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A diagramação de livros observa uma grande preocupação, que visa ao máximo de legibilidade, tanto de caracteres e ilustrações como de posicionamento da mancha. A função principal do diagramador é a de customizar conhecimento estético e técnico ao custo final do produto que está desenvolvendo, através de um formato e posicionamento adequados, somado ao aproveitamento máximo da matéria-prima para execução da obra (COLLARO, 2000, p. 45).

A função básica do diagramador, ao projetar um livro, consiste em aliar todo conhecimento estético e técnico ao custo; isto é proporcionar ao leitor uma tipologia relacionada com o conteúdo, além de um formato e posicionamento adequados, somando ao aproveitamento máximo da matéria-prima para execução da obra (COLLARO, 2000, p. 45).

2.1.4.1. Partes que compõe um livro

As partes que compõe um livro são basicamente, segundo a descrição de Antônio Celso COLLARO (2000, p. 50):

? Capa: é o invólucro do livro. Deve receber um tratamento especial, contendo o máximo de síntese do conteúdo do livro, tanto no título como na ilustração. É a embalagem do produto e merece um tratamento visual aprimorado.

? Página de guarda: são páginas em branco na frente e no verso, pós-capa, que abrem e protegem o conteúdo da obra.

? Falso título: traz como característica o título da obra. Localiza-se, em geral, no centro ótico da página e seu verso não contém nada impresso.

? Frontispício: também conhecido como página de rosto, contendo o nome do autor da obra, o título da obra em destaque (centro ótico) e o nome do editor. Impresso sempre em página ímpar.

? Retrofrontispício: conhecida como página de créditos, é impressa no verso do frontispício e traz informações sobre o autor, copyright, ano de impressão, edição, ficha catalográfica etc.

? Dedicatória: oferecimento do autor a pessoa ou pessoas, ou ainda uma dedicação de outra espécie. Impresso sempre em página ímpar.

? Prefácio: comentário escrito por um convidado sobre a obra. Impresso em página ímpar, geralmente em corpo diferente do miolo.

? Introdução: parte do livro em que o autor faz uma prévia do assunto a ser tratado; já fazendo parte do conteúdo propriamente dito.

? Miolo: a principal e mais volumosa de uma obra, merece toda atenção em termos de legibilidade.

? Índice: catalogação de todo conteúdo do livro, localizando todos os títulos pertencentes à obra, assim como capítulos, subtítulos, destaques etc. Para livros didáticos ou de consulta, o índice localiza-se antes da introdução; para romances e contos pode localizar-se na parte final do livro.

? Colofão: é o registro da gráfica imprimiu a obra e o respectivo endereço. Localizados geralmente na última página.

? Errata: são observações impressas pós-miolo, enfatizando prováveis erros cometidos durante a fase de industrialização do livro. Pode ser impressa separada do corpo do livro.

? Sobrecapa: película envolvente da capa, impressa ou não, de material resistente para melhor conservação do livro.

? Aba ou orelha: prolongamento da capa que, geralmente, traz impressos dados biográficos do autor e resumo da obra.

2.1.4.2. Elementos extratextuais

Este trabalho tem como objeto a capa do livro e sua atratividade. Desta forma, é importante destacar os elementos extratextuais qualificados por Emanuel ARAÚJO (1986, p 376), de modo a compreender qual é a função primeira da capa do livro e poder, posteriormente, compreender os valores que se agregaram a esta capa.

De um modo geral, nem sempre o diagramador é quem cuida dos elementos extratextuais, pois estes merecem uma atenção especial, visto que constituem o revestimento do livro sob a designação genérica de capa, encadernada (revestimento duro) ou brochada (revestimento flexível). A encadernação, pode-se afirmar, nasceu com o códice, mas a brochura, produto do livro impresso, só teria sua forma como hoje a conhecemos no século

XIX. Até 1820, era habitual que o livro chegasse ao consumidor em folhas sem revestimento algum. As folhas eram ordenadas, dobradas e costuradas; muitas vezes era o livreiro quem mandava encaderná-las, mas com freqüência tal iniciativa se reservava ao comprador. A experiência de Aldo Manuzio no final do século XV, com edições baratas (e já encadernadas), permaneceu isolada até o século XIX, quando o inglês William Pickering (1796-1854) lançou, entre 1822 e 1832, a série dos Diamond Classics, na verdade a primeira experiência de venda em larga escala de livros encadernados. Já no século XVIII, porém, divulgava-se o uso, entre os livreiros, de brochar os livros, cobrindo-os com uma simples folha de papel ordinário, mas na mesma época em que começavam a aparecer encadernações baratas, surgiu também a prática de repetir o texto da página de rosto nessas folhas de proteção. Daí em diante, consolidou-se a capa da brochura, que, no conjunto, se constitui de elementos diferentes, quais sejam (ARAÚJO, 1986, p 376):

? Primeira capa (face externa da segunda capa), necessariamente área impressa ou de grafismo.

