Part II Algorithms and Data Structures
4.4 Conclusions and Future Work
A ciência, no propósito de responder às diversas questões da humanidade, busca validar seus estudos a partir de normas e regras. Desse modo, a ciência cria suas bases teóricas e tecnológicas por meio de um modelo de investigação que busca resultados e respostas aos fenômenos e fatos estudados (BRANDÃO, 2011).
Assim, para obter objetividade na análise e na interpretação imparcial de fatos e fenômenos, faz-se o uso do método científico, no qual utilizam-se modelos de previsão de ocorrências em meio a estudos ou por modelos de leitura da realidade atual (MARCONI;
LAKATOS, 2004). Para esses fins, considera-se duas abordagens de pesquisas: a quantitativa e a qualitativa.
Gil (2002) classifica a pesquisa quanto à natureza, ou seja, quanto à abordagem em: qualitativa, quantitativa ou em qualitativa e quantitativa, sendo que nesta última classificação o autor enfatiza a predominância de uma abordagem em relação à outra.
A pesquisa quantitativa, segundo Capra (2006), advém da ciência positivista cartesiana, a qual sugere modelos estatísticos para quantificar o objeto de estudo para posteriormente analisá-lo. Alyrio (2009, p. 108) relata que abordagem quantitativa “procura identificar quantitativamente o nível de conhecimento, as opiniões, impressões, hábitos, comportamentos, quando se procura observar o alcance do tema” (ALYRIO, 2009, p. 108).
Em relação à pesquisa qualitativa, trata-se de uma abordagem que almeja tratar a subjetividade dos fenômenos das adversidades e variáveis envolvidas na condição de análise, além de fundamentar-se na combinação de modelos de pesquisa cuja conotação epistemológica busca perceber, analisar e interpretar dados não quantitativos da percepção humana, tais como os modelos de pesquisa: fenomenologia, construtivismo, crítica, interpretacionista, etnometodologia, entre outros (CHIZZOTTI, 2003, p. 223).
No Quadro 7 é possível verificar as diferenças contrastantes entre a pesquisa qualitativa e a quantitativa.
Quadro 7 - Diferenças entre as abordagens de pesquisas quantitativas e qualitativas.
Aspecto Pesquisa Quantitativa Pesquisa Qualitativa
Enfoque na interpretação do objeto menor maior Importância do contexto do objeto
pesquisado
menor maior
Proximidade do pesquisador em relação aos fenômenos estudados
menor maior
Alcance do estudo no tempo instantâneo intervalo menor
Quantidade de fontes de dados uma várias
Ponto de vista do pesquisador externo à organização interno à organização Quadro teórico e hipóteses definidas rigorosamente menos estruturadas Fonte: Silveira e Córdova (2009, p.33)
Segundo Yin (2016, p. 20-21), a pesquisa qualitativa transformou-se em uma abordagem de pesquisa relevante e muito utilizada em diversas áreas acadêmicas e profissionais. A amplitude da pesquisa qualitativa permite maior liberdade de escolha de
temas afins e admite estudos aprofundados em relação aos outros métodos de pesquisa. Desse modo, tal abordagem possibilita estabelecer as necessárias condições de pesquisa e instaura uma série de dados e variáveis suficientes, além de englobar estudos contemporâneos.
De acordo com Godoy (2013, p. 36), a “diversidade de metodologias denominadas qualitativas dificulta as tentativas de se fazer uma conceituação única para essa abordagem”. Tal afirmação corrobora com Yin (2016), que destaca que a pesquisa qualitativa abrange inúmeras definições e, caso busque realizar uma definição ampla ou sucinta dessa abordagem de pesquisa, pode-se promover a exclusão de disciplinas. Desse modo, Yin (2016) recomenda realizar tal definição dentro da própria disciplina ou profissão particular.
Assim, Godoy (2013, p. 36) realiza uma caracterização genérica a partir das ciências humanas e sociais sobre a pesquisa qualitativa, ao relatar que a abordagem qualitativa tem, por excelência, que ser multimétodo e “procurar compreender os fenômenos humanos e sociais de forma naturalística e interpretativa”, ou seja, “os pesquisadores qualitativos estudam as coisas em seus ambientes naturais, tentando entender ou interpretar os fenômenos em termos dos significados que as pessoas lhes atribuem.”.
