L. POTOMS J DELVA
13) C Const., n° 125/2011 du 7 juillet 2011 Numéro du rôle :
Quando se trata de internacionalização de micro e pequenas empresas o primeiro desafio é fazer com que as empresas tomem a decisão de ir para o exterior. E, essa decisão consiste num desafio, pois a maioria das empresas prefere permanecer no mercado interno. Isto se deve à insegurança em ter que lidar com outras culturas, aprender outras línguas, lidar com moedas estranhas e voláteis, enfrentar incertezas e problemas políticos e legais, e ainda ter que adaptar seus produtos para atender às expectativas do consumidor estrangeiro, logo, para elas, o mercado interno seria muito mais fácil e seguro (KOTLER, 1998).
No entanto, apesar dos riscos, o mercado internacional pode oferecer várias vantagens à empresa que optar por atuar nesses mercados. Os principais fatores que levam as empresas a atuar na arena internacional são:
Empresas globais oferecendo produtos melhores ou preços menores podem atacar seu mercado doméstico. A empresa pode desejar contra- atacar essas empresas em seus mercados domésticos para minar seus recursos. A empresa pode descobrir que alguns mercados externos apresentam maiores oportunidades de lucro do que o mercado doméstico. Ela pode necessitar de uma base mais ampla de consumidores para obter economia de escala. Ela pode desejar diminuir sua dependência de qualquer mercado e, assim, reduzir risco. Os clientes da empresa podem estar indo para o exterior, exigindo, assim, serviço internacional. (KOTLER, 1998, p. 358).
Além desses, ainda devem ser considerados outros aspectos como a oportunidade de diluir riscos, já que a empresa não estará mais vinculada aos seus clientes do mercado interno; a oportunidade de crescimento da empresa; a possibilidade de redução de gastos fixos, uma vez que a empresa estará produzindo em quantidades maiores e a competição com empresas de todo o mundo, o que força a melhoria contínua dos produtos.
A perspectiva da necessidade de internacionalização das pequenas empresas é reforçada também por Etemad (2004), quando considera que é imperativo a inserção internacional e não apenas atuar nos seus próprios mercados, sobretudo porque os competidores internacionais já atuam nesses mercados. Para o autor as teorias existentes oferecem pouca orientação para as empresas de menor porte que pretendem internacionalizar. Analisa também as contínuas transformações no contexto interno e externo, abordando a questão da limitação de recursos e
enfatizando que o conhecimento é o principal recurso da empresa. Com isso, propôs uma estrutura com base na revisão de literatura que busca refletir a internacionalização de pequenas e médias empresas. Ele organizou essa estrutura com um conjunto de três forças e influências, são elas: Push Factors, Pull Factors e
Mediating Forces. A primeira pode ser entendida como as forças que empurram a
empresa a atuar no mercado externo. Normalmente são fatores internos à empresa e características internas que levam a empresa ao mercado internacional, como as características do fundador, as economias decorrentes da produção (busca de economia de escala e custos baixos), características da competição e estratégia da empresa (capacidade de antecipação, respostas rápidas às iniciativas dos competidores), economias de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), inovação e mudança tecnológica.
A segunda são as forças que puxam a empresa para o mercado internacional. São associadas ao ambiente externo da empresa, como a liberalização dos mercados internacionais, avanços nas tecnologias de informação, comunicação, transportes, atração de recursos de parceiros, relacionamentos internacionais com compradores e fornecedores. Por último, as forças mediadoras, resultante da interação das forças que empurram e puxam a empresa em direção ao mercado internacional. Elas são as características do setor de atividade da empresa, necessidade de recursos por parte das pequenas e médias empresas, dinâmica de aprendizado das organizações, oportunidade para explorar as capacidades, necessidade dos compradores e fornecedores. Com isso, entende-se que a interação entre essas forças determinam a intensidade e o resultado do processo de internacionalização das empresas (ETEMAD, 2004).
Para McDougall e Oviatt (1994), o tamanho e porte da empresa não são fatores decisórios para internacionalização, pois uma empresa pode já nascer internacionalizada e também se desenvolver enquanto se internacionaliza, considerando outras fontes de vantagens competitivas. Eles investigaram sobre o empreendedorismo internacional e apontaram três linhas principais: o impacto das políticas públicas na exportação de pequenas firmas; os empreendedores e as atividades empreendedoras em diversos países; e comparativos entre pequenas empresas exportadoras e não-exportadoras.
O mercado internacional não é restrito às empresas de grande porte, uma vez que é possível observar a participação de pequenas empresas nos negócios
internacionais e, algumas delas, já nascem internacionalizadas, as chamadas born
globals. Podem ser considerados como fatores que impulsionam essas empresas
rumo ao mercado externo, a redução do custo das transações internacionais; perfil empreendedor do principal executivo; cultura organizacional e definição de estratégias (KNIGHT e CAVUSGIL, 2005).
