§1) Une mesure favorable au condamné rendant l’exécution de la sanction pécuniaire attractive
B. L’octroi de l’avantage sous réserve d’exécution de la sanction à certaines conditions
1. Un avantage procuré sous réserve d’une exécution rapide de la sanction
Considerando a relação existente entre a motivação e o processo de aderência à prática de exercícios físicos, e tendo como base a Teoria da Autodeterminação (TAD), o objetivo do presente estudo foi investigar a motivação para a prática de musculação de aderentes e desistentes de academias.
Os participantes (aderentes e desistentes) mostraram-se autodeterminados para a prática de musculação, apresentando altos índices de regulações motivacionais internas (regulação identificada e motivação intrínseca) e baixos índices para amotivação e regulação externa. Estes achados se devem ao fato de que a maioria dos desistentes da prática de musculação reconhecem os benefícios causados pela modalidade e têm a pretensão de voltar a praticar (Ex: D5; D1; D4).
A regulação identificada trata do comportamento regulado de forma mais interna, em que o indivíduo considera importante e percebe o valor dos benefícios proporcionados pela atividade (WILSON et al., 2003). Já a motivação intrínseca é um processo caracterizado pela escolha pessoal, satisfação e prazer (BRICKELL e CHATZISARANTIS, 2007). Assim, as regulações para esse tipo de tarefa são internas.
Alguns estudos que investigaram a autodeterminação para a prática de exercícios físicos e esportes com população variada, verificaram que a regulação identificada é superior ou se equipara a motivação intrínseca (EDMUNDS, NTOUMANIS e DUDA, 2007; EDMUNDS, NTOUMANIS e DUDA, 2006; FERNÁNDEZ et al., 2004; WILSON e RODGERS, 2004; WILSON et al., 2003), indicando que as pessoas são mais reguladas por motivações com componentes
externos. Os resultados do presente estudo mostram que os participantes (aderentes e desistentes) são mais motivados intrinsecamente para a prática da musculação em comparação com outras populações.
Neste estudo, os aderentes apresentaram maior autodeterminação para a prática de musculação, maiores médias de motivação intrínseca e regulação identificada e menores de regulação externa quando comparados aos desistentes, concordando com Murcia, Gimeno e Coll (2007) e Wilson et al., (2003). De acordo com Ryan et al., (1997), as motivações extrínsecas predizem curto prazo de aderência, enquanto um envolvimento mais prolongado necessita de motivações mais intrínsecas.
Identificou-se que as mulheres aderentes são mais ―amotivadas‖ para a prática de musculação do que os homens. Entre os desistentes verificou-se que as mulheres apresentaram maior regulação introjetada quando comparadas aos homens. Estes resultados podem ser compreendidos, se analisado o fato de as mulheres darem preferência a exercícios como esteira, bicicleta, ginástica localizada, hidroginástica e comumente não gostarem de praticar musculação (CASTRO et al., 2010). De acordo com alguns estudos, os homens procuram um corpo mais forte, volumoso e com baixo percentual de gordura (KAKESHITA e ALMEIDA, 2006; DAMASCENO et al., 2005), enquanto as mulheres preferem um corpo mais magro e menos volumoso (BLOND, 2008; DAMASCENO et al., 2005).
Estudos com populações de adultos que investigaram a prática de exercícios relacionando sexo e autodeterminação, revelam que as mulheres são geralmente mais autodeterminadas do que os homens (AMOROSE e ANDERSON-BUTCHER, 2007; CHANTAL et al., 1996; FORTIER et al., 1995). Pode-se citar o estudo de Mullan e Markland (1997), que verificou homens mais autodeterminados que as
mulheres para a prática de exercícios físicos em geral. No entanto, cabe ressaltar a pouca atenção dada às diferenças motivacionais existentes entre os sexos nos estudos referentes à prática da musculação, onde, na maioria dos estudos, essas diferenças não são discutidas.
É importante compreender essas diferenças entre os sexos, tendo em vista que o fato de homens e mulheres se diferenciarem quanto ao perfil motivacional interfere sobre o modo com que os profissionais de Educação Física devem trabalhar com esses grupos.
