monumentos Históricos, realizado em Veneza de 25 a 31 de maio daquele ano, que estabeleceu novos conceitos para a preservação do patrimônio cultural (GROETELAARS, 2004; KÜHL, 2010).

A Carta de Veneza permanece como documento-base do International Council on Monuments and Sites (Conselho Internacional de Monumentos e Sítios) – ICOMOS. No seu Art. 16º, essa carta escreve a necessidade de documentação precisa do patrimônio antes de qualquer intervenção:

Os trabalhos de conservação, de restauração e de escavação serão sempre acompanhadas pela elaboração de uma documentação precisa soba a forma de relatórios analíticos e críticos, ilustrados com desenhos e fotografias. Todas as fases dos trabalhos de desobstrução, consolidação recomposição e integração, bem como os elementos técnicos e formais identificados ao longo dos trabalhos serão ali consignados. Essa documentação será depositada nos arquivos de um órgão público e posta à disposição dos pesquisadores; recomenda-se sua publicação (CARTA DE VENEZA, 1964, p. 4).

Em 1987, na reunião do ICOMOS na Cidade de Washington (EUA), a técnica fotogramétrica foi apontada como a mais indicada para o levantamento arquitetônico preciso de monumentos e sítios históricos (WESTPHAL, 1999).

No Brasil, segundo Groetelaars (2004) a primeira experiência com a fotogrametria arquitetônica foi aplicada na documentação das ruínas da Casa Torre de Gárcia D’Ávila, na Praia do Forte em Marta de São João na Bahia em 1977. A escolha deste monumento deveu-se à sua importância histórica e arquitetônica, além de sua complexidade, o que possibilitou demonstrar o grande potencial e as vantagens da fotogrametria no tocante as técnicas tradicionais de medições diretas.

Outros exemplos, no Brasil, onde a técnica fotogramétrica teve seus primeiros experimentos, foram:

 A fachada da Igreja São Francisco de Assis, em Ouro Preto, MG, 1977);  A fachada do Teatro Municipal (Rio de Janeiro, RJ, 1977);

 A fachada do Museu do Ipiranga (São Paulo, SP, 1980);

 Fachadas, paredes e torres das Ruínas de São Miguel das Missões (RS, 1981);  O monumento do Cristo Redentor (Rio de Janeiro, RJ, 1991).

A fotogrametria arquitetural tem inúmeras vantagens nos registros arquiteturais, alguns deles de acordo com Dallas (1996 apud Altrock, 2004), são:

 Provê um nível homogêneo do registro em uma fachada completa ou estrutura, sendo independente do nível de detalhes destas;

 Provê precisão definida em toda a fachada;  Os resultados podem ser providos rapidamente;

 A captura direta dos dados digitais é ideal para ingressá-los nos sistemas de desenho assistido pelo computador (CAD- Computer Aided Design);

 Permite a produção direta dos dados em 3D;

 A visão estereoscópica provê mais informação que a convencional fotografia pictórica.

Ainda de acordo com Dallas (1996, apud Westphal, 1999), o método assegura a integridade física do objeto, já que dispensa o contato direto com a superfície fotografada. E isto por si só, já é um fator de considerável relevância, tendo em caso à aplicação em objetos antigos.

Relaciona-se alguns trabalhos que utilizam a fotogrametria digital nos levantamentos do patrimônio arquitetônico: em Westphal (1999), Medina (2002), Altrock (2004), Groetelaars (2004), Yanaga (2006), Groetelaars e Amorin (2008), Ordóñez et al., (2008), Resende (2008), Lopes (2010), Herbert et al., (2011), Córdoba (2012), Tolentino e Feitosa (2014), Amorin e Tatiana (2017), Canuto, Moura e Salgado (2017)

4 METODOLOGIA DA PESQUISA

Neste capitulo, serão descritas a medição e a metodologia aplicada para os resultados desta dissertação.

A primeira etapa foi o posicionamento por GNSS, pelo método relativo estático, dos pontos RNINSR e IV4 (SILVA; NASCIMENTO; SEIXAS, 2016), localizados sobre a calçada da Igreja Nossa Senhora do Rosário e Praça do Rosário, respectivamente, no Bairro Varzea – Recife.

A segunda etapa foi a densificação dos pontos de apoio terrestres por meio do método centragem forçada, determinando assim os dois pontos de apoio para o levantamento da fachada P01 e P02. A terceira etapa foi a determinação das altitudes ortométricas dos pontos P01 e P02. Para isso foi realizado um levantamento geométrico simples (cf. item 2.4.1), a partir dos desníveis entre a RNINSR e os pontos P01 e P02.

A etapa seguinte foi a aquisição dos dados dos pontos de controle da fachada da Igreja Nossa Senhora do Livramento, Bairro Várzea – Recife. Nesta etapa utlizou- se da metodologia descrita no item (2.6.2), porém, para se ter subsídio para realizar a determinação das coordenadas dos pontos de controle da fachada por outros métodos, foram tomados também as medidas das distâncias inclinadas entre os pontos de apoio e os pontos de controle.

Para finalizar o levantamento em campo, a quinta etapa foi o levantamento fotogramétrico utilizando a Aeronave Remotamente Pilotada – ARP, DJI Phanton 4 Advanced, no qual foram tomadas fotografias da fachada em posições distintas de modo que se tivesse o recobrimento total de sua área.

