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Conlusion

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As correlações derivadas do discurso de promoção de saúde, por exemplo a correlação entre certos alimentos/nutrientes e prevenção e/ou redução de riscos de problemas cardíacos, fazem parte de uma complexa rede formada por experts (cientistas), formuladores de políticas públicas, indústrias alimentares, associações médicas e consumidores.

Nessa pesquisa focamos nos pontos de vista dos dois últimos atores citados dessa rede. Escolhemos analisar a relação estabelecida entre alguns tipos de alimentos e problemas cardíacos, pelo fato de muitos desses alimentos, vendidos em redes de supermercados, conterem o selo de aprovação da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Utilizamos um questionário com os desenhos de alguns produtos alimentares com esse selo, grupos focais, observação de oficinas terapêuticas e entrevistas em profundidade com grupo de pessoas idosas que participavam de um programa de atividade física em duas unidades de saúde e com pacientes de uma clínica privada de cardiologia que tinham passado por problemas cardíacos e estavam participando de um grupo coletivo de apoio psicológico.

Com base nas perguntas: O que você deixou de comer? O que

você passou a comer? O que você gostaria de comer?, encontramos uma

percepção mais ampla da relação entre saúde e dieta e o papel da dieta no processo saúde-doença; quem guia essas mudanças alimentares; as dificuldades para fazer essas mudanças e as estratégias usadas para combinar a escolha individual e as recomendações médicas; o impacto do conhecimento científico na padronização dos modelos dietéticos e na caracterização do que significa ter uma “alimentação” e uma “vida saudável”; e a percepção pública das controvérsias e incertezas relacionadas ao alimento/nutriente enquanto um medicamento.

Nessa pesquisa constatamos que o discurso institucional de promoção à saúde, amplamente incorporado nas políticas de saúde no Brasil, teve um alto impacto na indústria alimentar e na sociedade. Se, por um lado, esse discurso difundiu uma concepção mais ampla (e por isso, difusa) do processo saúde-doença, por outro lado, ele permitiu a proliferação de fracas correlações de causalidade (com ou sem financiamento e suporte das indústrias alimentares), como por exemplo, a correlação entre determinados alimentos/nutrientes e prevenção de doenças crônicas. Mesmo que essas correlações funcionem em condições de laboratório, isso não significa que elas funcionarão para a população em geral ou individualmente, porque os benefícios dos nutrientes representam apenas uma pequena parte de um complexo mecanismo de funcionamento do corpo (e mente), sendo impossível separá-los de outras variáveis envolvidas na ocorrência de doenças crônicas. A contingência e o caráter provisório do conhecimento científico (especialmente na área de nutrição) são frequentemente esquecidos pelos profissionais de saúde, e a aplicação dessas fracas correlações (baseadas em uma autoridade epistêmica de um

conhecimento supostamente científico) a casos clínicos individuais tem gerado padrões normatizados de comportamento alimentar e confusões na percepção pública do que poderia significar uma dieta saudável.

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