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CONCLUSIONS CONCLUSIONS This national risk assessment indicates that

Dans le document Document de recherche 2010/108 (Page 75-90)

Critério geral de risco: Edifícios e desenvolvimento.

Subcategorias de risco: Habitação, desenvolvimento comercial, alojamento para

visitantes e infraestruturas associadas.

Bem em risco: Centro Histórico de Viena (Áustria).

Área do Bem e (zona de proteção): 371 Hectares (462 Hectares) (Anexos 1 e 2). Data de inscrição na LPM da UNESCO: 2001.

Data de inserção na LPMR da UNESCO: (2017-). Critérios de inscrição do Bem da LPM: (ii), (iv) e (vi).

Fonte: Inês Costa.

Breve descrição do Bem:

Implantado na proximidade do rio Danúbio, o Centro Histórico de Viena (Áustria) deve o seu valor universal excecional aos vestígios da sua evolução histórica durante três períodos fundamentais: o céltico, a época romana e o barroco. O núcleo da cidade desenvolveu-se no século XII, a partir da expansão de um antigo assentamento romano. Mais tarde, Viena destacar-se-ia como capital do Império austro-húngaro e como capital cultural europeia entre os séculos XVI e XX. A sua estrutura muralhada – datada do período medieval – seria reconstruída entre os séculos XVI e XVII, passando a abraçar a parte “nobre” da cidade. Durante o século XVII, Viena assume o estatuto de capital do Império dos Habsburgo e sofre um conjunto de alterações que favorecem a sua expansão. A arquitetura palaciana e os seus jardins são alguns dos contributos da época. Durante o século XIX, na sequência da destruição das muralhas, parte dos

subúrbios passam a integrar o centro, o que origina intervenções nos conjuntos arquitetónicos e ao nível do planeamento urbano. Ainda no século XIX o complexo de Hofburg é aumentado, passando a integrar instalações museológicas. À época, o edifício do Parlamento (Burgtheater), a prefeitura e a universidade deram lugar a um novo conjunto de estruturas. Atualmente, o núcleo da cidade ainda possui alguns vestígios da época medieval como o Schottenstift, que é o mosteiro mais antigo do país. Alguns dos edifícios mais emblemáticos de Viena são: as Igrejas Marianas em Gestade (Michaelerkirche, Minoritenkirche e Minoritenkonvent, séc. XVIII); a Catedral de São Estevão (séc. XIV); o Palácio de Hofburg (cujas origens datam do séc. XIII); o Palácio de Belvedere (séc. XVIII); o Palácio de Schönbrunn (séc. XVIII) e o edifício da Ópera (WienerStaatsoper, séc. XIX) (Apêndice 8) (Sítio Oficial da UNESCO, 2020b).

Requisitos de proteção e gestão:

O centro histórico de Viena é composto essencialmente por propriedade privada, sendo que o poder público e o religioso têm uma dimensão secundária. Em termos de proteção patrimonial, a predominância de Bens privados dificulta o controlo da construção (Sítio Oficial da UNESCO, 2020b). Como tal, existem diversos instrumentos legais orientados para a proteção da área histórica e da sua zona-tampão e dos quais se salienta o Ato Federal de Proteção dos Monumentos (nº 533/1923), aplicável a Bens móveis e imóveis (Sítio Oficial da UNESCO, 2020b) (Federal Chancellery, 1923). Uma das secções mais interessantes do documento diz respeito à proteção dos Bens mediante a obrigatoriedade de autorização para a destruição ou alteração dos mesmos. O Ato aborda a necessidade de notificação para a concretização de pequenos trabalhos e a urgência na implementação de medidas de proteção (Federal Chancellery, 1923). Outra nota de interesse, é a atenção dada à salvaguarda da envolvente, o que implica a proibição de outdoors e sinais nas suas imediações (Federal Chancellery, 1923). Curiosamente, o documento considera como monumentos alguns jardins e parques de complexos vienenses, como é o caso de Augarten, Belvedere, Hofburg e Schönbrunn (Federal Chancellery, 1923).

