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Dans le document L'effectivité de la sanction pénale (Page 148-154)

Este instrumento, construído para fins deste estudo com base na revisão de literatura específica acerca do assunto, no instrumento de Andrade (2001) e nos resultados do estudo piloto desta pesquisa (Apêndice 7), avalia os motivos atribuídos à aderência e à desistência da prática de musculação nas academias (questões de 40 a 45). O instrumento é composto por cinco escalas do tipo Likert de cinco pontos cada uma, que varia do menor (0) ao maior (4) grau de importância, que os participantes atribuem aos motivos e efeitos citados nas quatro escalas propostas.

A questão 40 do questionário refere-se à escala de percepção dos motivos que influenciaram ou influenciam na prática de musculação atual (aderentes) ou passada (desistentes), dos participantes do estudo. Dos itens 1 a 10 desta escala, pontua-se 0= não influenciou/influencia(0%); 1= influenciou/influencia pouco(25%); 2= influenciou/influencia parcialmente(50%); 3= influenciou/influencia moderadamente(75%); 4= influenciou/influencia muito (100%).

A questão 41 é uma pergunta aberta, destinada somente aos aderentes, na qual foram apontados os três principais motivos atribuídos à sua prática da musculação.

A questão 42 é uma pergunta aberta, destinada somente aos desistentes, na qual foram apontados os três principais motivos atribuídos à sua desistência da musculação.

A questão 43 refere-se à percepção dos participantes sobre os motivos de prática da musculação em uma determinada academia, ou seja, como seria um

ambiente apropriado para a prática da musculação na percepção dos praticantes. Dos itens 1 a 9 desta escala, pontua-se 0= nada importante(0%); 1= um pouco

importante(25%); 2= parcialmente importante(50%); 3= muito importante(75%); 4= totalmente importante(100%).

A questão 44 do questionário diz respeito à percepção dos participantes sobre os efeitos psicológicos causados pela prática da musculação no praticante. Dos itens 1 a 11 da escala, pontua-se 0=nenhum efeito(0%); 1=pouco efeito(25%); 2=efeito moderado(50%); 3=grande efeito(75%); 4=efeito máximo (100%).

A questão 45 do questionário refere-se à percepção dos participantes sobre os motivos que influenciaram (desistentes) ou influenciariam (aderentes) na desistência da prática da musculação. Dos itens 1 a 9, pontua-se 0= não influencia/influenciaria (0%); 1= influencia/influenciaria pouco (25%); 2= influencia/influenciaria parcialmente (50%); 3= influencia/influenciaria moderadamente (75%); 4= influencia/influenciaria muito (100%).

Todas as escalas descritas acima, possuem uma questão aberta referente a qual dos motivos citados, é o mais importante na percepção dos participantes e ainda permite o apontamento de qualquer outro motivo que não tenha sido citado.

3.4.5 Questionário de regulação de comportamento no exercício físico (BREQ-2)

A motivação dos praticantes de musculação foi investigada utilizando o Questionário de Regulação de Comportamento no Exercício Físico / Behavioral Regulation in Exercise Questionnaire-2 (BREQ-2) (MARKLAND e TOBIN, 2004)

(Anexo 1). Tal questionário é baseado na TAD e tem o objetivo de quantificar os diferentes níveis de regulações motivacionais, internas e externas, bem como a amotivação, relacionadas à prática de exercícios físicos. Trata-se de um dos questionários mais utilizados na literatura internacional sobre a TAD, aplicada ao contexto esportivo e de exercícios físicos (MARKLAN e INGLEDEW, 2007; MURCIA et al., 2007).

O questionário é composto por 19 sub-escalas do tipo Likert, com cinco opções de resposta (0= não é verdade pra mim, 4= Muitas vezes é verdade pra mim), separadas em cinco diferentes construtos: amotivação (ex: Acho que o exercício é uma perda de tempo), regulação externa (ex: Faço exercícios porque outras pessoas dizem que devo fazer), regulação introjetada (ex: Sinto-me culpado/a quando não faço exercícios), regulação identificada (ex: Dou valor aos benefícios/vantagens dos exercícios) e motivação intrínseca (ex: Gosto das minhas sessões de exercícios).

O BREQ-2 foi traduzido e validado recentemente para a língua portuguesa por Palmeira et al., (2007) em Portugal. Resultados satisfatórios também foram encontrados em tal validação, com valores do α de Cronbach variando entre 0,64 e 0,81.

Apesar da semelhança da Língua Portuguesa de Portugal e do Brasil, Viana (2009) realizou uma tradução do instrumento por especialista em Língua Portuguesa Brasileira, o que demonstrou a necessidade de simples alterações no texto, bem como na apresentação gráfica da escala Likert, de forma que tenha sua visualização mais clara (VIANA, 2009).