A pesquisa de Wright e Dana (2003) identifica grandes transformações que ocorrem no ambiente de negócios internacionais e discute seu impacto sobre o empreendedorismo internacional. Propõem uma abordagem alternativa para a internacionalização que envolve uma distribuição multipolar de poder e controle. Para eles as abordagens tradicionais se concentram na internacionalização da empresa hierárquica centralizada, com uma distribuição unipolar de poder e controle. É exatamente neste ponto que há ruptura, na medida em que eles consideram que o mundo está se movendo para redes multipolar, que inclui as grandes e pequenas empresas envolvidos em uma gestão simbiótica, cujos benefícios são oriundos da cooperação mútua e voluntária para aumentar a eficiência e lucro a partir de trabalho conjunto dentro de uma rede multipolar.
A perspectiva adotada na pesquisa de Amal, Freitag Filho e Miranda (2008) sugere que o processo de internacionalização das Pequenas e Médias Empresas (PME) se dá predominantemente pelas redes de relacionamentos existentes e as influências que essas redes exercem sobre as suas operações, permitindo, às empresas de menor porte, facilidades e um direcionamento de suas operações, o que garante a sua inserção competitiva no mercado internacional.
Figura 3: Inter-relacionamento de Teorias da Internacionalização Fonte: Amal, Freitag Filho e Miranda (2008)
Pela Figura 3 percebe-se que o empreendedorismo internacional e a utilização das redes convergem para o processo de internacionalização das empresas, influenciando diretamente na seleção dos mercados, nas estratégias de penetração para explorar as oportunidades identificadas e finalmente no próprio desempenho das empresas nos mercados externos.
A perspectiva do empreendedorismo internacional também foi abordada por Dalmoro (2008) que desenvolveu um modelo conceitual teórico de integração entre internacionalização e empreendedorismo, que pode ser observado na Figura 4:
Figura 4: Modelo Integrado de Empreendedorismo Internacional Fonte: Dalmoro (2008)
Para uma melhor compreensão da Figura 4, a mesma foi dividida na envolvente da empresa internacional e a envolvente do empreendedorismo, cabendo ressaltar que os fatores são convergentes em si e estão em um processo contínuo de interação. Na envolvente da empresa internacional, estão os fatores ambientais que influenciam a internacionalização da empresa, a saber: a concorrência internacional, a limitação do mercado interno, o envolvimento da organização com o processo de internacionalização, a cultura local, o tipo de indústria em que a empresa está inserida e a sua lucratividade. Também nesta envolvente estão os fatores estratégicos, como a vantagem competitiva da empresa, as estratégias de marketing, as estratégias de entrada, funcionais e genéricas que a empresa adota.
A outra envolvente é formada pelos fatores organizacionais, ou seja, aqueles de influência interna da empresa, como as características próprias da empresa, da gerência, cultura organizacional, o comportamento adotado pela gerência, recursos financeiros ou não. Além disso, estão as questões do empreendedorismo, formadas pela rede de contato da gerência, que vão desde a influência de amigos e familiares aos contatos comerciais que essa possui ou que poderão ser aproveitados por antigos contatos.
A conclusão do estudo de Dalmoro (2008) é que o grau de existência de cada fator na empresa vai determinar a velocidade e o seu nível de internacionalização. Como resultante da junção desses fatores está a performance obtida pela empresa, em que essa pode ser medida tanto por resultados financeiros, como não- financeiros.
Os resultados encontrados na pesquisa Silva, Chauvel e Bertrand (2010) mostram que a rede de relacionamento e a existência de um perfil empreendedor voltado para o processo de internacionalização têm papel importante na ida da empresa para o mercado externo. Tais fatores são desencadeadores e contribuem decisivamente para a continuidade e o sucesso do processo de internacionalização das empresas de pequeno porte.
Sommer (2010) também evidencia que o papel do principal executivo das pequenas e médias empresas tem grande impacto no processo de internacionalização. Para ele os aspectos cognitivos são ponto de partida para aumentar o conhecimento sobre a tomada de decisão no contexto de internacionalização de pequenas empresas, considerando que constructos cognitivos afetam o comportamento da empresa e que elementos atitudinais desempenham papel crucial na internacionalização.
2.1.3 Formas de entrada nos mercados externos
Após a empresa decidir atuar em mercados internacionais ela precisa decidir a forma mais adequada para inserir-se nesses mercados. As organizações dispõem de um conjunto de estratégias de ingresso em mercados internacionais à sua disposição. A decisão por uma ou outra forma de inserção deve levar em conta algumas dimensões estratégicas (PIPKIN, 2000). De acordo com esse autor, as