O Memorando de Viena (2005) da UNESCO, também é um instrumento relevante para o presente caso de estudo, já que se debruça sobre a gestão da paisagem histórica urbana e sobre a harmonia entre os sítios Património Mundial e as arquiteturas contemporâneas. Das linhas orientadoras apresentadas pelo Memorando destacam-se as reflexões acerca dos espaços públicos, da necessidade de elaborar inventários, legislação e planos de gestão para a salvaguarda patrimonial (UNESCO, 2005b). De forma a facilitar a gestão da cidade, foi ainda adotado um plano de uso de terreno14, que

compartimenta a zona metropolitana em espaços verdes, áreas de desenvolvimento e infraestruturas, e um plano de desenvolvimento urbano (2002) que se referia aos Bens vienenses considerados “Património Mundial” e que estabelecia os procedimentos legais e admnistrativos necessários para a sua preservação (Sítio Oficial da UNESCO, 2020b). Curiosamente, depois da publicação do Memorando de Viena (2005), o plano de desenvolvimento urbano seria revisto (Sítio Oficial da UNESCO, 2020b).

Integridade:

De modo a preservar o valor universal excecional do centro histórico – que se baseia principalmente na sua riqueza arquitetónica, nas suas características urbanas e nos testemunhos da sua evolução temporal - o desenvolvimento urbano e os seus impactes têm de ser controlados. Assim, a gestão do desenvolvimento urbano passa pelo respeito e manutenção da linha de horizonte, através da fiscalização da altura média das novas construções (Sítio Oficial da UNESCO, 2020b).

Autenticidade:

Apesar das alterações registadas nos últimos anos, como a construção de arranha-céus e edifícios de grande escala, a UNESCO defende que Viena mantém a sua autenticidade, porque o intercâmbio de valores entre diversas cronologias continua a ser visível e porque a cidade conserva um papel considerável no panorama musical

europeu. Todavia, a manutenção da sua autenticidade está dependente do respeito das novas construções pela linha de horizonte e do seu equilíbrio com as pré-existências (Sítio Oficial da UNESCO, 2020b).

Análise dos Relatórios sobre o estado de conservação do Bem (SOC):

Desde a sua inscrição na LPM da UNESCO, que o Centro Histórico de Viena apresenta ameaças capazes de comprometer a sua integridade e autenticidade. A construção habitacional - principal fator de risco - viria a considerar-se um perigo omnipresente devido ao aumento dos projetos construtivos que pressupunham a ultrapassagem da linha do horizonte e de que é exemplo o edifício Wien-Mitte (2002)15.

Para além disso, a carência de planos de gestão e de instrumentos legislativos aumentava a dimensão do risco. Ciente do perigo, a UNESCO sugeriu que o projeto Wien-Mitte fosse revisto e que as suas dimensões fossem reduzidas (Sítio Oficial da UNESCO, 2002a). Num período em que a pressão urbana começava a intensificar-se, a Organização insistiu na realização de um plano de gestão para o centro histórico (Sítio Oficial da UNESCO, 2004a).

Em 2005, é lançado o Plano de Desenvolvimento Urbano de Viena (STEP05). O STEP05 reconhecia que o desenvolvimento urbano e demográfico da cidade aumentou a necessidade de novas estruturas habitacionais. O discurso do documento, revelava um interesse na afirmação da cidade no panorama central europeu, que justifica que as suas principais preocupações estivessem relacionadas com a expansão económico- demográfica e as alterações daí resultantes, como: mudanças na qualidade de vida; na construção de infraestruturas; na gestão de recursos naturais; na adaptação das áreas já construídas e na mitigação do impacte de novos projetos (Vienna City Council , 2005, p. 12). Os principais objetivos do STEP05 focavam-se na componente económico-social, desvalorizando a questão cultural, através do reforço da construção de habitações e da rede de transportes públicos. Todavia, reconhece-se que o documento era sensível às

questões da diversidade cultural e religiosa, a fenómenos de segregação e de acessibilidade por pessoas com mobilidade reduzida (Vienna City Council , 2005, pp. 13- 14). Não obstante, a questão cultural era abordada muito superficialmente sendo sempre subordinada ao potencial residencial, político e económico da cidade que, segundo o Plano, se “previa” desenvolver dentro das limitações legais de preservação patrimonial (Vienna City Council , 2005, p. 64).

Parte da responsabilidade da UNESCO e dos seus órgãos consultivos, consiste na realização de missões de monitorização periódica aos Bens. Como tal, em 2006, o ICOMOS visitou o Palácio e os jardins de Schönbrunn para atestar o seu estado de conservação. Os resultados da visita são sumarizados no Relatório Anual do ICOMOS (2006), documento que reconhece o esforço vienense na redução da altura de alguns edifícios nas imediações de Schönbrunn. Contudo, o órgão consultivo continuava a demonstrar preocupação com as políticas vigentes de desenvolvimento urbano que viriam a determinar os acontecimentos dos anos seguintes (ICOMOS, 2006, p. 31).