As análises de consistência interna e clareza da versão brasileira foram realizadas com a colaboração de 88 estudantes, participantes de um estudo piloto

de Viana (2009). O estudo mostrou que a versão brasileira do BREQ-2 obteve índices de consistência interna (Alfa de Cronbach) semelhantes à versão portuguesa, variando entre 0,62 e 0,82. Quanto a clareza, os estudos avaliaram cada questão como: clara, pouco clara ou confusa. Nesse método, são consideradas questões claras aquelas que obtiveram índice de clareza superior a 0,80 (MELO apud BARROSO, 2007). Todas as questões apresentaram índices de clareza variando de 0,84 a 1,00, sendo consideradas válidas sobre esse aspecto.

De acordo com Viana (2009) não foi necessária a realização de adequação cultural do instrumento, tendo em vista as características das perguntas, que buscam avaliar as percepções dos participantes a respeito do que os motiva para a prática de exercícios. As respostas das questões são influenciadas pela cultura, porém a compreensão do questionário pode ser generalizável, pois não apresenta nenhuma situação cultural específica.

3.4.6 A entrevista

O instrumento utilizado na segunda etapa da pesquisa foi uma entrevista semi-estruturada (Apêndice 9), baseada no modelo descrito por Andrade (2001), aplicada individualmente com cada participante que preencheu o questionário e que tenha aceitado participar desta. Os tópicos iniciais da entrevista foram pré- estabelecidos ―a priori‖ pelo pesquisador com base na revisão de estudos empíricos que abordaram o tema da pesquisa e no estudo piloto. As categorias estabelecidas para os aderentes foram: motivos de prática da musculação, percepção de barreiras para a prática da musculação, motivos de escolha da academia para praticar

musculação. Para os desistentes foi: motivos de desistência da prática de musculação e para ambos os grupos foram estabelecidas a priori, as categorias: percepção quanto aos benefícios proporcionados pela prática da musculação e percepção quanto ao ambiente de prática da musculação.

3.5 PROCEDIMENTOS DA PESQUISA

O presente estudo foi previamente aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos – CEP da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC (protocolo nº 30/2010 - Anexo 2), bem como pelos proprietários das academias selecionadas (Anexo 3).

Após a concordância das academias, os pesquisadores solicitaram aos professores ou funcionários, que indicassem os praticantes de musculação inscritos há seis meses ou mais na modalidade e também os ex-praticantes de musculação que desistiram da modalidade a no mínimo um mês, mas que, praticavam atualmente outra modalidade de exercício na academia. Dessa forma, foi possível estabelecer um contato prévio com os aderentes e desistentes da prática de musculação que estavam presentes, expondo os objetivos e importância do estudo.

Aos que aceitaram participar da pesquisa, foi entregue o termo de consentimento livre e esclarecido (Apêndice 5) junto ao questionário para o preenchimento. O questionário foi aplicado individualmente em cada participante da pesquisa em local adequado, para que os mesmos o preenchessem com o mínimo de interferência possível. Dois pesquisadores estavam presentes no local de coleta, esclarecendo os objetivos da pesquisa e possíveis dúvidas quanto ao

preenchimento do questionário. Alguns desistentes da musculação foram identificados por meio do cadastro de clientes da academia e contatados via telefone para agendamento do preenchimento do questionário e aplicação da entrevista, pois não praticavam exercícios na academia.

Devido à extensão do questionário, alguns participantes optaram em realizar o preenchimento em suas residências. Assim, foi solicitado que a devolução fosse efetuada no prazo de três dias na recepção da própria academia, conforme acordado com o proprietário ou gerente da mesma. Esta opção permitiu maior tranqüilidade ao participante no processo de preenchimento e devolução do questionário.

Os questionários foram preenchidos seguindo as seguintes instruções:

- Ser totalmente honesto em suas respostas. Disso depende os bons resultados e as corretas conclusões;

- Não escrever o próprio nome ou qualquer identificação pessoal. A identidade pessoal não deve ser exposta, pois o que interessa é a franca opinião do participante;

- Responder todas as questões. Optar sempre pela alternativa que mais se aproxima de condição, opinião ou atitude do participante.

No total, foram distribuídos 315 questionários (trinta e cinco em cada academia), sendo 278 utilizados para efeito de estudo, os demais ou não retornaram ou foram preenchidos inadequadamente, com muitas questões incompletas, rasuradas ou ilegíveis. Dos 278 questionários utilizados no estudo, 37 foram

preenchidos pelos participantes em suas residências (n= 14 desistentes/ n= 23 aderentes) e 241 na própria academia4 (n= 12 desistentes/ n= 229 aderentes).

