Sendo um estudo de investigação-ação, recorremos a diversos instrumentos para recolha de dados, com o propósito de adquirir várias perspetivas que pudessem ser complementares sobre o projeto que procurámos concretizar. Alguns instrumentos foram utilizados em momentos pontuais e outros serviram para a recolha continuada de dados ao longo de todo o estudo. Inicialmente, aplicámos o questionário de caracterização sociocultural e práticas de leitura dos alunos e, no final do projeto, utilizámos outro questionário de avaliação das atividades. No decorrer do projeto, empreendemos uma observação participante, através de registos de observação em diário de bordo, que depurámos em relatórios.
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Esta combinação de métodos e de técnicas de investigação permitiu-nos fazer uma triangulação de dados, uma vez que foram confrontadas diversas fontes de informação. Segundo Patton (1990, citado por Carmo e Ferreira, 1998: 183), “a forma de tornar um plano de investigação mais “sólido” é através da triangulação, isto é da combinação de metodologias no estudo dos mesmos fenómenos ou programas. Tal significa, de acordo com o mesmo autor, utilizar diferentes métodos ou dados, incluindo a combinação de abordagens quantitativas e qualitativas”.
Uma das características do estudo de caso e da investigação-ação é recorrer a uma metodologia eclética, com vista a dar fiabilidade ao estudo através de um processo de recolha de dados que permita a confrontação da informação com origem em diferentes fontes, que poderão incluir: observação, questionários, fotografias, gravações, documentos, anotações de campo… De acordo com Domingos Fernandes (s/d), “parece-nos evidente que há vantagens e desvantagens em cada um dos paradigmas da investigação e que dados de natureza quantitativa e qualitativa podem ser recolhidos, com claras vantagens, no processo de resolução do mesmo problema”. No caso do nosso estudo, considerámos que reunindo e cruzando dados recolhidos a partir de diferentes perspetivas, chegaríamos a resultados mais fiáveis e contribuiríamos duma forma mais consistente para a mudança que se pretendia implementar.
Concluindo, neste estudo, no processo de recolha de dados foram utilizadas diversas técnicas:
1- Observação participante: diário de bordo / relatórios (Anexo 3).
2- Questionários de caracterização sociocultural e sobre opiniões/hábitos de leitura (Anexo 4).
3- Questionários de opinião sobre o projeto desenvolvido (Anexo 5). 4- Outros registos (Anexo 6).
3.3.1. Os questionários
Entre os vários instrumentos usados para a recolha de dados, os questionários são, provavelmente, um dos instrumentos mais usados. A utilização do questionário “num projeto de investigação justifica-se sempre que há necessidade de obter informações a
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respeito de uma grande variedade de comportamentos, para compreender fenómenos como atitudes, opiniões, preferências e representações, para obter dados de alcance geral sobre fenómenos que se produzem num dado momento ou numa dada sociedade com toda a sua complexidade” (Coutinho, 2007).
Na elaboração dos questionários, procurámos ser cuidadosos na forma como formulámos as questões, bem como na apresentação do questionário. O sucesso do questionário depende, em grande medida, da boa elaboração do mesmo conducente a respostas adequadas e esclarecedoras, para se constituir um conjunto de parâmetros que possam permitir a caracterização da amostra.
Questionário inicial
Para que a dinâmica investigativa se desenvolvesse, era necessário contextualizar e conhecer a turma. Logo, fez-se um questionário inicial onde pretendemos traçar o perfil socioeconómico e cultural dos alunos da turma, bem como obter informações sobre os hábitos e gostos de leitura daqueles alunos.
O inquérito por questionário revelou-se vantajoso enquanto instrumento sistematizado, de maior simplicidade de análise, rápido na recolha e análise de dados e de baixos custos. Contudo, a conceção das questões revelou-se complexa e morosa. No sentido de minimizar os custos da investigação e facilitar o tratamento estatístico, a administração do questionário fez-se através do GoogleDocs.
Questionário de avaliação do projeto
Após a observação participante, os segundos questionários pretenderam auscultar a opinião dos alunos sobre as atividades de promoção da leitura, se estas tiveram impacto na sua motivação para ler mais e, também, se terão influenciado a sua aprendizagem escolar. Este questionário, inspirado em questões do Modelo de Avaliação da Biblioteca Escolar, do domínio da leitura e literacia, foi bastante mais pequeno que o primeiro e optámos por entregá-lo em papel na última sessão. À semelhança do primeiro, não foi identificado, para que os alunos fossem totalmente honestos e não receassem manifestar qualquer opinião menos positiva.
Promoção da leitura recreativa - Um projeto da Biblioteca Escolar em articulação com Língua Portuguesa 105 3.3.2. Observação participante
A observação participante tem por objetivo recolher dados (sobre ações, opiniões ou perspetivas) aos quais um observador exterior não teria acesso. Bogdan e Biklen, referindo-se aos estudos de caso de observação, apontam que a melhor técnica de recolha de dados consiste na observação participante e o foco do estudo centra-se numa organização particular (escola, centro de reabilitação) ou nalgum aspeto particular dessa organização” (1994: 90). No nosso caso, centrámos o estudo numa turma de 7.º ano.
A observação participante pareceu-nos uma técnica de investigação qualitativa adequada a esta investigação, pois neste tipo de observação, o investigador vive as situações, fazendo os seus registos dos acontecimentos de acordo com a sua perspetiva/leitura. Permite recolher dados do tipo da descrição narrativa e dados que pertencem ao tipo da compreensão, pois fazem apelo à sua própria subjetividade.
A fonte de dados que utilizámos na nossa investigação, para além dos questionários e outros documentos, foi o diário de bordo. O diário de bordo é um instrumento que nos permitiu registar as notas retiradas das observações no campo. Bogdan e Bilken (1994: 150) referem que essas notas são “o relato escrito daquilo que o investigador ouve, vê, experiência e pensa no decurso da recolha e refletindo sobre os dados de um estudo qualitativo”. Este relato não só é uma importante fonte de dados, como um instrumento de apoio ao longo do estudo. Após a análise das notas, redigíamos os relatórios que conciliavam uma reflexão sobre as atitudes e sentimentos dos alunos no decorrer das atividades desenvolvidas bem como as opiniões manifestadas por alguns, pois procurámos, sempre que possível, envolver os alunos na avaliação da atividade. Saliente-se o sentido crítico que os alunos revelaram quando chamados a pronunciar-se, mostrando franqueza na formulação de opiniões.
Procurámos que os nossos registos de observação fossem o mais possível objetivos, não excluindo o grau de subjetividade inerente a esta investigação. A este propósito, recordamos as palavras de Bogdan e Biklen sobre investigação qualitativa: “Aquilo que os investigadores qualitativos tentam fazer é estudar objetivamente os estados subjetivos dos seus sujeitos. Ainda que a ideia de que os investigadores sejam capazes de ultrapassar alguns dos seus enviesamentos possa, inicialmente, ser difícil de aceitar, os métodos que eles utilizam auxiliam neste processo” (1994: 67).
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