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Nessa subseção apresentamos os dados relacionados às concepções dos sujeitos sobre computação e programação. Optamos por questioná-los sobre esses temas para investigar quais conhecimentos prévios os sujeitos possuem sobre programação, bem como qual é sua relação com a computação e suas opiniões sobre a abordagem desses tópicos na Educação Básica.

Destacamos que as frequências apresentadas nessa seção foram calculadas em relação ao total de ocorrência das categorias, não em relação ao total de sujeitos. Ou seja, calculamos a frequência das categorias da seguinte forma 𝑜𝑐𝑜𝑟𝑟ê𝑛𝑐𝑖𝑎𝑠 𝑑𝑎 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑔𝑜𝑟𝑖𝑎

𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑜𝑐𝑜𝑟𝑟ê𝑛𝑐𝑖𝑎𝑠 .

Para investigar qual é a concepção dos sujeitos sobre programação perguntamos: O que

você entende por programação? As respostas foram compiladas nas seguintes categorias: É

linguagem específica para atingir um determinado objetivo (23%); É um meio de ensinar o computador (15%) e não sei dizer (23%).

Segundo Wirth (1989) programar é a técnica ou arte de elaborar algoritmos de forma sistemática. Partindo dessa concepção percebemos que os sujeitos têm uma visão ingênua e restrita do que é programar, visto que suas concepções não mencionam algoritmos e se restringem às ações envolvendo computadores.

Isso era esperado tendo em vista que, usualmente, a programação não é abordada nos cursos de Licenciatura em Matemática. A única disciplina que trabalha um pouco com programação, Cálculo Numérico, é ofertada no último ano do curso dos sujeitos que participaram da pesquisa, e estes não tiveram contato com as noções preliminares de programação antes de responderem o questionário.

Para investigar a relação dos discentes com a computação utilizamos perguntas do tipo Likert, as asserções e respostas são apresentadas na Tabela 5.2.

Tabela 5.2 - Relação dos discentes com a computação.

Asserção Concordo Neutro Discordo

Acho ciência da computação interessante. 84% 16% 0% O desafio de resolver problemas usando conhecimentos da

ciência da computação me estimula. 76% 24% 0% Tenho facilidade para aprender a trabalhar com um novo

software. 69% 23% 8%

Tenho competência para resolver problemas cotidianos

usando computadores. 77% 15% 8%

Fonte: Autores.

A partir da Tabela 5.2 observamos que a maioria dos discentes demonstra interesse pela computação. Esses dados sugerem que uma parcela significativa pode se sentir desafiada e interessada nas atividades da sequência didática. No entanto, ao menos 16% dos discentes não opinaram sobre a primeira asserção e 24% sobre a segunda, indicando que esses acadêmicos podem não se sentir interessados, mas também não necessariamente apresentam aversão à computação.

Observamos que 69% da amostra relata ter facilidade para aprender a usar um novo

software, além disso, também constatamos que 77% dos discentes afirmam ter competência

necessariamente corresponder a sua real capacidade, entendemos que ela pode ser interpretada como um indicativo da autoconfiança que o sujeito tem em relação a essas competências.

Uma parcela significativa dos sujeitos apresenta uma pré-disposição para aprender a utilizar o Scratch. Entretanto, para uma minoria as atividades propostas na sequência didática podem ter sido mais onerosas, considerando que 8% relatam ter dificuldade para trabalhar com

softwares desconhecidos e 8% não acreditam ter competência para resolver problemas usando

computadores.

Vale ressaltar que a confiança do sujeito em conseguir aprender a usar um novo software pode refletir na qualidade dos programas produzidos pelos discentes, tendo em vista que a metodologia adotada exige que os participantes explorem o software por conta própria.

Para investigar quais relações os discentes percebem entre computação e Matemática perguntamos: Para você a Matemática e a computação estão relacionadas? Como?

