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Chapitre 7. Configurer le module complémentaire Red Hat High Availability avec des outils de ligne de commande
A racionalidade do espaço contemporâneo está na intencionalidade de sua re-produção. Partindo das ideias de Lefebvre e Santos, posso afirmar que nenhum objeto técnico existe por acaso, assim como nenhuma ação acontece por força espontânea. Se, no início da história humana, era a natureza que fornecia os objetos e permitia/limitava a ação em suas possibilidades/restrições, hoje a fronteira do espaço é o conhecimento construído e sua ampliação se dá com a continuidade de sua construção. E, curiosamente, quanto maior é a nossa independência dos objetos fornecidos pela natureza, maior torna-se a dependência pela exploração dessa
88 natureza para a criação dos novos objetos. Ou seja, a artificialidade dos objetos e da natureza atuais roubou-nos nossa capacidade de percepção do uso e da degradação do nosso meio. A tecnologia é a solução para os problemas ambientais e sociais. Esse é o discurso atual, apontado por Santos (1994, p. 20):
Os objetos que nos servem são, cada vez mais, objetos técnicos, criados para atender a finalidades específicas. As ações que contêm são aprisionadas para finalidades que, raramente, nos dizem respeito. Vivemos em um mundo exigente de um discurso, necessário à inteligência das coisas. É um discurso dos objetos, indispensável ao seu uso, e um discurso das ações, indispensável à sua legitimação. Mas ambos esses discursos são, freqüentemente, tão artificiais como as coisas que explicam e tão enviesados como as ações que ensejam (SANTOS, 1994, p. 20).
A nuvem ideológica que transporta esse discurso cobre nossa visão e não nos permite perceber que a base material e social das novas tecnologias (objetos e ações) tem sido a mesma de toda a história humana: a exploração e transformação da natureza. Para Santana (2001, p. 51), em sua leitura sobre a obra de Santos, “a história se constrói, seja por meio do trabalho produtivo, seja por meio de próprio espaço, ocupando e se apropriando a natureza primeira e segunda”. Um bom exemplo do exposto é a modernização da agricultura capitalista36, conduzida sob bandeiras como a da “revolução verde” e destinada a matar a fome da humanidade. Não só não resolveu o problema como o aprofundou, mas deu à agricultura tradicional37 as feições e as dinâmicas deste espaço globalizador de que falo aqui. Como afirma Graziano da Silva (2004, p. 138-139), esse processo na agricultura brasileira, além de desigual e parcial, foi excludente, pois permitiu que apenas alguns poucos chegassem ao seu ápice.
Aliás, se tomarmos a agricultura atual como um fixo, as ações que a transformaram e acabaram por reconfigurá-la e reconfigurar os seus lugares, podem ser encaradas como os fluxos. Diz Santos que fixos e fluxos sempre existiram, “só que hoje os fixos são cada vez mais artificiais e mais fixados ao solo”, enquanto os “fluxos são cada vez mais diversos, mais amplos, numerosos e rápidos” (1997, p. 50). Sua conceituação diz que os elementos fixados em cada lugar permitem ações que o modificam, enquanto os fluxos novos ou renovados recriam as condições sociais e ambientais que o redefinem. Tudo intencionalmente e de acordo com uma racionalidade. 36 Ver item 1.2 37 Ver itens 1.1 e 1.2
89 Contudo, ações e objetos não bastam para explicar o espaço. É preciso compreender o papel e a importância da técnica. As técnicas, como diz Santos (1997, p. 25), “são um conjunto de meios e instrumentais sociais, com os quais o homem realiza sua vida, produz e, ao mesmo tempo, cria espaço”. Citando Sorre, o autor (idem, p. 29) diz que o entendimento do geógrafo sobre técnica não deve pautar-se apenas pelo seu aspecto instrumental-mecânico, mas deve estender-se a todos os domínios da atividade humana. A técnica é, portanto, o aspecto fundamental para alcançarmos à noção de espaço geográfico e, como tal, é tanto portadora de intencionalidade quanto de racionalidade e conduz a configurações espaciais distintas em diferentes lugares, o que faz com que o processo de internacionalização de fluxos acabe por acirrar as disparidades dos lugares. Conforme diz Santos (1997, p. 48),
É o lugar que atribui às técnicas o princípio de realidade histórica, relativizando o seu uso, integrando-as num conjunto de vida, retirando-as de sua abstração empírica e lhes atribuindo efetividade histórica (SANTOS, 1997, p. 48).
Assim, para Silveira (2001, p. 64), a produção e localização seletiva dos sistemas de objetos desenham pontos mais ou menos perfeitos no território38, associando-se a ações que são cada vez mais pragmáticas e exatas. A acumulação diferencial desses objetos, cada qual com sua idade específica, traz a cada novo movimento de renovação uma nova possibilidade de organização espacial. Isso é o que defende Santos (1997, p. 35),
A forma como se combinam sistemas técnicos de diferentes idades vai ter uma conseqüência sobre as formas de vida possíveis naquela área. Do ponto de vista específico da técnica dominante, a questão é outra; é a de verificar como os resíduos do passado são um obstáculo á difusão do novo ou juntos encontram a maneira de permitir ações simultâneas (SANTOS, 1997, p. 35).
Como se pode perceber, os objetos técnicos (e a técnica) tanto podem ser hegemônicos, ou não. Os hegemônicos seguem determinações e orientações globais, portanto são estranhos à grande maioria dos lugares. São portadores da temporalidade hegemônica e conduzem à aceleração contemporânea. Já os objetos não hegemônicos tendem a pertencer aos lugares onde foram criados, visto que estão em compasso com as sociedades/culturas locais. Oferecem abrigo ao ataque
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Aqui entendido como uma instância do espaço, mas não o espaço propriamente dito. Parafraseando Raffestin, o território seria o campo de ação do poder, o locus do conflito.
90 globalizador e unificador dos objetos hegemônicos e são responsáveis por manter a diversidade cultural que ainda resta.
No entanto, como a difusão das técnicas é desigual no espaço/tempo, atingindo, diferentemente, lugares/cotidianos já demarcados pelo acúmulo de sistemas técnicos anteriores, temos cada vez mais a sobreposição entre novo e velho, gerando novas rugosidades a cada instante, aumentando ainda mais a especificidade dos lugares. Nesse sentido, há de se concordar com Santos quando este afirma que a desejada homogeneização pelo poder hegemônico é impossível (1997, p. 37). Assim, ouso dizer que, quanto maior for a pressão externa pela homogeneização espacial maior será a tendência à especificação e diversificação dos lugares.