A corrente interpretativa possui no mínimo duas linhas de pensamento filosófico, as quais são descritas por Pozzebon e Petrini (apud KLEIN e MYERS, 2001):
…(a) a primeira escola de pensamento centra-se em intenções humanas no uso da linguagem e vários métodos para a compreensão do significado da língua (por exemplo, análise de discurso), (b) a segunda escola de pensamento centra-se na consciência subjetiva, ou seja, no ser humano e suas expressões de significados (intimamente ligada à fenomenologia e à hermenêutica).
Outro modo para atingir uma definição sobre pesquisa qualitativa, contrapondo-se a uma definição particular ou singular, é relatado por Yin (2016, p. 21), ao considerar uma definição a partir das seguintes características:
a) “pesquisar o significado das vidas das pessoas nas condições em que realmente vivem”;
b) “representar as visões e perspectivas dos participantes de um estudo”, excluindo os “valores, pressuposições, ou significados mantidos por pesquisadores”;
c) “abranger as condições contextuais em que as pessoas vivem”, tal característica é peculiar da pesquisa qualitativa e histórica;
d) “contribuir com revelações sobre conceitos existentes ou emergentes que podem ajudar a explicar o comportamento social humano”,
característica que pode ser considerada como fator de excelência da pesquisa qualitativa; e
e) “esforçar-se por usar múltiplas fontes de evidência em vez de se basear em uma única fonte”. Essa característica baseia-se ainda na necessidade de pactuar estratégias (triangulação, comparação, validação correspondente, dados ricos, entre outros), as quais contribuam no combate de ameaças relacionadas à validade dos dados obtidos de diversas fontes, almejando assim alcançar uma maior credibilidade e confiabilidade para o estudo.
Um fato a destacar, tanto na pesquisa social como na área de exatas, refere-se ao aumento do número de pesquisas que conjugam ambas abordagens. Tal abordagem intitula-se de quali-quantitativa (GIL, 2004).
Assim, o IFSULDEMINAS, objeto de estudo desta pesquisa, caracteriza-se como uma instituição de ensino organizada por vários campi, os quais são distribuídos pela região sul do Estado de Minas Gerais, além de ter a missão de fomentar ações de pesquisa, extensão e inovação. Tais características revelam um potencial de interação com a sociedade, atrelada a uma heterogeneidade do corpo docente e administrativo, consequentemente qualificando-o como um objeto precursor de interações sociais advindas de várias culturas e modos diferentes de pensar e executar as mais diversas ações. Tais relatos remetem ao pesquisador um potencial rico de interpretações dos eventos humanos, necessitando um maior foco na interpretação do objeto e maior aproximação aos fenômenos a serem estudados.
Outros fatos a serem destacados referem-se à importância do contexto do objeto a ser pesquisado e o alcance do estudo no tempo, pois devido o objeto deste estudo configurar-se como uma instituição de ensino estruturada a partir da junção das escolas técnicas federais e CEFETs em meados de 2008, constitui-se como uma instituição “jovem” em relação ao aspecto organizacional, porém com fortes investimentos nos últimos anos. Tais afirmações recaem sobre o objetivo desta pesquisa, “avaliar a gestão de programa e de seus projetos de inovação para aprimorar o desempenho do IFSULDEMINAS no cumprimento de sua missão estratégica de promover a inovação em seu entorno territorial.”, visto que, apesar de possuir somente uma década de vida está se tornando uma referência regional perante as ações atreladas à inovação tecnológica, o que pode ser confirmado através da instalação de um novo polo da EMBRAPII em sua estrutura organizacional e acadêmica.
Assim, o presente estudo contempla uma abordagem predominantemente qualitativa, o que não impede a utilização de dados quantitativos a fim de atingir os objetivos específicos ou dar validade aos dados coletados e aos resultados.