Em seguida, a sexta etapa foi de escritório. Nesta foi dada a realização dos respectivos cálculos para as determinações das coordenadas de todos os pontos levantados. Para isso utilizou o software Scilab para aplicar os modelos matemáticos. Com todas as coordenadas dos pontos de controle determinadas estas foram inseridas nas fotografias da fachada com o uso do software ContextCapture. Ainda neste software foi realizada a aerotriangulação destes pontos de controle nas fotografias e a reconstrução do modelo fotorrealista 3D. Por fim, foi realizado os devidos retoques e medidas das feições do modelo 3D no software ContextCapture Editor.

A descrição das características da área de estudo, dos equipamentos utilizados e da metodologia aplicada nesta dissertação é apresentada a seguir.

4.1 Área de estudo

Para a realização da presente dissertação, a área de estudo escolhida fica localizada na Rua Francisco Lacerda no Bairro Várzea, situado na Cidade de Recife em Pernambuco.

O trecho fica entre a Paróquia Nossa Senhora do Rosário, a Praça do Rosário e a Igreja Nossa Senhora do Livramento, à aproximadamente 470 m de distância do Centro de Tecnologia e Geociências da Universidade Federal de Pernambuco.

Figura 15 - Mapa de localização da área de estudo.

Fonte: O autor, 2020.

O local da Pesquisa é a fachada frontal da Igreja Nossa Senhora do Livramento. Esta Igreja pertencia a uma irmandade de homens escravos. Apesar do belo frontispício, que conserva suas características primitivas, não está em perfeitas condições e por dentro já foi toda restaurada. Possui ainda um prédio de dois

pavimentos, no qual funcionou o seminário da Várzea, hoje serve de morada para os padres (SILVA, S.d.).

Figura 16 - Igreja Nossa Senhora do Livramento.

Fonte: O autor, 2020.

4.2 Métodos

O fluxograma apresentado na Figura (17) descreve os procedimentos metodológicos que foram realizados para o desenvolvimento desta dissertação.

Figura 17 - Fluxograma das etapas metodológicas da dissertação.

Fonte: O autor, 2020.

A área de estudo foi escolhida de maneira a contemplar a Igreja Nossa Senhora do Livramento, Várzea – Recife, e uma Referência de Nível com precisão conhecida, em bom estado de conservação localizada próxima da mesma.

A próxima etapa foi a de reconhecimento da área e a implantação dos dois pontos de apoio para fachada e a identificação de pontos de referência pré-existentes. Na região do estudo existem além da RNINSR, outros 4 pontos IV2, IV3, IV4 e IV5 (Silva; Nascimento; Seixas, 2016), do quais o IV4 foi escolhido para fazer parte da rede geodésica desta dissertação.

A aquisição dos dados se deu por métodos de levantamentos geodésicos, topográficos e fotogramétricos tendo assim subsídios para determinar os resultados apresentados nesta dissertação.

4.3 Recursos tecnológicos

No contexto da presente dissertação, os recursos tecnológicos fazem referência aos equipamentos topográficos, geodésicos, fotogramétricos e computacionais utilizados para o estudo, que são:

 Receptores GNSS HIPER V Topcon, dupla frequência (L1/L2), Rádio com alcance de até 2km em RTK, Precisão horizontal de 3mm + 0,5 ppm e vertical de 5mm + 0,5 ppm para levantamentos estáticos e rápido-estáticos e horizontal de 10mm + 1 ppm e vertical de 15mm + 1 ppm para levantamentos cinemáticos e RTK;

 Receptores GNSS Topcon Hiper Lite +, dupla frequência (L1/ L2), rádio com alcance de até 2km em RTK, precisão horizontal de 3mm + 0,5ppm e vertical de 5mm + 0,3ppm para levantamentos estáticos e rápido-estático e horizontal de 10mm + 1 ppm e vertical de 15mm + 1ppm para levantamentos cinemáticos e RTK;

 Estação Total (GPT 3200 N/NW), precisão angular (5") e linear (5mm + 5ppm)*D classificada de acordo com NBR 13133 (1994) de precisão média;  Nível digital EL302 FOIF, Precisão de 0,7mm/km para medida eletrônica e de

1,5mm no duplo nivelamento por km para medida óptica; Tempo para medição de 2 segundos ou mais rápido; Alcance de 105 metros; Abertura de objetiva de 45mm; Lente com aumento de até 30x (trinta vezes); Campo de visão em 100m é de 2,6m (1°30’); Distância focal mínima de 1 metro; Intervalo de compensação de 14’ (compensador automático); Precisão de compensador de ± 0.5”. Classificado de acordo com NBR 13133 (1994) de precisão média.

 Uma APR multirotor, modelo DJI Phantom 4 Advanced, equipado com câmera digital modelo DJI FC6310 com sensor de 1” (13,2 mm) CMOS - Complementary Metal-Oxide Semiconductor (Semicondutor Complementar de Óxido Metálico) com capacidade de produzir imagens de 20 Megapixels de resolução, (5.472x3.078) pixels; Tamanho do píxel 2,526 μm; Distância Focal de 8,8mm/24mm equivalente ao formato de 35mm;

 Recursos computacionais: Notebook Lenovo Ideapad 320 (SSD 480GB, HD 1TB e RAM de 8GB); Software Topcon Tools versão 8.2.3 (Demo); Software Bentley ContextCapture Desktop edition Update 10 – versão 4.4.10.336 (Licença acadêmica); Software Scilab 6.0.2; Microsoft Excel, Word (2013); Softwares QGis 2.14; AutoCad (2014); Adobe Photoshop (CS6);

 Apoio logístico: prismas, tripés, bases nivelantes, trena de fibra de vidro graduada no milímetro, marreta, pinos de ferro, miras com código de barras e nível de cantoneira.

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