No que diz respeito às regulações motivacionais em função da faixa etária dos participantes, verificou-se que os aderentes de 31 à 50 anos apresentaram maior amotivação e regulação identificada para a prática da musculação, quando comparadas às outras faixas etárias (18 a 30 anos e 51 a 65 anos). Por outro lado, os aderentes dos 18 de 30 anos apresentaram maior regulação introjetada. Com base nestes resultados, pode-se dizer que enquanto alguns indivíduos da faixa etária dos 31 aos 50 anos não tem motivação para a prática, outros da mesma idade reconhecem os benefícios proporcionados por esta. Já, os aderentes da musculação de 18 a 30 anos sentem-se ―culpados ou obrigados‖ a praticarem musculação, pois apresentaram maior regulação introjetada quando comparados às outras faixas etárias.
A amotivação é um estado em que a pessoa não tem ainda a intenção de realizar o comportamento (RYAN e DECI, 2000). Nesse caso, o indivíduo não percebe motivos para adesão ou continuação em uma prática de exercícios. Por outro lado, a regulação identificada trata do comportamento regulado de forma mais interna, em que o indivíduo considera importante e percebe o valor dos benefícios proporcionados pela atividade (RYAN e DECI, 2000).
Em relação à idade, poucos são os estudos que apresentam esta como fator determinante para a participação em academias. Entretanto, os resultados encontrados nos estudos sugerem que a partir dos vinte anos há um declínio na prática de exercícios, que tende a se acentuar após os 40 anos (AZEVEDO, ARAÚJO e PEREIRA, 2006; PHONGSAVAN, 2004; HALLAL et al., 2003). Confirmando essa afirmativa, o estudo de Morales (2002) verificou que a faixa etária que mais apresentou abandono nos programas de exercícios na academia investigada foi a dos indivíduos acima de 30 anos.
Os aderentes da musculação pertencentes aos níveis socioeconômicos mais elevados apresentaram maior regulação identificada quando comparados aos de níveis mais baixos. Percebemos um comportamento influenciado pela regulação identificada quando, por exemplo, uma pessoa pratica exercícios por saber dos benefícios para sua saúde, ainda que o comportamento em si não seja agradável (WILSON, et al., 2003). Em geral, as pessoas que pertencem a níveis socioeconômicos mais elevados são mais informadas a respeito dos benefícios da prática de exercícios físicos para a saúde (PALMA, FERREIRA e BAGRICHEVSKY, 2006). Este resultado pode ser compreendido, se analisado o fato de que a musculação é uma modalidade oferecida nas academias e estas possuem um valor mensal para que o praticante possa usufruir do espaço. Assim, os indivíduos de menor poder aquisitivo têm menos oportunidades de buscar nas academias uma alternativa para a prática de exercícios físicos (SILVA et al, 2008).
Embora o nível de escolaridade não tenha se associado a nenhuma das regulações motivacionais, cabe destacar a relação desta variável com a prática de exercícios físicos (NUNES e BARROS 2004; VIEIRA e FERREIRA, 2004). Existem evidências de que sujeitos com nível superior completo apresentam cerca de oito
vezes mais chance de praticar exercícios, comparados com aqueles com ensino fundamental incompleto (FLORINDO et al., 2004).
Neste estudo, a freqüência da prática de musculação não esteve associada a nenhuma das regulações motivacionais. No entanto, foram encontrados estudos que verificaram a maior freqüência associada às regulações motivacionais mais internas (LUTZ, KAROLY e OKUN, 2008; INGLEDEW e MARKLAND, 2008; MARKLAND e INGLEDEW, 2007; BRICKELL e CHATZISARANTIS, 2007; EDMUND, NTOUMANIS e DUDA, 2006; LANDRY e SOLMON, 2004; WILSON et al., 2003).
No que diz respeito ao tempo de prática, os aderentes da musculação há pelo menos um ano, apresentaram maior regulação externa, enquanto os aderentes a mais de cinco anos na prática, apresentaram maior regulação identificada. Estes resultados sugerem que o maior tempo de prática está associado às regulações mais internas e, conseqüentemente, a maior aderência na prática. Ou seja, as pessoas que praticam musculação a mais tempo, reconhecem e apreciam mais os benefícios proporcionados pela prática do que as pessoas que praticam a menos tempo a modalidade.