Dois anos mais tarde, a construção de uma estação ferroviária no centro da cidade ameaçava seriamente a manutenção do Centro Histórico de Viena na LPM (Sítio Oficial da UNESCO, 2008a). Com o intuito de estabelecer quais as reais consequências das novas construções, em 2010 foi realizado um estudo de impacte visual (VIS). Porém, este não cumpria todos os requisitos da UNESCO, já que não apresentava todas as perspetivas dos Bens, que seriam cruciais para identificar o verdadeiro impacte das novas construções na linha de horizonte. Consequentemente, o resultado da avaliação foi parcial, tendo favorecido a teoria de que as consequências dos novos projetos eram pouco significativas (Sítio Oficial da UNESCO, 2010a). Nesse mesmo ano, constatou-se que certas construções foram aprovadas sem serem mencionadas no VIS ou discutidas com o Centro do Património Mundial, como aconteceu com o edifício RaiffeisenHaus16

(Sítio Oficial da UNESCO, 2010a).

16 O edifício RaiffeisenHaus é um arranha-céu situado junto ao canal do Danúbio, que é ocupado por uma

O plano de desenvolvimento urbano para o Canal do Danúbio e os projetos de construção para o centro histórico, também começaram a levantar preocupações. Nesse sentido, procurou-se criar restrições ao nível da publicidade iluminada e propostas de análise do seu impacte visual. Igualmente preocupante, o projeto de intervenção na área do Hotel Intercontinental - cuja pré-existência já se considerava visualmente desfasada em relação a Belvedere e ao centro histórico - foi igualmente criticado ao longo de vários anos (Sítio Oficial da UNESCO, 2013). Em 2015, a UNESCO ainda chamava a atenção para o projeto que pressupunha a substituição de três edificados do século XX, e cujas alterações não chegaram a ser mencionadas no VIS. Simultaneamente, o High-rise Concept - ferramenta aprovada em 2002 pela Prefeitura de Viena que dizia respeito à construção de arranha-céus, mas que não tinha em consideração o seu impacte no Património Mundial - é substituido por já não se considerar adequado. Assim, a Universidade de Tecnologia de Viena aprova em 2014 um novo “conceito de arranha-céu” que, apesar de sugerir novas metodologias, não adiciona mais “áreas de exclusão” (ou seja, áreas interditas à construção destes edifícios). Apesar do novo conceito defender que as construções recentes devem ser interpretadas consoante o seu impacte para com o Património Mundial e a sua envolvente, este instrumento intensificou o risco de novas construções abusivas, visto que implica a análise individual dos projetos e facilita avaliações subjetivas (Sítio Oficial da UNESCO, 2015). Apesar das ligeiras reduções de escala que foram feitas à proposta inicial, o projeto da área do Hotel Intercontinental revelou-se bastante impactante, afetando o OUV do Centro Histórico. Todavia, a temática não foi discutida nos estudos de impacte patrimonial (HIA) (Sítio Oficial da UNESCO, 2017a).

No ano em que o Centro Histórico de Viena é inserido na LPMR (2017), surgem novas áreas ameaçadas pelo desenvolvimento urbano nas imediações na Igreja barroca de Karlskirche e na zona de Glacis. Graças ao Glacis Masterplan – um sistema de controlo de planeamento – que permite a construção de edifícios com dimensões que ameaçam o OUV dos Bens. Em contrapartida, houve uma reação favorável à proposta de estudo das construções históricas de telhados (Sítio Oficial da UNESCO, 2017a).

Em 2019, foi sugerida a revisão do projeto de HeumarktNeu17 que pelas suas

dimensões afetaria gravemente o OUV do Bem, mas cuja permissão legal acabou por ser concedida. Como consequência, o Tribunal Administrativo Federal propôs uma moratória de dois anos para os projetos cuja implementação fosse considerada perigosa para a preservação do valor universal dos Bens. No mesmo ano, foram ainda aceites mediante alteração: a expansão do Museu de Viena (Wien Museum) e a criação de um plano de desenvolvimento para a área de Belvedere Stöckl, cujo estado degradado dos jardins requeria conservação integrada (Sítio Oficial da UNESCO, 2019a).

