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5.4 Discussion

5.4.5 Confrontation avec quelques idées théoriques

O tipo torre sobre pódio não respondia a questões colocadas pelas necessidades de contínuo crescimento, transformação de funções e incorporação de mudanças tecnológicas cada vez mais aceleradas. Se as diferentes zonas cresciam a diferentes taxas, alterando-se suas participações relativas na área total de construção (MILLER; SWENSSON, 2000), a disposição das zonas em camadas verticais sucessivas, sendo impossível a expansão das

áreas de cada pavimento, estabelecia limites claros para a ampliação dos hospitais com essa tipologia.

Para equacionar essas questões, com ênfase na possibilidade de expansão para absorver novas tecnológicas, desenvolver-se-ia um outro tipo arquitetônico de hospital: a rua hospitalar. Em fins dos anos 1940, um projeto (nunca executado) para um hospital em Hertfordshire, Reino Unido (ver FIG. 13), firmou as bases da estruturação espacial segundo o princípio de uma coluna de circulação que vertebrasse blocos independentes, contendo diferentes atividades (COX; GROVES, 1981).

Figura 13 – Modelo esquemático em 3D de hospital com base no tipo rua hospitalar

Fonte: COX; GROVES, 1981

Esse tipo rua hospitalar, por conseguinte, se adequaria bem a uma época em que, como afirmou Weeks (1973, p. 464),

funções mudam tão rapidamente que os projetistas não deveriam mais buscar um ótimo ajuste entre edifício e função. O que é realmente requerido é que se projete o edifício que iniba minimamente as mudanças de função, e não que se ajuste melhor a uma função específica.

Nesse sentido, esse tipo era bastante vantajoso. Tanto cada bloco do conjunto já edificado poderia ser transformado ou expandido, sem que isso provocasse grandes transtornos à utilização dos demais blocos, como a conexão de novos blocos poderia ser feita segundo um curso de desenvolvimento reprogramável a cada momento (MONK, 2004). Assim, o potencial de crescimento da quantidade de leitos, ou do número de espaços clínicos, ou ainda a introdução de novos espaços com novas funções, e a minimização dos riscos de obsolescência constituíam os pontos fortes do tipo rua hospitalar.

Toda essa flexibilidade e adaptabilidade provinha, não só do modo de estruturação do espaço, mas também do uso de um sistema estrutural modulado em grandes vãos, que aportava – no plano de cada edifício adicionado ao conjunto – a possibilidade de adotar os arranjos físicos mais condizentes com a futura ocupação. A disponibilidade de novos materiais para as estruturas, como o concreto armado e o aço, também se ajustavam bem

ao tipo “rua hospitalar”. No caso, não é a associação entre leveza e alta resistência o que importa, dado que os edifícios deste tipo não são necessariamente altos; a característica importante aqui é a flexibilidade e a possibilidade de projetos modulados, com o uso de pórticos ou peças pré-usinadas, que se possam edificar por etapas.

Um exemplo paradigmático do tipo rua hospitalar é encontrado no hospital geral do Parque Northwick, em Londres (REDSTONE, 1978; ver FIG. 14). Ali, foram plenamente especificados, como primeira fase do empreendimento concluída em 1969, os projetos da espinha dorsal – ou seja, da rua hospitalar, eixo de

Figura 14 – Vista geral da 1ª fase do Northwick General Hospital, Londres.

Fonte: COX; GROVES, 1982

concentração de circulação e comunicação – e de dois conjuntos de blocos correspondentes ao extremo leste da “rua” e à área central, em que se situavam instalações hospitalares para 300 leitos.

Figura 15 – 2ª e 3ª etapas previstas para o Northwick General Hospital.

Fonte: REDSTONE, 1982

Figura 16 – Vista do interior do Northwick General Hospital.

Fonte: REDSTONE, 1982

Segundo Stone (1980), a implantação progressiva do empreendimento foi prevista para acontecer em três etapas (ver FIG. 15), configurando-se ao final um conjunto de edifícios de distintas dimensões, implantados de forma ordenada, mas sem excessivo rigor previsto

com respeito à exata realização do que se projetou inicialmente. Um detalhe fotográfico do edifício, na FIG. 16, mostra à direita a rua hospitalar, no nível destinado para a circulação de pedestres e paciente. Abaixo deste nível há uma rua similar para o tráfego de materiais e a rede de serviços, que poderiam ser verticalmente separados em determinados trechos, gerando então três pavimentos. Ao fundo e à esquerda, podem ser vistas fachadas de edifícios independentes em que se destaca o sistema modular da estrutura de concreto do exterior, formado por elementos verticais cujo espaçamento se amplia na medida em que se alcançam andares mais elevados.

No interior de cada edifício, colunas estruturais de concreto moldadas in situ poderiam ser dispostas mais ou menos livremente, apoiando em pontos estratégicos a laje pré-moldada em grelha. De modo similar que o estrutural, o projeto de instalações foi desenvolvido em módulos, usando-se um dos níveis da rua hospitalar para sua distribuição. Assim, no projeto do Parque Northwick, a modulação estrutural contribuía para a padronização construtiva e a conseqüente pré-fabricação. Por outro lado, apoiava as intenções do projetista de obter grandes vãos interiores que permitissem a variabilidade de definição de usos e espaços internos.

O tipo rua hospitalar apresentava alguns problemas. Os mais evidentes deles prendem-se à limitação do tamanho dos terrenos e aos longos percursos a serem seguidos por pessoas e por materiais. Mas também se apresentavam questões ligadas ao alto custo relativo de criar condições para expansões e adaptações que talvez nem venham a ser necessárias ou realizadas. Diante desses problemas, esses empreendimentos passaram a ser considerados caros para construir e manter. A crise econômica dos anos 1970 impulsionou a busca de alternativas para reduzir custos, mantendo algumas vantagens dessa tipologia.

Novas formas de organização da planta, utilizadas até os anos 1990, reduziriam os graus de liberdade das futuras expansões. Essas seriam planejadas como módulos prediais articulados em torno de espinhas dorsais não mais lineares. É o caso da solução em malha ou em cruzes sucessivas (ver FIG. 17).

Figura 17 – Esquema em 3D de solução derivada do tipo rua hospitalar.

Nessas soluções, portanto, radicaliza-se a repetição e a padronização, favorecendo um uso mais intenso da pré-usinagem redutora de custos, mas ocasionando menor flexibilidade e mais regularidade ao desenvolvimento do hospital.

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