A aderência está relacionada ao gosto pela prática, e neste sentido, Murcia e Coll (2006) destacam que, se desenvolvida no indivíduo a motivação autodeterminada, é possível aumentar a persistência dos praticantes na realização de exercícios físicos. De acordo com a TAD, a aderência é maior quando as pessoas apresentam regulações mais internas (RYAN e DECI, 2000).
Neste estudo, os motivos de aderência relacionados à busca pela melhoria da saúde, estética corporal e o lazer, estiveram associados às regulações mais internas, bem como ao índice de autodeterminação, enquanto que os motivos relacionados à socialização, às regulações mais externas. Esses resultados
demonstram que parte da população reconhece e aprecia os benefícios proporcionados pela prática de musculação, tanto para a saúde como para a melhoria da estética corporal. De acordo com a TAD, a busca pela saúde, aparência idealizada, socialização e melhoria da condição física são mediados por regulações externas. Porém, pouco se sabe sobre a autodeterminação de praticantes de musculação, com diferentes objetivos de prática, ao ponto de não existirem estudos nacionais sobre o tema.
A TAD especifica que as pessoas podem ser motivadas por razões diversas, que podem ser modeladas ao longo de um continuum de autonomia (GAGNÉ, RYAN e BARGMANN, 2003), ou seja, com o tempo, as pessoas podem desenvolver motivações mais intrínsecas.
A correlação existente entre o índice de autodeterminação e os ―problemas econômicos financeiros‖, indicaram relação entre estas duas variáveis, no entanto, sugere-se que novos estudos sejam elaborados para maiores conclusões acerca desse resultado. Estudos recentes apontam que o ―problema econômico financeiro‖ é um dos principais motivos de desistência da prática de exercícios físicos nas academias (CASTRO et al., 2010; PINHEIRO, SILVA e PETROSKI, 2010).
O motivo ―falta de tempo‖ associado negativamente à amotivação revela, que o indivíduo, que desiste da musculação por esse motivo pode apresentar motivação para prática. No entanto, na sociedade atual, atividades prazerosas, em alguns casos, são deixadas em segundo plano, em função de obrigações familiares, escolares, profissionais, dupla jornada de trabalho, etc. Nestes casos, a existência de alguma motivação extrínseca, como o caso da regulação identificada, pode fazer com que o exercício torne-se uma prioridade, por questões relacionadas à saúde, qualidade de vida, socialização, etc (VIANA, 2009).
A correlação negativa entre ―Não priorizar a prática‖ e ―Não gostar da prática‖ com a motivação intrínseca sugere que, se o indivíduo não der prioridade à prática da musculação, ou não gostar de praticar, será mais fácil a desistência. As motivações mais intrínsecas, de acordo com os pressupostos da TAD são as regulações que mais influenciam no processo de aderência à prática de qualquer exercício físico (RYAN e DECI, 2000).
Neste sentido, Marcellino (2003) diagnosticou, que 90% dos motivos atribuídos por alunos para sua permanência na academias de ginástica estavam relacionados ao ―prazer na prática‖. Segundo Murcia e Coll(2007), se desenvolvida no indivíduo a motivação autodeterminada, é possível aumentar a persistência dos praticantes na realização de atividades físicas. No caso da musculação, o prazer parece estar diretamente associado ao resultado que esse treinamento pode proporcionar, caso realizado de maneira correta e bem supervisionada, e não somente com a realização das séries de exercícios. Esses resultados podem ser estéticos, como o aumento da massa corporal e diminuição do percentual de gordura corporal, ou, então, podem estar relacionados ao próprio treinamento em si, como conseguir realizar os exercícios propostos, com um aumento periódico nas sobrecargas utilizadas.
Considerando os resultados e as discussões apresentadas, verificamos a aplicabilidade da TAD ao contexto da musculação. Este foi o primeiro estudo que aborda este tema utilizando o método qualitativo e quantitativo para obtenção e análise dos dados. Devido a essas características, é possível ampliar os resultados deste estudo para populações de praticantes de exercícios físicos em academias, desde que estas populações apresentem características semelhantes às da amostra investigada.