Devido ao desequilíbrio do desenvolvimento urbano e do perigo que este constitui para o OUV do Centro Histórico, a UNESCO considerou que o Bem não devia ser removido da LPMR. Em vista disso, a Organização apelou ao Estado Parte que seguisse as recomendações do ICOMOS e que implementasse um novo plano de gestão e de proteção legal para as áreas de Belvedere Stöckl e dos jardins do Palácio de Schwarzenberg (Sítio Oficial da UNESCO, 2019a). Finalmente, é importante referir que até à data não foi requerido qualquer pedido de assistência internacional pelo Estado Parte para auxiliar à proteção do Bem, talvez devido à forte capacidade económica do país (Sítio Oficial da UNESCO, 2019a).

Comunicação do Bem na plataforma online da UNESCO:

De um modo geral, o Centro Histórico de Viena é apresentado de forma completa na plataforma online da UNESCO. Contudo, o site não possui SOCs para os anos de 2005, 2006, 2007, 2012 e 2014 (Sítio Oficial da UNESCO, 2020b).

Considerações sobre o caso de estudo:

O Centro Histórico de Viena é um excelente exemplo para compreender a ameaça que o desenvolvimento urbano não-sustentável representa para o património

17 O projeto de HeumarktNeu incluía a área do Hotel Intercontinental, o Clube Vienense de Patinagem no

cultural. É sabido que as necessidades habitacionais podem conduzir à construção acelerada de novos edifícios e que a evolução das cidades está dependente da sua modernização e adaptação às novas exigências socioeconómicas. Porém, a desvalorização do património cultural – sobretudo numa cidade com a marca “Património Mundial” – é um perigoso fator para a manutenção do seu OUV. Internacionalmente reconhecida pelos seus palácios, jardins e pela sua riquíssima herança musical, na última década Viena vem a sobrevalorizar a componente político- económica, o que conduz à perda gradual da sua integridade e autenticidade. O caso de estudo é igualmente importante para compreender como os conflitos de interesse podem prejudicar a salvaguarda patrimonial. Determinada a cimentar o seu lugar de destaque na Europa Central, e a competir com as grandes capitais do continente, Viena continua a permitir a realização de projetos que contrariam abertamente as recomendações da UNESCO. De forma a contornar as exigências da Organização, certas informações são omitidas pelo Estado Parte e são criadas estratégias locais como o High- rise Concept e o Glacis Masterplan, que facilitam a construção de edifícios de grandes dimensões em áreas anteriormente protegidas.

Portanto, a postura das autoridades patrimoniais vienenses parece contraditória. Se por um lado, há interesse em manter a marca “Património Mundial”, por outro existe uma falta de compromisso para com o que o título representa e, em última análise, para com a própria Organização. Ao contrário de outros Estados Parte com Bens inseridos na LPMR, a Áustria é um país com uma forte capacidade financeira, no entanto, o facto dos municípios terem liberdade em termos de planeamento urbano tem vindo a dificultar o cumprimento das suas responsabilidades para com a UNESCO.

Outro subtema interessante que surge da análise deste caso de estudo é a questão das vistas protegidas, um debate bastante recente que remete para a Recomendação das paisagens históricas urbanas (2011) da UNESCO. No documento em causa, aborda-se a questão das relações visuais, das perspetivas e da necessidade de harmonizar as pré-existências com as novas construções (UNESCO, 2011, pp. 4). Claro está que, no caso de Viena, a noção de risco é relativa exatamente por se tratar de uma ameaça predominantemente visual. A este propósito, crê-se que o impacte visual num

Bem é necessariamente menos danoso do que a sua degradação física, pelo que se denota uma certa desproporção na classificação do risco em relação a outros Bens. Logo, para que a LPMR fosse mais coerente, talvez fosse necessário estabelecer uma escala de perigo que fosse apresentada na plataforma da Organização.

Em suma, acredita-se que a qualidade de vida da população vienense pode beneficiar de uma nova abordagem de desenvolvimento sustentável que considere verdadeiramente a proteção do seu património cultural, o que permitiria manter a inscrição do Centro Histórico na LPM e, sequentemente, salientar o papel internacional da cidade como capital cultural.

3.4.2. Caso de estudo nº 2 – Infraestruturas de Transporte Terrestre – Vale do Elba

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