Dos 13 respondentes, 92% afirmaram que há relações entre esses dois campos de conhecimento e 8% não souberam dizer se essas áreas se relacionam. As relações observadas pelos discentes foram: a computação se baseia na programação e a programação utiliza raciocínio lógico e matemática (45%); o computador pode ser utilizado para ensinar matemática (45%); e estão relacionadas através de campos como robótica, programação e simulação (10%). Para alguns discentes a programação é apresentada como um exemplo de como essas áreas estão associadas, essa concepção é coerente considerando que Kilham e Brâting (2019) apontam diversas relações entre a matemática e a programação. Contudo, para uma parcela dos participantes a relação entre as áreas se dá porque os computadores podem ser utilizados para ensinar matemática. Entendemos que esta é uma concepção simplória, pois a computação não é a finalidade para a qual um computador é utilizado, mas sim um campo de estudo com conceitos, práticas e teorias.

Questionamos também: Você vê possibilidades para trabalhar a matemática por meio

da programação? Como? 38% dos sujeitos percebem possibilidades e 62% afirmaram que não

percebem nenhum meio. As metodologias apontadas pelos discentes são apresentadas na Tabela 5.3.

Tabela 5.3 - Meios para ensinar a Matemática usando a programação.

Id. Categoria Concordo

(a) Desenvolvendo a lógica por meio da programação. 27%

(b) Fazendo os alunos explorarem programas para entender a lógica e a

matemática que permeia esses programas. 9%

(c) Por meio da criação de jogos. 9%

(d) Estimulando os alunos a criar programas que calculem operações e

expressões matemáticas. 9%

(e) Não percebo possibilidades. 46%

Fonte: Autores.

As categorias (a) e (b), da Tabela 5.3, vão ao encontro da fala de Selby (2014). Segundo Ávila et al. (2017) a categoria (c) é uma estratégia comumente adotada. A categoria (d) pode ser considerada superficial, pois o programa não precisa ter essa limitação para que aborde a matemática, uma vez que o próprio ato de programar mobiliza conhecimentos e habilidades matemáticas. Destacamos que todos os discentes que não percebem meios de trabalhar a matemática por meio da programação também relataram não ter experiência prévia com a programação.

Perguntamos: Você já vivenciou alguma experiência prévia relacionando conceitos de

programação com a matemática em sala de aula? Se sim, em que contexto? Obtivemos como

resposta que 38% dos discentes já vivenciaram e 62% não. Dos acadêmicos que relataram ter experiência prévia observamos que 66% participaram de atividades desenvolvidas na disciplina de Estatística, estes discentes relatam ter utilizado o software MatLab para representar gráficos e conceitos estatísticos. Das respostas dadas, foi ainda possível observar que 17% apontaram o estudo de lógica em uma disciplina do curso como experiência prévia, apesar da programação fazer uso de conceitos e operadores lógicos entendemos que o estudo dessa área do conhecimento não é o equivalente a programar.

Além disso, 17% relatam que utilizaram programação para desenvolver projetos com o

GeoGebra e aplicativos de realidade aumentada. Destacamos que estes discentes participaram

de projetos de iniciação científica sobre o uso de realidade aumentada para o ensino de Matemática, sendo que em seus projetos os acadêmicos utilizaram aplicativos prontos e não chegaram a programar novos aplicativos.

Vale ressaltar que uma parcela dos discentes que relataram ter experiência prévia provavelmente não tem clareza sobre o que é programar, visto que alguns apontam o estudo da lógica e o uso de aplicativos de realidade aumentada como experiências com programação.

Diante dos dados apresentados nessa seção constatamos que a maioria dos discentes apresenta uma concepção superficial sobre o que é programação e não tem experiência prévia com esse tema. Além disso, observamos que uma parcela significativa relata interesse sobre a computação e apresenta uma pré-disposição para aprender a usar o Scratch por conta própria.

Destacamos também que uma minoria dos participantes relata ter dificuldades para lidar com computadores, além disso outra parcela minoritária declara ter conhecimento e experiência prévia com programação.

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