Aos que aceitaram participar da entrevista, após o preenchimento do questionário, foi entregue o termo de consentimento para gravações (Apêndice 6). As entrevistas realizadas com os participantes, logo após o término do preenchimento do questionário, permitiu, por meio da análise do conteúdo, realizar um aprofundamento da realidade investigada, bem como dar suporte às respostas objetivas do questionário.

As entrevistas foram gravadas com a prévia autorização do entrevistado, para facilitar o rapport na entrevista e a expressão do conteúdo. Durante a coleta das informações, o entrevistado teve total liberdade para expressar suas idéias. Triviños (1987) afirma que ao mesmo tempo em que valoriza a presença do investigador, a entrevista semi-estruturada oferece diferentes perspectivas para que o pesquisado alcance a liberdade e a espontaneidade necessárias, enriquecendo a investigação. Outra estratégia utilizada foi o diário de campo que facilita a remontagem da transcrição dos fatos, principalmente sobre atitudes ou comportamentos dos entrevistados durante a coleta das informações (ANDRADE, 1990) (Apêndice 11). O tempo de realização da entrevista foi de aproximadamente 30 minutos.

4 Os desistentes que preencheram o questionário na academia, são atuais praticantes de

3.6 ANÁLISE ESTATÍSTICA

Os dados foram tabulados em um pacote estatístico (software SPSS versão 17.0) e tratados com estatística descritiva e inferencial (BARBETTA, 2010). Quanto à estatística descritiva, utilizou-se de análise exploratória dos dados, para verificação da distribuição dos dados, por meio do teste de Kolmogorov-Smirnov, distribuição das freqüências, percentuais, máximo e mínimos, análises das tendências centrais e dispersão dos dados com o desvio padrão.

Em relação à estatística inferencial, os dados foram tratados de acordo com estatística não-paramétrica (quadro 2), tendo em vista que para todos os casos gerais ou divididos por grupos, os dados não se distribuíram normalmente, confirmando os resultados prévios do estudo piloto.

Quadro 2 - Testes de hipóteses utilizados

ANÁLISE DADOS NÃO-PARAMÉTRICOS

Correlação Correlação de Spearman

Comparação de médias de dois grupos ―U‖Mann-Whitney

Comparação de médias de mais de dois grupos

Kruskal-Wallis

3.7 ANÁLISE DA ENTREVISTA

Para a análise das entrevistas foi utilizada a análise de conteúdo de Bardin (1977), que proporciona melhor visualização, aprofundamento e uma análise detalhada da complexidade das motivações, atitudes, valores e tendências das respostas dos participantes (ANDRADE, 2001). Conjuntamente a esse método, foram utilizados o modelo de matrizes teóricas e a técnica do espelho proposto por Andrade (2001, p.119) (Apêndice 12) que viabiliza ―uma análise clara e organizada dos conteúdos das entrevistas‖ de cada participante da pesquisa, dos subgrupos e a inter-relação entre eles em relação às categorias do estudo.

A análise do conteúdo das entrevistas dos participantes da pesquisa foi realizada conforme descrito por Andrade (2001):

―Após a transcrição, na íntegra, dos depoimentos dos participantes, o texto será relido detalhadamente, sendo identificados e destacados os micro discursos, partes das falas da entrevista que continham sentido e associação com as categorias investigadas ou que eram relacionadas à outra categoria emergente. Desta forma, o processo de categorização ocorreu de maneira dinâmica, a maioria delas previamente elaboradas e algumas surgidas das interações da análise do conteúdo. Após seleção de um micro discurso, este foi selecionado e colado junto a subcategoria afim. Desta forma, o conjunto ordenado e organizado das transcrições das entrevistas, dos micro discursos de cada parceiro de conversação, distribuídos nas unidades de análise, categorias e subcategorias foram reunidos num texto (...). A colocação dos depoimentos em cada subcategoria foi organizada, lado a lado, por semelhança para facilitar a apresentação e a análise do conteúdo (...) alguns depoimentos dos participantes puderam ser usados, ―encaixados‖ em mais de uma categoria. Isto ocorreu quando a parte do depoimento dado continha informações que dava suporte para mais uma subcategoria (p.126).‖

Um aspecto fundamental da análise qualitativa dos dados (técnica do espelho – Andrade (2001)) é a construção dos quadros resumos (apresentação e discussão dos dados). Esses quadros são compostos pelas unidades de análise e as ―subcategorias‖, onde a organização das informações facilita as análises iniciais,

permitindo melhor visualização dos dados qualitativos e o aprofundamento da pesquisa.

Ao interpretar inicialmente as subcategorias, pode ocorrer o esclarecimento destas através da melhor definição dos nomes, melhor distribuição das categorias e dos conteúdos e a formatação junto aos quadros resumos. Identificadas muitas subcategorias, pode-se fazer mais de um quadro para diferenciar núcleos de conteúdo/categorias.

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