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CONDITIONS PHYSIQUES

Dans le document DROIT DE LA FAMILLE (Page 53-57)

LES CONDITIONS INDIVIDUELLES

SECTION 1 CONDITIONS PHYSIQUES

Essa falta de estímulo à interação, evidenciada nas aulas da EB, e a interação ocorrendo no modelo IRA, conforme visto nas aulas 1 e 2 da EA, nos levaram a refletir sobre as percepções dessas professoras em formação acerca dos alunos da escola, que podem ser evidenciadas nos excertos abaixo:

Excerto 18

aluno do que na tradução em si, visto que, nessa abordagem, outros tipos de tradução eram feitas, que não a interlingual.

Então cheguei às 7:00 na escola e me dirigi para a sala de aula, chamei a professora substituta e expliquei que eu era a estagiária. Ela não estava sabendo sobre mim, mas concordou que eu observasse sua aula. Então entrei e me apresentei para a turma que não demostrou nenhuma surpresa, continuaram de cabeça baixa fazendo uma atividade que a professora tinha entregado. Sentei-me no final da sala e comecei a observar. A professora titular havia deixado uma atividade para que eles fizessem, era um caça- palavras com palavras em inglês, todos estavam muito focados na atividade, o que me deixou surpresa, um silêncio tão grande que fiquei feliz, pensando o quanto eles eram comportados e que seria fácil meu estágio. (EB, RFE, grifo nosso).

Excerto 19

EB: [...] por mais que você faça bem bonitinho os alunos não deixam eu tentei também aí assim a bagunça deles atrapalhava até minha concentração porque aquilo pra mim eu não tinha domínio sobre aquilo... então aquilo pra mim foi difícil... muito difícil [...] (EB, Entrevista).

Parrat-Dayan (2016) argumenta que professores jovens, após as primeiras aulas ministradas, comumente relatam sua frustração em relação ao comportamento dos alunos, afirmando que esperavam que estes prestassem atenção às suas explicações. No excerto 18, vemos como a EB esperava que os alunos permanecessem em silêncio e atentos, enquanto ela aplicaria as teorias aprendidas na universidade. Entendemos que pode haver uma carência na formação de professores em relação à percepção acerca dos alunos da escola que receberão os estagiários, pois a visão das estagiárias sobre esses alunos parece ser a de sujeitos passivos e estáticos. Após a experiência, a EB relata:

Excerto 20

Tive durante o estágio duas impressões, a primeira foi que os alunos não sabiam de nada, mesmo sabendo que cada um trás consigo seu conhecimento de mundo, mas como eles ficavam calados quando eu fazia uma pergunta a impressão que eu tinha era de que eles não sabiam, depois no decorrer do estágio minha visão sobre eles mudou quando fiz perguntas até mesmo a tradução de tal palavra e que a maioria sabia, isso me deixou pensativa e certa de que o professor tem um compromisso importante para com os seus alunos, eles querem aprender, mas não qualquer coisa, eles querem ser motivados, surpreendidos e o professor tem essa responsabilidade de estar preparado para sua aula... (EB, RFE, grifo nosso).

No excerto 20, constatamos como a visão da EB sobre os alunos da escola mudou. A primeira impressão que ela teve foi a de que eles eram folhas em branco, sem conhecimento, embora ela soubesse que se tratavam de alunos que já haviam cursado

várias séries escolares46 e que, além disso, traziam consigo outros tipos de conhecimentos,

adquiridos na vida social. Depois, ao longo do estágio, essa visão foi se transformando na medida em que ela constatava os conhecimentos e as necessidades de aprendizagem dos alunos. Por fim, ela salienta a importância da preparação do professor nesse processo de conduzir o aluno à aprendizagem, nos remetendo novamente ao conceito de andaime de Vygotsky e ao conceito de professor como designer, de Cope e Kalantzis (2005). Vejamos agora a visão da EA em relação aos alunos da escola:

Excerto 21

EA: [...] no meu... éh:: plano de atividades eu... me propus a trabalhar textos autênticos e... a gente é incentivado a isso também na disciplina... a gente sabe que é uma boa estratégia... ((limpa a garganta)) mas quando a gente chega num/ numa sala de aula em que os alunos não tão preparados pra lidar com texto autêntico a gente imediatamente tem que mudar a postura... então é esperado que um aluno de ensino/ ensino médio esteja apto a lidar né? da/ da forma mais básica pelo menos com texto autêntico mas eles não estavam de forma alguma (EA, Entrevista, grifo nosso). Excerto 22

EA: [...] exemplificando com o meu caso éh... eu tive um/ um... choque assim... com a realidade na escola que eu trabalhei porque... a gente faz um planejamento já pressupondo muitas dificuldades isso é o nosso... último estágio então a gente já conhece das... dificuldades mas mesmo assim a gente ainda se surpreende... porque já é ensino médio já é último ano... e aí a gente se depara com barreiras praticamente impossíveis de lidar então... é uma deficiência em todo o sistema educacional que a gente tem que superar naquele momento e com... dez aulas duas vezes por semana... (EA, Entrevista, grifo nosso).

Enquanto que a EB se frustrou mais em relação ao comportamento dos alunos e se surpreendeu ao constatar o conhecimento que eles possuíam, a EA teve um choque ao verificar a falta de preparação dos alunos com os quais ela trabalhou, considerando que essas limitações vêm desde a base, de “todo o sistema educacional”. Essas diferenças de percepção são naturais e sinalizam para as diferenças existentes entre turmas de alunos de uma mesma escola, além das diferenças de alunos dentro de uma mesma sala de aula.

46 Estes, em particular, como sabemos, são alunos do 3º ano do ensino médio. No entanto, pelo

excerto 20, quando a EB afirma que acreditava “que os alunos não sabiam de nada”, não sabemos ao certo se ela estava se referindo aos alunos daquela turma ou aos alunos da primeira disciplina de estágio, já que ela generaliza: “tive, durante o estágio, duas impressões [...] depois no decorrer do estágio minha visão sobre eles mudou [...]”.

Entretanto, quanto aos excertos 21 e 22, percebemos que os alunos de escola pública são, de certo modo, subestimados em relação às suas capacidades de traduzir, interpretar, interagir, analisar, aplicar e construir conhecimentos, conforme já havíamos indicado quando tratamos da ZDP e do professor como ‘andaime’, o que pode levar à perpetuação de práticas de ensino tradicionais, pelo fato de o professor acreditar que não se pode fazer muito para mudar a realidade. Todavia, constatamos como a EA entende que os alunos não são os únicos responsáveis por sua própria aprendizagem, afirmando haver “uma deficiência em todo o sistema educacional”.

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