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3.3 Les Mesures

3.3.1 Acquisition des données

Sob a proteção do Cristianismo e da Igreja, o hospital se converteu em uma instituição firme. Era instituído, edificado e administrado pelas autoridades eclesiásticas, sustentando- se a sua construção e manutenção por meio de doações financeiras espontâneas e de recursos deixados em testamento por leigos (THOMPSON; GOLDIN, 1975). Esses legados não eram totalmente desinteressados, pois a Igreja da época filiava parte desses recursos à absolvição dos pecados ou aos pagamentos por graças alcançadas.

Assim é que, na Alta Idade Média, em volta das catedrais nas instituições monásticas, foram erguidos edifícios para abrigar atividades que se constituíam como próprias dos hospitais (ROSEN, 1994). Em geral, os mosteiros se localizavam fora das muralhas das cidades medievais, nos cruzamentos das estradas (LABASSE, 1982). Neles é que se estabeleceu mais significativamente a atividade hospitalar medieval.

O Monastério Beneditino de St. Gall, na Suíça, é considerada como o mais representativo dos edifícios hospitalares medievais (C. H. BOEHRINGER SOHN, 198-; IMBERT, 1982). Alguns desenhos datados do ano de 820, e encontrados por pesquisadores em trabalhos de campo, serviram como base para reconstituição do conjunto edificado do monastério em um modelo tridimensional (ver FIG.1). Ao redor da catedral, foram erguidos outros quarenta edifícios necessários para o desenvolvimento das atividades da vida dos monges, incluindo aquelas de albergar os hóspedes e de cuidar dos enfermos (ver FIG.2). Thompson e Goldin (1975) depõem que a maioria desses edifícios tinha sistema construtivo rudimentar, em madeira, bastante comum na época para a construção de estábulos e celeiros. Do total, somente nove edifícios utilizavam arcadas e abóbadas – o sistema construtivo mais desenvolvido da época –, cujo

Figura 1 – Modelo tridimensional do Monastério de St. Gall, com destaque para a enfermaria.

Fonte: http://vandyck.anu.edu.au

Figura 2 – Planta geral do Monastério de St. Gall.

A

B

C

Legenda: (A) Igreja; (B) Clausura dos monges; (C) Enfermarias.

principal material de construção era a pedra. Entre os nove, provavelmente os que gozavam de maior prestigio no mundo religioso do monastério, estavam a Catedral – uma basílica que se destacava do conjunto por suas dimensões – e, lançando mão do tipo claustral, a clausura dos monges e a enfermaria, designação do edifício destinado aos cuidados dos enfermos (IMBERT, 1982).

O tipo claustral era uma derivação do tipo átrio, utilizado na arquitetura romana residencial clássica – um pátio interno descoberto para onde se voltavam as residências com suas aberturas como janelas e portas. No clima mediterrâneo, funcionava como uma espécie de proteção à hostilidade do clima seco. Nesse tipo, as relações entre os ambientes e entre as edificações são estabelecidas a partir de um espaço interno comum. O vínculo com o espaço interno é mais valorizado do que com o externo. Essa disposição favorece tanto a integração das atividades, quanto as relações sociais interiores ao grupo de usuários, ao mesmo tempo em que propicia um distanciamento com respeito ao ambiente externo e proteção das hostilidades climáticas.

O esquema da clausura se diferenciava do átrio romano pelo acréscimo de uma circulação arqueada em redor do pátio, por onde os monges caminhavam fazendo suas orações e através do qual se faziam as comunicações dos aposentos dos monges com a capela e com o refeitório. Era também através do pátio que se dava a comunicação com o exterior do edifício, de modo que o pátio funcionava também como uma espécie de ante-sala. Para o pátio, em cujo centro se destacava a fonte em meio aos jardins internos, se voltavam as aberturas dos ambientes, pelas quais eles recebiam iluminação e ventilação. Em segundo grau de importância, as instalações para cozinha e banhos se situavam no exterior do edifício e se comunicavam aos aposentos através de circulações cobertas.

Figura 3 – Planta da enfermaria do Monastério de St. Gall.

Legenda: (1) Pátio interno; (2) Claustro; (3) Enfermarias; (4) Latrinas; (5) Refeitório; (6) Capela.

O edifício da enfermaria de St. Gall era uma reprodução do esquema da clausura (ver FIG. 3). Ao redor de um pátio interno retangular, encontravam-se quatro aposentos destinados à estadia dos enfermos, a capela e um refeitório, que se ligavam uns aos outros pelo interior do edifício, através de uma circulação com arcadas. Esta organização dos espaços parece bem adequada à vida de isolamento e meditação dos monges. No entanto, não havia nenhuma relação direta com as atividades de cuidados dos enfermos.

Obs: adaptado de htpp://lib.utexas.edu

O perímetro retangular do pátio estava estruturado em colunas (ou pares de colunas) igualmente espaçadas, erigidas em pedra, as quais apoiavam arcos e abóbadas semicirculares que cobriam o claustro, com coberta em água única. As paredes em pedra dos compartimentos garantiam a estrutura para a cobertura em duas águas e eventuais tetos abobados. Essa estrutura dá forma a uma volumetria assimilada a um prisma de base retangular – próxima do quadrado –, vazado no centro pelo pátio, com altura da ordem de metade das dimensões da planta, destacando-se (ver FIG. 1) a capela por exibir linha de cumeeira acima das outras alas, embora bem abaixo da altura da igreja. A simplicidade dos materiais e da solução estrutural condiz com a natureza religiosa de recolhimento, inerente ao tipo.

A adoção da tipologia claustral para as enfermarias nos monastérios se deve provavelmente a dois motivos. O primeiro se liga ao fato de que cuidar dos enfermos ocupava uma posição elevada na hierarquia das regras da vida monacal da época (BINET, 1996; THOMPSON; GOLDIN, 1975): logo, tratava-se de uma atividade prestigiada e o edifício em que se realizava deveria adotar um tipo mais sofisticado que aquele tipo vernacular mais rudimentar. O segundo motivo deve derivar do fato de que o isolamento proporcionado pelo tipo claustral era adequado à vida de orações, cânticos, missas e comunhões à qual se obrigavam os enfermos ali internados (C. H. BOEHRINGER SOHN, 198-).

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