? Segunda capa (face interna da primeira capa), área não destinada à impressão. ? Terceira capa (face interna da quarta capa), área não destinada à impressão.

? Quarta capa (face externa da terceira capa), opcionalmente área impressa ou de grafismo.

? Primeira orelha (dobra da primeira capa). ? Segunda orelha (dobra da quarta capa).

? Sobrecapa (aplicável, sobretudo a encadernações). ? Lombada.

Desses elementos extratextuais, o que correntemente merece atenção maior é a primeira capa, em virtude de sua função publicitária. Através dela, com efeito, dá-se o contato inicial do leitor com o livro, de onde seu tratamento enfático, por vezes agressivo mesmo, nos tipos e cores, a fim de provocar impacto visual. Assim, o estilo de apresentação da primeira capa, como o de qualquer embalagem, varia bastante, sob construções simétricas ou assimétricas, mas buscando-se sempre o maior impacto dos efeitos visuais provocados pelo contrastes de tom e cor, por combinações de figuras geométricas, por fotos, gravuras e outras formas de ilustração, tudo disposto de modo a que se processe harmoniosamente a interação entre imagem e palavra. Como se vê, talvez a única regra a ser obedecida no design da primeira capa é que seu estilo se relacione, ou reflita, a matéria e o estilo gráfico do livro – o mais fica por conta da sensibilidade, da imaginação, do bom gosto e da técnica capista.

As faces internas, o revestimento sem orelhas (segunda e terceira capas), não comportam qualquer grafismo, salvo nas orelhas francesas, mas sua face de trás (quarta capa ou contracapa) muitas vezes estampa listas de obras publicadas pela editora ou informações sobre o livro e/ou o autor. Esses dados também podem vir nas orelhas, dobras para dentro da primeira e da quarta capas; as ditas orelhas francesas, sem dobras, têm por isso o seu texto impresso em coluna diretamente na segunda e na terceira capas. De qualquer modo, a exemplo da capa e da contracapa, as orelhas constituem importante veículo publicitário, tal como assinalou Fernando Almada:

Quem compra informações sobre o produto como reforço e apoio à sua decisão. As orelhas e contracapas devem informar persuasivamente, devem ser verdadeiros anúncios do livro, com texto e força de anúncio. O texto adjetivado, laudatório, hermético, erudito, paroquial, tipo de ação-entre-amigos, não vai comover ou persuadir o leitor comum, pode até espantá-lo. O texto das orelhas deve ser escrito para o público, de forma a ele acessível e insinuante. (apud ARAÚJO, 1986, p 472).

Outro elemento de forte apelo publicitário, presente desde a década de 1830, é a sobrecapa, constituída por uma folha solta que envolve ou protege (sobretudo em livros encadernados) a capa. Os princípios que regem o seu design são idênticos aos da primeira capa da brochura. Em certos livros, a sobrecapa não é inteiriça, tomando o aspecto de uma cinta de altura equivalente a um quarto ou a um terço da capa, onde se imprimem frases publicitárias com o devido destaque e poder de atração – podem dizer respeito, por exemplo a um prêmio ganho pelo autor ou pelo livro, à presença de um prefaciador famoso, ao alto número de tiragens, à variedade ou à excelência das ilustrações e assim por diante.

Finalmente, considere-se a lombada ou lombo, o dorso ou a parte posterior do livro, oposta ao corte longitudinal das folhas, na qual se imprimem o título da obra, o nome do autor e, muitas vezes, o nome ou logotipo da editora, ou ainda o número do volume ou o ano da publicação. Até pelo menos o século XVI usava-se colocar o livro na estante com o lombo virado para o fundo, de modo que o título vinha escrito à tinta sobre o corte das folhas. Hoje, seria impensável semelhante disposição.

A área da lombada varia de acordo com a espessura do livro, havendo-as finíssimas, finas, recurvas e chatas, onde se distribuem os dizerem em sentido horizontal (se o lombo comportar) ou vertical, com os caracteres virados para a direita considerando o livro em pé. Recomenda-se, neste caso, que o título seja impresso de baixo para cima, de acordo com a tradição tipográfica francesa, italiana, espanhola e portuguesa, diferente da inglesa e norte- americana, de uso inverso, de cima para baixo – esta, contudo, oficialmente adotada pela

Associação Brasileira de Normas Técnicas (NB-217). Do ponto de vista do capista, de qualquer modo, é importante que, na medida do possível, preveja o título de modo a ser legível a certa distância. No caso de séries ou coleções, as lombadas tem de apresentar não só os mesmos caracteres como a mesma disposição gráfica e de forma a haver harmonia perfeita entre dizeres, logotipos, números, fios etc. em todos os volumes e em seqüência orgânica (ARAÚJO, 1986, p 470-472).

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