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Conclusion

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 32-36)

A introdução do sector das escolas e colégios de 2 anos no ensino pós-secundário é a fórmula-chave para (i) combater a crónica falta de qualidade de ensino ao requalificar a mão-de-obra excedentária pouco qualificada (através de programas de reconversão de carreira e de formação contínua) e melhorar as qualificações dos estudantes de fraco rendimento; (ii) alargar o acesso ao ensino superior para responder à forte procura e atender à diversidade e exigências do mercado laboral. Esta é a base filosófica dos Community Colleges americanos. As escolas tecnológicas japonesas têm uma particularidade interessante. O Japão, por motivos de competitividade económica, enfatizou a área tecnológica como área-chave e reflectiu este repto no sistema educativo. Os colégios de tecnologia criados naquele país são o resultado concreto desta orientação estratégica, fundada também na filosofia dos Community Colleges. Estas instituições têm a particularidade de formar engenheiros após o nível pré-secundário, ou seja, o aluno ao completar 9 anos de escolaridade, pode enveredar por uma via de ensino tecnológico de 5 anos e obter o título de engenheiro. Com uma enorme falta de técnicos em áreas específicas, TL poderia usar este modelo para formar os seus quadros intermédios.

Existindo este sector, os “bridging courses” da UNTL deixariam de fazer sentido. Na verdade, este subsector teria como principal função atender as necessidades de formação em áreas de serviços públicos como o comércio, o turismo e a indústria, além de oferecer cursos vocacionais aos graduados universitários em busca de emprego e formação ao longo da vida. Escolas deste sector adoptam uns curricula de formação prática e

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AMARAL, A. (2003). Avaliação, Revisão e Consolidação da Legislação do Ensino Superior. Portugal: FUP.

orientada para o mercado de trabalho especializado e vocacional, embora pudessem também ter programas de estudo que possibilitassem a transferência para o sector universitário. As escolas e colégios formariam, por exemplo, técnicos de contabilidade, de mecânica, de informática, de tradução, de secretariado, judiciais, de saúde, agrários, florestais, de construção civil, para o sector hoteleiro, para a restauração e ainda para o turismo. O acesso seria virtualmente aberto a todos os que terminassem o secundário ou equiparado.

Um dos motivos pelo qual se decidiu apostar num modelo dual e não no sistema binário é por assumirmos ser mais fácil encontrar recursos (físicos, humanos, financeiros) para um ensino pós-secundário de 2 anos do que para o ensino superior binário. Por exemplo, as estruturas físicas poderiam ser obtidas através de reconversões do espaço comunitário público ou até mesmo das escolas técnicas vocacionais. Mesmo que a reconversão necessite de um forte investimento inicial, acreditamos que o retorno, a médio e longo prazos, em termos de quadros qualificados, será francamente vantajoso. Os docentes para este tipo de ensino seriam mais fáceis de recrutar, visto as exigências não serem tão elevadas como as do ensino universitário. Basta um bacharel ou um profissional credenciado da disciplina em causa, para, com um treino curto especializado, colmatar a falta dos professores. Em termos financeiros, grande parte dos cursos oferecidos não necessita de investimentos dispendiosos. Para os cursos mais técnicos, em que seriam mais precisos equipamentos adequados, a solução é encontrar estas infra-estruturas através da readaptação e reequipamento de algumas escolas técnicas já existentes. Aproveitando esta sinergia, coloca-se a possibilidade de algumas destas escolas técnicas e vocacionais de nível secundário terem formações com duração além dos 3 anos normais, ou seja, poderão incluir os 2 anos adicionais da escola pós-secundária, obtendo após 5 anos um certificado de reconhecimento profissional, como acontece nos colégios tecnológicos japoneses.

Quanto à mobilidade dos estudantes formados neste sector para o ensino universitário, o exemplo da Califórnia (E.U.A.) é de que apenas 45% o poderão fazer, já que tal depende de acordos prévios com as universidades e nem todos os colleges têm curricula convenientemente apetrechados para ganhar equivalências. Portanto, os cursos que queiram dar oportunidades aos seus formandos de prosseguir os seus estudos no sector universitário terão de conjugar os seus planos de estudo com os cursos leccionados no sector universitário e estabelecer acordos institucionais.

Pretendemos, com esta pequena descrição, fundamentar a pertinência do sistema dual no actual contexto de Timor-Leste. Este parece ser o melhor padrão de SES para contornar a falta de qualidade no ensino e, talvez, o modelo transitório mais adequado à implementação de um sistema estratificado em Timor-Leste para um futuro longínquo de 20 a 30 anos, por ser esta a tendência geral dos sistemas de ensino superior, segundo P.Scott (1995).

Como várias vezes foi referida, a má qualidade do ensino é um crónico problema que afecta todo o sistema educativo, cujo impacto atinge negativamente todos os sectores

da sociedade de TL. A sua complexidade é de tal ordem que aniquila qualquer tentativa isolada de combate. No entanto, acreditamos que a chave para superar este “fardo” está no bom desenvolvimento do ensino pós-secundário, pelo efeito multiplicador que uma tal intervenção terá. Só este sector poderia qualificar e requalificar os quadros técnicos e académicos necessários à melhoria do ensino e aprendizagem no sistema. O cerne do problema está nas pessoas e é nelas que temos de apostar. Resolvido este problema da falta de quadros qualificados, os outros constrangimentos serão menos difíceis de contornar. Só uma população educada e bem formada poderá contribuir efectivamente para a produção da riqueza do país.

Estamos convictos de que um sistema dual cabalmente apetrechado, dotado de instituições que privilegiam a excelência no ensino e na investigação em áreas fundamentais de reconstrução e desenvolvimento, bem como atendam às necessidades locais e regionais, produziria diplomados e graduados munidos de capacidades e competências adequadas aos actuais desafios de TL.

A linha de orientação que se vem preconizando levará a que, daqui a 5 - 15 anos, se observe o salto qualitativo de uma situação precária de falta de quadros qualificados para uma perspectiva de melhoria efectiva do desenvolvimento humano.

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